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14 frases famosas que nunca foram ditas pelos seus supostos autores

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Conheça algumas frases que tem suas autoriais erradamente atribuídas, ou que foram ditas com outras palavras.

Publicado no Purebreak

A internet já mostrou que tem muita utilidade de diversas formas diferentes, mas tudo depende da forma que ela é usada. Assim como você pode navegar na internet e aprender muitas curiosidades interessantes, sem os devidos cuidados você provavelmente vai acabar sendo mais uma vítima das “ciladas” que infestam a rede, e são fruto ora de usuários sacanas que não perdem a oportunidade de dar aquela trollada nos outros e, em outros casos, de mal entendidos criados com o tempo, no melhor esquema “quem conta um conto, aumenta um ponto”.

Um dos perigos para quem navega na internet são as falsas notícias, que são replicadas a tal ponto que uma hora começam a soar como verdades. Outra armadilha bem comum são as belas frases de efeito que nem sempre (quase nunca) são creditadas aos autores corretos. Veja alguns exemplos!

“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?”

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A frase original da Rainha Má, traduzida para o português, seria algo próximo de “Espelho mágico na parede, quem é a mais bela de todas?”

“Os fins justificam os meios.”

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Essa famosa máxima nunca foi dita por Maquiavel. O que aconteceu foi uma distorção das ideias do filósofo, graças a uma tentativa frustrada de alguém para resumir seus pensamentos.

“Elementar, meu caro Watson.”

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Essas palavras nunca foram ditas, nessa ordem, pelo detetive britânico. Sherlok Holmes chegou a usar o termo “Elementar” isoladamente, e a expressão “Superficial, meu caro Watson”. A junção ocorreu no filme The Return of Sherlock Holmes, de 1929.

“Deus está morto”

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A frase até existe nos livros de Nietzsche, mas deve ser considerado o contexto. O real sentido é que a figura do “Deus clássico” perdeu valor entre os homens, e não uma simples negação da existência de Deus.

“Diga-me com quem tu andas que eu direi quem tu és.”

A frase é profunda e inspiradora, mas não existe tal passagem na Bíblia ou em qualquer documento histórico ligado a Jesus.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

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Além de errada, essa frase nunca foi dita por Darwin. A confusão provavelmente começou com uma interpretação livre de um professor de Administração e Marketing sobre as ideias de Darwin.

“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.”

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O Tio Ben disse essa frase em 2002, no filme “Homem-Aranha”, mas ela foi dita originalmente pelo narrador do quadrinho “Amazing Fantasy #15”, de 1962.

“Quem não entende um olhar jamais entenderá uma longa explicação”

Na verdade, essa frase é um provérbio árabe, que já foi traduzida para o inglês e acabou sendo atribuída ao poeta brasileiro Mário Quintana.

“Mim Tarzan, você Jane”

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Na cena original, Tarzan aponta para si e diz: “Tarzan”. Imitando o gesto, Jane aponta para si e diz: “Jane”. Mas a frase de apresentação em si nunca existiu.

“Se não têm pão, que comam brioches”

Um mal entendido e, talvez, uma injustiça com Maria Antonieta. Graças a um comentário pouco claro na autobiografia de Rousseau, que cita uma “grande princesa”, mas não diz seu nome.

“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”

O autor é desconhecido. O que se sabe é que nem Eça de Queiroz, nem Benjamin Franklin disseram essa frase.

“Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”

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Na verdade, essa frase foi dita pela biógrafa de Voltaire (e não pelo próprio) ao tentar resumir as ideias do pensador sobre a liberdade de expressão em uma sentença.

“A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”

Geralmente atribuída a Einstein, mas na verdade dita pelo igualmente genial Thomas Edson.

“Mulheres bem comportadas raramente entram para a história.”

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Essa frase até combina com a atriz norte-americana Marilyn Monroe, mas foi dita pela professora Laurel Thatcher Ulrich, da Universidade de Harvard.

Templo do livro, modelo em xeque

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Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

A atual fase da era digital, marcada pela expansão do mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas tradicionais – e o seu incontornável impacto na formação de leitores

Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: “As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo”. A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.

Márcio Fernandes/AE Frequentadores da Biblioteca de São Paulo leem no papel e na tela de um e-reader

Márcio Fernandes/AE
Frequentadores da Biblioteca de São Paulo leem no papel e na tela de um e-reader

Aqui, a briga é para zerar o déficit de bibliotecas. De acordo com o Censo Nacional de Bibliotecas Municipais, de 2010, 20% das cidades não contam sequer com uma sala de leitura. O dado é ainda mais preocupante nas escolas públicas. O Censo Escolar mostrou que 72,5% ficam devendo esse espaço para seus alunos – existe uma lei que determina que até 2020 essa questão seja resolvida. Outro desafio é a conquista de novos leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 75% dos brasileiros jamais pisaram numa biblioteca. O mesmo levantamento mostrou que 20% dos entrevistados frequentariam uma, se houvesse livros novos. Mas nada convenceria 33% a fazer isso.

“A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil”, comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.

Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais – algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.

Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.

Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.

O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.

De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos – caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras. (mais…)

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