Posts tagged Man Booker Prize

George Saunders vence Man Booker Prize 2017

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Autor americano George Saunders com a capa de seu livro - CHRIS J RATCLIFFE / AFP

Autor americano George Saunders com a capa de seu livro – CHRIS J RATCLIFFE / AFP

 

Americano levou prêmio de cerca de R$ 200 mil por seu romance ‘Lincoln in the Bardo’

Publicado em O Globo

RIO – O escritor americano George Saunders ganhou, nesta terça, o prestigiado Prêmio Man Booker para ficção pelo romance “Lincoln in the Bardo”, romance sobre almas inquietas à deriva após a morte.

O livro é baseado em uma visita do presidente Abraham Lincoln, feita em 1862, ao corpo de seu filho de 11 anos, Willie, em um cemitério de Washington. É narrado por um coro de personagens mortos e incapazes de voltar à vida.

É o segundo ano consecutivo que um americano ganhou o prêmio de £ 50 mil (cerca de R$ 210 mil), que só foi aberto aos autores dos EUA em 2014.

“Lincoln in the Bardo” justapõe os acontecimentos reais da Guerra Civil dos EUA – através de passagens de historiadores tanto reais quanto fictícios – com um coro de personagens do outro mundo, masculino e feminino, jovem e antigo. No budismo tibetano, bardo é o estado de transição entre a morte eo renascimento.

Saunders recebeu o prêmio da esposa de Prince Charles, Camilla, duquesa de Cornwall, durante uma cerimônia no Guildhall medieval de Londres.

Aceitando seu troféu, Saunders disse que o estilo do livro pode ser complexo, mas a questão que ele colocou em seu coração era simples: ou “respondemos a tempos incertos com medo e divisão” ou “tomamos esse antigo grande salto de fé e tentamos responder com amor”?

A baronesa Lola Young, que presidiu o julgamento de Booker, disse que o romance “se destacou por sua inovação, seu estilo muito diferente, a maneira pela qual, paradoxalmente, trouxe à vida essas almas quase mortas”.

“Lincoln in the Bardo” é o primeiro romance de Saunders, de 58 anos, um aclamado escritor de histórias curtas que ganhou o Prêmio Folio em 2014 por sua coleção de contos “Tenth of December”.

Pela primeira vez, autor jamaicano conquista o Man Booker Prize

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Jamaican author Marlon James poses for a photograph at a photocall in London on October 12, 2015, ahead of tomorrow's announcement of the winner of the 2015 Man Booker Prize for Fiction. Marlon James' s "A Brief History of Seven Killings" is one of the six shortlisted books for this year's prize. AFP PHOTO / NIKLAS HALLE'N

Marlon James é agraciado com a principal honraria para romances em língua inglesa por livro sobre atentado a Bob Marley, “A Brief History of Seven Killings”

Publicado no Divirta-se

O escritor jamaicano Marlon James conquistou, nesta terça-feira (13/10), o prestigioso Man Booker Prize por “A Brief History of Seven Killings”, um romance inspirado em uma história real e que descreve como Bob Marley e sua equipe e sua equipe foram atacados antes de um show em 1976.

James, de 44 anos, é o primeiro jamaicano a ser agraciado com o prêmio da literatura em língua inglesa – entregue há 47 anos.

Concedido ao melhor romance original em língua inglesa, o Man Booker Prize é um dos mais importantes prêmios literários do mundo.

Os outros finalistas foram os britânicos Tom McCarthy por obra “Satin Island” e Sunjeev Sahota por seu primeiro romance, “The Year of the Runaways”, o nigeriano Chigozie Obioma por “The Fishermen” e as norte-americanas Anne Tyler (“A Spool of Blue Thread”) e Hanya Yanagihara (“A Little Life”).

Ana Luisa Escorel, Verônica Stigger e Marcos Peres vencem o Prêmio SP de Literatura

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Autora paulista conquista a premiação de maior valor monetário do país com ‘Anel de vidro’

Ana Luisa Escorel é vencedora do Prêmio SP de Literatura - Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

Ana Luisa Escorel é vencedora do Prêmio SP de Literatura – Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

Marcia Abos em O Globo

SÃO PAULO – Em cerimônia realizada na noite desta segunda-feira no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, foram apresentados os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, premiação literária de maior valor monetário do Brasil, na qual só concorrem romances. O vencedor de melhor livro do ano da 7ª edição do prêmio é “Anel de vidro” (Ouro sobre azul), da paulista Ana Luisa Escorel, recebendo R$ 200 mil.

O melhor livro do ano de autor estreante – escritor que pela primeira vez publica romance – de mais de 40 anos é “Opisanie swiata” (Cosac Naify), da gaúcha Verônica Stigger. E o melhor livro do ano de autor estreante de menos de 40 anos é “O evangelho segundo Hitler” (Record), do paranaense Marcos Peres. Os dois últimos ganham R$ 100 mil cada um.

Inspirado no Man Booker Prize, só podem concorrer ao prêmio do governo do estado de São Paulo romances publicados no Brasil. Nessa edição, foram 169 livros inscritos. Entraram na competição 153 obras, 67 de autores veteranos e 86 de autores estreantes.

Filha do escritor Antonio Candido, Ana Luisa Escorel é diretora da editora e estúdio de design Ouro sobre Azul. Começou a carreira em 1968, aos 20 anos, trabalhando no escritório de Aloisio Magalhães. Em 1975, ela fundou o A3 Programação Visual, com Evelyn Grumach e Heloisa Faria e, em 1996, o 19 Design com Heloisa Faria. Em 2004 fundiu numa única estrutura editora e empresa de design com a Ouro sobre Azul, por onde publicou “Anel de vidro”.

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Man Booker Prize anuncia lista com seis finalistas

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Autor britânico Howard Jacobson, vencedor de 2010 por ‘A questão Finkler’, concorrerá a seu segundo prêmio

Os livros finalistas do Man Booker Prize - / Reprodução

Os livros finalistas do Man Booker Prize – / Reprodução

Publicado em O Globo

RIO — Foi anunciada nesta quarta-feira a lista de finalistas do Man Booker Prize, um dos principais prêmios literários do planeta. No primeiro ano em que concorrem autores de língua inglesa não britânicos, há dois americanos e um australiano entre os seis nomes divulgados.

Da terra da rainha estão indicados o inglês Howard Jacobson — vencedor de 2010 pelo livro “A questão Finkler” —, a escocesa Ali Smith, que já foi finalista em outras duas oportunidades, e Neel Mukherjee, autor britânico nascido na Índia. Completam a lista os americanos Joshua Ferris e Karen Joy Fowler, e o australiano Richard Flanagan. Os escritores receberão £ 2500 cada e uma edição especial de seus livros.

“Estamos encantados em anunciar nossa lista internacional de finalistas. Enquanto o Man Booker Prize expande suas fronteiras, estes seis livros excepcionais levam o leitor em jornadas ao redor do mundo, entre o Reino Unido, Nova York, Tailândia, Itália e Calcutá, no passado, no presente e no futuro”, declarou AC Grayling, presidente do júri, em comunicado divulgado no site da instituição. “Acreditamos que esta lista demonstra a maravilhosa profundidade e abrangência da ficção contemporânea em inglês.”

O Man Booker Prize, oferecido ao melhor romance em língua inglesa do ano, rende £50 mil para o vencedor. O prêmio já foi dado a nomes como J.M. Coetzee, Salman Rushdie, William Golding, V.S. Naipaul, Yann Martel e John Banville, entre outros.

O vencedor será anunciado em uma cerimônia no Guildhall, em Londres, no dia 14 de outubro.

VEJA SEIS LIVROS QUE CONCORREM AO PRÊMIO

– “To Rise Again at a Decent Hour”, de Joshua Ferris;

– “The Narrow Road to the Deep North”, de Richard Flanagan;

– “We Are All Completely Beside Ourselves”, de Karen Joy Fowler;

– “J”, de Howard Jacobson;

– “The Lives of Others”, de Neel Mukherjee;

– “How to be Both”, de Ali Smith.

Os livros longos e a promessa do autor

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Quem, nos dias de hoje, tem tempo para ler um romance de 800 páginas?

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Danilo Venticinque, na Época

Na era da informação fragmentada, escrever um romance é uma atitude no mínimo questionável. Escrever um romance de 800 páginas, ainda por cima, é um evidente sintoma de megalomania. Quem hoje em dia consegue separar tempo para ler um livro desse tamanho e perder preciosas horas dedicadas à efervescência das redes sociais?

Foi a indefensável pretensão literária da neozelandesa Eleanor Catton, a mulher de 28 anos mais antiquada do planeta, que deu origem a Os luminares, um dos livros mais elogiados dos últimos anos. Trata-se de uma obra obviamente fora de moda. Paródia dos romances vitorianos, o livro conta a história de um assassinato durante a corrida do ouro na Nova Zelândia do século XIX. Foi o livro mais longo (e a autora mais jovem) a ganhar o cobiçado Man Booker Prize. Críticos o descreveram como um trabalho vivo e extraordinário, cujas páginas parecem virar sozinhas. São comentários de gente que não tinha absolutamente nada para fazer e, mergulhada no mais profundo tédio, decidiu que ler um romance de 800 páginas seria uma boa maneira de passar o tempo.

Antes que eu me junte a eles numa apaixonada defesa da leitura antiquada em tempos modernos, preciso fazer uma confissão: não li Os luminares. Como muitos outros jornalistas, diante de um prazo exíguo para escrever sobre uma obra nada enxuta, tive de recorrer a alguns truques da profissão para tornar viáveis as leituras inviáveis. Cada crítico tem suas artimanhas. Alguns leem diversas reportagens de outros jornalistas (que talvez também não tenham lido o livro) para assim descobrir tudo sobre a obra. Outros entrevistam o autor e confiam em sua capacidade de resumir centenas de páginas em poucos minutos de conversa. E há os que arriscam uma leitura apressada e incompleta, num misto de otimismo excessivo e desencargo de consciência. Ler cinquenta páginas de um livro de 800 é uma vergonha, mas é melhor do que não ler nenhuma.

Consegui terminar minha reportagem sobre Catton graças a uma mistura dessas três técnicas. Mas senti que não havia esgotado o tema. Decidi escrever mais um texto sobre Os luminares. Ainda sem ler o livro, evidentemente.

Resolvi aproveitar esta coluna para pensar um pouco nos motivos que levam um autor a escrever um livro tão longo quanto Os luminares — e, também, no que leva um leitor a enfrentá-lo.

A desculpa de Catton para escrever um romance vitoriano de 800 páginas é surpreendentemente contemporânea: distração diante do computador. Ela diz que escreveu o livro no Word, não se atentou à quantidade de páginas e só se deu conta da extensão do livro quando viu a primeira prova da versão impressa. Mesmo assim, continuou acreditando que seu livro cativaria os leitores apesar da extensão. O sucesso de crítica e público (mais de 500 mil cópias vendidas em todo o mundo) mostra que ela estava certa.

Catton descreve um livro longo como um contrato entre autor e leitor. “O autor promete ocupar mais tempo do leitor e entregar em troca uma experiência digna do tempo investido. Quanto maior o livro, maior a promessa. Levei isso muito a sério. Quis criar um livro de mistério que cumprisse essa promessa”, disse ela em entrevista na Festa Literária Internacional de Paraty.

Não duvido que muitos acreditem na promessa do autor e de fato leiam o livro até o final. A julgar pelas críticas que o livro recebeu, o esforço vale a pena. Mas para entender o sucesso do livro, sobretudo as expressivas vendas, é preciso lembrar também de outra promessa — feita não do autor para o leitor, mas sim do leitor para si mesmo.

Compramos um livro de 800 páginas na esperança de que seremos capazes de abrir não de todos os nossos compromissos para lê-lo. Acreditamos nessa promessa. Poucas páginas depois, porém, as distrações do cotidiano reassumem o controle de nossas vidas e a leitura perde espaço. Passamos a encarar o livro longo não como um desafio a ser vencido, mas como uma lembrança do tempo em que acreditávamos que seríamos capazes de tal proeza de leitura. Um tributo ao que poderíamos ser.

Não há motivo para abandonar o otimismo, mesmo que nossos hábitos deponham contra nós. Conversei ontem mesmo com um amigo que também comprou Os luminares. Batizou-o carinhosamente de “chaproca”. Ele confidenciou que não conseguiu avançar muito na leitura nos últimos dias, mas acredita que irá retomá-la. “Estou só esperando a internet de casa sair do ar”, disse. É uma atitude admirável, que todo leitor deveria tomar como exemplo. Esqueçam o péssimo exemplo dos críticos que viram as páginas apressadamente e tentam ludibriar os autores de romances monumentais. Ler um livro de 800 páginas é uma tarefa para semanas, meses. Talvez até a vida inteira. E, se o autor cumprir sua promessa, cada hora da jornada terá válido a pena.

Agora, se me dão licença, tenho um livro para ler. Até a próxima semana.

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