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Divulgada a lista com os finalistas do Prêmio Jabuti de literatura

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Luis Fernando Verissimo está concorrendo com a obra "As mentiras que as mulheres contam" Foto: Revista Rolling Stone Brasil / Divulgação

Luis Fernando Verissimo está concorrendo com a obra “As mentiras que as mulheres contam” Foto: Revista Rolling Stone Brasil / Divulgação

 

Entre os selecionados, estão escritores como Luis Fernando Verissimo

Publicado no Zero Hora

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou nesta sexta-feira os finalistas do 58º Prêmio Jabuti. Maior premiação literária no Brasil, o Jabuti reúne 27 categorias do prêmio, e teve mais de 2.400 inscritos no total. Entre os escolhidos, estão escritores gaúchos como Luis Fernando Verissimo, por As mentiras que as mulheres contam (Contos e Crônicas), e Maria Pilla, com Volto semana que vem (Romance).

Para essa edição, o prêmio faz uma parceria inédita com a Amazon. As obras finalistas das categorias Romance, Contos & Crônicas e Poesia concorrerão ao prêmio Escolha do Leitor, decidido pela avaliação dos leitores, pelo site amazon.com.br/premiojabuti.

A cerimônia de entrega do Jabuti acontecerá dia 24 de novembro, no Auditório Ibirapuera. Os primeiros colocados de todas as categorias que compõem o prêmio receberão o troféu Jabuti e R$ 3,5 mil; também os vencedores dos segundos e terceiros lugares ganharão o troféu. Neste dia, também serão revelados os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – não Ficção que serão contemplados, individualmente, com o prêmio de R$ 35 mil, além da estatueta dourada.

Veja os escolhidos nas principais categorias abaixo (ou clique aqui para ver a lista completa de finalistas).

ADAPTAÇÃO

Título: A Flauta Mágica e o Livro da Sabedoria – Autor: Del Candeias – Editora: Sesi-sp Editora

Título: Auto da Barca do Inferno – Autor: Ivo Barroso – Editora: Sesi-sp Editora

Título: Contos Mouriscos – Autor: Susana Ventura e Helena Gomes – Editora: Callis Editora

Título: Dois Irmãos – Autor: Fábio Moon e Gabriel Bá – Editora: Companhia das Letras

Título: Hamlet ou Amleto – Autor: Rodrigo Lacerda – Editora: Editora Zahar

Título: Histórias Russas – Autor: Ana Maria Machado – Editora: FTD Educação

Título: O Nariz/O Retrato – Autor: Luiz Antônio Aguiar e Doyague – Editora: FTD Educação

Título: O Pequeno Príncipe em Cordel – Autor: Josué Limeira da Silva Júnior – Editora: Editora Carpe Diem

Título: Um Esqueleto – Autor: Diego A. Molina – Editora: Editora Pulo do Gato

Título: Vidas Secas: Graphic Novel – Autor: Arnaldo Branco – Editora: Galera Record

ARQUITETURA, URBANISMO, ARTES E FOTOGRAFIA

Título: Claudia Andujar, no Lugar do Outro – Autor: Claudia Andujar – Editora: Instituto Moreira Salles

Título: Evandro Teixeira, Retratos do Tempo – 50 Anos de Fotojornalismo – Autor: Evandro Teixeira – Editora: Bazar do Tempo

Título: Guerra dos Lugares – Autor: Raquel Rolnik – Editora: Boitempo Editorial

Título: Histórias Mestiças: Catálogo – Autor: Lilia Moritz Schwarcz e Adriano Pedrosa (organizadores) – Editora: Editora Cobogó

Título: Kazuo e Yoshito Ohno – Autor: Emidio Luisi – Editora: Edições Sesc São Paulo

Título: Marianne Peretti: a Ousadia da Invenção – Autor: Tactiana Braga (org.) – Editora: Edições Sesc São Paulo e B52 Desenvolvimento Cultural

Título: Rio – Autor: Marc Ferrez – Editora: Instituto Moreira Salles

Título: Rio Revelado – Autor: Cristiano Mascaro – Editora: Casa da Palavra

Título: Sobre a Arte Brasileira: da Pré-história aos Anos 1960 – Autor: Fabiana Werneck Barcinski – Editora: Martins Fontes / Edições Sesc

Título: Stanislávski: Vida, Obra e Sistema Autor: Elena Vássina e Aimar Labaki – Editora: Funarte

BIOGRAFIA

Título: Abilio – Determinado, Ambicioso, PolêmicoAutor: Cristiane Correa – Editora: Primeira Pessoa

Título: Angela Maria: Biografia – Autor: Rodrigo Faour – Editora: Editora Record

Título: D. Pedro: a História Não Contada – Autor: Paulo Rezzutti – Editora: Editora Leya

Título: Geraldo Vandré: Uma Canção Interrompida – Autor: Vitor Nuzzi – Editora: Kuarup

Título: Histórias de Meu Avô Tristão, a Biografia de Alceu Amoroso Lima – Autor: Xikito Affonso Ferreira – Editora: Azulsol Editora

Título: Júlio Mesquita e Seu Tempo – Autor: Jorge Caldeira – Editora: Mameluco Edições e Produções Culturais

Título: Luiz Carlos Prestes – Autor: Anita Leocadia Prestes – Editora: Boitempo Editorial

Título: Mário de Andrade: Eu Sou Trezentos: Vida e Obra – Autor: Eduardo Jardim – Editora: Edições de Janeiro

Título: Tancredo Neves: a Noite do Destino – Autor: José Augusto Ribeiro – Editora: Civilização Brasileira

Título: Todo Aquele Imenso Mar de Liberdade – Autor: Carlos Marchi – Editora: Editora Record

CAPA

Título: A Superfície Sobre Nós – Capista: Daniel Justi – Editora: Minha Editora – Selo: Amarylis

Título: Alice através do Espelho – e o Que Ela Encontrou Lá – Capista: Marcela Fehrenbach – Editora: Editora Poetisa

Título: Apocalipse Nau – Capista: Eloar Guazzelli – Editora: Editora Nós

Título: Baré: Povo do Rio – Capista: Tuut Design – Editora: Edições Sesc São Paulo

Título: Número Zero – Capista: Leonardo Iaccarino – Editora: Editora Record

Título: O Gigante Enterrado – Capista: Alceu Chiesorin Nunes – Editora: Companhia das Letras

Título: O Sumiço – Capista: Diogo Droschi – Editora: Autêntica

Título: Pittoresco – Capista: Gabriela Viana – Editora: Imprensa Oficial do Estado e Editora da Universidade de São Paulo

Título: Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil – Capista: Luciana Facchini e Karine Tressler(assistente) – Editora: Imprensa Oficial do Estado

Título: Viver é a Melhor Opção: a Prevenção do Suicídio no Brasil e no Mundo – Capista: André Stenico – Editora: Correio Fraterno

CONTOS E CRÔNICAS

Título: Amora – Autor: Natalia Borges Polesso – Editora: Não Editora

Título: As Mentiras que as Mulheres Contam – Autor: Luis Fernando Verissimo – Editora: Objetiva

Título: Avesso Sentido – Autor: Maria Teresa Hellmeister Fornaciari – Editora: 11 Editora

Título: Crônicas Absurdas de Segunda – Autor: Raymundo Netto – Editora: Edições Demócrito Rocha

Título: Eles Não Moram Mais Aqui – Autor: Ronaldo Cagiano – Editora: Editora Patuá

Título: Fim de Festa – Autor: Renata Wolff – Editora: Terceiro Selo

Título: Histórias Curtas – Autor: Rubem Fonseca – Editora: Nova Fronteira

Título: Jeito de Matar Lagartas – Autor: Antonio Carlos Viana – Editora: Companhia das Letras

Título: O que não Existe mais – Autor: Krishna Monteiro – Editora: Tordesilhas

Título: Rio de Janeiro – Autor: Luiz Eduardo Soares – Editora: Companhia das Letras

POESIA

Título: Acerto de Contas – Autor: Thiago de Mello – Editora: Global

Título: Agora Aqui Ninguém Precisa de Si – Autor: Arnaldo Antunes – Editora: Companhia das Letras

Título: Antologia da Poesia Erótica Brasileira – Autor: Eliane Robert Moraes (organização) – Editora: Ateliê Editorial

Título: As Rugosidades do Caos – Autor: Luis Dolhnikoff – Editora: Quatro Cantos

Título: Da Lua Não Vejo a Minha Casa – Autor: Leonardo Aldrovandi – Editora: V. de Moura Mendonça Livros (Selo: Demônio Negro)

Título: Manual de Flutuação para Amadores – Autor: Marcos Siscar – Editora: 7Letras

Título: Ópera de Nãos – Autor: Salgado Maranhão – Editora: 7Letras

Título: Pig Brother – Autor: Ademir Assunção – Editora: Editora Patuá

Título: Sermões – Autor: Nuno Ramos – Editora: Iluminuras

Título: Treme Ainda – Autor: Fabio Weintraub – Editora: Editora 34

Título: Tróiades – Remix Para o Próximo Milênio – Autor: Guilherme Gontijo Flores – Editora: Editora Patuá

Título: Versos Pornográficos – Autor: Chico César – Editora: Confraria do Vento

Título: Vertigens – Autor: Wilson Alves Bezerra – Editora: Iluminuras

Título: Viagem a um Deserto Interior – Autor: Leila Guenther – Editora: Ateliê Editorial

REPORTAGEM E DOCUMENTÁRIO

Título: A Noite do Meu Bem – Autor: Ruy Castro – Editora: Companhia das Letras

Título: A Outra História da Lava-jato – Autor: Paulo Moreira Leite – Editora: Geração

Título: Bateau Mouche – Autor: Ivan Sant´anna – Editora: Objetiva

Título: Corumbiara, Caso Enterrado – Autor: João Peres – Editora: Editora Elefante

Título: Cova 312 – Autor: Daniela Arbex – Editora: Geração

Título: Moçambique, o Brasil é Aqui – Autor: Amanda Rossi – Editora: Record

Título: O Nascimento de Joicy – Transexualidade, Jornalismo e os Limites entre Repórter e Personagem – Autor: Fabiana Moraes – Editora: Arquipélago Editorial

Título: Propina, Política e Futebol – Autor: Jamil Chade – Editora: Objetiva

Título: São Paulo Deve Ser Destruída – Autor: Moacir Assunção – Editora: Record

Título: Uma Cidade se Inventa – Belo Horizonte na Visão de seus Escritores – Autor: Fabrício Marques – Editora: Editora Scriptum

ROMANCE

Título: A Imensidão Íntima dos Carneiros – Autor: Marcelo Maluf – Editora: Reformatório

Título: A Resistência – Autor: Julián Fuks – Editora: Companhia das Letras

Título: Ainda Estou Aqui – Autor: Marcelo Rubens Paiva – Editora: Alfaguara

Título: Bazar Paraná – Autor: Luis S. Krausz – Editora: Benvirá

Título: Desesterro – Autor: Sheyla Smanioto – Editora: Editora Record

Título: Mulheres Que Mordem – Autor: Beatriz Leal – Editora: Imã Editorial

Título: O Grifo de Abdera – Autor: Lourenço Mutarelli – Editora: Companhia das Letras

Título: O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo – Autor: Raimundo Carrero – Editora: Editora Record

Título: Rebentar – Autor: Rafael Gallo – Editora: Editora Record

Título: Volto Semana Que Vem – Autor: Maria Pilla – Editora: Cosac Naify

A Flip chega à adolescência

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Paraty se prepara para receber a 12ª Flip. / Fernando Frazão (Agência Brasil)

Paraty se prepara para receber a 12ª Flip. / Fernando Frazão (Agência Brasil)

Começa nesta quarta mais uma Festa Literária de Paraty, a mais famosa do gênero no Brasil, que completa 12 anos abrindo espaço ao pensamento indígena e à América Latina

Camila Moraes e Marina Rossi, no El País

 

Quando dizem que a maturidade chega com o tempo, não é à toa, e essa máxima vale tanto para as pessoas como para as celebrações culturais. A Festa Literária de Paraty (Flip), que depois de 12 anos de existência é o evento literário brasileiro de maior visibilidade dentro e fora do país, é prova disso. Depois de pouco mais de uma década de prós e alguns contras, essa festa dos livros que acontece entre os dias 30 de julho e 2 de agosto em uma charmosa cidade do litoral do Rio de Janeiro, prova que ganhou personalidade, dando atenção a dois temas de total vigência no cenário de hoje: o pensamento indígena no Brasil e os laços entre brasileiros e seus vizinhos latino-americanos.

Esse passo seguro parece estar atrelado a um jovem curador, que no entanto nega o esforço de imprimir uma marca pessoal à programação do evento. “A meu ver, isso seria um engano, porque a Flip tem uma tradição. Tentei observar grandes momentos que a festa já teve, não para reproduzi-los, mas para recriá-los com novos convidados e conteúdos”, explica o jornalista e editor Paulo Werneck, de 36 anos. Sob seu comando, a Flip continua apostando em nomes célebres da literatura nacional e também da internacional – sempre dentro do formato que a consagrou, o de mesas de leituras e conversas entre escritores cujas trajetórias literárias encontram pontos em comum. Mas – ainda bem – resolveu olhar um pouco mais para os lados.

Em termos gerais, Werneck chegou trazendo da sua experiência em jornalismo a qualidade de destacar temas quentes e estabelecer diálogos. Junto à homenagem ao escritor, ilustrador, humorista e dramaturgo brasileiro Millôr Fernandes, reconhecido por seu estilo irreverente e satírico, o grupo de autores brasileiros se destaca por respirar ares jovens e, com diferentes matizes, fazer críticas ao poder, como comprovam as obras de escritores como Marcelo Rubens Paiva (Feliz ano velho; Não es tu, Brasil) Fernanda Torres (Fim), Antonio Prata (Meio intelectual, meio de esquerda; Nu, de botas) e Eliane Brum (A vida que ninguém vê; Uma duas).
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Mas as mudanças mais chamativas são outras. Primeiro, o “núcleo amazônico” que aparece pela primeira vez, composto pelo líder indígena yanomami David Kopenawa, pela fotógrafa Claudia Andujar e pelos antropólogos Beto Ricardo e Eduardo Viveiros de Castro. Todos intelectuais ligados a causas indígenas frequentemente ignoradas no país. Depois, a presença notável de quatro autores da América Latina hispânica, que nunca foi muito bem representada na programação. São eles o chileno Jorge Edwards, o mexicano Juan Villoro, a argentina Graciela Mochkofsky e o peruano Daniel Alarcón, ícones de quatro gerações e estilos literários bem diferentes. “A literatura latino-americana em espanhol vive um boom que, sendo editor, posso notar depois de acompanhar essa evolução no meu trabalho. No Brasil, apesar da proximidade, não estamos a par disso. É tarefa da Flip ajudar a transpassar esse tipo de barreiras culturais”, esclarece o curador.

Aproximar o Brasil do resto do mundo, de certa maneira, é algo que a Flip faz desde seus primeiros passos. A ala internacional é sempre representativa e costuma atrair grande parte do público que lota Paraty ao longo dos cinco dias de evento. Alguns nomes célebres da vez são o editor estadunidense Glenn Greenwald, que publicou no The Guardian uma série de reportagens feitas a partir dos documentos revelados por Edward Snowden; o escritor Vladímir Sorókin, o primeiro russo a participar de uma Flip, tido como o principal representante literário da resistência Governo Putin; e a escritora britânica Jhumpa Lahiri, filha de indianos e ganhadora de um prêmio Pulitzer que aborda temas como nacionalismo e imigração. Outros hits que merecem ser citados são os norte-americanos Andrew Solomon e Michael Pollan e o suíço Joël Dicker.

Mas nem tudo são flores. Uma das críticas que ainda se faz ao evento é a presença minguada de escritoras. Dos 47 convidados, apenas sete são mulheres – 15% do total. É uma parcela bem inferior à dos homens, como se observa no meio editorial como um todo, e que merece ser revista ao longo de toda cadeia. Werneck concorda: “É uma questão a se batalhar. Essa marca acompanha o próprio mercado, em que há mais homens lançando livros. Mas sem dúvida pode e deve ser melhorada”. Aí está mais uma missão plausível para uma festa de gente grande.

Dias de Millôr

Um dos mais importantes jornalistas, dramaturgos, escritores e cartunistas brasileiros, Milton Viola Fernandes é o homenageado da FLIP deste ano.

Nascido no Rio de Janeiro em 1923, Millôr, como era conhecido, teve a irreverência e inteligência como suas maiores marcas e passou pelos maiores veículos de imprensa brasileiros, incluindo os que surgiram durante a ditadura militar e hoje estão extintos, como O Cruzeiro, O Pasquim e Pif Paf.

Ao longo dos mais de 70 anos de carreira, o jornalista ganhou fama por suas colunas de humor, cheias de sátiras e ironias. Publicou mais de 20 livros, escreveu diversas peças de teatro, espetáculos musicais e centenas de crônicas. Millôr definitivo – A Bíblia do Caos é uma de suas obras mais conhecidas, com 5.142 frases do autor, que morreu em 2012, aos 88 anos, depois de sofrer um acidente vascular cerebral.

Durante a FLIP, serão publicadas cinco edições de um jornal batizado de Daily Millor, com intervenções feitas por convidados do evento, como Antonio Prata, Chico Caruso, Luis Fernando Veríssimo e Ivan Fernandes, filho de Millôr.

O amor segundo Luis Fernando Verissimo

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Série do GNT e livro reúnem histórias do autor que vão da conquista à separação

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Maurício Meireles em O Globo

PORTO ALEGRE – Até que, para quem está casado há 50 anos com a primeira mulher que namorou pra valer — “A verdadeira Lúcia Verissimo”, nas palavras do marido —, Luis Fernando Verissimo tem experiência com o amor. Um tema recorrente em seus textos, que ele escreve há mais de 40 anos, afinal, são os casais se apaixonando, convivendo ou se desfazendo. Agora, parte dessas histórias vai virar livro e série de TV. O GNT lança, dia 8 de janeiro, às 22h30m, “Amor Verissimo”, dirigida por Arthur Fontes, com 13 episódios inspirados em textos do autor que tratam de relacionamentos. No dia 15 do mesmo mês, a editora Objetiva, inspirada pela série, lança um livro homônimo, com 50 textos. São histórias sobre sedução, traições, obsessões, sexo, taras, corações partidos — e até os apelidinhos íntimos (e ridículos) dos casais.

Colunista do GLOBO e vencedor do último Prêmio Jabuti (com “Diálogos impossíveis”), Verissimo abriu sua casa, em Porto Alegre, anteontem, para uma sessão dos primeiros episódios da série. E falou do novo livro e de suas experiências com o amor. Quer dizer, falar não é bem o forte do autor gaúcho. Dono de uma timidez já conhecida, suas frases são marcadas por um falar manso e silêncios compridos. Dá até para fazer um estudo matemático de sua timidez: a entrevista propriamente dita teve 50 perguntas, que Verissimo respondeu em 40 minutos — menos de um minuto por resposta. Isso sem contar os silêncios.

Amores que não dão certo

Tudo bem, a vida de Luis Fernando Verissimo é um livro entreaberto, mas de onde vem toda essa experiência com o amor, depois de 50 anos casado?

— Até chamaram a minha atenção para o fato de eu escrever muito sobre casais se desfazendo. Não tem nada de autobiográfico — diz Verissimo, 77 anos, lembrando que hoje não circula muito por aí, mas que, jovem, teve “bastante experiência” com o amor.

A primeira foi aos 7 anos. Ele se apaixonou por uma garota da escola em que estudava, em Los Angeles, onde a família morava. Para se aproximar da jovem paixão, o escritor roubou uma pulseira de casa (“Nada de valor”). A história está contada na crônica “A pulseira”, incluída no livro.

— Mas eu entreguei a pulseira e saí correndo! Nunca nos falamos, ela não entendeu nada. Minha vida no crime foi por amor — diz o autor, que sentiu medo de, na hora da declaração, se confundir com o inglês e acabar dizendo “My love is name and I Luis you.”

Coisa séria mesmo só com Lúcia Verissimo (a verdadeira, vale lembrar), com quem começou num namoro de escritório, outro tema clássico de suas histórias. Eles trabalhavam juntos e estavam “ficando”. Um dia, o escritor venceu a timidez, comprou uma aliança e deu um ultimato: ela tinha cinco minutos para decidir. Verissimo ainda lembra o dia: 22 de novembro de 1963 — dia do assassinato de Kennedy. Lúcia disse sim.

— Acho que eu disse algumas palavras. Algumas frases, pelo menos, tenho certeza. Estávamos mais ou menos namorando. Estamos juntos há 50 anos. Pelo visto o casamento vai dar certo — brinca Verissimo.

A diferença entre os dois também é marcante. Ela é falante, extrovertida; ele, o caladão de sempre. Mas Verissimo se defende, e diz que não fala muito porque Lúcia não deixa espaço.

— Estou há 50 anos esperando uma brecha para falar — ri.

Verissimo se esquiva na hora de falar de sua vida amorosa antes de Lúcia. No livro “Conversas sobre o tempo”, uma entrevista que ele e Zuenir Ventura deram a Arthur Dapieve, em 2010, ele menciona a história de uma húngara que…

— Eu contei a história da húngara?! Não me lembrava. Ela era masoquista — diz o tímido, meio espantado consigo mesmo.

Pois é, contou. Aos 23 anos, Verissimo foi com a família à Europa, pela primeira vez, onde passaram quatro meses. Um dia, começou a conversar com uma húngara em um café, rolou um clima e os dois foram para o quarto. O caso não deu certo porque a húngara queria apanhar.

Também há a história de quando Verissimo era um Odair José gaúcho. Ele se esquiva da pergunta — e Lúcia, que está presente, prefere sair da sala (“Eu não me meto nesse assunto”) —, mas confirma que costumava se apaixonar por garotas de programa na juventude.

— Tinha um pouco daquilo de “Quero tirar você dessa vida”. Mas também não fui muito disso — afirma Verissimo, lembrando que, embora fosse romântico, não teve nenhum grande amor naquela época.

O escritor gaúcho assistiu a “Amor Verissimo” com um sorriso no rosto. Achou que o diretor, Arthur Fontes, conseguiu explorar o humor de uma forma parecida com o Porta dos Fundos, do qual é fã.

— Achei que o programa ficou um pouco na linha do que eles fazem. Essa interpretação mais sutil, com aqueles silêncios. Gosto dessa coisa de nem sempre buscar a gargalhada. Às vezes um sorriso basta — defende Verissimo.

O diretor do programa afirma que buscou textos do autor nos quais “coisas estranhas” acontecem. Como “História de verão — Uma leve brisa”, em que um dos personagens apresenta a nova namorada aos amigos, que ficam boquiabertos com a beleza, simpatia e inteligência da mulher, interpretada por Luana Piovani. Não bastasse isso, a tal ainda tem uma brisa “mágica” que sopra nos seus cabelos. “Ela parece um show da Beyoncé”, define um dos personagens.

— Adoro essas histórias com coisas inexplicadas. Costumo chamar essa veia do Verissimo de surrealismo light. Também prefiro dirigir as histórias com mais pausas e silêncios — diz Arthur Fontes.

Sem apelidinhos

Na série “Amor Verissimo”, a narrativa é entrecortada com depoimentos dos personagens e de casais reais, interpretados por atores, como Fernanda Paes Leme, Letícia Colin e Gabriela Duarte, em um sofá. As histórias de amor, roteirizadas a partir de entrevistas, são uma homenagem ao diretor Eduardo Coutinho e a seu “Jogo de cena” (2007).

No livro, a galeria de personagens é ainda maior: Don Juan, a grávida que chora por pena do detergente que não lava mais branco e o Corno Lírico, entre outros. Os apelidinhos dos casais, como “bituquinha” ou “pituxo”, também são uma das marcas dos textos do autor sobre a vida a dois. Mas qual seria o apelido de Verissimo no casamento? Ele jura que não tem.

Trecho retirado da crônica “Sexo, sexo, sexo”, do livro “Amor Verissimo”, que a Objetiva lança no dia 15 de janeiro

“Rudi Mentar, analista de sistemas. ‘Língua na orelha. Decididamente, língua na orelha. O resto é para não iniciados.’

(…)

Flora Medicinal, motorista. ‘Gostava muito mais do método antigo de reprodução humana. Lembra como era? Tiravam uma costela do homem, por cesariana, sem anestesia, e faziam outra pessoa. A mulher ficava só na vida mansa, não era nem com ela. Depois mudou tudo e hoje é a mulher que sofre para dar cria.’

(…)

Mara Zul, nutricionista e vidente: ‘Usar sexo só para reprodução é como só sair com o carro para levar na oficina’

(…)

Manuela Bacal, bibliotecária. ‘Todo mundo conhece o sadismo, que é o sexo feito à maneira do Marquês de Sade, e o masoquismo, que é o sexo como gostava o Barão de Masoc, mas pouca gente sabe que existem outras taras sexuais ligadas à literatura. Por exemplo: o Jorge Luís Borgismo, quando o homem só chega ao orgasmo sendo açoitado por uma estudante de linguística dentro de um labirinto. O Ernest Hemingwayismo, que é quando o homem só se satisfaz transando com uma mulher e atirando num leão, ou vice-versa, ao mesmo tempo.’”

Maurício Meireles viajou a convite do GNT

O editor que trocou a TV pelos livros

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Sob o comando de Feith, a Objetiva se consolidou ao atrair nomes como Paulo Coelho e Luis Fernando Verissimo

Sob o comando de Feith, a Objetiva se consolidou ao atrair nomes como Paulo Coelho e Luis Fernando Verissimo

Tom Cardoso, no Valor Econômico

“Caro Roberto, temos aqui um livro juvenil, com ótimo potencial de venda, que você deveria comprar. Chama-se ‘Harry Potter’.”

“Obrigado pela indicação, Tessie, mas não tenho interesse.”

“Roberto, o livro vai estourar. É essa sua decisão? Você vai se arrepender.”

“Sim, é essa minha decisão, Tessie. Muito obrigado.”

Foi com alguns erros – e muitos acertos – que Roberto Feith fez da editora Objetiva uma das maiores do país. A troca de e-mails, descrita acima, ocorreu em meados dos anos 1990, entre Tessie Barham, hoje uma importante agente literária – na época uma das “avaliadoras de textos” da Objetiva -, e Feith, um jornalista bem-sucedido, dono de uma produtora de vídeo, recém-migrado para o incerto mercado editorial brasileiro.

Depois de rejeitar a saga escrita por J. K. Rowling, que vendeu 450 milhões de exemplares pelo mundo – 4 milhões deles no Brasil (pela editora Rocco) -, Feith conseguiu dar a volta por cima: trouxe o astro Paulo Coelho para a então média editora, fez de Luis Fernando Verissimo um dos autores mais populares do país e deu o salto financeiro no momento certo, em 2005 – quando o mercado editorial brasileiro se tornou altamente competitivo -, ao vender 75% da Objetiva ao grupo Prisa-Santillana, gigante do setor.

A transação permitiu que a editora realizasse um amplo plano de reestruturação, que tinha como objetivo torná-la mais dinâmica e diversa. Hoje, sob o comando de Roberto Feith, de 61 anos, o grupo se divide em cinco selos (Suma, Alfaguara, Fontana, Objetiva e Ponto de Leitura), cada um com equipes próprias e objetivos distintos, apoiados pela mesma estrutura operacional e empresarial – e não depende mais de um best-seller para sobreviver.

Se hoje os originais de um livro como “Harry Potter” caísse nas mãos de Feith, dificilmente ele tomaria sozinho a decisão de publicá-lo ou não. Quando há um lançamento de peso, como “O Herói Discreto”, o aguardado romance do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que será lançado no fim de setembro no Brasil (pelo selo Alfaguara), Feith faz questão de acompanhar cada passo – da leitura dos originais às estratégias de lançamento. Já um livro de dietas, há meses na lista dos mais vendidos do “New York Times”, muito distante do seu universo, nem passa pelo crivo do diretor-geral – é a editora do selo Fontanar, de sua total confiança, quem cuida de tudo. A segmentação da Objetiva permitiu a Feith errar menos.

“No começo eu cometi um erro primário, que nenhum bom editor deve cometer: publicar apenas o que gosta”, diz. Antes de ignorar Harry Potter, o editor apostou numa biografia de Boris Ieltsin (1931 – 2007), o ex-presidente russo. O livro mofou nas livrarias. Feith aprendeu a lição. Apaixonado por política internacional, ele lê atualmente, fascinado, a biografia de Thomas Jefferson (1743 – 1826), um dos mais importantes e controvertidos presidentes da história dos Estados Unidos, mas já decidiu, pelo pouco apelo comercial da obra, que não irá publicá-la pela Objetiva. Já o tal livro de dietas, que jamais lerá, está aprovadíssimo – sairá em breve.

Em 1991, quando Feith tomou a decisão de deixar de vez o jornalismo e se desligar aos poucos de sua produtora de vídeo para cuidar apenas da Objetiva – então uma editora de pequeno porte, que ele adquiriu com mais dois sócios -, a maioria dos amigos tentou desencorajá-lo. Além das conhecidas dificuldades do setor, Feith tinha poucos motivos para dar uma guinada radical na carreira.

No início da carreira de livreiro, Feith cometeu erros, como dispensar a série “Harry Potter” e publicar obras de seu gosto pessoal

Ex-correspondente internacional da Rede Globo, ex-editor-chefe do “Globo Repórter”, ele decidira abrir sua própria produtora, a Metavídeo, especializada em documentários, depois de uma rápida e bem-sucedida parceria com Walter Salles na produtora Intervídeo. Se ele deixasse a reportagem, argumentavam os amigos, que continuasse na televisão, um mercado mais promissor – e não com a ideia maluca de comprar uma pequena e inexpressiva editora num país de não leitores. Mas Feith ignorou a maioria dos conselhos e comprou 60% da Objetiva. “Na época, só a minha mulher ficou do meu lado. Ela sabia da minha paixão pelo universo literário. Sou daqueles que quando viaja passa o dia enfurnado nas livrarias.”

O exercício de livreiro tem sido prazeroso, apesar dos deslizes. A experiência como jornalista ajuda. “São profissões parecidas, convergentes. Não é coincidência termos aqui na nossa equipe muitos jornalistas”, diz Feith. “O jornalista tem que pensar naquilo que interessa ao leitor e qual é a melhor maneira de contar uma história, de conquistá-lo. O trabalho de editor não é muto diferente.”

O desafio era entender as inúmeras particularidades e contradições do mercado editorial. O caso Harry Potter foi emblemático. Antes de rejeitar o título, Feith havia apostado numa outra série juvenil, “Fronteiras do Universo”, de Philip Pullman. Comprou o título, investiu boa parte da receita da editora em marketing e, ao final, a saga vendeu pouquíssimo – fracasso que foi determinante para que ele, tempos depois, desdenhasse da sugestão dada por Tessie Barham. No fim, as duas séries eram promissoras – anos depois, outra editora brasileira comprou os livros de Pullman, que alcançaram rapidamente os 100 mil exemplares. “Aprendi que comer mosca às vezes, no mercado de livros, é do jogo. O importante é que o nosso trabalho de longo prazo foi benfeito e aos poucos conseguimos conquistar credibilidade junto aos agentes literários e atrair bons autores.”

O primeiro escritor de peso a assinar com a Objetiva foi ninguém menos do que Paulo Coelho, já considerado um dos mais populares do país. Em 1996, no auge, o autor de “O Diário de um Mago”, “O Alquimista” e “Brida” era disputado pelas grandes editoras brasileiras, mas foi a modesta Objetiva quem acabou levando o seu passe – por R$ 1 milhão e um audacioso plano de marketing. “Fomos muito ousados na época, se você considerar o tamanho da editora. Mas ela, a partir daí, mudou de patamar”, diz Feith. Coelho já não publica mais pela Objetiva, que não sente tanto sua falta – só Luis Fernando Verissimo, autor da casa, já vendeu mais de 1 milhão de livros e não há notícias de que pretende mudar de editora tão cedo. A aposta da vez é o novo romance de Vargas Llosa. “Se esse livro não vender pelo menos 100 mil exemplares, eu vou ficar frustrado”, diz Feith. “É difícil reunir numa mesma obra qualidade literária e apelo comercial até mesmo em alguns livros do próprio Vargas Llosa.”

Sócio minoritário da Objetiva, Feith tem total autonomia para tomar as decisões editoriais. A direção do grupo Santillana, afirma o editor, sabe que cada país tem suas particularidades e que é preciso dar carta-branca para quem conhece o mercado de perto. Um livro que vai bem na Espanha não necessariamente será bem-sucedido no Brasil. E vice-versa. É preciso enxergar um mercado, reconhecidamente difícil e complexo, livre de estereótipos.

O mesmo país, no caso do Brasil, que tem apostado no crescimento dos leitores da emergente classe C – e no aumento de obras mais palatáveis – é o mesmo capaz de ter 50 mil leitores adquirindo um título considerado mais “denso” como os dois volumes de “1Q84”, do escritor japonês Haruki Murakami, um dos mais elogiados autores da literatura contemporânea. Murakami não conseguiu vendas tão expressivas em mercados mais amadurecidos, como a Espanha, onde não chegou nem perto dos 50 mil exemplares vendidos por aqui. “Se você me perguntar qual é a razão do Murakami vender bem mais aqui do que na Espanha eu não sei explicar”, diz Feith. “Só sei que no Brasil há um segmento de leitores que busca outras formas de narrativa, mais renovadoras. E o Murakami é um autor moderno.”

Pelo selo Alfaguara, sai em setembro o novo livro do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, "O Herói Discreto"

Pelo selo Alfaguara, sai em setembro o novo livro do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, “O Herói Discreto”

Se há mais leitores hoje no Brasil do que na época em que Feith decidiu se aventurar no mercado literário, por outro lado o país é ainda uma das poucas democracias onde só é permitida a publicação das biografias “chapa-branca”. Um projeto de lei que autoriza o lançamento de biografias não autorizadas chegou a ser aprovado na Câmara, mas antes de ir para o Senado um deputado da base evangélica, Marco Rogério (PDT-RO), entrou com recurso solicitando que a proposta voltasse a ser analisada pelos congressistas. Especialistas afirmam que pode levar anos até que a lei entre em debate novamente, mas, mesmo assim, Feith está otimista. “Qualquer editor é por natureza um otimista. Se não for, é melhor buscar outra profissão”, diz. “Tenho esperança numa mudança na lei porque é uma anomalia difícil de entender, ainda mais nos dias de hoje, em que você vê milhões de pessoas exigindo maior transparência no trato da coisa pública.”

O mercado editorial espera agora pela análise de um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), elaborado pela Procuradoria-Geral da República, que diz que o condicionamento da publicação da biografia à autorização dos biografados é inconstitucional – o parecer será analisado pela ministra Carmem Lúcia. “Estamos esperançosos. Uma lei como essa, retrógrada, autoritária, não faz o menor sentido – é uma situação, no mínimo, esdrúxula”, afirma Feith. O diretor-geral da Objetiva também milita em outra frente – ele é presidente do conselho da DLD (Distribuidora de Livros Digitais), a poderosa empresa que agrega e distribui de forma exclusiva os e-books das editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM. Feith é um entusiasta do livro digital – e tem bons motivos para tanto. Nos últimos 12 meses, a venda de livros digitais da Objetiva cresceu 1.000%, impulsionada, sobretudo, pela chegada ao Brasil da Amazon, a gigante americana do setor.

Atualmente, o crescimento já não é tão grande, mas continua forte. Os livros digitais representam apenas 3% das vendas da Objetiva, mas Feith acredita que, em 12 meses, esse percentual dobre ou até mesmo triplique. “No Brasil, tem aumentado o número de leitores que estão migrando do livro físico para o digital, ao mesmo tempo em que há também um substancial crescimento de pessoas que passaram a consumir livros impressos”, diz.

“Um fenômeno não exclui o outro e espero que seja assim por muito tempo, pois tenho grande prazer de ir às livrarias e acho que elas oferecem algumas vantagens que a maioria das lojas virtuais não pode oferecer”, afirma. Feith não arrisca previsões sobre o fim do livro impresso e nem sobre o que ocorrerá no setor nos próximos dez anos. Ele cita o exemplo de países como a Inglaterra, onde o mercado de livros digitais já está consolidado há tempos, com uma enorme massa consumidora. “Até mesmo lá o crescimento dos digitais já não é tão vertiginoso como antes. É uma mostra de que há espaço para os dois formatos. O que ocorreu com o consumo de música não pode servir como exemplo para o mercado de livros – são universos muitos distintos.”

O “rato de livraria” tornou-se, por ofício, um consumidor voraz de livros digitais. É ouvindo o seu e-book, conectado ao som do carro, que Roberto Feith, no caminho de casa para o trabalho, coloca a leitura em dia e ao mesmo tempo tenta descobrir, em meio a 30 a 40 manuscritos que lê ou ouve por mês, o seu novo Harry Potter. Nem sempre é possível conciliar as duas atividades. Atualmente, ele ouve a biografia de Thomas Jefferson, que, apesar de não ter chance de ser publicada pela Objetiva. Isso não impede que o diretor-geral dedique parte do tempo para apreciar a obra. Não se sabe se o livro impresso será extinto um dia. Mas o Roberto Feith apaixonado por um bom livro jamais morrerá.

Saiba quais são os livros com maior tiragem no Brasil

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Mais do que best-sellers, buscam-se agora os chamados mega-sellers

Marcelo Gonzatto no Zero Hora

O mercado editorial brasileiro atualmente é movido por um sistema de grandes apostas. Mais do que best-sellers, buscam-se agora os chamados mega-sellers – títulos capazes de romper a barreira de 1 milhão de exemplares vendidos. Saiba quais são, atualmente, os exemplares que saem para a venda em maior número:

50 mil
Pode parecer pouco em comparação ao topo da lista, mas autores como Luis Felipe Pondé (Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Editora LeYa) e Martha Medeiros (com A Graça da Coisa, da L&PM) saem com tiragens mais de 10 vezes superiores à média nacional.

80 mil
O médico Drauzio Varella virou best-seller após a publicação de Estação Carandiru, em 1999, que chegou a ser adaptado para o cinema. Seu mais recente livro, Carcereiros (Cia das Letras), saiu da gráfica como mais uma aposta do mercado editorial brasileiro.

100mil
Patamar de lançamento para tradicionais bons vendedores brasileiros como Luis Fernando Verissimo (com novo título a ser lançado em breve pela Objetiva) e Paulo Coelho, com Manuscrito Encontrado em Accra (Sextante). Estão junto de Mario Vargas Llosa e Elizabeth Gilbert.

150 mil
Autor célebre pelo romantismo (excessivo para muitos) de suas obras, Nicholas Sparks lança este mês no Brasil Uma Longa Jornada (Arqueiro). Está no mesmo patamar de George R.R Martin – (cuja obra inspirou a série televisiva Game of Thrones) com A Dança dos Dragões (LeYa).

200 mil
Nesta faixa, encontram-se o brasileiro Laurentino Gomes com 1889 (Globo Livros), acompanhado de dois estrangeiros habituados a grandes vendagens: Khaled Hosseini com O Silêncio das Montanhas (Globo Livros), e Jeff Kinney, autor de Diário de um Banana 7 (V&R).

230 mil
A presença dos escritores Cristiane Cardoso e Ricardo Cardoso no rol de apostas do mercado nacional pode surpreender muitos, mas o espanto é atenuado quando se descobre que os autores de Casamento Blindado (Thomas Nelson Brasil) são filha e genro do bispo Edir Macedo.

500 mil
Fenômeno literário nacional desde a publicação de Ágape, em 2010, o padre Marcelo Rossi entrou para uma seleta galeria de autores com expressivas tiragens iniciais. Kairós: O Tempo de Deus saiu da gráfica na mesma quantidade de Inferno (Arqueiro), de Dan Brown.

600 mil
Uma das maiores tiragens dos últimos anos, a última parte da trilogia erótica escrita pela britânica E.L James, 50 Tons de Liberdade, já saiu do prelo com mais de meio milhão de exemplares impressos pela Editora Intrínseca – conhecida por apostar em poucos títulos.

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