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Alunos da USP que ficaram pelados em trote se apresentam à Polícia Civil

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Três estudantes de São Carlos, SP, responderão pelo crime de ato obsceno.
Eles hostilizaram feministas durante protesto contra um desfile em fevereiro.

Publicado por G1

Alunos que ficaram pelados ainda não foram identificados (Foto: Divulgação/Frente Feminista)

Alunos que ficaram pelados ainda não foram
identificados (Foto: Divulgação/Frente Feminista)

Os universitários da USP de São Carlos (SP) que ficaram pelados e hostilizaram cerca de 40 integrantes de um grupo feminista que protestava contra a realização de um desfile de calouras, conhecido como “Miss Bixete”, em uma festa dentro do campus, no mês passado, se apresentaram espontaneamente à Polícia Civil e responderão pelo crime de ato obsceno. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12) pelo delegado responsável pela investigação, Aldo Donisete Del Santo, do 3º Distrito Policial. Universidade tem até 60 dias para concluir processo administrativo que pode resultar até na expulsão dos envolvidos.

Dois estudantes ficaram pelados e outro simulou sexo com uma boneca inflável. “Eles se apresentaram espontaneamente. Foram ouvidos, tentaram amenizar a situação, mas foi elaborado um termo circunstanciado. Agora o caso chega à fase judicial e a primeira audiência já está marcada”, disse o delegado.

A Polícia Civil entrou no caso após pedido do Ministério Público Estadual de São Carlos. O promotor criminal Marcelo Mizuno anexou à requisição fotos dos estudantes pelados e simulando sexo. A pena para o crime de ato obsceno varia de três meses a um ano de prisão, mas a pena revertida em entrega de cesta básica e prestação de serviço ao público.

Em nota, a USP informou que um processo administrativo está em curso para acompanhar o caso dos alunos envolvidos. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 60 dias. Ainda segundo a universidade, paralelamente o Conselho Gestor do Campus (órgão deliberativo local de instância máxima) tratará do fato em sua próxima reunião para análise e deliberações.

Feminista protesta contra o 'Miss Bixete' na USP de São Carlos (Foto: Divulgação/Frente Feminista)

Feminista protesta contra o ‘Miss Bixete’ na USP
de São Carlos (Foto: Divulgação/Frente Feminista)

Entenda o caso

Cerca de 40 integrantes da Frente Feminista de São Carlos, que protestava contra a realização de um desfile de calouras, conhecido como “Miss Bixete”, dentro do campus da USP de São Carlos, foram hostilizadas por vários veteranos.

Segundo as feministas, o concurso de beleza realizado no dia 26 de fevereiro é machista, submete as estudantes a constrangimentos e muitas são pressionadas pelos veteranos para participar.
Irritados com a manifestação contra o evento, veteranos decidiram ofender os participantes, sendo que dois ficaram pelados e um simulou sexo com uma boneca inflável. “Tiraram sarro, xingaram, ficaram cantando as meninas que estavam no protesto, tentavam passar a mão e até jogaram bombinhas e cerveja na gente”, afirmou uma feminista em entrevista ao G1 no dia 1º de maio.

O universitário Rafael Campanari, um dos organizadores do ‘Miss Bixete’ condenou a atitude dos estudantes que ficaram pelados, mas defendeu o evento. “Ninguém é forçada a participar, as garotas que sobem no palco e desfilam estão lá porque querem, gostam de ouvir assovios e ser aplaudidas”, disse em entrevista no dia 2 de maio.

Disque-trote

Os calouros das universidades da região de São Carlos (SP) podem denunciar casos de abuso durante trotes universitários. O telefone da USP para relatar qualquer irregularidade é telefone é (16) 3373-9100. O número para denunciar trotes na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) é (16) 3306 6571.

1Estudante simulou sexo com boneca inflável para ofender integrantes (Foto: Divulgação/Frente Feminista)

Há 121 anos nascia J.R.R. Tolkien

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Biografia escrita por Marcelo Forlani no Omelete

Bloemfontein, capital do Estado Livre de Orange, na África do Sul, mudou a história de três diferentes mundos no dia 3 de janeiro de 1892. Nasceu ali John Ronald Reuel Tolkien, o primeiro filho do casal de ingleses Mabel e Suffield e Arthur Tolkien. Três anos depois do seu nascimento, Ronald, seu irmão Hilary (dois anos mais novo) e a mãe se mudavam para a Inglaterra. Aquela era a primeira grande mudança na vida dos dois meninos. Seu pai adoeceu e não conseguiu voltar para a sua terra natal. Mabel morou um tempo na casa dos pais, até alugar um chalé na zona rural de Birmingham. Ficar próximo aos avós e no meio do mato ajudou o menino a não sentir tanta falta da figura paterna e, principalmente, lhe ensinou a importância da natureza, sempre tão presente e viva na sua obra.

Passados quatro anos, os Tolkien saem de Sarehole para uma casa em Moseley. Foi no renomado colégio King Edwards que Ronald iniciou sua brilhante e longa história acadêmica. A mãe de Tolkien morreu quando ele tinha 12 anos. O padre Francis ficou encarregado da educação dos dois, que continuavam sua constante mudança de endereços. Quando dividia um quarto com seu irmão, no segundo andar da pensão da Sra. Faulkner, conheceu Edith Bratt, uma menina três anos mais velha que ele e futura mãe de seus filhos (John, Michael, Christopher e Priscilla).

O romance dos dois é um parágrafo à parte nesta história. Filha de mãe solteira, Edith também ficara órfã há pouco tempo quando os dois se conheceram. Segundo consta na biografia de Tolkien, ela era bastante bonita, baixa, esguia, de olhos cinzentos, um rosto firme e límpido e cabelos curtos e escuros. Os dois foram proibidos de se relacionar pelo padre Francis, que se preocupava com o rumo da vida do jovem rapaz. Ambos continuaram se encontrando e trocando cartas até que ela foi transferida para outra cidade. Obediente, Tolkien só voltou a procurá-la após completar 21 anos. Quando isso aconteceu, ela estava noiva de outro, pois achava que aquele amor havia sido esquecido. Tolkien conseguiu convencê-la de que eram feitos um para o outro e se casaram em 22 de março de 1916.

Na época em que se dedicava exclusivamente aos estudos, Tolkien fundou com seus amigos de colégio a T.C.B.S (Tea Club Barrovian Society). O clube do chá (tea club) remete às tardes em que os garotos passavam na biblioteca tomando chá enquanto estudavam para as provas finais. Depois, já de férias, eles mudaram os encontros para a loja do Barrow, daí o nome Barrovian Society, ou sociedade barroviana.

Com o estouro da Primeira Guerra Mundial, Tolkien teve que se alistar para defender o exército inglês. No front ele pegou uma doença chamada febre das trincheiras, causada pela falta de higiene, e voltou para a Inglaterra. As baixas para o T.C.B.S. foram mais profundas do que isso. Alguns de seus membros fundadores acabaram sucumbindo. A amizade entre eles, porém já havia transformado suas vidas. Toda esta cumplicidade pode ser vista na obra de Tolkien, principalmente na lealdade da Comitiva do Anel, em O Senhor dos Anéis.

Enquanto se recuperava da doença começou a rabiscar O Livro dos Contos Perdidos (The Book of Lost Tales), que mais tarde virou O Silmarillion (The Silmarillion). É neste momento que Tolkien começa a desenvolver o seu universo de orcs e elfos baseados nas lendas finlandesas que ele tanto estudou. Com o fim da Guerra, Tolkien volta a Oxford e retoma seus estudos e carreira acadêmica.

Com a estabilidade, o professor passou a dedicar atenção especial à família. Enquanto corrigia um bolo de provas, uma folha em branco foi o impulso que precisava para começar a colocar no papel as histórias que contava para os filhos. Tudo começava com numa toca no chão vivia um hobbit e as histórias narravam as aventuras de Bilbo Bolseiro, um ser menor que um anão, de pés grandes e peludos, pertencente a esta raça chamada hobbit.

A história caiu nas mãos do editor Stanley Unwin que, depois de ver a velocidade com que seu filho de 10 anos lia a obra, decidiu publicá-la. O Hobbit (The Hobbit – 1937) só tinha um problema. As 310 páginas de sua versão original foram consideradas muito poucas pelos leitores, que a esta altura já podiam ser chamados de fãs. Uma continuação foi encomendada ao escritor, mas com toda a sua responsabilidade (com as aulas) e detalhismo, Tolkien levou nada menos do que 12 anos para terminar O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings), que foi lançado em três volumes – os dois primeiros em 1954 e o terceiro no ano seguinte.

Em 1959, Tolkien, já famoso pela sua obra, se aposenta como professor. As Aventuras de Tom Bombadil, Tree and Leaf e Smith of Wootton Major foram publicados respectivamente em 1962, 1964 e 1967. No ano de 1965, uma versão pirata de O Senhor dos Anéis  é lançada nos Estados Unidos. A obra influencia os hippies que difundiam sua ideologia pacifista da Califórnia para o mundo. Sua esposa faleceu em 1971, aos 82 anos. Um ano depois, ele volta para Oxford e recebe o título de Comandante da Ordem do Império Britânico e de Doutor Honorário em Letras pela Universidade de Oxford.

Em 2 de setembro de 1973, em Bornemouth, J.R.R. Tolkien faleceu, aos 81 anos. O mundo real em que vivemos, o mundo das fantasias que imaginamos, e a Terra Média que, junto com ele, descobrimos.

Que bom!

dica da Luciana Leitão

Argentinos celebram Borges, Cortázar e Pessoa em ‘poéticos musicais’

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Publicado na BBC BRASIL

Poeta e músicos fazem show sobre a obra do escritor Jorga Luis Borges em Buenos Aires

Poeta e músicos fazem show sobre a obra do escritor Jorga Luis Borges em Buenos Aires

Casas de shows, teatros e museus argentinos ganharam uma nova forma de espetáculo, chamados de “poéticos musicais”, que combinam música e leitura de textos dos escritores argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar e do português Fernando Pessoa.

No mês passado, numa noite, mais de 300 pessoas lotaram o Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba) para assistir à apresentação sobre Borges, batizada de Lo que Borges nos contó. O mesmo espetáculo lotou a livraria, café e casa de shows Clásica y Moderna, também na capital argentina, durante mais de três meses.

Os “poéticos musicais” são cria do filósofo e poeta Santiago Kovadloff e dos músicos Marcelo Moguilevsky e César Lerner. No caso de Lo que Borges nos contó, eles combinam seleções de textos e histórias sobre o escritor com música, tocada por piano, flautas, acordeão e percussão.

Eles também realizam, separadamente, os espetáculos Informe Pessoa e Um tal Julio, de quase uma hora e meia.

O trio, que está com a agenda cheia para 2013, esteve recentemente em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentando o show em português.

Para Kovadloff, a plateia é diversificada porque atrai tanto os jovens que são “fãs” dos dois músicos – conhecidos na Argentina e em outros países – como leitores que “conhecem bem” os célebres escritores.

“O espetáculo atrai igualmente aqueles que às vezes não sabem ler poesia e podem sentir a intensidade da palavra dita com apoio musical”, disse o filósofo à BBC Brasil.

Risos e lágrimas

Kovadloff, que morou em São Paulo durante a adolescência, traduziu livros de Pessoa, Mario Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meirelles para o espanhol. No show, ele se apresenta como “leitor” e muda os ritmos e cadência da leitura de acordo com cada texto.

“Vamos criando tons diferentes, como uma peça teatral, mas me apresento como leitor”, disse.

O público ri, aplaude e se emociona com alguns dos textos selecionados pelo trio. Na apresentação sobre Borges, por exemplo, na Clásica y Moderna, alguns espectadores limparam as lágrimas quando ele leu o poema “As Coisas”, que fala sobre objetos que vão perdurar no tempo mesmo após a partida de seu dono.

“Quantas coisas, limas, umbrais, atlas, taças, cravos. / Nos servem como tácitos escravos. Cegas e estranhamente sigilosas. / Durarão para além de nosso esquecimento. Não saberão nunca que partimos”, dizem os versos.

O show sobre a obra e vida de Borges (autor, de O Aleph, entre outros clássicos) também provoca gargalhadas. Por exemplo, quando o filósofo conta como a mãe do escritor, Leonor Acevedo Suárez, reagiu quando já estava cansada de receber telefonemas anônimos ameaçando seu filho de morte.

“Borges era ameaçado e neste dia, ao telefone, ela disse: se o senhor está decidido a matar meu filho não terá problemas. Ele é cego e não é capaz de lutar. E se o senhor também quer me matar deve ser rápido porque já tenho oitenta anos”, contou. Nas entrevistas que concedeu ao longo da sua vida (1899-1986), Borges costumava citar a mãe como grande apoiadora na construção da sua trajetória.

Emoção

O filósofo observou que o público que assiste aos espetáculos reage “emocionalmente” à “intensidade” dos textos. No verão do ano passado, cerca de 800 pessoas lotaram os jardins do museu de Arte Espanhol Enrique Larreta, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires, para assistir ao espetáculo sobre Cortázar (conhecido no Brasil principalmente pelo romance Jogo da Amarelinha).

“Em todos os casos respeitamos a estrutura dos textos. Como ocorre por exemplo com o fragmento 54, do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, que é uma ironia, ilusão sobre a identidade”, disse o filósofo.

Livros do escritor português e de Cecília Meirelles costumam a ser expostos com destaque nas livrarias da capital argentina e são estudados por grupos de jovens poetas na cidade. Borges e Cortázar são nomes de praças e ruas de Buenos Aires e a Fundação Borges reúne, como disse sua viúva e herdeira universal, María Kodama, uma “infinidade” de textos, pois ele, mesmo quando já estava cego, lia e escrevia “o tempo inteiro”.

Como Haruki Murakami conquistou leitores que preferiam a internet à literatura

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ANTENADO
O escritor Haruki Murakami no Havaí, em 2011. Suas histórias misturam fantasia e cultura pop (Foto: Marco Garcia/The Guardian)

Felipe Pontes, com Marcelo OsaKabe na Revista Época

Em 11 de outubro, um grupo de japoneses se reuniu num bar em Tóquio para assistir a uma transmissão ao vivo de Estocolmo. Não era uma partida de futebol entre a seleção japonesa e a sueca. Tampouco era o show de algum ídolo pop. Em vez de carregar bandeiras ou vestir a camiseta de algum ídolo teen, seguravam livros e porta-retratos de Haruki Murakami, o escritor japonês mais famoso no mundo. Os “haruquistas” torciam para que ele ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura. Murakami já concorrera ao prêmio outras vezes. Era o favorito deste ano nas casas britânicas de aposta. As esperanças de que ele receberia o Nobel (frustradas pela premiação do escritor chinês Mo Yan) foram alimentadas pelo sucesso de vendas e pela aclamação crítica a seu último livro, 1Q84 (Alfaguara, 432 páginas, R$ 49,90, tradução de Lica Hashimoto), lançado no Brasil nesta semana. Publicado em 2009 no Japão, 1Q84 vendeu 1,5 milhão de cópias no primeiro mês. Lá, a obra saiu como um folhetim, dividida em seis partes. No Brasil, serão três volumes. O segundo sairá em março; e o terceiro, até o fim de 2013. Nos Estados Unidos, o romance atingiu o segundo lugar na lista de mais vendidos do jornal The New York Times.

O culto a Murakami explica que 1Q84 já tenha vendido 5 milhões de cópias, 4 milhões apenas no Japão. “Não sei nem se ele é o maior autor japonês, mas não me importo”, disse a ÉPOCA a artista japonesa Satoko Imai, de 30 anos. “Ele sempre será meu favorito.” Satoko começou a ler Murakami aos 12 anos. Diz que suas histórias foram importantes em sua adolescência. “Saboreava cada frase porque me mostrava uma perspectiva de mundo que não conhecia”, diz. “Não sabia onde procurar respostas sobre o mundo, até ler seus livros.” No mundo todo, grande parte do público de Murakami é formada por jovens globalizados como Satoko. Em geral, eles preferem ler a internet a comprar livros. Qual seria sua fórmula para cativar um público tão arisco? “Ele consegue misturar referências pop, filosofia e pitadas de fantasia”, diz Steven Poole, crítico do jornal britânico The Guardian.

1Q84 se passa em 1984 (a enigmática letra Q do título tem a mesma pronúncia de kiu, nove na tradução do japonês). Na trama, os dois protagonistas, Tengo, ghost-writer, e Aomame, assassina profissional, caem presos numa realidade paralela, em que enfrentam um misterioso culto religioso. Enquanto isso, procuram um pelo outro. Narrar universos paralelos e seres fantásticos (como o Povo Pequenino, gnomos que assombram o casal protagonista) não é o trunfo de Murakami. “Suas histórias carregam um sentimento de perplexidade em relação ao mundo, comum entre os jovens”, afirma Poole. É por isso que Carla Stoffel, curitibana de 25 anos, segue sua obra. “Os personagens buscam respostas dentro de si mesmos, com metáforas e jogos de pensamentos”, diz Carla. “É filosófico sem ser maçante.” Guilherme Donadio, paulista de 24 anos, também identificou-se com os personagens. “A solidão deles me atrai”, diz.

Além de provocar identificação com os jovens por causa de suas tramas e de seus personagens – quase todos na casa dos 20 anos –, Murakami tem uma linguagem clara e fluente, que cativa os leitores e facilita o trabalho dos tradutores. “É fácil de ler e instrutivo, vem salpicado de um humor”, diz a tradutora Lica Hashimoto. “A descrição que ele faz do cotidiano e a maestria com que desenvolve o fluxo de pensamento dos personagens criam laços entre leitor e narrador. Entre os escritores japoneses, poucos atingiram um grau tão intenso de aproximação.” Com seu estilo, Murakami consegue ao mesmo tempo ser admirado por jovens e arrancar elogios dos críticos. “Mais importante que esses traços superficiais, o que conta em suas histórias é um sentimento quase cósmico de falta de abrigo”, diz Poole. “Isso supera as fronteiras culturais.”

Murakami caiu no gosto do mundo porque seus 12 romances – embora ambientados no Japão e com personagens japoneses – são repletos de referências ocidentais, como música clássica e jazz. Antes de virar escritor, ele era dono de um bar de jazz, o Peter Cat, em Tóquio. Filho de um monge budista e uma professora de literatura, Murakami é casado desde os anos 1960 e não tem filhos. Vive entre Tóquio e Kauai, a quarta maior ilha do arquipélago do Havaí. Ali, tenta se esconder dos paparazzi, que detesta, e dos jornalistas japoneses, com quem pouco fala. Diz odiar a cultura das celebridades. Aos 33 anos, começou a correr maratonas e nunca mais parou. Hoje, tem 63. Quando perguntaram a ele como entra na mente jovem, ele disse: “Quando escrevo sobre alguém de 15 anos, volto aos dias em que tinha aquela idade. É como uma máquina do tempo. Lembro de tudo. Sinto o vento. Sinto o cheiro do ar”. Sua popularidade entre os jovens começou em 1987, com Norwegian wood, seu quinto romance, até hoje o mais vendido, com 12 milhões de exemplares. O enredo acompanha um universitário apaixonado pela namorada do melhor amigo que se suicidou. O livro, ambientado na década de 1960, catapultou sua carreira e, desde então, ele escreveu sete outros romances – todos best-sellers, todos capazes, de alguma forma, de cativar o espírito dos jovens no mundo inteiro.



ADMIRADORES

1. Guilherme Donadio, de 24 anos. Ele diz se identificar com os personagens solitários
2. Carla Stoffel, de 25. Ela afirma que começou a ler Murakami no fim do ano passado
3. Satoko Imai, de 30 anos. Ela diz ter lido toda a ficção de Murakami
(Fotos: Camila Fontana/ÉPOCA, Guilherme Pupo/ÉPOCA e arq. pessoal)

(Fotos: Erich Auerbach/Getty Images, Shutterstock (4), divulgação (2))

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