Posts tagged Manuscritos

12.000 manuscritos de Charles Darwin publicados online

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Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

Charles Darwin Biblioteca Digital da Universidade de Cambridge lançou 12.000 páginas da obra de Darwin sobre a teoria da evolução.

As imagens incluem transcrições, notas detalhadas de documentos importantes, incluindo a “Transmutação” e “cadernos de metafísica” da década de 1830, bem como o “Esboço do lápis” de 1842, onde Darwin utiliza pela primeira vez o termo “seleção natural”.

A liberação dos papéis de Darwin online marca o aniversário de 155 anos da publicação de A Origem das Espécies.

Guy Lewy, presidente da Sociedade de Ciências da Universidade de Cambridge, disse: “Estes documentos recém-lançados abrirão uma janela para um lado de Darwin que poucos de nós vimos antes”.

O próximo lançamento na Biblioteca Digital de Cambridge sobre os Manuscritos de Darwin está previsto para Junho de 2015, que serão notas de oito livros pós A Origem das Espécies.

Manuscritos antigos da Biblioteca Estatal da Rússia são digitalizados

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Em breve, obras literárias datadas de séculos passados poderão ser acessadas pela internet Foto: Anton Tchúrotchkin

Em breve, obras literárias datadas de séculos passados poderão ser acessadas pela internet Foto: Anton Tchúrotchkin

Confira como funciona a digitalização de obras da Biblioteca Estatal da Rússia, que vai permitir o renascimento das obras dos clássicos literários.

Gueórgui Manaev, no Gazeta Russa

Enquanto as bibliotecas nacionais aderem ao projeto de digitalização dos livros mais valiosos dos seus arquivos, a Gazeta Russa visitou o centro de digitalização da Biblioteca Estatal da Rússia para acompanhar o renascimento das obras dos clássicos literários.

A iniciativa tomada pela Biblioteca Estatal da Rússia em meados da década de 2000 deu origem ao projeto de Biblioteca Nacional Digital, criado com o objetivo de imortalizar com a ajuda de tecnologias modernas obras da literatura publicadas até o ano de 1831. Tatiana Garkuchova, funcionária do centro de digitalização, monstra na tela do seu computador as páginas escaneadas de livros arcaicos, como o Evangelho de Arkhanguelsk, publicado em 1092, a quarta obra mais antiga de todos os famosos manuscritos do leste europeu, e Octoecos (coletânea de cânticos religiosos da Igreja Ortodoxa), que saiu da oficina de impressão da cidade de Cracóvia em 1491 e é considerado um dos primeiros livros escritos no alfabeto cirílico.

Foto: Anton Tchúrotchkin

Foto: Anton Tchúrotchkin

Apesar do valor estimado em milhões de dólares, a obra é uma propriedade estatal, portanto não pode ser comprada ou vendida.

“Anteriormente, os livros desta categoria podiam ser emprestados apenas mediante a apresentação de uma autorização especial e somente às equipes de pesquisa renomadas”, explica Tatiana.

Mas o projeto de digitalização já garante o acesso ao seu conteúdo a todos os interessados através do site oficial da Biblioteca Digital.

Passado digitalizado

“A seleção dos livros raros da Biblioteca Estatal inclui cerca de 300 unidades, nove dos quais já receberam as suas versões eletrônicas”, conta Tatiana, que comemora o apoio do Ministério de Cultura recentemente recebido pelo projeto da Biblioteca Nacional Digital, cuja lista de participantes também continua se ampliando.

Apesar da crescente expansão dos meios digitais de conservação do patrimônio cultural, o tradicional papel ainda não se rendeu às novidades tecnológicas.

Foto: Anton Tchúrotchkin

Foto: Anton Tchúrotchkin

“O projeto de digitalização de livros visa disponibilizar o seu conteúdo ao público em geral, além de neutralizar possíveis danos causados pelos métodos usados nas suas respectivas épocas, tais como a tinta à base de zinco comum no século 19 e que, ao passar dos anos, penetra no papel e aparece no seu verso, impossibilitando a leitura do texto escrito em ambos os lados da folha”, explica Roman Kurbatov.

“Vale ressaltar que os livros mais antigos e caros são também os mais bem conservados. A sua importância e valor permitiram que eles fossem guardados em condições especiais e fossem pouco manuseados. Já encontramos uma obra de François Rabelais publicada em vida na década de 30 do século 16, cujo estado supera ao das obras que saíram das editoras em meados do século 19”, conta Roman.

Foto: Anton Tchúrotchkin

Foto: Anton Tchúrotchkin

Para que os livros não sejam danificados, o processo de digitalização conta com uma série de cuidados. Por exemplo, cada obra é escaneada dentro de um leito ajustado conforme o seu formato e grossura por uma máquina do tamanho correspondente, cuja luz não prejudica a tinta ou o papel. Existem os aparelhos digitalizadores para livros de todos os tamanhos, inclusive para as unidades do formato A0 com dimensões 33,1 x 46,8 polegadas.

Tecnologias espaciais e obras de Leonardo da Vinci

Os livros grandes ou de formatos incomuns, como feitos sob encomenda, atlas, álbuns e folhas gráficas, são processados pelo digitalizador Metis Systems, elaborado por antigos colaboradores do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Tecnologia de Massachusetts, cuja capacidade permite digitalizar obras de até 50 quilos e 20 polegadas de espessura. Há pouco tempo, o aparelho transformou em arquivos eletrônicos o livro “Codex Atlânticus”, manuscrito de Leonardo da Vinci de 1119 páginas.

Foto: Anton Tchúrotchkin

Foto: Anton Tchúrotchkin

O site da Biblioteca Estatal da Rússia garante o acesso livre às cópias digitais de uma série de livros que inclui o calendário pessoal de bolso do imperador Pavel 1º, o Evangelho datado de meados do século 17, obras do século 16 da oficina de impressão de Francysk Skaryna de Praga, entre outros, assim como permite baixá-los em formado pdf ou lê-los no iPad. A alta qualidade da digitalização preserva os mínimos detalhes dos textos e de seus enfeites, assim como gravuras e ex-líbrises que indicam a pertinência do item.

A facilidade de acesso, no entanto, não seria capaz de compensar a sensação gerada pelo contato com a obra antiga.

“Durante o processo de digitalização da famosa biblioteca de Menachem Mendel Schneerson, encontramos entre as folhas alguns objetos interessantes usados como marcadores de paginas, tais como penas de ganso, fios de cabelo, correntes, dinheiro e bilhetes pessoais”, explica Roman.

Onde são armazenados todos os tesouros do conhecimento e da ciência

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Biblioteca do Monasterio de Wiblingen, Alemanha
(Wiblingen Monastery Library, Ulm, Germany)

Publicado por Eu amo leitura

Antes de entrar na Biblioteca visitantes podem ver a inscrição “Em quo omnes thesauri sapientiae et Scientiae”, que significa “Onde são armazenados todos os tesouros do conhecimento e da ciência”, uma citação simplesmente perfeita para entrada de qualquer biblioteca, vocês não acham?

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A famosa biblioteca do mosteiro Wiblinger tem o tamanho e toda suntuosidade e luxo de um lugar sagrado. O afresco do teto feito pelos artistas Martin Kuen e Dominic possuem 1750 desenhos diferentes dando ainda mais charme a essa biblioteca.

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A biblioteca detém em seu acervo cerca de 15.000 manuscritos, dentre outros documentos. Estes variam de originais, manuscritos, ilustrações para revistas e impressão do mundo cotidiano e do sistema escolar. Na Wiblingen encontram-se diversos Manuscritos do século 15.

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A Abadia de Wiblingen foi uma abadia beneditina, hoje ela abriga a Faculdade de Medicina da Universidade de Ulm. A abadia faz parte da rota do barroco. O Mosteiro foi fundado em 1093, e durante a Idade Média Wiblingen foi famosa por sua erudição, qualidade de sua educação e lugar exemplar de disciplina monástica.

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Não é linda??

Livraria no Líbano é incendiada após boato de que seu dono era contra Maomé

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Diogo Bercito, na Folha de S. Paulo

Quando as antigas portas de madeira da Livraria Al-Saeh se abrem, escapa rápido pela passagem um ar pesado, carregado de cinzas. Foram queimados ali dentro, na sexta-feira, livros centenários dessa que é conhecida como uma das livrarias mais antigas do Líbano.

Dois dias depois, a Folha encontrou um mutirão de moradores locais empunhando enxadas e caixas de papelão, em uma tentativa de salvar parte de seu acervo.

A Livraria Al-Saeh foi vítima de extremistas muçulmanos que, diante do falso rumor de que seu dono havia escrito um artigo contra Maomé, o profeta do islamismo, forçaram sua entrada e empaparam os livros com gasolina, antes de atear fogo.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

O chefe das forças de segurança chegou a afirmar em público que o boato não era verdadeiro, mas a história já havia incendiado os ânimos na cidade, levando ao ataque de extremistas.

Mas a cena testemunhada pela reportagem no local dava conta da distância que há entre a narrativa de um conflito religioso disseminado na cidade de Trípoli e a realidade, em que muçulmanos sunitas e xiitas se reuniram para, ao lado dos proprietários cristãos, varrer juntos o chão chamuscado.

“Os culpados por esses incidentes são sempre os que odeiam”, afirma Muataz Salloum, 26, organizador do mutirão. “São pessoas baratas compradas por quem quer criar conflito no país.”

Não são poucos os interessados. O Líbano tornou-se palco das disputas regionais entre correntes islâmicas, opondo xiitas de Irã e Síria a sunitas da Arábia Saudita.

A cidade costeira de Trípoli, em especial, tem sido abalada pelo conflito sírio, já que a sua população alauita (ramo do xiismo) defende o ditador Bashar al-Assad. Os sunitas apoiam os insurgentes, que querem ver o presidente deposto.

Livraria Al-Saeh, na cidade antiga de Trípoli, no Líbano, após incêndio proposital que destruiu livros centenários Diogo Bercito/Folhapress

Livraria Al-Saeh, na cidade antiga de Trípoli, no Líbano, após incêndio proposital que destruiu livros centenários
Diogo Bercito/Folhapress

MEMÓRIA

Crianças se juntavam, ontem de manhã, ao batalhão de limpeza. De luvas e máscaras cirúrgicas, carregavam livretos para cá e para lá. Não havia eletricidade, e era difícil enxergar. Uma fina fumaça indicava que ainda havia fogo, e corriam nos corredores os baldes de água trazidos pelo Exército.

A queima da Livraria Al-Saeh foi recebida com surpresa ao redor do país. Seu dono, um padre grego ortodoxo, é uma figura local carismática, que vende, inclusive, títulos sobre a vida do profeta Maomé e o islamismo.

“Não sabemos como começou”, diz uma libanesa, parente do padre Ibrahim Srouj. Ela prefere não se identificar. “Homens armados vieram e puseram fogo, antes de fugir. Vizinhos ouviram o barulho e vieram ver.” Ninguém reivindicou o atentado.

A livraria, fundada nos anos 70, fica em uma antiga delegacia otomana, hoje aos pedaços. “Quando você quer destruir um país, começa por apagar a memória dele”, diz a parente.

Cliente da Livraria Al-Saeh há nove anos, um advogado -que também não revela o nome- assistia à limpeza da loja. Ele diz que o proprietário do imóvel já tentara expulsar o dono e sugere uma ligação entre o mercado imobiliário e o incidente, incluindo o sumiço da polícia no momento desse crime.

“O padre Srouj está assustado”, afirma. “Ele quer garantias da liderança política e das milícias para voltar e reabrir a Livraria Al-Saeh.”

MANUSCRITOS

De acordo com familiares, havia 80 mil títulos na livraria. Um terço deles foi queimado. Os exemplares mais antigos ali datam do século 17, e ainda não se sabe qual foi o dano causado a eles.

O ativista Taha Baba, 25, não se importa exatamente com os livros. Ele confessa, entre estantes escurecidas, que mal gosta de ler. “Sou técnico de computação, só leio livros de informática.”

“Mas vim ver o que foi feito e, quando encontrei manuscritos queimados, decidi ajudar. Eles destruíram a memória de Trípoli”, afirma.

Baba tira seu celular de dentro do bolso e mostra algumas mensagens para a reportagem. Uma delas diz “você é o próximo”, em ameaça devido ao fato de ele ter participado de uma passeata, anteontem, contra a queima.

“É uma guerra”, diz. “Os extremistas querem criar um Estado islâmico em Trípoli.”

8 livros publicados postumamente (e suas histórias)

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Jéssica Soares, na revista Superinteressante

Eles não precisaram da ajuda de Chico Xavier. Antes de passarem dessa pra melhor, alguns escritores deixaram para trás livros inéditos e que chegaram às livrarias com um quê de #VozesdoAlém. Para a alegria dos fãs (e também dos editores), os casos são muitos. Selecionamos e contamos para você a história por trás de 8 livros publicados postumamente:

1. O castelo, de Franz Kafka (1926)

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Durante sua vida, a maior parte dos textos de Franz Kafka foi publicada apenas em revistas literárias. E, se dependesse do autor de A Metamorfose, suas obras poderiam nunca ter sido conhecidas no mundo. Quando faleceu, em 1922, Kafka deixou todos os seus manuscritos para seu amigo Max Brod que, como seu executor literário, recebeu instruções claras: deveria destruir todo o material. Só que, obviamente, Max não seguiu o desejo do finado e cuidou da publicação dos escritos. Ufa. Entre as obras publicadas graças a Brod está O Castelo.

Os registros em seu diário indicam que Franz teve a ideia para o livro ainda em 1914, mas só começou a escrevê-lo em 1922. Na história, o protagonista K. apresenta-se para ocupar um posto de agrimensor em uma aldeia dominada por um imponente e misterioso castelo. Quando chega lá, é informado que ninguém está sabendo (e nem reconhece) sua convocação #climão. Para resolver a questão, precisa enfrentar uma burocracia incontornável. E (como na vida?) não há resolução para o imbróglio do protagonista – Kafka não conseguiu terminar o livro antes morrer.
Leia também: Romance interminável

 

2. Autobiografia – volume 1, de Mark Twain (2010)

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Durante quase uma década, o autor de As aventuras de Tom Sawyer  e Huckleberry Finn se dedicou a colocar em palavras as memórias de sua vida. Morreu antes de publicá-las. Mas tudo bem, era assim que ele queria. Mark Twain deixou instruções um tanto excêntricas: sua autobiografia só deveria ser publicada 100 anos depois de sua morte. O-kay. Em 2010, a espera finalmente acabou e o lançamento do primeiro volume estabeleceu um marco que poucos autores conseguiram atingir na vida (e, muito menos, na morte): a robusta obra de mais de 700 páginas se tornou um best-seller póstumo.

O sucesso pegou de surpresa até mesmo a editora.  A expectativa da University of California Press era modesta e, inicialmente, só foram publicados 7.500 exemplares. Mal conseguiram atender à demanda crescente de pedidos por reimpressões e, em poucos meses, o livro já tinha vendido mais 250 mil cópias. Agora provavelmente estarão mais preparados – no próximo mês de outubro, a editora lança o segundo volume das memórias do escritor estadunidense. Já encomendou o seu?

 

3. 2666, de Roberto Bolaño (2004)

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(via)

Roberto Bolaño, em sua última entrevista, concedida à revista Playboy mexicana, brinca que a palavra “póstumo” soa “como o nome de um gladiador romano. Um gladiador invicto. Ou ao menos assim quer crer o pobre Póstumo, para dar-se o valor”. Se perguntado agora, é certo que desdenharia de sua fama post mortem como o fez em vida. Antes de sua morte prematura, em 2003, aos 50 anos, Roberto Bolaño já havia ganhado o status de um dos nomes mais representativos da literatura latino-americana contemporânea. O chileno estava quase no topo da lista de espera por um novo rim quando partiu. Se tivesse ficado por aqui mais alguns meses, teria acompanhado a consagração (e ascensão meteórica) de sua reputação.

O romance póstumo 2666, que tem mais de mil páginas na edição em espanhol e se divide em cinco narrativas interligadas, recebeu o prêmio de melhor livro da National Book Critics Circle Awards, dos Estados Unidos, foi apontado como o melhor livro de 2008 pela revista Time, e provocou comoção internacional. Um gladiador invicto.

 

4. O Original de Laura, de Vladimir Nabokov (2009)

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Lolita, livro que narra a paixão de um homem de meia-idade pela adolescente-título, rendeu ao russo Vladimir Nabokov fama mundial quando foi publicado em 1955. Não é surpresa que a publicação de um manuscrito inédito do icônico autor em 2009 tenha sido tratada como um evento no mundo literário. O caso é controverso: antes de morrer, Nabokov estava trabalhando no livro que havia intitulado O Original de Laura. Deixou apenas 138 fichas (o equivalente a cerca de 30 páginas manuscritas), sem ordem indicada, quando faleceu em 1977. Em seu testamento, o autor perfeccionista deixava claro que o manuscrito inacabado deveria ser destruído.

Acontece que sua esposa Vera e o filho Dmitri não tiveram coragem de destruir o trabalho ainda em processo. Por 30 anos, a dupla se debateu e discutiu com pesquisadores e acadêmicos a validade de se publicar os escritos, ainda em estágio rudimentares, deixados por Nabokov. Depois da morte de Vera, a decisão coube ao filho, que decidiu tornar o livro público. A recepção não foi das melhores, tendo sido considerado um quebra-cabeça com peças demais desaparecidas.

 

5. O Mistério de Edwin Drood, de Charles Dickens (1870)

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Em 1870, o autor de Oliver Twist, Charles Dickens, resolveu se aventurar por um novo gênero, o drama policial. O romance, publicado em fascículos seriados lançados entre os meses de abril e setembro daquele ano, tinha os elementos certos para cativar os leitores – um romance não correspondido combinado a um triângulo amoroso, um assassinato misterioso e um elemento surpresa: a morte súbita do próprio autor, que acabou deixando o desfecho em aberto.

Quando Dickens faleceu, vítima de um derrame, apenas seis das doze partes previstas da história haviam sido concluídas, sendo que três destas foram publicadas postumamente. Em seus manuscritos, não foram encontradas referências que indicassem os rumos que tomaria a história e muito menos registros que confirmassem a identidade do assassino. Teorias não faltam, mas a dúvida permanecerá.

 

6. O Silmarillion, de J. R. R. Tolkien

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A Terra Média é do tamanho do mundo. Depois do sucesso de O Hobbit, publicado em 1937, o editor de J. R. R. Tolkien pediu que o autor escrevesse uma sequência para a história. O resultado, foi um rascunho inicial de O Silmarillion, que acabou sendo rejeitado. Tolkien deixou seus rascunhos em um cantinho e começou a trabalhar na “nova história dos hobbits” que viria a se tornar sua obra máxima, a trilogia O Senhor dos Anéis. O britânico acabou não tendo a chance de revisitar e finalizar os escritos anteriores antes de falecer em 1973. Foi o seu filho, Christopher, o responsável por revisar (e preencher algumas lacunas) antes de sua publicação póstuma em 1980.

Bônus: Tolkien deixou ainda mais fragmentos da Terra Média espalhados por aí. Em 1980, o seu filho compilou as diversas histórias e notas deixadas por seu pai e as publicou na coletânea Contos Inacabados.

 

7.  Uma Confraria de Tolos, de J.K. O’Toole (1980)

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O estadunidense J.K. O’Toole escreveu seu primeiro livro, The Neon Bible, aos 16 anos. Extremamente crítico quanto ao próprio trabalho, O’Toole considerava a obra “adolescente”. Chegou a tentar publicar o texto mas, depois de algumas rejeições, resolveu trabalhar em um novo livro, Uma confraria de tolos. Na história, o protagonista é Ignatius J. Reilly, um intelectual glutão, preguiçoso, egocêntrico, desagradável que, como um Dom Quixote do século 20, desbrava as ruas de Nova Orleans enfrentando – ao invés de moinhos de vento – uma série de tolos, malandros, aproveitadores e policiais desonestos. Concluído em 1964, O’Toole enviou sua obra a editoras e, novamente rejeitado, sucumbiu à depressão e à paranoia, tirando a própria vida em 1969, aos 31 anos.

A história teria acabado por aí, não fosse pela insistência de sua mãe, Thelma. Empenhada em tornar a obra do filho conhecida, passou a entrar em contato com o professor de literatura Walker Percy, em 1976, para que ele lesse o manuscrito inédito. Walker tentou como pôde escapar dos apelos insistentes, mas acabou cedendo – e se surpreendeu com a qualidade dos escritos do então desconhecido autor. O livro foi finalmente publicado em 1980 e não poderia ter sido melhor recebido, tendo sido premiado com o Pulitzer de ficção no ano seguinte.

 

8. Cinco novas obras de J.D. Salinger

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Para completar o documentário Salinger, foram necessários 10 anos de extensa pesquisa, inúmeras entrevistas e um bocado de dedicação.  O filme, de Shane Salerno e David Shields, foi apresentado pela primeira vez no último mês de agosto, durante o festival de cinema de Telluride, no estado do Colorado (EUA). Os méritos (ou deméritos) cinematográficos do longa ficaram em segundo plano frente à revelação incrível que apresenta: segundo fontes ouvidas pelos documentaristas, o autor de O Apanhador no Campo de Centeio, falecido em 2010, teria deixado cinco obras inéditas. Segundo instruções deixadas por Salinger,  os livros devem ser publicados entre os anos de 2015 e 2020. Entre os escritos inéditos, estaria um conto que daria nova vida a Holden Caulfield (protagonista da obra mais famosa do autor). A informação ainda não foi confirmada pela família do autor, mas a gente já está na torcida.

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