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Posts tagged livros

Mia Couto: ‘Escrevo para acalmar os fantasmas’

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Por Manuel Jesus e Vítor Gonçalves, no Sol.com

Humilde, quase não entende por que recebe prémios, mas no início do ano recebeu mais um: o Prémio Eduardo Lourenço. Admite ser caótico no que toca ao método de trabalho e cada vez que parte para um novo livro sente os mesmos medos com que iniciou a primeira obra. A família é a primeira leitora, mas não é para ela que escreve.

A sua família tem alguma influência naquilo que escreve?

É vital. Não tenho nenhuma vontade de ter carreira, seja de escritor ou de biólogo. As coisas aconteceram e, às vezes, digo que tive sorte. É preciso muito trabalho, talento, mas também existe o factor sorte. Há gente com talento que trabalha muito no domínio da escrita e da literatura, mas nunca foi reconhecido ou só foi reconhecido depois de morrer. Se tenho uma intenção ou um programa na vida é de ser um bom pai, um bom marido e um bom amigo.

Quais são os seus primeiros leitores?

A primeira é a minha mulher, a Patrícia, depois o meu pai e os meus filhos. Escuto-os com muita atenção.

Como é o Mia enquanto pai?

Sou pai como se os meus filhos fossem sempre meninos de colo. Por exemplo, mandava mensagens ao meu filho Mário a perguntar se já tomou os comprimidos, etc. E ele respondia-me com mensagens escritas à mão, que eram entregues por um mensageiro, pois não há corrente eléctrica no sítio onde ele está. Ele escrevia-me, descrevendo o local onde estava, e aí vi que ele herdou a poesia. Pergunto-me por que é que este miúdo herdou esta doença…

Na sua escrita, o espaço tem as características de gente. Isso é premeditado?

Acho que essa tendência de olhar o mundo como se fosse uma parte da nossa criação também está muito presente naquilo que são as filosofias africanas. O universo é criado e pensado a partir de um centro, que é o homem. Mas também acho que se encontra na minha escrita aquilo que é a vontade de ficar espantado com o que não se percebe, o que não tem espelho. De repente, há ali um universo que não temos capacidade de entender. Isso para mim, longe de ser um elemento de receio, é de um enorme fascínio. Deixar de perceber é fundamental, porque é a única maneira de baralharmos as cartas e de voltarmos a repensar a nossa maneira de estar no mundo. Adoro não perceber, não saber.

Para quem escreve?

Para ninguém. O escritor escreve para acalmar os seus próprios fantasmas interiores. Tenho descoberto que as pessoas com quem gosto mais de falar são aquelas que não têm voz. Existe um jogo de adivinhação que gosto de fazer, que é o de questionar alguém que nunca foi chamado para dizer nada. O que é que essas pessoas gostariam de dizer? É isso que me faz correr.

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Máquina de livros antecipa abertura da Bienal

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Publicado originalmente na Época S. Paulo

Uma máquina colorida e barulhenta está estacionada na Praça da República, no centro da cidade, até domingo (29/07) atraindo olhares curiosos. Qualquer pessoa pode retirar uma senha, inserir um livro em bom estado e ao apertar um botão, o aparato emite alguns sons como se estivesse fabricando algo e, logo em seguida, ejeta outra obra literária – novinha em folha. É a “máquina do livro”, uma ação que faz parte da campanha “Entre no Clima da Bienal”, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), antecipando a 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 9 a 19 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Em três dias, a “A Incrível Máquina de Livros” distribuiu mais de 3 mil exemplares. A engenhoca, que tem um funcionamento parecido ao de um caixa automático, foi abastecida por doações de livros novos feitas por editoras. Agora, o estoque já contempla exemplares “trocados” pelos paulistanos. O aparelho ficará na Praça da República neste fim de semana das 9h às 16h. Segundo a Câmara Brasileira do Livro, o horário do almoço entre 12h e 14h costuma atrair maior público. Como alternativa, alguns interessados passaram a trocar livros enquanto esperavam na fila.

“Fernando Pessoa me encanta e me oprime”

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Guilherme S. Zanella, na Revista Cult

Maior colecionador de objetos pessoais de Fernando Pessoa, José Paulo Cavalcanti Filho acaba de comprar em leilão em Lisboa a escrivaninha e os óculosdo poeta.

A aquisição faz parte do projeto pessoal desse advogado pernambucano e ex-ministro da Justiça (governo Sarney) demontar as peças da vida desse imenso quebra-cabeça feito de heterônimos. A ideia é reconstruir a figura do homem “real”que se esconde atrás desse mito da literatura portuguesa. O resultado foi “Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia” (Ed.Record, 2011).

Membro da Academia Pernambucana de Letras, José Paulo Cavalcanti também compõe hoje a Comissão da Verdade, que visa a apurar os registros que indiquem violações de direitos humanos durante o regime militar.

Em entrevista à CULT, Cavalcanti Filho explica abaixo sua obsessão pela vida do autor de “Tabacaria” e também o que espera da Comissão da Verdade.

CULT – Qual foi o seu primeiro contato com a obra do Fernando Pessoa?
José Paulo Cavalcanti Filho – Em 1966, ouvi “Tabacaria” recitada pelo ator português João Villaret. Nessa época, ainda não sabia que Villaret era Deus. Nem que Pessoa era esse gênio absoluto. Foi o começo de uma paixão que até hoje me encanta e oprime. Tanto que nunca mais parei de lê-lo, com obsessão. Tudo. Sempre.

Aos poucos, fui sendo tomado por uma angústia indefinida. Explico: o grande Octavio Paz, ao início de um livro sobre Pessoa, comparando a insignificância da vida à majestade da obra, disse que, nele, “a obra é a vida e a vida é a obra”. O que é verdade, certamente, mas também não é. Porque, por trás do autor, há um homem que dorme, acorda, se veste, trabalha e sonha. “Mas quem era ele?”, eis a questão.

Não só isso. Sempre quis saber mais. Qual era a tabacaria da “Tabacaria”. Quem era a pequena que comia chocolates? Existiu mesmo um Esteves, aquele que conversava à porta com o dono da tabacaria? Procurava esse livro e ele não existia. E então, no mais íntimo, pouco a pouco se formou o desejo de escrevê-lo. Foi mais ou menos assim.

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Dia Nacional do Escritor

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Imagem Google

Publicado originalmente no Dinheiro na Conta

Dia Nacional do Escritor – O dia 25 de julho é um dia dedicado a homenagear o escritor brasileiro. O surgimento da data se deu a partir da década de 60, através de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, quando realizaram o I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores – UBE, do Rio de Janeiro.

“Se você não tem dinheiro para comprar livros e precisa ou quer ler, sirva-se a vontade”

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Vi no Facebook

Tradução:

‘Durante o horário comercial, os livros na fachada são 50 centavos cada, ou 5 por 2 dólares.
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Quando o estabelecimento estiver fechado, sintam-se livres para pegá-los emprestado ou comprá-los e me pagar depois.
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A qualquer hora: Se você não tem dinheiro para comprar livros e precisa ou quer ler, sirva-se a vontade.
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Aceitamos doações’

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