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Estudo aponta cinco características dos bons alunos

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Eles driblam a bagunça dos colegas e ‘aprendem a aprender’, mostra levantamento de pesquisador da Laspau, organização afiliada à Universidade Harvard

Alunos (Thinkstock)

Alunos (Thinkstock)

Lecticia Maggi, na Veja

Por que alunos que frequentam a mesma escola e têm aulas com os mesmos professores obtêm desempenho escolar diferente? Para tentar esclarecer essa questão, o antropólogo James Ito-Adler, presidente do Instituto Cambridge para Estudos Brasileiros e pesquisador da Laspau, organização afiliada à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, entrevistou 24 estudantes do 9º ano do ensino fundamental em três estados brasileiros.

Embora não tenha valor estatístico, a pesquisa, realizada entre março e junho deste ano, foi a fundo na conversa com os estudantes, em entrevistas que duraram horas. O produto do levantamento ajuda a compreender a diferença de performance. Por exemplo: estudantes que possuem boas notas, em geral, sabem lidar melhor com a bagunça dos colegas em sala de aula, “aprenderam a aprender”, dominam a internet, planejam o futuro e recebem motivação dos pais.

A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Positivo, organização sem fins lucrativos voltada à promoção da educação, e teve caráter qualitativo. Isso significa que seu resultado não é válido para toda a população brasileira. Mas suas observações trazem insights que podem ajudar pais e educadores.

Para o estudo, os estudantes foram divididos em três grupos, conforme o desempenho obtido em avaliações: baixo, médio e alto. Confira a seguir diferenças apontadas entre alunos de alto e baixo desempenhos:

Cinco características dos bons alunos

1 – Driblam a bagunça na sala de aula

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Todos os alunos ouvidos na pesquisa, sem exceção, apontaram a bagunça em sala de aula como um empecilho ao aprendizado. Se o problema atinge todos, por que alguns apresentam bom rendimento e outros não? A resposta, segundo James Ito-Adler, está na forma como os estudantes lidam com essa bagunça. Alguns criam estratégias para driblá-la: esses obtêm bom desempenho.

“As meninas, principalmente, disseram que trocam de lugar e sentam na frente quando o barulho do ‘fundão’ começa a incomodar. Outros alunos procuram o professor após a aula para tirar dúvidas ou complementar a explicação que foi prejudicada por conversas. Há ainda os que buscam auxílio dos colegas ou pesquisam por conta própria para entender o conteúdo da aula. Isso não se verifica entre os demais alunos. Ou eles se integram à bagunça ou ficam reféns dela, não entendem o conteúdo e vão mal nas avaliações.”

2 – Aprenderam a aprender

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É evidente que, ao estudar, todos têm capacidade de aprender. Há um fator, no entanto, que é importantíssimo para o sucesso escolar: aprender a aprender. A maioria dos alunos com bom desempenho gosta de ler livros e publicações variadas, tem prazer em realizar pesquisas e procurar explicações para questões complexas.

Um aluno passa mais tempo fora da escola, em situações informais de aprendizagem, do que em situações formais — diante do professor ou consultando um livro. Por essa razão, os pesquisadores afirmam que é fundamental que os alunos desenvolvam consciência da necessidade de “aprender a aprender” — não apenas na escola, é claro, mas em qualquer situação.

“Não nascemos com a habilidade de aprender a aprender, mas podemos desenvolvê-la ao longo dos anos. Podemos verificar que os melhores alunos levam vantagem nesse item: eles estabelecem metas e criam estratégias para atingi-las. Ao mesmo tempo, sabem se autoavaliar e conhecem os métodos de estudo mais eficientes para eles próprios. Quem adquire essa habilidade tem vantagens enormes, tanto na vida acadêmica e profissional quanto na vida privada.”

3 – Dominam a internet

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O estudo indica que alunos com boas notas utilizam a internet para fazer pesquisas, tirar dúvidas com os colegas e também assistir a videoaulas. O mesmo não se pode dizer dos alunos com desempenho inferior à média. Não raro, para eles, a internet é vista como uma chance de escape do mundo real. A pesquisa cita a fala de uma aluna para exemplificar o bom uso da web: “Temos uma comunidade no Facebook: sempre que tem prova a gente compartilha informações por lá. A gente se ajuda neste grupo (sic).”

“Alguns dos estudantes com desempenho ruim são escravizados pela internet: chegam a ficar oito horas por dia em frente ao computador. Para os que têm rendimento melhor, a rede não deixa de ser instrumento de lazer, mas é também ferramenta eficiente de aprendizado.”

4 – Planejam o futuro

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Outra diferença entre os alunos está na relação que eles estabelecem com o futuro: os de melhor desempenho acadêmico mostram-se mais otimistas que os demais. Além disso, aceitam responsabilidades, acreditando que elas servirão para o seu próprio progresso e criam relações de apoio mútuo com colegas de classe e adultos para o planejamento e realização de seus sonhos.

“Eles planejam a vida, conversam sobre sonhos, viagens e cursos e vão em busca de ações para atingir aquilo que almejam.”

5 – São motivados pela família

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Para o aluno se sair bem na escola, ele precisa de motivação. O estudo cita o caso de uma aluna de ótimo desempenho escolar, cujos pais não têm ensino superior e levam uma vida bastante modesta: “De manhã a aluna faz entregas de salgados, ajuda na limpeza da casa e estuda um pouco. No período da tarde, ela vai para a escola. Ela contou: ‘Eu vejo a minha mãe, que se esforça muito, acordar às 4h para fazer as coisas, comprar material, me dar uma vida boa. Meu pai também dá duro. Se eu não me esforçar, o que eles vão pensar?’.”

“Um aluno motivado tem mais facilidade para superar fatores negativos que podem comprometer seu rendimento, como questões familiares e financeiras. Percebemos que os melhores estudantes tinham uma espécie de mentor ou alguém em quem se inspirar, mesmo que sem um nível formal alto de escolaridade.”

Fonte: James Ito-Adler, do Instituto Cambridge para Estudos Brasileiros e da Laspau, organização afiliada à Universidade Harvard

Ler, escrever e fazer contas são mistérios para maioria dos alunos do ensino fundamental brasileiro

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Quase 70% dos estudantes concluem o 3º ano do ciclo sem dominar competências básicas de redação e cálculo, comprova Prova ABC

Estudantes do 3º ano do ensino fundamental não sabem o mínimo esperado (Thinkstock)

Estudantes do 3º ano do ensino fundamental não sabem o mínimo esperado (Thinkstock)

Lecticia Maggi, na Veja

Quase 70% dos estudantes brasileiros concluem o 3º ano do ensino fundamental sem dominar competências básicas de escrita e matemática. Mais da metade não sabe ler no nível adequado a um aluno dessa etapa escolar. O alarme foi dado nesta terça-feira pela organização não-governamental Todos Pela Educação, que analisou os resultados da Prova ABC — avaliação aplicada no final de 2012 a 54.000 alunos do 2º e 3º anos de 1.185 escolas públicas e privadas de todos os estados brasileiros.

O estudo é mais uma confirmação de que o ensino vai mal no Brasil. Além disso, comprova que o país está muito longe de atingir as metas estipuladas pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). Lançado em julho 2012 pelo governo federal, o Pnaic é um compromisso entre estados, municípios e União que tem como objetivo garantir que toda criança esteja plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade.

A situação da escrita não é mais favorável do que as de matemática e leitura. Em nenhum estado a parcela de estudantes que dominam a competência é superior a 50%. Longe disso: no Pará, por exemplo, somente 11,6% dos estudantes atendem aos quesitos da avaliação. “Uma criança alfabetizada não é aquela que está aprendendo a ler, mas aquela que demonstra capacidade de ler para aprender. Ou seja, possui as habilidades básicas para continuar avançando no conteúdo escolar”, afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.

Em matemática, tradicional bicho-papão dos estudantes brasileiros, só 33,3% dos alunos do 3º ano atingiram o nível de conhecimento esperado: 175 dos 250 pontos possíveis. Segundo avaliação da prova — e do governo, portanto —, quem não atingiu a marca de proficiência (175 pontos) não consegue resolver problemas envolvendo moedas ou unidades padronizadas, como litros ou quilos, tampouco ler horas em um relógio digital, associando 20h com 8h da noite, por exemplo.

Fracasso no ensino fundamental
Alunos que NÃO aprendem o esperado ao fim do 3º ano da etapa escolar — em %

LEITURA

FONTE: Todos pela Educação

FONTE: Todos pela Educação

ESCRITA

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FONTE: Todos pela Educação

MATEMÁTICA

FONTE: Todos pela Educação

FONTE: Todos pela Educação

O levantamento mostra que há regiões do país onde a situação do ensino é ruim, e outras onde é péssima. As regiões Sul e Sudeste são as únicas em que mais da metade das crianças, ao término do 3º ano, possui proficiência em leitura. No Norte, o porcentual é de 27,3% (confira no mapa). Proficiência, na definição da própria Prova ABC, significa capacidade de localizar informações explícitas em um texto e de identificar temas e características de personagens em fábulas e histórias em quadrinhos, entre outras habilidades.

Há grande discrepância também entre estados. Enquanto em São Paulo as crianças com proficiência em leitura somam 60%, no Amapá e no Pará, elas representam menos de um quarto do total de alunos. O mesmo cenário se repete quando analisadas as demais habilidades: em Minas Gerais, 49,3% dos alunos do 3º ano aprenderam o esperado em matemática, contra 9,7% no Amazonas. Já no item escrita, a discrepância maior de aprendizado é verificada entre Goiás (42,1%) e Pará (11,6%). “Isso mostra que a desigualdade educacional no país começa já no início da vida escolar do aluno. É algo gravíssimo”, afirma Priscila Cruz. “O Brasil não pode tratar como iguais regiões e estados tão diferentes. É preciso intervir para garantir que essas crianças tenham direito à aprender”.

Prova ABC – Parceria entre o movimento Todos Pela Educação, a Fundação Cesgranrio, o Ibope e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Prova ABC foi aplicada pela primeira vez em 2011 (confira aqui os resultados). Os dados daquele ano, no entanto, não são comparáveis aos divulgados agora. Isso porque, naquela ocasião, a prova foi realizada por alunos do primeiro semestre do 4º ano — na presente edição, os estudantes cursavam o quarto semestre do 3º ano.

A prova ABC é composta por cinquenta questões de matemática e cinquenta de leitura, divididas em blocos de dez. Cada aluno respondeu a vinte itens de uma das duas áreas e todos realizaram a redação.

Essa foi a última edição do exame. Em razão da criação do Pnaic, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que usará um instrumento próprio de verificação do aprendizado dos alunos, a Avaliação Nacional de Alfabetização (Ana). A expectativa é que a Ana seja aplicada neste ano a todos os concluintes do 3º ano do ensino fundamental na rede pública de ensino.

PF: as 38 instituições que foram alvo de fraude no vestibular

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Lecticia Maggi, na Veja on-line

A Polícia Federal (PF) divulgou a lista contendo os nomes das 38 instituições de ensino superior cujos vestibulares foram alvos de quadrilhas especializadas em fraudar provas de acesso a cursos de medicina. Os casos foram revelados pela Operação Calouro da PF: alguns grupos agiam havia cerca de 15 anos. Em alguns episódios, os grupos teriam efetivamente manipulado o resultado dos processo seletivos, favorecendo candidatos. Segundo a PF, em 18 meses, as organizações criminosas atuaram em mais de 50 vestibulares, com destaque para ações nas provas da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e de Campinas.

A PF afirma que está enviando às instituições listas de alunos que provavelmente ingressaram no vestibular com ajuda das quadrilhas. “Durante as investigações, as instituições colaboraram muito com o trabalho da polícia. Passávamos os nomes dos indivíduos que usariam documentos falsos no vestibular e elas acionavam a Polícia Militar”, afirma Leonardo Damasceno, delegado federal responsável pela operação.

Durante as investigações, a PF chegou a sete quadrilhas, sendo que duas delas atuavam havia mais de 15 anos. Ainda não se sabem quantas provas foram manipuladas no período ou quantos candidatos se beneficaram dos crimes. Segundo o último balanço da PF, divulgado na tarde desta sexta-feira, 51 pessoas foram presas e ainda há ordens de prisão para mais 19. A busca pelos demais suspeitos prossegue.

Goiás acumula o maior número de prisões: 18. No estado, a PF identificou a sede de seis dos sete grupos que fraudavam as provas. Outro possuía sede em Minas Gerais. A atuação das quadrilhas se estendia por mais oito estados (ES, RJ, SP, TO, RS, AC, MT e PI) e Distrito Federal.

Os detidos são acusados dos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsidade documental, lavagem de dinheiro e fraude em seleções públicas, cujas penas somadas chegam a 10 anos de reclusão. Entre os suspeitos, há médicos, enfermeiros, estudantes da área de saúde e de direito e empresários. Os candidatos que contrararam os serviços, ainda que não tenham sido aprovados nos vestibulares, podem ser responsabilizados por falsidade ideológica, crime cuja pena varia de 1 a 3 anos de prisão.

Atuação – As quadrilhas agiam de duas maneiras. A mais elaborada consistia em falsificar o documento de identidade de um candidato para que, em seu lugar, um integrante da quadrilha realizasse a prova. Pelo outro modo de operação, o próprio candidato realizava a prova, recebendo informações da quadrilha por mensagens no celular, via rádio ou ponto eletrônico.

O valor cobrado por uma vaga chegava a 80.000 reais. Cada quadrilha tinha uma forma de cobrança, mas em geral o recebimento só acontecia após a aprovação.

Confira abaixo as instituições que foram vítimas das quadrilhas:

1. Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP)
2. Faculdades Integradas do Centro Educacional do Planalto Central (Faciplac)
3. Centro Universitário de Caratinga/MG (Unec)
4. Centro Universitário de Araraquara (Uniara)
5. Centro Universitário São Camilo
6. Universidade Anhanguera (Uniderp)
7. Universidade Metropolitana de Santos (Unimes)
8. Centro Universitário do Pará (Cesupa)
9. Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (Novafapi)
10. Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc)
11. Universidade Cidade de São Paulo (Unicid)
12. Universidade Presidente Antonio Carlos (Unipac)
13. Faculdade da Saúde e Ecologia Humanas – Vespasiano/MG – Faseh
14. Universidade Católica de Pelotas (UCPel)
15. Fundação Técnico-Educacional Souza Marques
16. Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo)
17. Universidade Anhembi Morumbi
18. Unificado Cesgranrio
19. Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos Dr. Paulo Prata
20. Universidade Nove de Julho (Uninove)
21. Universidade Estácio de Sá
22. Centro Universitário de Maringá (Cesumar)
23. Universidade de Rio Verde
24. Universidade de Franca (Unifran)
25. Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)
26. Associação Educativa Evangélica (Unievangélica)
27. Faculdade Ceres (Faceres)
28. Faculdade de Minas (Faminas)
29. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG)
30. Universidade Salvador (Unifacs)
31. União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago)
32. Universidade Santo Amaro (Unisa)
33. Universidade de Marília (Unimar)
34. Faculdade Santa Marcelina
35. Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso)
36. Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte)
37. Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam)
38. Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

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