Aposentado tenta vaga na UFG para curso de medicina após 35 anos longe da sala de aula, em Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Ex-engraxate estava há 35 anos longe da sala de aula (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Longe da sala de aula há 35 anos, ele é motivo de orgulho para a família.
Para garantir vaga, ele já se matriculou em faculdade particular, em Goiás.

Publicado no G1

Depois de 35 anos longe da sala de aula, o aposentado Jeová David Ferreira, de 57 anos, resolveu largar tudo e tentar realizar o grande sonho da vida dele: ser médico. Ele foi aprovado em uma faculdade particular, mas neste domingo (13) vai prestar a primeira fase do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Para isso, nos últimos dois anos a rotina de estudos começou bem cedo. “Levantava às 5h da manhã e logo em seguida assistia ao Tele Curso, até umas 6h. Depois, ia para o colégio. Chegando ao colégio, assistia aula o dia todo, até umas 22h. Isso todos os dias”, lembra o aposentado.

Sonho
Jeová foi aprovado para medicina em uma faculdade particular de Rio Verde, no sudoeste do estado. Medicina é um dos cursos mais disputados do estado e ele enfrentou a concorrência de 70 candidatos por vaga.

“Estou animado para fazer a prova amanhã. Mas vestibular é sempre uma caixinha de surpresas. A gente nunca se sente preparado. Quando a gente chega lá, dá a tensão pré-vestibular, que é a TPV e parece que o relógio dispara. Quando você vê, já acabou o tempo”, revela o aposentado.

Para a família, o ex-engraxate é um grande orgulho. “É um exemplo para a gente. E a moçada mais nova que for fazer a prova amanhã tem um concorrente forte aí porque o velhinho está preparado”, declarou Fernando David Ferreira, filho do aposentado.

“Desde pequeno ele falava para a minha mãe que ia ser médico”, lembra a irmã mais velha de Jeová. Maria Aparecida Ferreira.

No cursinho, onde estuda há 4 anos, Jeová aprendeu muito, mas deixou uma grande lição de vida. “Ele é a prova de que não devemos nunca desistir dos nossos sonhos, mesmo que demore 5, 10 ou 57 anos”, afirma Marcos Araújo, diretor do cursinho onde Jeová estuda.