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Posts tagged livros

O caminho do sucesso dos novos escritores

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Publicado originalmente no No Mundo e Nos Livros

O escritor Paulo Coelho acaba de afirmar que a nova geração de escritores não está prestando atenção e aproveitando todas possibilidades que tem diante de si hoje em dia. Para isso citou o caso do livro “A batalha do Apocalipse” de Eduardo Sphor que entrou em todas as listas de mais vendidos com comentários simples na internet que se propagam mesmo não sendo da crítica especializada.

Hoje com o advento da internet, os escritores podem expressar o que pensam inclusive sobre qualquer obra literária. Paulo Coelho lembrou ainda que quando alguém vai comprar um livro, esse leitor “não vai procurar os comentários da crítica especializada, mas daqueles que já leram. Isso pode determinar o sucesso global ou a morte súbita de um texto.”

Paulo Coelho que sempre foi muito criticado pela mídia lembrou os leitores que nunca faltou espaço para ele na mídia. Lembrou ainda que as previsões sobre ele, era de que fosse apenas um fenômeno de moda, mas com o crescimento da internet, passou a escrever para blogs e redes sociais, ampliando o alcance daquilo que julgava interessante dizer.

Para Paulo Coelho os escritores sofrem da “síndrome de Van Gogh” (ser reconhecido apenas após a morte). O grande erro dos novos escritores é que tentam “agradar a um sistema falido da cultura construída com verbas de ministérios e cimentada com resenhas misteriosas e ilegíveis. Gastam uma imensa energia em busca de reconhecimento que já não está nas mãos daqueles que pensam detê-lo.”

Paulo Coelho diz ainda “A esses, eu digo: os meios de produção e divulgação estão a seu alcance – e isso nunca aconteceu antes. Se ninguém presta atenção ao que estão fazendo, não se preocupem. Continuem adiante, porque cedo ou tarde (mais cedo que tarde) alguém entenderá o que dizem. Os brasileiros não são lidos no exterior porque ninguém se interessa em traduzi-los.” Hoje os autores podem fazer todos esse trabalho sozinho e sem gastar muito. Podem traduzir seu livro e publica-lo tanto no Brasil como no Exterior de maneira totalmente gratuita.

Os autores britânicos, por exemplo, revelaram em um pesquisa já preferem eliminar seus editores e publicar seus livros por conta própria. Estas são talvez as duas revelações mais surpreendentes da pesquisa “Do you love your publisher?” (“Você ama sua editora?”), feita para identificar a atitude de escritores britânicos em relação a seus editores por encomenda do Writer’s Workshop. A auto publicação de e-books também é mais atrativa, pois o retorno financeiro também é maior. Quem sabe você autor muda de atitude agora?

A última entrevista de Clarice Lispector

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Júlio Lerner, na Revista Bula

De minha sala até o saguão dos estúdios tenho que percorrer cerca de 150 metros. Estou tão aturdido com a possibilidade de entrevistá-la que mal consigo me organizar naquela curta caminhada. Talvez falar sobre “A Paixão Segundo G.H”… Ou quem sabe sobre “A Maçã no Escuro” e “Perto do Coração Selvagem”… Vou recordando o que Clarice escreveu. Será que li tudo? Em apenas cinco minutos consegui um estúdio para entrevistá-la. São quatro e quinze da tarde e disponho de apenas meia hora. Às cinco entra ao vivo o programa infantil e quinze minutos antes terei de desocupar o estúdio. Estou correndo e antes mesmo de vê-la a pressão do tempo começa a me massacrar. Não terei condições de preparar nada antes, nem mesmo conversar um pouco. Não poderei sequer tentar criar um clima adequado para a entrevista. Eu odeio a TV brasileira! Só meia hora para ouvir Clarice. O pessoal da técnica foi novamente generoso e se empenhou para conseguir essa brecha. Olho o relógio, não consigo me organizar, estou correndo, olho novamente o relógio. Estou desconcertado, atinjo o saguão dos estúdios e a vejo ali, dez metros adiante, Clarice de pé ao lado de uma amiga, perdida no meio do vaivém dos cenários desmontados, de diversos equipamentos e de técnicos que falam alto, no meio de um grande alvoroço.

Paro diante dela, estou um pouco ofegante, estendo-lhe a mão e sou atravessado pelo olhar mais desprotegido que um ser humano pode lançar a semelhante. Ela é frágil, ela é tímida, e eu não tenho condições para explicar que o problema do tempo elevou meus níveis de ansiedade. Clarice me apresenta Olga Borelli, entramos e a conduzo ao centro do pequeno estúdio. Peço para que ela sente numa poltrona de couro de tonalidade café-com-leite. Clarice segura apenas um maço de Hollywood e uma caixa de fósforos, providencio um cinzeiro, os refletores malditos são ligados. Clarice me olha. O olhar de Clarice me interroga, só disponho de uma única câmera, o olhar de Clarice suplica, Olga se ajeita numa lateral escurecida, chega Miriam, a estagiária do programa e fica encolhida e calada, o calor está ficando insuportável e o ar-condicionado não está ajustado, são apenas quatro e vinte, Clarice tenta me dizer alguma coisa mas não falo com ela, preocupado em ajustar uma questão de iluminação, o hálito da fornalha já nos atinge a todos, devemos ter agora no estúdio uns 50 ou 60 graus, maldita TV, bendita TV do terceiro mundo que me possibilita estar agora frente a frente com ela, Clarice me olha melindrosa, assustada e seu olhar me pede para que a tranquilize.

“OK, Júlio, tudo pronto”, a voz metálica vem da caixa dos alto-falantes. Peço a toda equipe para sair, cabo man, iluminador, assistente de estúdio, agradeço. Clarice percebe que caiu numa arapuca e já não há como voltar atrás. Peço silêncio e depois de uns dez segundos ecoa um “gravando”.

Não conversamos antes e disponho apenas de 23 minutos. Estou completamente desconcertado, fico um minuto em silêncio fitando Clarice. Estou oco, vazio, não sei o que dizer. Clarice me olha curiosa, mas vigilante, defendida. Sou o senhor do castelo e — prepotente — guardo comigo a chave desta prisão. Ninguém pode entrar ou sair sem meu expresso consentimento. Todos devem se submeter à minha autoritária vontade.

A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista. A entrevista avança. Seus olhos azuis-oceânicos revelam solidão e tristeza. Clarice está nua, não há perdão, Clarice agora está encapotada, ela se deixa agarrar, mas logo escapa, e volta, e me pega, e me sugere o longe, o não dizível, depois se cala. E quando nada mais espero, ela volta a falar. Faço uma antientrevista, pausas, silêncios, Clarice agora está fugindo para uma galáxia inabitada e inatingível, mas volta em seguida e, tolerante, suporta toda a minha limitação.

Acho que ela vai se levantar a qualquer instante e me dizer: “Chega!”. Clarice pressente que por trás de meu sorriso aparentemente compreensivo e de minha fala suave esconde-se um ser diabólico autodenominado “repórter” e que quer possuir sua intimidade. Seu corpo exprime receios, ela me afasta, mas de novo me atrai, suas pernas se cruzam e se descruzam sem parar e telegrafam que de repente ela poderá se levantar e partir.

Clarice Lispector, de onde veio esse Lispector?

É um nome latino, não é? Eu perguntei a meu pai desde quando havia Lispector na Ucrânia. Ele disse que há gerações e gerações anteriores. Eu suponho que o nome foi rolando, rolando, rolando, perdendo algumas sílabas e foi formando outra coisa que parece “Lis” e “peito”, em latim. É um nome que quando escrevi meu primeiro livro, Sérgio Milliet (eu era completamente desconhecida, é claro) diz assim: “Essa escritora de nome desagradável, certamente um pseudônimo…”. Não era, era meu nome mesmo.

Você chegou a conhecer o Sérgio Milliet pessoalmente?

Nunca. Porque eu publiquei o meu livro e fui embora do Brasil, porque eu me casei com um diplomata brasileiro, de modo que não conheci as pessoas que escreveram sobre mim.

Clarice, seu pai fazia o que profissionalmente?

Representações de firmas, coisas assim. Quando ele, na verdade, dava era para coisas do espírito.

Há alguém na família Lispector que chegou a escrever alguma coisa?

Eu soube ultimamente, para minha enorme surpresa, que minha mãe escrevia. Não publicava, mas escrevia. Eu tenho uma irmã, Elisa Lispector, que escreve romances. E tenho outra irmã, chamada Tânia Kaufman, que escreve livros técnicos.

Você chegou a ler as coisas que sua mãe escreveu?

Não, eu soube há poucos meses. Soube através de uma tia: “Sabe que sua mãe fazia um diário e escrevia poesias?” Eu fiquei boba…

Nas raras entrevistas que você tem concedido surge, quase que necessariamente, a pergunta de como você começou a escrever e quando?

Antes de sete anos eu já fabulava, já inventava histórias, por exemplo, inventei uma história que não acabava nunca. Quando comecei a ler comecei a escrever também. Pequenas histórias.

Quando a jovem, praticamente adolescente Clarice Lispector, descobre que realmente é a literatura aquele campo de criação humana que mais a atrai, a jovem Clarice tem algum objetivo específico ou apenas escrever, sem determinar um tipo de público?

Apenas escrever.

Você poderia nos dar uma ideia do que era a produção da adolescente Clarice Lispector?

Caótica. Intensa. Inteiramente fora da realidade da vida.

Desse período você se lembra do nome de alguma produção?

Bem, escrevi várias coisas antes de publicar meu primeiro livro. Eu escrevia para revistas — contos, jornais. Eu ia com uma timidez enorme, mas uma timidez ousada. Eu sou tímida e ousada ao mesmo tempo. Chegava lá nas revistas e dizia: “Eu tenho um conto, você não quer publicar?” Aí me lembro que uma vez foi o Raimundo Magalhães Jr. que olhou, leu um pedaço, olhou para mim e disse: “Você copiou isso de quem?” Eu disse: “De ninguém, é meu”. Ele disse: Você traduziu?” Eu disse: “Não”. Ele disse: “Então eu vou publicar”. Era sim, era meu trabalho.

Você publicava onde?

Ah, não me lembro… Jornais, revistas.

Clarice, a partir de qual momento você efetivamente decidiu assumir a carreira de escritora?
Eu nunca assumi.

(mais…)

‘Bíblia Radical’ fala de passagens ‘nojentas’ e usa gírias

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"Bíblia" teen promete ensinamentos e aventura na medida certa

Capa da “Bíblia do Garoto Radical”

Publicado originalmente no Folha.com

A história contada na “Bíblia do Garoto Radical” é a mesma que aparece na conhecida e tradicional publicação. Mas a edição traz comentários com gírias para tentar se aproximar do público teen.

Editada por Rick Osborne, autor especializado em publicações cristãs e o responsável pelas notas adicionais, a obra tem seções como “Notas Radicais”, “Nojento!”, “Tô Ligado!” e “Anota Aí!”.

Um dos textos de “Nojento” é o seguinte: “Que comédia! O rei da Babilônia segurando um fígado imenso de bicho, olhando praquele negócio todo ensanguentado na frente dele (Ez 21:21). E quer saber por que ele fez isso? Pra tentar prever o futuro. Não é pra rolar de rir? Orar pra conhecer a vontade de Deus é uma atitude bem mais inteligente.”

Outro de “Nojento”: “Ninguém disse que matar gigantes era um trabalho limpinho. Quando Davi arrancou a cabeça de Golias, é provável que tenha escorrido sangue pra todo lado. A região do pescoço tem muitos vasos sanguíneos, ainda mais o pescoço de um gigante. E quem limpa a sujeira”.

Em “Tô Ligado!”: “Leia Provérbios 8:12-21. Em ritmo de rap: ‘Quem quer ficar mais inteligente e esperto/Tem de andar com a sabedoria sempre por perto/Não adianta ficar por aí o tempo todo de zoeira.”

Vinho com poesia

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Fernanda Jimenez, no Falando em Literatura

“Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram” Cícero

Eu sou praticamente leiga em vinhos, sou do tipo que compra pelo rótulo, pela garrafa (os vinhos que têm o fundo côncavo são os melhores, vinhos com denominação de origem certificada, fora os selos que garantem a qualidade), pelo teor alcóolico (procuro sempre os mais baixos) e também pelo nome. E comprando pelo nome, comecei a observar que existem rótulos com títulos bem interessantes, inclusive com poemas:

 

Os vinhos Albariños são da Galícia e os galegos, além do espanhol, falam também o galego- português. Virando a garrafa, olha a surpresa, um poema lírico trovadoresco de Martín Códax, século XIII:

 

Fácil de entender, não? Muito parecido com o português.

Martin Códax foi um trovador galego, escreveu cantigas de amigo, no tempo em que as poesias eram feitas para serem cantadas. Códax provavelmente era de Vigo e nos deixou sete cantigas, que foram encontradas por acaso na biblioteca pessoal de Paulo Vindel, em 1914. O pergaminho estava dentro de um livro do filósofo Cícero. Pouco se sabe quem foi o trovador, mas sua obra lírica galaico- portuguesa é de grande valor histórico. No pergaminho de Codáx, além dos poemas, também estão as partituras musicais. As mesmas notas estão reproduzidas na rolha do vinho Códax:

 

Abaixo uma cantiga de amigo, cantada por um grupo galego que leva o mesmo nome do trovador:

É ou não é um vinho com poesia? Agora falta provar.

Alma do vinho assim cantava na garrafa:
“Homem, ó deserdado amigo, eu te compus,
Nesta prisão de vidro e lacre em que se abafas,
Um cântico em que só há fraternidade e luz!”
(Charles Beaudelaire, do poema L Âme du Vin)

Dedicatórias de livros ganham cantinho em tumblr romântico

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eu te dedico1 (Foto: Reprodução)
Tumblr ‘Eu te dedico’ (Foto: Reprodução)

Fabrício Vitorino, no TechTudo

No mercado, o debate entre aqueles que acham que os livros estão com os dias contados e os que garantem que o papel nunca sera substituído continua quente. Mas entre pilhas de argumentos de ambos os lados, um ainda faz a balança pesar para o lado dos românticos: como ficam as dedicatórias no mundo dos e-readers? Enquanto a resposta não vem, o tumblr “Eu te dedico” traz para o mundo virtual algumas das páginas mais bonitas das vidas de algumas pessoas que, por acaso, foram parar em livros.

Criadora da página, a designer mineira Mariana Guglielmelli conta que a ideia surgiu aleatoriamente: “Mexendo em livros antigos, fiquei pensando em como deve haver dedicatórias (e histórias que as acompanham) escondidas, esquecidas ou perdidas por aí”, conta. E o tumblr – um formato de microblog que privilegia as imagens – se tornou o ideal para tirar as dedicatórias das estantes. “As mais interessantes, geralmente, ficam guardadas em casa. As pessoas não se desfazem delas”, diz a designer.

E, apesar de encantadora, a iniciativa parece tomar muito tempo de sua criadora. Afinal, é preciso manter um ritmo frequente de atualizações, além de um esquema para atender o recebimento diário de material. Guglielmelli admite que, sim, a página “dá um certo trabalho”, sobretudo se levarmos em consideração que ela recebe material – fotografado ou digitalizado – praticamente todos os dias.

Mas, e com relação à polêmica dos livros digitais x livros impressos, como ficam as dedicatórias? Para Guglielmelli, elas continuarão sendo escritas, ainda que com ajuda de aplicativos específicos, que funcionam bem para autores. Já para quem presenteia, ela diz ainda não saber como isso irá funcionar. “Os e-books estão se popularizando rapidamente, mas ainda não como presente. Imagino que eles serão o reduto das dedicatórias de autor e os livros tradicionais, das escritas por conhecidos”, diz.

A página tem agora pouco mais de 4 meses e conta com grande repercussão – já são mais de 300 dedicatórias recebidas. Apesar de ter deixado sua dona surpresa, o sucesso parece não incomodar. Aliás, pelo contrário. Mariana já faz planos para o futuro: “Gostaria que o Tumblr rendesse outros frutos, virasse livro, exposição…”

Mas a pergunta que, naturalmente, todo mundo gostaria de fazer à autora é: qual foi a dedicatória que mais te emocionou? Ela se esquiva e diz que prefere que os leitores escolham sua favorita. Mas revela que prefere os pedidos de desculpa. “Posso citar uma que encontrei por acaso, na minha estante. Me lembrava do livro, que foi o meu primeiro, mas não da dedicatória, e foi um segundo presente achá-la:

Para a Mariana
aprender a gostar de ler,
com amor

Dindinha Lelé
07-03-82”

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