Posts tagged Lugar Nenhum

Neil Gaiman prepara continuação de bestseller Lugar Nenhum

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Autor está em turnê de divulgação de novo livro Mitologia Nórdica

Caio Soares, no Omelete

Durante uma leitura coletiva em Nova York de um conto de Mitologia Nórdica, seu novo trabalho, o escritor Neil Gaiman confirmou que já está preparando uma continuação do bestseller Lugar Nenhum, um dos livros mais aclamados de sua extensa e premiada bibliografia.

Gaiman disse em entrevista ao New York Times que, enquanto o livro de 1997 era “uma forma de falar sobre os sem-teto, a doença mental e as pessoas sem nada”, a sequência falará sobre as dificuldades de refugiados em se ajustar em uma cidade que vive momentos confusos. “A Londres pós-Brexit e o mundo estão em um estado confuso e horrível”, comentou. “Preciso canalizar toda esta raiva e decepção e colocar em um livro”, finalizou Gaiman.

Publicado pela primeira vez em 1997 a partir do roteiro para uma série de TV, o primeiro romance de Neil Gaiman anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. O livro conta a história de Richard Mayhew e das suas aventuras por uma Londres obscura. No Brasil a obra foi saiu originalmente pela editora Conrad e atualmente é publicada pela Intrínseca. A editora publicará Mitologia Nórdica dia 13 de março.

19 clichês de capas de livros

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Alessandro Martins, no Livros e Afins

Alguns estilos de capas de livros são tão manjados, tão clichês que acabam sendo repetidos indefinida e descaradamente. Basta que surja um novo best-seller para que você veja esse curioso fenômeno acontecer.

É quase uma maneira de as editoras indicarem ao leitor de um gênero ou subgênero de que se trata mais ou menos do mesmo conteúdo daquele outro livro que ficou famoso em determinado estilo.

Em alguns casos, o leitor pode acabar comprando por achar que se trata daquela obra mesmo, enganado. Sei lá.

Esse tipo de comportamento das editoras demonstra o quanto elas valorizam determinada obra pelo que realmente ela é ou pelo quanto ela pode vender para um determinado tipo de público.

Se uma editora resolve investir em um design original, certamente é porque o livro tem, dentro do possível, uma boa dose de originalidade e ela estará oferecento ao seu público uma quantidade mínima de arte e autenticidade. É o caso em que é justo se julgar o livro pela capa.

Vi este post originalmente no BuzzFeed: 19 capas de livro clichês.

1. O assustador “homem-sihueta”

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2. Mulher segurando uma gaiola vazia

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3. O homem ao lado da cerca

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4. Uma mulher com um vestido branco

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5. Mulher usando um longo, com as costas expostas

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6. O carinha com espada

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“É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França”, avalia Muniz Sodré

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Alexandre Gaioto no O Diário

Muniz Sodré está com um copo de cerveja na mão – vez ou outra, faz uma pausa para bebericar a caipirinha à base de Velho Barreiro – e pela primeira vez na nossa conversa hesita em iniciar a resposta imediatamente. Espera. Toma outro gole de cerveja.

Olha para a mesa ao lado, onde imortais da Academia Brasileira de Letras saboreiam um farto churrasco – sem vergonha de repetir as fartas pratadas –, observa João Bosco cantando “Kid Cavaquinho” com um grupo de samba ao nosso lado, dá uma geral, o sorriso nos lábios, no salão de festas do prédio onde mora, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Eu havia perguntado, um minuto antes, como, afinal de contas, ele gostaria de ser lembrado daqui a uns 80 anos.

"É mais difícil ser intelectual no Brasil do que na França", avalia Muniz Sodré - Divulgação

Um dos maiores intelectuais da América Latina? Um jornalista? Um escritor? Apontando para um cabeludo de manga cavada, bermuda e chinelo, com um violão a tiracolo, o aniversariante do dia finalmente responde: “Coloca aí que eu quero ser lembrado como o aluno de violão dele”, e disse o nome inteiro daquele seu colega de UFRJ, um jovem professor da área de comunicação, estendendo-me o copo de cerveja para um brinde.

 

Quatro anos depois desse encontro, Muniz Sodré continua o mesmo. Lutando contra a própria sombra, ele esperneia, nega e faz de tudo para não aceitar o que, de fato, é: um gênio.

“Não sou um dos maiores intelectuais de lugar nenhum”, rechaça, em entrevista por e-mail concedida nesta semana ao Diário.

Com mais de três dezenas de livros teóricos sobre comunicação e cultura, além de uma produção paralela voltada para a literatura, com contos, novelas e um romance, Muniz Sodré, aos 71 anos, é um dos pensadores brasileiros com maior trânsito no exterior, com cursos ministrados na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, mestre em Sociologia da Informação e Comunicação na Université de Paris IV (Sorbonne) e doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve seus livros traduzidos na Itália, Espanha, Bélgica, Cuba e Argentina.

Pelo menos duas de suas obras, “A Comunicação do Grotesco: Introdução à Cultura de Massa no Brasil” (1983) e “Antropológica do Espelho” (2002), são canônicas para quem se mete a teorizar a comunicação e o jornalismo: refletidas, parafraseadas e citadas por deus e o mundo.

Amigo pessoal de Jean Baudrillard, Caetano Veloso, João Ubaldo Ribeiro e Gilberto Gil – por quem foi convidado à presidência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, cargo exercido de 2005 a 2011 -, Muniz Sodré causa espantos: é assustador assisti-lo em minuciosas costuras teóricas da antropologia com filosofia, comunicação, história, sociologia, literatura, em livros e palestras.

Professor da ECO/UFRJ, Muniz Sodré desembarca em Maringá (100 km de Londrina) nesta sexta-feira (19) à noite para falar sobre educação, numa palestra promovida pela Sociedade Médica, no Teatro Calil Haddad, com entrada grátis.

Antes, conversou com o Diário sobre seus livros e avaliou sua trajetória – que, certamente, será lembrada, daqui a uns 80 anos, por uma porção de contribuições ao pensamento científico e à literatura, mas dificilmente há de se resumir às lições de violão com o professor universitário, cabeludo e de manga cavada, do início deste texto.

O DIÁRIO – O senhor é considerado um dos maiores intelectuais da América Latina. O que acha disso?

MUNIZ SODRÉ Não, não é questão de modéstia, mas não sou considerado um dos “maiores intelectuais” de lugar nenhum. Sou um professor da área de comunicação e de cultura nacional que escreveu livros ainda circulantes no mercado editorial e em círculos restritos, principalmente entre os ativistas negros. O Brasil é um país linguisticamente isolado, não nos leem nos países de língua hispânica…

Tenho circulado no exterior como conferencista, mas não creio em reconhecimento. Nem busco. O que acontece é que faço muitas conferências, dou entrevistas, e isso acaba redundando numa imagem pública que, no meu caso, não é das piores… Por que faço tudo isso? Porque acho que a função intelectual é a da fala pública ao lado da pesquisa privada. Conhecimento entesourado é coisa de mandarim.

Gostaria que comentasse a educação que você recebeu na escola pública. Como foi?

A minha educação sempre se deu em escolas públicas, que costumavam ser boas e, além do mais, democráticas. O ensino público é um dos esteios da convivência democrática das classes sociais. Não sei se poderia ter sido melhor. Na verdade, os professores que tive me foram fundamentais. Na escola pública, me iniciei nas línguas que atravesso (jamais tomei cursos particulares) e me preparei para outras, como o alemão, o russo e o árabe, que aprendi fora da escola. A língua portuguesa ensinada pela professora Helena Assis no colégio estadual de Feira de Santana até hoje está comigo.

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