Pablo Bazarello, no CinePop

Cemitério Maldito (1989) assombrou a infância de muita gente, como a deste que vos fala. O filme, obviamente, é baseado num livro de Stephen King, e tem direção de Mary Lambert.

A história apresenta uma típica família saída de comercial de margarina, com o pai médico (Dale Midkiff), mãe (Denise Crosby), filha (Blaze Berdahl) e filho de 3 anos (Miko Hughes, o menino do meme), se mudando para uma propriedade rural no interior, em uma cidadezinha. Apesar da tranquilidade, uma estreita estrada muito próxima traz um intenso fluxo de caminhões. Fora isso, a paz desta família será ameaçada pela presença de um cemitério de animais nas proximidades, dito trazer de volta seus entes queridos enterrados por lá. Às vezes a morte é melhor.

Como o remake está nos cinemas, resolvemos homenagear este verdadeiro clássico do gênero, que está completando 30 anos de seu lançamento. Conheça algumas curiosidades de Cemitério Maldito abaixo.

Stephen King

A ideia para a história surgiu quando o gato da filha do autor, Smuckey, foi atropelado na estrada. Como forma de homenagem ao animal, tanto no livro quanto no filme, um túmulo revela o nome do gatinho Smuckey.

Stephen King participa do filme vivendo um padre na cena do funeral. O autor também adaptou o roteiro de seu próprio livro para o cinema (o primeiro de sua carreira), e esteve presente durante quase toda a gravação do longa, já que sua casa ficava próxima ao set, no Maine.

O autor considerado mestre do terror já escreveu muitas histórias em sua vida. Mas apenas uma lhe deu medo de verdade. Se trata de Cemitério Maldito, segundo relatou o mesmo.

Elenco

Um dos momentos mais creepy do filme envolve a irmã doente de Rachel, Zelda. Para o papel, a fim de atingir o efeito esperado de estranheza, foi escalado Andrew Hubatsek, um homem.

O pequeno Miko Hughes, que interpreta o filho Gage, tinha apenas 3 anos durante as filmagens. O estúdio exigiu o uso de gêmeos, como se costuma fazer nestes casos com crianças tão pequenas. Mas a diretora Mary Lambert havia ficado tão impressionada com o desempenho do garoto, que bateu o pé por ele no elenco.

Foram utilizados sete gatos da raça British Shorthair para o “papel” de Church, o gatinho do “demo”, durante as filmagens.

Para o papel de Ellie, a filha, foram usadas as gêmeas Blaze e Beau Berdahl, embora apenas Blaze tenha sido creditada no papel. Beau recebeu crédito como Ellie II.

O ator Bruce Campbell, mais conhecido por viver Ash da franquia Evil Dead, era a primeira escolha para o papel protagonista Louis Creed, o pai da família.

Diretora

Este foi o segundo trabalho como diretora de cinema de Mary Lambert, que iniciou sua carreira no comando de videoclipes da Madonna, vide Material Girl (1985) e Like a Prayer (1989). Lambert viria a dirigir a sequência Cemitério Maldito 2 (1992) também, sem o mesmo impacto.

Antes de Mary Lambert assumir o projeto, a oferta foi feita para Tom Savini, técnico em efeitos práticos para terror, que recusou o filme. Depois, Savini viria a dirigir o remake de A Noite dos Mortos Vivos (1990).

Quando a cineasta Mary Lambert apresentou o corte final de Cemitério Maldito, os executivos da Paramount acharam o filme longo demais. Assim, ele precisou ser reeditado. Além disso, acharam o desfecho muito “triste, quieto e emotivo”, por isso um novo final mais gráfico foi filmado.

Vejam só isso! O diretor original seria ninguém menos do que George Romero, criador de A Noite dos Mortos Vivos (1968). Devido a atrasos nas filmagens, o cineasta precisou sair do projeto, dando vaga para Mary Lambert assumir. Romero partiria então para dirigir Instinto Fatal (1988), aquele filme sobre um mico de companhia assassino. Os lendários mestres do terror eram muito amigos, e haviam trabalhado juntos em Creepshow (1982), com Romero dirigindo um roteiro de King. Depois disso, voltariam a colaborar em A Metade Negra (1993), no qual Romero adapta um livro de King para o cinema.

Livro e Filme

Apesar de na época muitos terem se preocupado, não houve exposição do pequeno Miko Hughes às cenas mais violentas e assustadoras. Foi tudo criado através da mágica da edição. Para as cenas mais pesadas, foi usado um boneco. Assim, Hughes foi editado em cenas mais grotescas, sem ser de fato exposto a elas durante as filmagens. Por exemplo, o bisturi que ele usa no final do filme não era afiado.

No livro, a pequena Ellie, a filha, tem poderes psíquicos, assim como Danny em O Iluminado. Mas este fator foi cortado do filme pela diretora Lambert, que achou que não encaixava na história.

Referências

No roteiro original de King, ele utiliza um elemento presente no livro. A aparição de um Wendigo – um demônio nativo americano. A ideia foi cortada do filme. Mas em duas cenas, em que os personagens desbravam o caminho do cemitério à noite na mata, podem ser ouvidos estranhos barulhos, gritos e uivos, derivados desta criatura.

Quem conhece a fundo as obras de Stephen King, sabe que é comum em seus livros personagens fazerem referências a outras de suas obras. Em Cemitério Maldito, o personagem Judd, o vizinho, menciona que numa cidade próxima, um cachorro ficou louco e matou diversas pessoas. Esta é uma referência a Cujo, outro dos livros de King, transformado em filme em 1983, protagonizado pela atriz Dee Wallace. Fora isso, quando Victor Pascow, o estudante que volta como fantasma dando dicas ao protagonista, é levado desfalecido ao hospital, um pôster sobre raiva estampando o cão Cujo pode ser visto na cena.

Além de Cujo e O Iluminado, outra referência contida no livro é Os Vampiros de Salem. A citação ocorre quando Rachel passa por uma placa de Salem´s Lot, outro título de King.

Uma referência que não é de um livro de King ocorre quando Timmy Baterman, o rapaz que foi trazido de volta à vida durante a infância do vizinho Jud, finalmente encontra seu destino, e sua casa arde em chamas com ele dentro. Enquanto é queimado junto ao pai na casa, ele grita: “amo morto, odeio viver”. Esta frase é homenagem à “Noiva de Frankenstein” (1935), dita por Boris Karloff no papel do monstro.

Ramones

Stephen King é fã assumido da banda de punk rock da década de 1970, e faz diversas referências de suas canções ao longo do livro ‘Cemitério Maldito’. Retribuindo o favor, os Ramones gravaram a canção tema do terror, de mesmo nome – que se tornou tão conhecida ou até mesmo mais famosa que o filme em si. Fora isso, o caminhoneiro que causa o acidente chave do filme estava ouvindo outra canção do grupo, ‘Sheena is a Punk Rocker’. Esta participação se deu por conta da diretora Mary Lambert, que tinha um background vindo da música, tendo dirigido alguns clipes da Madonna. A diretora conhecia os Ramones e os convidou para gravar a trilha sonora, sabendo como King era fã deles.