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Correr, de Drauzio Varella

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Cristine, no Cafeína Literária

Correr
Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico oncologista, autor de best-sellers, voluntário na penitenciária feminina de São Paulo e pesquisador, tendo se tornado célebre por suas intervenções na TV e na mídia impressa. Mas consegue há mais de vinte anos, conciliar esse atribulado dia a dia com a prática regular de exercício físico.
Para Drauzio, correr não é apenas um hobby: é o que lhe dá o equilíbrio, a força e a serenidade necessária para enfrentar os desafios da vida.
(fonte: quarta capa do livro)

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Campeão da Olimpíada Brasileira de Matemática é aprovado em Princeton

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Publicado por G1

Murilo Zanarella, de 17 anos, levou a medalha de ‘ouro especial’ na OBM.
Jovem foi para a 2ª fase da USP e Unicamp, mas mira faculdade no exterior.

Murilo Zanarella levou medalhas em 50 olimpíadas nacionais e internacionais na área de exatas (Foto: Arquivo pessoal)

Murilo Zanarella levou medalhas em 50 olimpíadas nacionais e internacionais na área de exatas (Foto: Arquivo pessoal)

Desconcertado, Murilo Corato Zanarella, de 17 anos, solta uma risada tímida quando perguntado se é um viciado em olimpíadas de exatas. O jovem, que nasceu em Campinas e mora em São Paulo, já participou de 50 edições de diferentes provas de exatas, nacionais e internacionais, conquistando mais de 30 medalhas em olimpíadas de matemática, e acaba de ser aceito na Universidade de Princeton, em Nova Jérsei (EUA), após ter um desempenho notável em uma das provas.

A aprovação em Princeton veio logo após Murilo ganhar a medalha de ouro especial na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e obter a prata na Olimpíada Internacional. O título brasileiro foi conquistado após um ótimo desempenho na prova, já que a diferença de pontos entre ele e o segundo melhor colocado na categoria ensino médio foi maior do que a média das provas – 379 pontos contra 302. O resultado da OBM foi divulgado nesta quarta-feira (17).
Apesar de tantas conquistas, Murilo garante que não liga muito para a competição, e que as olimpíadas valem muito mais pela paixão à matemática. “A competição deixou de ser importante para mim, agora é pela matemática. Antes eu participava pelo desafio e, com o tempo, fui mudando e vi que o mais importante é estudar a matemática, a competição é um extra”, afirmou o jovem ao G1.

A matemática da escola é uma coisa mecânica, de copiar o que o professor passa. Na olimpíada é mais criativa, mais próxima da matemática de pesquisa” – Murilo Corato Zanarella, estudante

Zanarella também foi aprovado para a segunda fase dos vestibulares da USP e Unicamp em ciência da computação, e disse que pretende fazer a segunda fase mesmo com a aprovação em Princeton. Porém, se passar, dará preferência à matrícula no exterior, além de tentar outras instituições norte-americanas, como Harvard, MIT, Yale e Stanford, para realizar seus estudos voltados à matemática.

Amante dos números desde o início do ensino fundamental, o estudante contou que sempre teve facilidade com matérias de exatas, e que prefere muito mais os problemas das olimpíadas aos exercícios normalmente feitos em sala de aula. “A matemática da escola é uma coisa mecânica, de copiar o que o professor passa. Na olimpíada é mais criativa, mais próxima da matemática de pesquisa”, comparou o rapaz, que já participou de olimpíadas de física, astronomia, robótica e até de linguística.

Para facilitar a vida do repórter e não perder a conta mediante tantos títulos conquistados, ele organizou todos os títulos em um arquivo de texto, detalhando os anos em que participou e as medalhas obtidas.
Maratona para o cérebro

Para quem não conhece como funcionam as olimpíadas de exatas, a coisa vai muito além de contas e fórmulas, e algumas fases tem quase a duração de um vestibular. Porém, a regra de não poder utilizar uma calculadora continua valendo.

Na OBM, por exemplo, há três fases: a primeira, apenas de múltipla escolha, a segunda fase com questões de respostas diretas, na qual o candidato precisa colocar apenas o resultado e uma parte discursiva, na qual é necessário descrever também o raciocínio e, por fim, a terceira fase na qual os competidores têm 4 horas e meia para resolver três problemas bem complicados.

De acordo com o medalhista, não é preciso apenas saber a fórmula ou a conta corretas, mas sim organizar uma série de métodos e ideias antes mesmo de começar a resolver a questão. “Você precisa investigar o que está acontecendo e encontrar alguma coisa para começar a trabalhar com o raciocínio”, explicou Murilo.

Murilo, ao lado dos irmãos Henrique e Matheus, também medalhistas (Foto: Arquivo pessoal)

Murilo, ao lado dos irmãos Henrique e Matheus,
também medalhistas (Foto: Arquivo pessoal)

Família medalhista
Murilo é o filho do meio da família, e tem dois irmãos, de 15 e 20 anos, que também disputam olimpíadas na área de exatas. A tradição, segundo ele, começou com o filho mais velho, Matheus, que hoje faz engenharia elétrica na Unicamp.

Já o caçula, Henrique, foi medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Física e está participando do processo seletivo que definirá as equipes que representarão o Brasil nas Olimpíadas Internacionais de Física (IPhO e Iberoamericana).

Para que tantos prêmios fossem alcançados, a rotina de estudos é parte crucial do dia a dia de Murilo, que dedicou metade do ano para estudar para as olimpíadas e a preparação para tentar faculdades no exterior. Após vencer a prova internacional, o jovem se dedicou aos vestibulares e exames obrigatórios para o ingresso em instituições estrangeiras, como o SAT, uma espécie de “Enem norte-americano” e o Toefl, que avalia a proficiência de inglês do candidato.

Apesar de toda essa carga preparação, o medalhista destaca que o mais importante é estudar enquanto houver motivação, e não abrir mão de momentos para descansar e curtir um pouco. “Tem que ter um momento para relaxar, não adianta ficar estudando o dia inteiro. Os momentos que eu quero estudar são quando eu quero estudar mesmo, não adianta ter uma rotina fixa. Você rende mais quando não é uma obrigação. Quantas horas eu estudo? Depende muito do dia, depende de quanto eu estou animado”, exemplificou.

A matemática da escola tem um efeito bola de neve gigante. Se você tem dificuldade em um conceito simples, vai ser mais difícil entender algo mais complicado. – Murilo Corato Zanarella, estudante

Chegando ao pódio
“Só adianta você fazer a olimpíada se você realente gosta de matemática. A gente tem muito material na internet. Na minha época, não era tanto assim”, aconselhou Murilo, destacando que é preciso mesclar paixão e motivação para alcançar as medalhas nas olimpíadas. Uma dica é procurar materiais por conta própria, como vídeos no YouTube voltados para essas provas, e tentar contato com professores e outros medalhistas.

Já para quem não tem a intenção de se tornar um “atleta dos números” e quer se garantir na escola, o jovem destacou que é preciso paciência e perseverança ao aprender, e uma boa dica é não deixar de aprender conceitos mais básicos antes de tentar recuperar o ritmo do andamento das aulas.

“A principal dica é não deixar de lado. A matemática da escola tem um efeito bola de neve gigante. Se você tem dificuldade em um conceito simples, vai ser mais difícil entender algo mais complicado. Vale a pena correr atrás de resolver um problema simples, antes de correr atrás de algo mais complicado”, concluiu o rapaz.murilo3

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