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Educação não é missão

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Ademir Luiz, na Revista Bula

É muito comum escutarmos de certos pedagogos, teóricos do ensino, secretários de educação, proprietários de colégios particulares e outros “especialistas” que o professor é imbuído da “missão” de ensinar. Para eles ser professor é, acima de tudo, um “sacerdócio”. Mesmo a recente substituição da palavra “professor” pela palavra “educador” aconteceu em função deste discurso politicamente correto, que é quase hegemônico. Discurso repetido a exaustão nas universidades, em livros, teses, entrevistas, festinhas escolares, reuniões de pais, reuniões pedagógicas etc, etc e etc. Contudo, apesar de todas as boas intenções embutidas, tal perspectiva é frágil. Não se sustenta, não resiste a uma análise lógica apurada. Na verdade, qualquer pessoa um pouco mais perspicaz é capaz de perceber que ela é nociva ao desenvolvimento da profissão. Acaba por sabotar a própria condição de profissional do professor.

O “discurso missionário” dilui o caráter intelectual inerente à formação acadêmica do professor. O que resulta em uma filosofia pedagógica frouxa que tende a valorizar mais a “vocação para ensinar” do que o “preparo para ensinar”. O místico em detrimento do pragmático. Senão vejamos: termos como “missão” e “sacerdócio” automaticamente chamam outros como “abnegação” e “sacrifício”. Vista dessa forma a educação deixa de ser uma atividade laica para ganhar ares quase que religiosos. O professor deixa de ser um profissional que estudou muito para poder transmitir e produzir conhecimento, para ser uma espécie de emissário de algo maior do que ele, uma força superior transcendente para a qual ele cumpre uma “missão” em “sacerdócio”.

E, como se sabe, na tradição Ocidental, prática religiosa é sinônimo de sacrifício pessoal. Sacrifícios que variam em grau e intensidade: podem ir desde não comer carne vermelha em um dia específico do ano até a autoimolação. Daí a razão pela qual, ultimamente, têm-se aceito com tanta facilidade que professores sejam ameaçados, ofendidos ou espancados por alunos. Daí a razão pela qual, ultimamente, têm-se culpado única e exclusivamente o professor quando o aluno não aprende. Daí a razão pela qual, ultimamente, se especula tanto sobre levar a informática para a escola quando na mesma escola ainda faltam livros didáticos e fotocópias é um luxo. Sendo agredido, reprovando um aluno ou trabalhando em condições precárias, é sempre o professor que falhou, pregam os “especialistas”. Ofício visto como sacrifício.

Em meio a esse ambiente moral, falar em interesses pessoais (quiçá lucro) ganha ares de mesquinharia. É digno de vergonha confessar que dá aulas apenas para se sustentar, porque é o que sabe fazer, porque gosta ou simplesmente porque é a única profissão que tem duas férias por ano, como dizia o físico e professor “quase Nobel” César Lattes. Exigem-se sempre ideais elevados. Não basta ser professor, têm que participar. Educação não vem mais de casa, deve ser adquirida na escola. Professor, que em dias remotos foi chamado respeitosamente de mestre, tornou-se “educador”.

E o moderno educador deve ser ao mesmo tempo pai, mãe, psicólogo, catequista, enfermeiro, monitor de computação, ideólogo, recreador e agente social do corpo discente ao qual serve. Ensinar e cobrar o que se ensinou tornou-se sinônimo de educação retrógrada. A escola, que antes servia para transmitir às novas gerações a tradição cultural da humanidade, tornou-se uma mistura de deposito de crianças e adolescentes, shopping, parque temático e campo de férias. Oficialmente entra de tudo, de danças eróticas até rap com letras sexistas e violentas, extraoficialmente o que entra não cabe numa mochila de rodinhas: armas brancas, armas de fogo, drogas lícitas e ilícitas, socos ingleses, celulares para os mais diferentes objetivos e por aí vai. Criticar essas práticas é condenar-se a ser tachado de preconceituoso.

Aluno não é mais aluno: é educando, pois, como se diz por aí, a palavra “aluno” significa “sem luz” em latim (não é verdade). Vê-los como seres “sem luz” é inadmissível e não louvar sua linguagem e cultura pessoal (quase sempre televisiva e de gueto) é fascismo. Ensinar alta cultura e valorizar a erudição é entendido como deplorável elitismo fora da realidade. Diante dela muitos “especialistas” costumam retrucar sarcasticamente: “e para que serve para o educando saber quem foi Shakespeare?”. Como responder a isso? Como responder a uma pergunta que é tola por si só, mas que chega carregada de um tom pretensamente revolucionário e democrático? Afinal, não foi profetizado que “os simples herdarão a Terra”?

De fato, já estão herdando (Rei Lear?). Já vi diversos professores defendendo que normalistas alfabetizadoras deveriam ser mais bem remuneradas do que pós-doutores que passaram décadas estudando para chegar aonde chegaram. A justificativa seria a de que ensinar a ler e escrever é mais “nobre” do que tagarelar em uma cátedra. Se é ou não é pouco importa. O fato é que mais uma vez, passionalmente, sem reflexão, se desdenha os espinhos da teoria em função da ação missionária direta. Ao mesmo tempo, curiosamente, é interessante notar que não é comum entre professores universitários assumirem o “discurso missionário” no trato com seus alunos de graduação. Ele é difundido, sobretudo, no ensino primário, fundamental e médio. Ou seja: entre aqueles que recebem a teoria, não entre aqueles que a produzem. Exceção feita, claro, para certos catedráticos em didática. Sendo nesses casos impossível saber até que ponto trata-se de mera retórica. Até porque boa parte deles jamais lecionou para as séries sobre as quais teoriza.

O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”, para identificá-lo em (mais…)

MEC ressalta que incentiva formação, mas interesse de jovens pelo magistério cai

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Plano de carreira e valorização da profissão poderiam melhorar cenário, dizem especilistas

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Publicado em O Globo

Os baixos salários, a falta de reconhecimento social da profissão, as péssimas condições de trabalho e o cansaço são os fatores que mais contribuem para o desinteresse dos jovens pelo magistério, segundo especialistas. Os mesmos aspectos desestimulam os professores de longa data a permanecerem nas salas. Como reportagem do GLOBO mostrou ontem, ao longo dos próximos seis anos, cerca de 40% dos professores do ensino médio terão condições de se aposentar, de acordo com um relatório do Ministério da Educação (MEC). O quadro fica preocupante quando constata-se que o número de formandos em cursos de licenciatura de disciplinas da educação básica vem caindo — 16% entre 2010 e 2012.

— Este já é um problema sistêmico. A rede estadual de São Paulo perde, por semana, oito professores. A prefeitura perde três. O jovem que entra no magistério tem um duro choque de realidade. Isso gera um desestímulo que, quando não o faz desistir, vai se arrastando até a aposentadoria — diz Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que defende uma melhor remuneração inicial e plano de carreira.

Pesquisadora da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Paula Louzano sinaliza que, de acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2013, o maior problema é atrair profissionais formados em licenciatura para a carreira no magistério.

— Ser professor requer um saber específico, assim como para ser médico ou engenheiro. Mudar a percepção social de que qualquer um pode ser professor é essencial, além de uma valorização salarial e uma perspectiva de crescimento na carreira — comenta Paula.

O Ministério da Educação (MEC) ressalta que coordena estratégias voltadas à formação de professores, como o Parfor, que oferece cursos emergenciais presenciais de licenciatura; a Universidade Aberta do Brasil (UAB), com cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada; e o Pibid, que visa a melhorar a educação básica fazendo uma ponte entre estudantes universitários e as salas de aula, mas cujos participantes chegaram a relatar atrasos no pagamento das bolsas este ano.

No estado do Rio, o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Educação, Antoine Lousao, garante que a pasta vem se resguardando para evitar gargalos com aposentadorias de professores. Segundo ele, a rede já chegou a ter carência de 12 mil profissionais em 2010. Hoje, são 500. A redução foi possível através de políticas de valorização salarial e aumento no número de concursos.

— Fazemos uma projeção de todas as possíveis aposentadorias no ano e, com base nisso, convocamos os aprovados em concursos. A falta que ainda temos se refere às áreas em que há carência de profissionais ou dificuldades geográficas — diz.

Desinteresse cresce e faltam 170 mil professores na educação básica do país

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A professora Lídia Soares: esforço ainda pouco reconhecido

A professora Lídia Soares: esforço ainda pouco reconhecido

Baixo prestígio profissional, salários pouco atrativos e problemas sociais nas salas estão entre os fatores que tornam a docência menos atraente. Especialista estima que a reversão do quadro leve 20 anos

Marcia Maria Cruz, em O Estado de Minas

Baixos salários, falta de progressão na carreira e reflexos de problemas sociais dentro da escola tornam pouco atrativa uma profissão essencial para o desenvolvimento do país: a de professor. A última estimativa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) dá conta de que faltem 170 mil docentes nos níveis fundamental e médio no país. Porém, mesmo quando estão nas salas de aula, muitos deles não têm a qualificação necessária para a formação dos estudantes. Em Minas, cerca de 29 mil professores não têm licenciatura, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação. Nas universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Ouro Preto (Ufop), parte das vagas ociosas decorre do baixo interesse pelos cursos de licenciatura, que formam docentes, principalmente na área de exatas, para disciplinas como matemática, física e química. E recuperar esse tempo perdido pode levar décadas.

Especialistas alertam que não só os baixos salários tornam a docência menos atraente. Além da remuneração, faltam planos de carreira e ainda é preciso lidar com questões como desagregação familiar e agressões em sala de aula, que extrapolam o âmbito da educação. “Vemos um crescente desinteresse pelas áreas de licenciatura e pedagogia. Paga-se mal e as condições são péssimas. Por isso, as pessoas vão para outras carreiras”, diz Fernando Kutova, professor e diretor da Conexa Eventos, empresa especializada na formação de professores da educação básica.

O especialista alerta para a gravidade do problema. “Não teríamos médicos, advogados, sem professor da educação básica. Mas esse profissional vem perdendo o status que tinha”, afirma. Segundo ele, o governo federal deveria fomentar um plano de carreira que pudesse atrair profissionais. Mas não é uma solução de curto prazo. O processo para reverter o quadro levará pelo menos 20 anos, pelos cálculos do especialista. “No Brasil, educação é um problema social. Como se vai conseguir que o professor se interesse, diante dos baixos salários? Soma-se a isso o fato de que os alunos enfrentam diversos problemas sociais. Não adianta apenas falar que o salário vai dobrar”, diz.

Fernando conta como Cingapura, na Ásia, conseguiu melhorar a educação a partir da valorização do docente da educação básica. Houve um aumento na procura pelos cursos de licenciatura depois que o país instituiu um programa de trainee. Os professores faziam uma prova para entrar no projeto e, depois de um ano, o desempenho era medido a partir do aprendizado dos alunos. “Se o educador passasse nessa prova, estaria habilitado a entrar em uma instituição pública. Se, em um ano, os alunos tivessem um nível de proficiência mais elevado, o educador então passaria a fazer parte da categoria e teria salários equiparados aos profissionais liberais”, diz.

Guilherme Alcântara e Helena Tonelli Reis integram grupo que desafia problemas e se inspira em exemplos para sonhar com o magistério

Guilherme Alcântara e Helena Tonelli Reis integram grupo que desafia problemas e se inspira em exemplos para sonhar com o magistério

DESPRESTÍGIO

Na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a ociosidade de vagas chega a 10%, tendo o desinteresse pelos cursos de licenciatura como uma das causas. “A universidade faz o seu papel, no sentido de mostrar e divulgar os cursos. Mas a carreira de professor ainda é pouco reconhecida. Não tem o destaque que deveria em termos salariais e de prestígio”, pontua o pró-reitor de Graduação, Marcílio Sousa da Rocha Freitas. A universidade oferece 14 cursos de licenciatura.

A falta de professores no ensino básico faz com que muitos profissionais tenham que se desdobrar em mais de duas escolas. É o caso da professora Lídia Gonçalves Soares, de 50 anos, que trabalha nas redes públicas de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. Ela lembra que, devido à falta de educadores, até o ano passado não era possível manter o horário de planejamento de aulas. Agora, ela comemora o fato de ter tempo para preparar conteúdo e se capacitar. “Tivemos avanços. Hoje temos bons livros didáticos, a escola em que trabalho tem boa infraestrutura, mas nós, professores da educação básica, não somos reconhecidos. Ainda somos pouco valorizados”, diz. (mais…)

Para Papa, lecionar é trabalho ‘belo’ e ‘mal pago’

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Papa Francisco.  Foto: A12

Papa Francisco. Foto: A12

Para exemplificar o que classificou como uma injustiça, Francisco falou de seu país natal, a Argentina

Publicado na Tribuna Hoje

Lecionar é um oficio “belo”, mas, lamentavelmente, mal pago, disse neste sábado (14) o papa Francisco durante uma audiência com a Associação de Mestres Católicos da Itália (Uciim), no Vaticano. “Isso é uma pena, que sejam mal pagos, porque não gastam somente o tempo que passam na escola, mas também têm que se preparar, pensar em cada um dos alunos, em como ajudá-los para seguir adiante”, acrescentou o religioso.

Para exemplificar o que classificou como uma injustiça, Francisco falou de seu país natal, a Argentina. “Eu penso no meu país, que é o que eu melhor conheço. Para ter um bom salário, os professores devem fazer ao menos dois turnos. Mas como fazer esse compromisso?”.

O religioso ainda lembrou quando, aos 28 anos, em 1965, era professor de literatura no Colégio Imaculada Conceição em Santa Fé, na Argentina. Segundo Francisco, lecionar é uma tarefa que implica “uma grande responsabilidade”. “É um pouco como ser pai, ao menos espiritualmente”.

Conheça três questões sobre educação essenciais para quem quer começar uma carreira como professor

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Fonte: Shutterstock      Tornou-se evidente que apenas transmitir informações não é suficiente e, por isso, professores têm questionado os métodos de ensino que utilizam

Fonte: Shutterstock
Tornou-se evidente que apenas transmitir informações não é suficiente e, por isso, professores têm questionado os métodos de ensino que utilizam

A inserção de tecnologia na sala de aula é apenas um dos temas debatidos hoje nas reuniões dos professores

Publicado no Universia Brasil

Nos últimos anos, alguns debates sobre a educação têm sido recorrentes e, caso você queira começar uma carreira como professor, é essencial que você tenha conhecimento sobre eles. O primeiro deles diz respeito ao uso de tecnologias na sala de aula.

Enquanto alguns docentes afirmam que os aparelhos digitais servem apenas como uma distração para os estudantes, há professores que abraçaram a causa e já consideram as tecnologias parte integrante no processo de aprendizado. Por isso, adotam vídeoaulas, games e até mesmo as redes sociais para criar uma linguagem mais próxima dos alunos e facilitar sua compreensão.

Diante deste cenário, estudantes também começaram um processo de aproximação entre tecnologia e desenvolvimento intelectual, afinal crescem o número de cursos universitários online e MOOCs – embora também dividam a opinião entre discentes. Contudo, a maioria das pessoas concorda que a relação professor-aluno ainda é a base da educação e, portanto, não pode ser substituída.

A dificuldade da profissão também é um assunto constante. Dar aula é uma atividade incrivelmente desafiadora, afinal o professor deve se envolver intelectual e, por vezes, emocionalmente com os alunos para garantir que eles acompanhem o ritmo da aula. Apesar das questões que preocupam, tanto docentes quanto alunos, fora da sala de aula, os profissionais devem encontrar motivação para ambos e continuar esta complexa tarefa que é educar jovens, crianças e adultos.

Tornou-se evidente que apenas transmitir informações não é suficiente e, por isso, professores têm questionado os métodos de ensino que utilizam. Além dos conteúdos trabalhados nos livros didáticos, eles agora procuram meios novos de estimular a criatividade e o empreendedorismo na escola. Tudo isso e ainda cuidar de si e da família.

Dentro deste tópico surge ainda uma terceira questão: as provas padronizadas. Alguns profissionais acreditam que esta é a maneira mais justa de avaliar os alunos, isto é, aplicando uma avaliação idêntica a toda a sala em meio as mesmas condições, como duração e material de apoio. Outros, no entanto, pensam que este método restringe a atuação dos professores, obrigando-os a refletir apenas sobre a avaliação e não sobre o ato de ensinar. Há quem diga ainda que estas provas não demonstram necessariamente os conhecimento dos estudantes, afinal cada um transmite melhor o que sabe de uma forma específica.

Caso você esteja começando uma carreira na educação ou apenas interessado em aperfeiçoar suas habilidades como professor, estas são questões sobre as quais você deve refletir. Vale ler textos, assistir a palestras e discutir com colegas de profissão, já que estes não são assuntos que se encerram em apenas uma leitura.

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