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Posts tagged livros

Escritor de gaveta: você deveria ser

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Texto escrito por Camila Kehl no Livros Abertos

Eram chamados, com relativa precisão, de escritores de gaveta. Com o surgimento da internet, essa denominação passou a ser questionável — aquele sujeito que preenchia folhas e folhas de um caderno com seus pensamentos e desabafos se transformou no blogueiro que usa o espaço para publicá-los. Por falta de definição melhor, entretanto, ou justamente por não haver uma de que eu goste tanto, acho digno chamar todos os que não têm livro publicado (as tentativas não contam), mas que ainda assim produzem compulsivamente, de escritores de gaveta.

Eu sou uma escritora de gaveta. E com orgulho. Nunca tentei publicar meus escritos porque eles não foram produzidos com essa finalidade. Mais do que isso, até: eu me sentiria incomodada se alguém os lesse (mas isso sou eu; alguns gostam de compartilhar os seus). Os arquivos de texto salvos no meu computador e toda a sorte de linhas traçadas em papéis aleatórios foram, em grande parte, concebidos como uma jornada de autoconhecimento. De vez em quando, como uma boia, as palavras me auxiliam em momentos difíceis e não permitem que eu afunde. E aí temos a importância não só da leitura, mas da escrita.

[Claro que dá pra diferenciar a produção bem pessoal daquela iniciada com o simples propósito de, se tudo der certo, virar um livro. Mas uma não anula a outra, na medida em que ambas mexem com a essência do escritor; ambas, portanto, podem ser terapêuticas e esclarecedoras.]

Desde que eu aprendi a escrever, eu escrevi. Completei alguns diários, mas hoje não consigo mais seguir essa linha organizada, já que respeitar a própria ordem dos dias é complicado. Dá para definir minha produção como caótica: pequenos contos, frases soltas, pensamentos, argumentações, ideias, poemas, explosões, desabafos, tudo solto e misturado em cadernos e mais cadernos, em arquivos salvos no computador e em algumas folhinhas que estavam à mão quando precisei delas. Não existe um critério, portanto: escrevo aquilo que dá vontade, quando posso e preciso.

A escrita é tão positiva quanto a leitura, embora seja menos estimulada e praticada. Por quê?

As pessoas costumam acreditar que, para escrever, é necessário ter algum tipo de talento ou conhecimento especial. Não é verdade — não quando se trata de colocar seus sentimentos e pensamentos em palavras. Com o exercício quase diário, e ainda em conjunto com a leitura, a escrita pode ser aprimorada; dá pra dizer, então, que essa habilidade é uma daquelas que se adquire com a prática.

A contribuição para o autoconhecimento, como já mencionei, é incontestável. Parece-me — e perdão se soar exagerada — que as pessoas têm encontrado, para seus problemas, soluções em caixinhas que vêm com uma tarja preta; dentro, a felicidade em forma de pílulas. Não que a escrita seja a solução para todos os males. Longe disso. Mas ela pode ser um bom ponto de partida para desbravar aquilo que assusta, enraivece, alegra e entristece. E uma ótima maneira de aprender a lidar com tudo isso. Reler o que fomos no passado é, ainda, um jeito delicioso de ver como mudamos. E como as coisas mudavam enquanto nós nos transformávamos.

Rainer Maria Rilke, em Cartas a um jovem poeta, pediu que o admirador e aprendiz imaginasse o que seria de sua vida sem a escrita; se não conseguisse conceber uma existência assim, então sua vocação para a poesia seria verdadeira. Eu não iria tão longe, mesmo porque não creio em uma única vocação, uma espécie de dom imutável e que pertence à essência de alguém (duvido também dessa essência). Eu diria que cada um, do seu jeito, deveria escrever. Não para mudar o mundo, mas para enxergar e perceber a si e a sua própria vida de um jeito mais bonito. O que também é, afinal, uma tentativa de mudar o próprio mundo.

Mr. Bean escrevendo para si mesmo. Um cartão, sim, mas é uma forma genuína, ué.

Mr. Bean escrevendo para si mesmo. Um cartão, sim, mas é uma forma genuína, ué.

Kindle Touch tem 3G livre no mundo todo, mas só para baixar livros

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Publicado originalmente no Techtudo

Usuários do novo Kindle Touch 3G não poderão acessar seus sites preferidos pelo browser do aparelho, usando a conexão que a Amazon promete ser disponível em qualquer lugar e a custo zero. A conectividade do novo leitor de e-books é dedicada exclusivamente à aquisição e ao download de novos livros para a sua biblioteca virtual.

Kindle Touch 3G não permite que o usuário use a conexão para navegar na web (Foto: Divulgação)

Kindle Touch 3G não permite que o usuário use a conexão para navegar na web (Foto: Divulgação)

A limitação de uso soa como banho de água fria para àqueles que apostaram no aparelho como sério concorrente ao iPad (como leitor de notícias, revistas e e-books). A estratégia da Amazon em limitar a experiência de uso do seu novo aparelho pode se explicar no esforço da empresa em comercializar e-books e em popularizar o formato. Além disso, como a Amazon subsidia a conexão 3G dos aparelhos, os custos de uma navegação livre de seus usuários mundo à fora poderia ser proibitivos.

A atitude pode ser um tiro no pé. Tablets de concorrentes, que possibilitem experiência agradável de leitura e navegação livre pelo 3G, podem roubar o mercado da consolidada marca Kindle. Além disso, a opção da Amazon soa como aquele tipo de coisa que não resiste a alguns meses de criatividade geek. Limitações de software estão aí para serem dribladas, e o que não falta são usuários querendo fazer isso.

Em todo caso, a Amazon confirmou no fórum oficial do Kindle que o 3G não permite navegação na internet, e que a conexão se destina unicamente às consultas ao Wikipedia e ao download de conteúdos da Kindle Store. Para poder navegar na internet livremente, o usuário terá que usar uma conexão Wi-Fi convencional.

O futuro do livro e o fim da web

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Texto escrito por André Forastieri em seu Blog

Sam Harris é um escritor respeitado, com um problema comum: como ganhar a vida daqui para frente. Seu tema central é a razão e a fé. Compartilha angústias em seu blog, em um texto que  pergunta: do que viverá um criador no século 21?

Está experimentando com um novo formato – livros curtinhos, de 60 ou menos páginas, vendidos exclusivamente em formato digital, através do Amazon Kindle.

Para que escrever um livro de 600 páginas, se um décimo disso é o suficiente para defender sua tese? A única razão por que temos livros tão grossos é porque a indústria do livro não é capaz de vender um livro fininho por um preço pequenininho.

Mas agora temos pouco tempo e muitas distrações. Pouca gente ainda tem paciência de passar horas e mais horas atravessando um livrão em que 90% é gordura. Mais prático assistir o autor resumindo suas ideias no YouTube, em dez minutinhos de palestra.

Melhor bispar os slides, bater o olho no verbete da Wikipedia, fazer uma busca e clicar em qualquer coisa que apareça na primeira página do Google. É um lanchinho, e não a refeição completa. Mas banquete tem hora.

Sam Harris continua escrevendo livros longos, impressos em papel e vendidos em livrarias (e também em versão digital, claro). O mais recente chama-se The Moral Landscape, e não recomendo, porque só vi o vídeo a respeito, mas parece sólido, e gente como Richard Dawkins e Ian McEwan, que li, assinam embaixo.

É mais provável que eu leia seu primeiro livrinho exclusivamente digital, Lying. É focado em um assunto só – mentira, e porque devemos sempre dizer a verdade, custe o que custar. Curtinho,  posso baixar hoje e começar a ler já. Se não for tudo aquilo, não perdi grande investimento. Custa  só U$ 1,99, o que é um atrativo a mais.  Baratinho, né?

Lying

Lying, de Sam Harris

Não. É caro, para muitos dos fãs de Harris. Não que eles não tenham dois doletas, R$ 3,60. É que, comparando com o custo de ler o blog dele de graça, parece absurdo. Lying tem uns 50 mil caracteres, o dobro ou triplo do tamanho de um post escrito por Sam para o Blog. Segundo ele, deu bem mais trabalho do que o típico texto que escreve para internet, e é um ensaio, pensado para liquidar seu ponto de vista sobre determinado assunto, e para durar.

Por isso decidiu pelo formato de livrinho digital. Mesmo assim, houve grito. Porque não tem versão para o iPad, Android Market, em papel na livraria da esquina? Por que não é de graça? Lying é um grande sucesso. Entrou na lista do top ten de itens mais vendidos no Kindle, em nono lugar. Harris tem sentimentos ambíguos sobre o resultado, que compartilha em um texto obrigatório para quem se interessa pelo destino das ideias e da comunicação.

Chama-se O Futuro do Livro (leia aqui), somente em inglês. Faz par com outro, chamado O Fim da Web como a Conhecemos, de Adrian Short (leia aqui), também só disponível na língua original. Não concordo totalmente com nenhum dos dois textos – só faltava.

Mas não se lê para buscar confirmação, e sim informação e opiniões divergentes. O que eu já sei, já sei. Conhecimento é conflito. E os dois textos iluminam, por lados diversos, faces diferentes do mesmo desafio, e funcionam melhor lidos numa tacada única.

É revelador que eles não têm relação entre si, fora a que criei. Checando meu Twitter, meia hora atrás, fui como sempre clicando nos links que pareciam mais interessantes, abrindo um após o outro, para depois conferir de uma vez o que há de mais potencialmente provocador, engraçado ou útil. Esbarrei nos textos de Sam e Adrian.

Eu poderia simplesmente passar para frente, via Retweet, ou postar no Facebook, sem contexto. Se não tivesse um blog, simplesmente faria isso. Mas tenho, e é um grande prazer compartilhar ideias, experiências e descobertas inesperadas.

Amazon chega a 1 milhão de livros no Kindle em 4 anos

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Publicado originalmente no TechTudo

Durante a coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (28) em Nova York, além de apresentar seus novos produtos, a Amazon anunciou que alcançou a expressiva marca de 1 milhão de livros disponíveis em sua loja de livros virtuais.

Jeff Bezos, CEO da Amazon, com o tablet Kindle FIre (Foto: Engadget/Reprodução)

Jeff Bezos, CEO da Amazon, com o tablet Kindle FIre (Foto: Engadget/Reprodução)

Jeff Bezos, CEO da empresa, informou que “há quatro anos, a Amazon tinha 90 mil livros disponíveis. Hoje, temos mais de 1 milhão de obras, número este que não inclui os textos autorais livres”. Bezos mencionou que a única maneira de o Kindle fazer sucesso no mercado seria com uma grande demanda, não só do dispositivo, mas principalmente de conteúdo, como e-books.

A Amazon sabe que o momento é favorável para apostar cada vez mais nos leitores eletrônicos. Apesar do enorme crescimento de vendas de livros físicos nos últimos 15 anos, as vendas de livros para o Kindle ainda são maiores. As versões em papel estão associadas aos novos fenômenos literários, como Harry Potter, a saga Crepúsculo e O Senhor dos Anéis. No caso do Kindle e dos e-books, o crescimento das vendas está diretamente ligado à tecnologia oferecida pelos produtos.

Outro detalhe a se observar é que a própria Amazon precisa contar com o acervo mais variado possível, uma vez que a empresa lançou ontem duas novas opções de leitores eletrônicos. A tendência é que o número de usuários de seus serviços aumente consideravelmente, e o que essa nova leva de usuários deseja é uma grande variedade de títulos.
O Kindle é considerado um best-seller no mercado de e-readers nos últimos quatro anos, e, com o lançamento dos novos modelos, a tendência é que esse cenário não mude tão cedo.

SOS LIVRO – dê uma segunda chance para leitura

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Publicado originalmente na Mobilidade Verde

SOS LIVRO – dê uma segunda chance para leitura from Mobilidade Verde on Vimeo.

Todos os meses os catadores que trabalham na coleta seletiva de materiais para serem reciclados, recolhem 1 tonelada de livros por mês, eles são retirados de escritórios, residências. Os livros são triturados e vendidos como papel para serem reciclados pela indústria. A venda de papel triturado é um recurso importante que sustenta centenas de catadores de material reciclado na cidade de São Paulo. Grande parte dos livros recolhidos estão em boas condições e poderiam ser utilizados pela população.

O Instituto Mobilidade Verde realizou uma parceria com a Cooper Glicério para que os livros sejam separados e vendidos pelo mesmo preço do papel triturado e serão doados para o Projeto Bicicloteca e Bibliotáxi.

Os livros serão distribuídos gratuitamente para a população que não tem acesso a leitura.

Para isso ser uma realidade, estamos solicitando a ajuda da população para “Salvarem os Livros”, eles valem mais nas mãos das pessoas do que destruídos.

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