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Em blogs, viciados em drogas relatam histórias e medos

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Publicado por MSN

“Hoje passei o dia meio eufórico, vi o passarinho verde e, como aprendi na clínica, isso não é bom…

Nilton Fukuda/AE – “Estudante de Direito, ex-usuário de cacaína e craque conta sobre suas tentações”

“Hoje passei o dia meio eufórico, vi o passarinho verde e, como aprendi na clínica, isso não é bom. Tenho de me concentrar para manter o meu humor controlado, pois qualquer alteração brusca pode desencadear a vontade de usar drogas. Lembro-me que na ativa a alegria, a tristeza, a euforia, o estresse, o medo e qualquer outra alteração de humor me levavam a usar drogas. Eu não sei lidar com minhas emoções.”

As tentações, o medo, a alegria que vem com cada dia sem recaída inspiram os cada vez mais numerosos blogs mantidos por viciados em drogas ou parentes de dependentes químicos. O trecho acima foi escrito pelo autor do blog Diário de um Adicto, um estudante de Direito de 30 anos, morador de Diadema e ex-usuário de cocaína e crack.

“Tinha acabado de sair de uma internação, era um momento em que eu estava perdido. A coisa que eu mais gostava – que era usar drogas – me havia sido tirada e eu sentia um enorme vazio, que não tinha coragem de relatar a qualquer pessoa por medo da reação”, contou, em entrevista por e-mail ao Estado. “Então, eu criei um perfil e, protegido pelo anonimato proporcionado pela internet, me senti mais à vontade para extravasar meus medos e aflições.”

O histórico dos blogs mostra a evolução de alguns e o desespero de outros. Uma súbita interrupção nos textos acaba levando o leitor a se perguntar se, depois de tanto esforço, o autor sucumbiu às drogas novamente.

Dono da página Limpo, só por hoje, o consultor Junior Souza, de 39 anos, já está há sete anos longe das drogas. Sua vida parece um roteiro de filme. Ele fumou maconha dos 9 aos 11 anos e daí para a frente injetou cocaína, provou LSD e passou a usar crack. Ainda menino, virou cobrador do tráfico de drogas e respondeu por nove assassinatos na prisão. Era um criminoso temido em Pernambuco. Agora morando no Maranhão, continua famoso. Mas como exemplo de recuperação. “Como eu trabalho com grupos de mútua ajuda, a interação que o blog proporciona ajuda muito na minha recuperação”, diz ele, que também dá palestras.

Segundo especialistas, dividir experiências, na web ou não, segue a lógica de tratamento de grupos como Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA). “Fui a uma sessão do AA a troco de uma garrafa de cachaça e, ao contrário de todo lugar que eu ia, não me disseram que tinha de parar. Eu era contra me mandarem fazer as coisas. Não obedecia nem a lei e ia obedecer psicólogo?” Aos poucos, porém, Souza foi largando a bebida, a cocaína, o crack e, por último, a maconha.

Os blogs também ajudam os chamados codependentes, termo usado para designar parentes e familiares que passam a viver em função dos viciados.

A assistente contábil Giuliana Fisher Fatigati, de 28 anos, faz parte de uma rede de cerca de 30 blogueiras que escrevem sobre o assunto. O relacionamento dela com um usuário de crack acabou sem final feliz, com ele de volta às drogas. Além do blog Valeu a Pena, escreveu um livro sobre o assunto. “A codependência é uma doença também. Dá a impressão de que você vai suportar, que você é a mais forte, uma heroína”, diz. “No final, está arrasada, com a autoestima baixa.”

Vivendo há quase metade da sua vida com um viciado em crack, a representante comercial Luciana Laura, de 35 anos, criou no ano passado o blog 14 anos lutando por um dependente químico. “Por meio do blog, conheci inúmeras pessoas que passam pelo mesmo problema. Encontrei amigos que amo incondicionalmente e me ajudam a passar pelos traumas que a dependência química traz aos familiares.

WEB AJUDA PACIENTE QUE TEM VERGONHA DE FALAR EM GRUPO

O psiquiatra Marcelo Niel, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo, diz que os blogs podem ajudar dependentes químicos que não conseguem dividir experiências em público.

“Muitos têm fobia social. Pode ser muito difícil para um paciente ansioso falar em grupo. Esse é o maior fator de não adesão a tratamentos”, diz o médico.

No caso dos familiares, afirma Niel, publicar relatos em blogs pode ajudá-los a descobrir que não são os únicos passando por esse tipo de problema. “Há uma carga muito grande sobre a família, que sente vergonha. É importante que eles saibam que outras pessoas passam por problema parecido”, afirma.

TRECHOS

“Há 69 dias, minha sogra faleceu. Pedi dinheiro emprestado para minha mãe para ajudar no sepultamento. O dinheiro virou droga que usei antes do enterro. Para disfarçar, tomei seis comprimidos de Diazepam que me deixaram grogue.”

“Minha doença age de forma traiçoeira, comendo pelas beiradas, aproveitando qualquer falha na minha armadura e esta semana não foi diferente.” waladicto.blogspot.com.br

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“Ontem, ele saiu para trabalhar e até agora nada, não voltou… E o pior de tudo é que eu mais uma vez emprestei meu carro para ele, o que será que tenho na cabeça?

As vezes, não consigo entender como a codependência nos engana tanto, nos fazendo acreditar nas palavras do adicto. Em duas semanas, ele teve 3 recaídas. Estamos passando por momentos difíceis em casa, pois ele praticamente parou de trabalhar… Estou cansada de carregar tudo nas costas. Sem perceber, fui facilitando o vício dele nas drogas, pois aqui em casa eu pago aluguel, água, luz e telefone… Deixei para meu esposo apenas as despesas com a compra e infelizmente nem isso ele está fazendo…” lucianalpsm.blogspot.com.br

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“Tudo começou na parte da manhã, quando uma nota de R$ 50 que minha mãe havia deixado por descuido na mesa da sala sumiu.

Naquela época, ele já estava morando na minha casa, mas ainda pouco sabíamos a respeito da dependência dele, pouco sabíamos sobre o crack. Logo que minha mãe deu falta, eu ‘saquei’ o que estava acontecendo, eu tive a certeza dentro de mim de que havia sido ele, o rapaz por quem eu havia me apaixonado, o rapaz a quem eu sempre chamava de anjo, e eu travei uma batalha interna dentro de mim para aceitar que aquele anjo fosse capaz de fazer algo do tipo.

E então o jogo começou! O jogo de manipulações, de chantagem emocional, de apelos e tudo mais o que vocês possam imaginar, mas quem estava jogando esse jogo era eu, não ele.” livrovaleuapena.blogspot.com.br

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“Ainda bem que tenho um ‘piloto automático’ que logo me diz que estou no caminho errado.

Ainda bem que, mesmo recaído espiritualmente, emocionalmente e psicologicamente, e com todas as insanidades, eu não consumei a recaída no sentido de voltar ao uso de drogas. Mas eu preciso admitir que a minha vida está sem controle em alguns (ou vários) aspectos; tenho de admitir que preciso de ajuda.

Ontem, encontrei um brother das antigas, que estava em reclusão por tráfico e saiu há dois meses. Ele estava com o uniforme da empresa onde está trabalhando e isso me alegrou muito. Disse estar sendo crente e que está dormindo no albergue. Disse que não tem mais nem vontade de usar, que já recebeu várias propostas para comercializar novamente, mas não pretende mais voltar ao crime.” limposporhoje.blogspot.com.br

Autores paulistanos investem em obras sobre fadas, anjos e demônios

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Inspiração para o movimento é o sucesso de livros que explodiram nos últimos anos, como as séries Crepúsculo

O autor F.T. Farah
O autor F.T. Farah publicou ‘A Outra Face de Deus’, em agosto, com 6.000 exemplares (Foto: FERNANDO MORAES )

Cristiane Bomfim, na Veja SP

“Dimítris e Anne voaram por cerca de vinte minutos, sempre acompanhados por prédios, avenidas e muito trânsito. Diferente do que Dimítris esperava, a cidade de São Paulo era caótica. Apenas no final do trajeto encontraram uma região calma, com árvores e pouca movimentação, um bairro chamado Vila Madalena.” A passagem acima não se refere à conversa de turistas num passeio de helicóptero, mas à aventura de um homem grego que se teletransporta para cá depois de ser submetido a um treinamento celestial no qual tenta virar um ser alado. Essa mistura digna de samba-enredo com pitadas psicodélicas faz parte do livro O Vale dos Anjos — O Torneio dos Céus (editora Novo Século, 414 páginas), escrito pelo paulistano Leandro Schulai, de 26 anos, e lançado em 2010. No início de 2013, chega às livrarias a segunda parte da trilogia, repleta de mistérios e seres sobrenaturais.

+ Leia trecho do livro A Outra Face de Deus, de F.T. Farah

Embora seja difícil conceber uma conferência de personagens mitológicos na Praça da Sé ou uma invasão de seres sobrenaturais na Vila Mariana, entre outras ocorrências fora do comum, a imaginação de um grupo especial de novos autores de ficção voa longe o suficiente para fazer daqui a capital da fantasia. Como acontece na série O Vale dos Anjos, vários enredos dessa turma são ambientados em locações da cidade. Voltado para o público jovem, A Grande Criação de Nicolas (Llyr Editoral, 290 páginas) narra a saga de um garoto solitário que dedica a maior parte do seu tempo a fazer rascunhos de super-heróis até perceber sua principal criação, o Fantasma Vingador, à solta nas ruas da Vila Formosa, na Zona Leste.

A escolha do bairro, segundo o pai da história, Dennis Vinicius, de 33 anos, foi automática. “Como nasci e fui criado aqui, o trabalho de pesquisa fica mais fácil”, explica. Um problema a menos, portanto, em meio às dificuldades enfrentadas pelo aspirante a autor de best-seller. “Tentei outras nove editoras, mas elas recusaram meus textos sem dó”, desabafa. “Todas as pessoas da minha família que leram dizem ter adorado.” O título chegou ao mercado no ano passado com singelos 1 000 exemplares e se esgotou.

A clara inspiração para o movimento é o sucesso de livros que explodiram nos últimos anos, como as séries Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e A Guerra dos Tronos, de George R.R.Martin, além do clássico O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. O gênero está mais na moda do que nunca. No atual ranking de vinte obras de ficção mais vendidas do país publicado no site de VEJA, há onze de fantasia, todas assinadas por estrangeiros.

Já a produção de brasileiros, com o auxílio de blogs e pequenas editoras, ganha expressividade, ao menos em número de títulos: de 136, em 2009, saltou para 398, em 2011. A contabilidade está no Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, preparado por Cesar Silva, designer, e Marcello Simão Branco, doutor em ciências políticas pela USP. “São Paulo é o principal celeiro dessa produção no país”, diz Silva. A cidade também abriga, desde 2007, a Fantasticon, feira para escritores e aficionados do estilo. Em setembro, a Companhia das Letras escolheu o evento para lançar o selo Seguinte, especializado no gênero. “Essas séries cresceram tanto nos últimos anos que não é mais possível deixá-las de lado”, diz a editora Júlia Schwarcz, que privilegia, por enquanto, nomes internacionais — o gaúcho Luís Dill, o primeiro a romper a barreira, chega às prateleiras em janeiro.

O paulistano Fabio Tucci Farah, de 36 anos, sonha em ser a próxima estrela dessa safra. Ele publicou em agosto A Outra Face de Deus, com tiragem de 6 000 exemplares, pela editora Rai, um feito para um autor sem projeção.Com quatro outros livros já lançados, todos infantis ou juvenis, Farah reconhece a influência de Dan Brown (O Código Da Vinci) no calhamaço de 544 páginas que tem como personagens principais um jornalista com carreira decadente e um padre exorcista. Juntos, eles tentam impedir a realização do “apocalipse negro” em Londres. O enredo mistura sociedades secretas, demônios, interesses políticos e espionagem. Pensando “no mercado externo”, ele até trocou o nome completo na assinatura pela abreviação F. T. Farah. Em busca de sucesso, também tentou se aproximar de Paulo Coelho para transformá-lo em guru de sua carreira literária. “Ele me disse que descobriu o próprio caminho e que eu tinha de fazer o mesmo”, conta.

Perfis dos novos escritores

F.T. FARAH, 36

Obra: publicou A Outra Face de Deus, em agosto, pela editora Rai, com 6. 000 exemplares. Tem outros quatro livro sinfantis e juvenis

Temas: religião, demônios e espionagem

Referências: G.K.Chesterton, C.S. Lewis, Arthur Conan Doyle e Dan Brown

  O autor Dennis Vinicius prepara 'Os Fantasmas de Nicolas'
O autor Dennis Vinicius prepara ‘Os Fantasmas de Nicolas’ (Foto:FERNANDO MORAES)

DENNIS VINICIUS BORGES FABRICIO, 33

Obra: prepara Os Fantasmas de Nicolas, continuação de A Grande Criação de Nicolas, publicado em 2011 pela Llyr Editorial

Temas: super-heróis e universos paralelos

Referências: Neil Gaiman, Dan Brown, J.K. Rowling e André Vianco

  O autor Leandro Schulai lançará o segundo livro da série 'O Vale dos Anjos'
O autor Leandro Schulai lançará o segundo livro da série ‘O Vale dos Anjos’ (Foto:MARIO RODRIGUES)

LEANDRO SCHULAI, 26

Obra: lançará no início de 2013 o segundo livro da série O Vale dos Anjos. O primeiro saiu em 2010, com 1.500 cópias, e teve reimpressão, com mais 1.000, em abril deste ano

Temas: anjos, amor além da morte, universos paralelos, inferno e paraíso

Referências: J.K. Rowling e Philip Pullman

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