Posts tagged matemática

Projeto do MIT identifica ‘nerds’ que são ‘reis da gambiarra’ em favelas do Rio

0

Gambiarra Favela Tech estimula potencial criativo e artístico de jovens e ensina conceitos básicos de matemática e física.

gambiarra_fave

Publicado no G1

Pamella está grávida do segundo filho, tem 24 anos, quer estudar psicologia, e mora em Vigário Geral. Luiz tem 19 anos, está em dúvida entre ser arquiteto ou artista plástico e mora em Realengo. Davi tem 14 anos, ainda vai decidir se quer ser advogado ou enfermeiro e mora em Pilares.

Em comum, os três jovens de bairros de periferia do Rio de Janeiro têm a vocação para criar “engenhocas” – ou “gambiarras” -, verdadeiras invenções da engenharia doméstica, e participam do primeiro “Gambiarra Favela Tech”. O projeto tenta identificar “nerds” em diferentes comunidades cariocas, colocando-os em contato, estimulando seu potencial criativo e artístico e ensinando conceitos básicos de matemática e física.

A iniciativa é do laboratório digital Olabi e da ONG Observatório de Favelas em parceria com a Fundação Ford e o MIT (Massachusetts Institute of Technology). O projeto é uma tentativa de devolver a cultura “maker” às suas origens: as oficinas e garagens onde pequenos “gênios” anônimos desenvolvem soluções para os problemas do cotidiano – usando princípios de elétrica, eletrônica e informática, com uma boa dose de criatividade.

Para serem selecionados, todos tiveram de provar alguma habilidade. Há os que montam e desmontam computadores, criam sistemas de iluminação com extensões improvisadas, consertam ventiladores, desenvolvem adaptadores para tomadas, montam pequenos geradores e até lidam com softwares de código aberto.

Ricardo Palmieri, artista digital e especialista em interfaces interativas que trabalha há dez anos com oficinas nos campos da robótica, eletrônica e audiovisual, explica que o termo “maker” é a forma atual para descrever os improvisos criados ao redor do mundo, seja em badalados laboratórios de inovação, comunidades de países em desenvolvimento ou na boa e velha garagem de um avô “professor Pardal”, que “todo mundo tem ou conhece alguém que tenha”.

Ao ministrar as duas semanas de oficinas para Pamella, Luiz, Davi e outros nove colegas num galpão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Palmieri trabalha com três objetivos básicos: estimular a originalidade nas soluções, aproximá-los da física e da matemática e romper com preconceitos contra os materiais recicláveis, buscando peças em locais diversos que vão desde a rua até um lixão ou um ferro-velho.

“Alguns vêm de uma situação social mais vulnerável, outros nem tanto, mas todos são moradores de favela ou periferia. É interessante ver como muitos deles dizem ser chamados de ‘malucos’ por pegarem coisas do lixo para montarem suas traquitanas, mas aos poucos vão dando um valor de engenharia e arte a isso, aumentando a autoestima e vendo que podem chegar a resultados surpreendentes”, conta.

‘Mesma espécie’
O clima de criatividade e empolgação no Galpão Bela Maré, que leva o nome do complexo de favelas atualmente em processo de pacificação, contagia quem visita a oficina com adesivos coloridos e cartazes espalhados pelas paredes e um burburinho constante em torno das criações.

“A gambiarra é essa coisa de teste mesmo. Você junta uma coisa com a outra e vai vendo no que dá, é instintivo”, diz Pamella Magno Braga. Para ela, a sensação de trabalhar com os outros 11 colegas é como “encontrar pessoas da mesma espécie”.

Gabriela Agustini, do laboratório digital Olabi, explica que essa é justamente a ideia do projeto. “Não esperamos que após duas semanas eles criem invenções mágicas que resolvam todos os problemas das suas comunidades. O interessante é ver que esses meninos e meninas que já criam suas próprias soluções, mas nunca deram a isso o nome de robótica ou eletrônica.”

Segundo ela, cada um recebeu uma bolsa de R$ 500 para custear despesas de transporte e alimentação e poder se afastar de seus empregos pelo período.

MIT e favelas
O Olabi integra a rede Fab Lab, de mais de 200 laboratórios de inovação, criada em 2009 por um programa sem fins lucrativos do MIT e atualmente presente em 40 países.

“Selecionamos jovens de diferentes idades e interesses, inspirados por essa filosofia de que é na diversidade que acontece a inovação”, diz Gabriela Agustini. Ao identificar talentos ‘nerds’ em favelas e comunidades de diferentes partes do Rio, os organizadores esperam impactar o futuro desses jovens, potencializando suas capacidades e abrindo novas oportunidades.

Com apenas 14 anos, Davi Leite Pereira deixa claro que já entendeu o conceito de “networking”. “Todo mundo aqui se identificou muito rápido. Vamos ficar em contato depois.”

Gilberto Vieira, gestor de projetos do Observatório de Favelas, explica que, ao término da oficina, o Galpão Bela Maré abrigará um laboratório “maker” de forma permanente, e que a ideia é que os jovens das comunidades do entorno passem a ver a cultura criativa como algo “descolado” e interessante, propiciando um ambiente fértil para identificar novos talentos.

“A gambiarra é genuinamente favelada. É onde a luz e a internet não chegam direito, onde os serviços são irregulares, a janela não fecha e as coisas precisam de conserto logo. O ‘hype’ se apropriou disso e criou a cultura ‘maker’, e agora estamos trazendo isso de volta para a favela”, conclui.

Conheça um pouco mais sobre três dos 12 selecionados pelo Gambiarra Favela Tech:

Davi Leite Pereira, de 14 anos, estudante

1_2

“Vou descobrir muitas coisas novas nesse curso. Por exemplo, tem fios negativos e positivos. Essa nem minha mãe sabia”, conta o menino Davi Leite Pereira, de 14 anos, que já ganhou o apelido de “mascote” por ser o mais novo do grupo.

Nascido na Vila Kennedy, comunidade da Zona Oeste do Rio, ele agora mora em Pilares com os três irmãos, o padrasto e a mãe, para quem a seleção no Gambiarra Favela Tech não deve ter sido grande surpresa.

“Minha mãe também faz muita gambiarra e me incentiva, mesmo quando meus irmãos me chamam de maluco. Eu conserto coisas em casa desde pequeno. Uma vez abri um ar-condicionado inteiro e depois não sabia montar de novo. Já mexi com extensões elétricas e também criei uma tomada nova para um ventilador, emendando o fio num benjamim”, conta.

Ele diz que “se amarra” em origamis (dobraduras de papel japonesas) desde criança e que tudo começou com a curiosidade pelos eletrônicos e a necessidade de arrumar aparelhos quebrados em casa, mas agora quer ir mais longe.

O plano é “entender mais de eletrônica e informática”, embora pense em cursar faculdade de direito ou enfermagem, mas também se interesse por grafite e artes plásticas. Para ele, o contato com os novos conhecimentos e a interação com os colegas têm sido motivo de empolgação.

“Já aprendi coisas que eu nem imaginava. Agora peguei um forninho elétrico num ferro-velho e pretendo construir uma caixa de surpresas ou um boneco. E, se esquentar demais, peguei um motorzinho para criar um mini ventilador que vai acoplado”, explica.

Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, estudante
2_2

Acompanhar o raciocínio de Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, requer atenção e concentração redobradas. O que para o interlocutor é uma série de pequenas invenções e engenhocas, nada mais é do que o dia a dia normal do carioca de Realengo, bairro da Zona Oeste do Rio, que faz curso técnico de desenho de construção civil com bolsa do governo federal.

Se a caixa de som estragou porque o cabo de alimentação queimou, ele adapta o fio para um cabo USB. “Ficou melhor, porque agora carrega no computador, tablet, liga no celular. Gostei mais”, conta. Se não tem um suporte de mesa para poder olhar o smartphone enquanto trabalha, cria uma base articulada de improviso.

E, como se não fosse suficiente, ele explica que o suporte para o celular era necessário para poder olhar mensagens “enquanto monto e desmonto um computador, troco as memórias. Mas notebook é mais complicado, porque as peças são totalmente diferentes”.

Passatempo antigo do garoto, montar e desmontar eletrônicos é algo que ele faz com desenvoltura, apesar de nunca ter estudado para isso. “Ventilador é fácil. Sempre quis mesmo era entender como o computador funciona, e meu sonho era construir um robô”, conta, acrescentando que quando precisa de uma ferramenta mas não tem dinheiro para comprar, costuma improvisar e criar seus próprios utensílios.

Além do talento para a tecnologia, Luiz gosta de desenhar, pintar, e de ler mangás (quadrinhos japoneses). Ele tem na internet seu grande aliado: “Quando não sei fazer alguma coisa, vejo vídeos no You Tube. Assisto com atenção e vou aprendendo”, conta, enquanto rabisca algo no papel.

Ao fim da entrevista, mostra o resultado: “um lagarto gigante com um braço mecânico” e explica o que mais tem chamado sua atenção nas oficinas. “Estou gostando dessa liberdade que eles estão passando para a gente. Posso fazer algo mais artístico, mas também posso entender de coisas técnicas e juntar as duas coisas”, conta.

Questionado sobre o futuro, o carioca diz que gostaria de ser arquiteto, para tornar os ambientes do seu bairro mais “agradáveis”.

“No subúrbio, os pedreiros não são muito criativos. Fazem tudo quadrado, de qualquer jeito. Eu gostaria de ajudar as pessoas tornando as casas mais aconchegantes, mais direcionadas para o que elas precisam”, diz.

Pamella Magno Braga, de 24 anos, estudante
3_1

Estudante do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pamella Magno Braga, de 24 anos, trabalha há três como bolsista num ponto de cultura digital, um programa do Ministério da Cultura – o que tem aumentado seu interesse por gambiarras.

“Sempre gostei de mexer com elétrica, inventar coisas. Já criei uma luminária a partir de uma extensão, fazendo várias emendas, e cada uma acendia uma lâmpada. Funcionou por pouco tempo, mas funcionou”, conta, bem humorada, a carioca de Vigário Geral, comunidade da Zona Norte do Rio.

Mãe de Fernando, de três anos, ela aguarda a chegada de Augusto para setembro, e diz que o marido aprova as engenhocas. “No verão teve um dia que estava fazendo muito calor, e não tínhamos ventilador. Eu me dei conta que o vento vinha da janela do corredor, e montei umas cartolinas cortadas como velas de navio, para canalizar a brisa para o quarto. Deu certo, ficou fresquinho”, explica.

Acostumada a lidar com softwares livres, onde o usuário ajuda a criar o código dos programas, ela também é viciada em garimpar peças e aparelhos na rua e em depósitos. A jovem diz que recentemente levou um botão de semáforo de pedestres para casa, mas ainda não sabe o que vai inventar com ele.

“Vou levar essa oficina para o ponto de cultura digital, vou reproduzir isso por lá. O que estou aprendendo aqui vai me ajudar, sem dúvida, porque estou vendo que você pode implementar o conceito de gambiarra para tudo, desde as soluções mais caseiras até coisas eletrônicas mais complexas. O importante é improvisar”, afirma.

Maioria dos alunos sai do ensino médio sem aprender matemática

0

banner-educacao-matematica_01

Publicado em UOL

Apenas 2,7% dos estudantes de Roraima terminam o ensino médio dominando o conteúdo de matemática. No Maranhão o percentual é 2,8% e no Amazonas, 2,9%. Esses três estados tiveram o pior resultado no relatório De Olho nas Metas, divulgado hoje (2) pelo movimento Todos Pela Educação. O nível de proficiência em matemática foi medido com base no Sistema de Avaliação da Educação o Básica referentes a 2013, do Ministério da Educação.

De acordo com os dados, o resultado também é baixo na média nacional: 9,3% dos que concluem o ensino médio absorveram o essencial da disciplina. Os estudantes do Distrito Federal tiveram o melhor desempenho com 17% deles demonstrando proficiência na matéria. No Rio Grande do Sul o percentual é 13,8%.

O relatório destaca que nem mesmo os estados com melhor resultado atingiram a meta proposta pelo Todos pela Educação de 28,3% dos estudantes com domínio do conteúdo de matemática. “A cada vinte crianças que ingressam no ensino fundamental, apenas uma está saindo com a aprendizagem adequada em matemática”, enfatiza a coordenadora geral da pesquisa, Alejandra Velasco.

Em português, os resultados foram um pouco melhores, porém também abaixo das metas. O Distrito Federal tem 40,2% dos estudantes concluintes do ensino médio com os conhecimentos essenciais em português. O percentual é maior do que a meta nacional (39%), mas menor do que o objetivo específico (54,7%). Na média de todo o país, o percentual ficou em 27,2%. Os piores resultados foram registrados no Maranhão (12,2%) e em Alagoas (12,6%).

Para contornar essa situação, Alejandra defende uma atenção específica ao ensino médio. “Só corrigindo o percurso todo é que se corrigirá essa estatística. Isso é o produto de toda a escolaridade desse aluno. Então, a gente precisa falar e ter soluções específicas para os anos finais do ensino fundamental, que é uma etapa esquecida das políticas públicas”, ressaltou após a apresentação dos dados.

Para Alejandra, a matemática é uma disciplina especialmente difícil de se apresentar aos estudantes. “Com matemática há uma dificuldade maior de não apenas apresentar os conteúdos, mas relacionar esses conteúdos com o cotidiano do aluno”, destacou. Por esse motivo, ela enfatizou a importância da capacitação dos educadores. “Não é apenas o domínio dos conhecimentos específicos de matemática . Mas é também o domínio de diferentes técnicas e formas de se ensinar esses conhecimentos. Ter um repertório para quando uma estratégia não funciona com determinados alunos, empregar outra”, acrescentou.

País precisa colocar 2,8 milhões de crianças na escola, diz relatório

0

Movimento Todos Pela Educação acompanha 5 metas no setor.
Estudo considera dados oficiais divulgados entre 2014 e 2015.

salas-vazias

Publicado no G1

Relatório do movimento Todos Pela Educação (TPE) divulgado nesta quinta-feira (2) aponta que o Brasil ainda precisa incluir cerca de 2,8 milhões de crianças e adolescentes na Educação Básica.

Além disso, precisa garantir que os já matriculados concluam os estudos dentro da faixa etária recomendada e com melhores índices de aproveitamento das disciplinas.

As deficiências foram apontadas em detalhes no relatório “De Olho Nas Metas 2013-14”. Elas foram constatadas principalmente através do monitoramento de dados oficiais (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013 e na Prova Brasil/Saeb (MEC/Inep) 2013 divulgados entre o final de 2014 e início de 2015).

O estudo publicado tem o objetivo de acompanhar o cumprimento de cinco metas estabelecidas pelo movimento para serem alcançadas até 2022 no país. Veja abaixo detalhes das metas e o que foi constatado pelos especialistas:

 

METAS DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

META 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola – Até 2022, 98% ou mais das crianças e jovens de 4 a 17 anos deverão estar matriculados e frequentando a escola, ou ter concluído o Ensino Médio.

DIAGNÓSTICO
O Todos Pela Educação aponta que 2.863.850 crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da Educação Básica (680 mil crianças de 4 e 5 anos e 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos).

Em 2013, o Brasil registrou 93,6% da população de 4 a 17 anos matriculada na  Educação Básica, abaixo da meta intermediária proposta pelo TPE para o ano, que era 95,4%.

O movimento aponta que há diferença regionais e de aspectos socioeconômicos. “Entre os 25% da população com maior renda, 95,8% das crianças de 4 e 5 anos frequentam a escola, enquanto a taxa de atendimento dessa faixa etária entre os 25% com menor renda é de 85%”, aponta o relatório

Se consideradas questões regionais, Acre, Amazonas e Amapá apresentam as menores taxas no atendimento escolar dessa população em 2012 e 2013: 89,6%, 90,1% e 90,3%, respectivamente.

META 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos  – Até 2010, 80% ou mais, e até 2022, 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura, escrita e matemática até o final do 3º ano do Ensino Fundamental

DIAGNÓSTICO
O TPE diz que o exame que permitiria avaliar a meta ainda não teve os resultados divulgados de forma consolidada pelo Inep. Sem os dados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), voltada para 3º ano do Ensino Fundamental, o movimento ainda tem como parâmetro os resultados da Prova ABC de 2012. Ela revelou que 44,5% dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental apresentaram proficiência desejável em leitura, 30,1% em escrita e 33,3% em matemática.

META 3 – Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano – Até 2022, 70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é adequado para seu ano.

DIAGNÓSTICO
Segundo dados de 2013 referentes à Prova Brasil e ao Saeb, apenas 9,3% dos estudantes que deixam a Educação Básica apresentaram proficiência esperada em Matemática e 27,2% em Português)

Os números da Região Norte são os mais alarmantes do País: em 2013, apenas 3,6% concluíram o Ensino Médio sabendo o que deveriam em matemática, e 16,2%, em língua portuguesa.

“É urgente que o país promova ações imediatas e mais efetivas para que os jovens que estão hoje no sistema tenham garantido o seu direito ao aprendizado. Para isso, é fundamental repensar Ensino Médio, que ficou por anos estagnado e agora apresenta retrocesso de seus indicadores,  e também ter políticas focadas nos anos finais do Ensino Fundamental, que já demonstram estagnação em patamares muito baixos de proficiência”, analisa a diretora-executiva do TPE, Priscila Cruz.

META 4 – Todo jovem de 19 anos com Ensino Médio concluído – Até 2022, 95% ou mais dos jovens brasileiros de 16 anos deverão ter completado o Ensino Fundamental, e 90% ou mais dos jovens brasileiros de 19 anos deverão ter completado o Ensino Médio.

DIAGNÓSTICO
A taxa de conclusão aos 19 anos em 2013 foi de 54,3%, quase 10 pontos percentuais abaixo da meta de 63,7%, segundo o estudo. Atrasados em relação à série correta, 19,6% dos jovens nessa idade ainda se encontram no Ensino Fundamental, enquanto 1,7% cursam Educação de Jovens e Adultos (EJA).

As desigualdades de raça também aparecem evidentes nesta meta, segundo o TPE. “Há uma diferença de aproximadamente 20 pontos percentuais (pp) entre as taxas de jovens declarados brancos que concluíram o EF aos 16 anos e o EM aos 19, que são respectivamente 81% e 65,2%, e aqueles que se declaram negros – 60% e 45%”, conclui o estudo.

A influência do fator socioeconômico também foi constatada. “No Ensino Fundamental, por exemplo, o quartil mais pobre apresenta taxa de conclusão igual a 59,6%, enquanto entre os 25% mais ricos, esse percentual é de 94%. No Ensino Médio, esses valores são, respectivamente, 32,4% e 83,3%”, afirma o estudo.

META 5 – Investimento em Educação ampliado e bem gerido – Até 2010, mantendo-se até 2022, o investimento público em Educação Básica obrigatória deverá ser de 5% ou mais do PIB.

DIAGNÓSTICO
Hoje, o percentual do investimento público direto na área em relação ao PIB é de apenas 5,6%, segundo dado de 2013 divulgado pela Diretoria de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (DEED/Inep).

Em Educação Básica, há uma tendência de crescimento desde 2000, quando era de somente 3,2%. Atualmente, está no patamar de 4,7%.

O Brasil continua a figurar entre os países que menos investem em Educação. O dado mais recente disponível, de 2011, é o relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“A Suíça é o país que mais investe por aluno anualmente: US$ 16.090. É seguida de perto por Estados Unidos e Noruega, que investem, respectivamente, US$ 15.345 e US$ 14.288.
Além dos três, outros 12 países aplicam mais de 10 mil dólares por aluno: Áustria, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Austrália, Japão, França e Reino Unido”, aponta o estudo.

“O Brasil aparece em penúltimo lugar na lista, com US$ 3.066, à frente apenas da Indonésia (US$ 625) e atrás de outros países latino-americanos como Chile e México. Além disso, está bem abaixo da média da OCDE, que é de US$ 9.252.”

Fuga de professores

0

Maioria dos alunos que ingressam em licenciaturas de física, biologia, matemática e química não conclui o curso

formatura

Antônio Gois, em O Globo

Ao investigar a base de dados do Censo da Educação Superior no Brasil, a pesquisadora Rachel Pereira Rabelo descobriu um dado inédito e preocupante: dos alunos que ingressaram em 2009 nos cursos de licenciatura em física, biologia, matemática e química, apenas uma minoria consegue concluir o curso. A situação mais preocupante está em física, onde somente um em cada cinco (21%) estudantes obtém o diploma. Em matemática e química, a relação é de apenas um em cada três universitários (34% em ambos os cursos). Em biologia, a taxa é de 43%.

Os dados constam de sua dissertação de mestrado na Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. Rachel, que é também servidora do Inep (instituto vinculado ao MEC responsável pelas avaliações e censos educacionais), conseguiu trabalhar pela primeira vez com dados longitudinais dos estudantes, ou seja, pôde acompanhar até 2013 a trajetória de uma mesma geração de alunos que ingressou nesses cursos cinco anos antes. Isso só foi possível porque, a partir de 2009, os dados do censo permitiram identificar cada universitário em todo o seu percurso acadêmico.

Além de uma minoria de alunos conseguir se diplomar nessas licenciaturas, a tese mostra que, desses poucos que se formam, a maioria, uma vez no mercado de trabalho, acaba desistindo da profissão e migra para outras ocupações, possivelmente em busca de melhores salários.

O olhar de Rachel para essas quatro licenciaturas se justifica porque elas estão entre as de maior déficit de professores em sala de aula. A tese mostra que somente 20% dos profissionais que dão aulas de física no país possuem formação adequada para esta disciplina. Esses percentuais são um pouco maiores nos casos de química (35%), biologia (52%) e matemática (64%).

Outro dado que revela o tamanho do problema nessas áreas é o percentual de alunos na educação básica que não tiveram professores nessas disciplinas. Em 2013, de acordo com o Censo Escolar, um terço das turmas do ensino médio não tiveram docentes de biologia (33%), química (35%) ou física (36%) para dar aulas. Em matemática, a proporção foi de 25%.

Ou seja, uma parcela nada desprezível de nossos jovens têm formação precária nessas disciplinas porque sequer havia professor com titulação adequada para dar aulas.

O problema não é novo, e, nos últimos anos, o Ministério da Educação tentou combatê-lo estimulando a criação de novos cursos ou tentando atrair mais alunos para essas áreas de formação de professor, oferecendo bolsas e outros incentivos tanto para professores já em atuação, mas com formação inadequada, quanto para novos alunos que pretendem seguir a carreira docente.

Esse esforço, até agora, tem se mostrado insuficiente para dar conta do desafio. Com base nas taxas de ingresso, conclusão, e em componentes demográficos e do mercado de trabalho, Rachel fez projeções do número de professores em sala de aula até 2028. Elas indicam que o problema é mais preocupante em física e matemática, pois, mesmo no cenário mais otimista, a estimativa é de que chegaremos em 2028 com um número menor de professores até do que o verificado hoje nessas duas áreas.

Ao fim, a conclusão do estudo é de que seria muito mais eficiente desenvolver políticas para evitar a evasão nesses cursos do que priorizar a ampliação do número de vagas. É como se estivéssemos insistindo em colocar mais água numa banheira com vazamentos por todos os lados.

Enigma para estudantes de Cingapura faz mundo quebrar a cabeça

0

enigma

Problema usado em competição de matemática se torna viral nas redes sociais; teste seu conhecimento de lógica matemática.

Publicado por Nathalia Paccola [ via UOL]

Não é todo dia que um problema matemático se torna viral na internet.

Mas um enigma de lógica proposto a alunos de uma escola secundária em Cingapura conseguiu realizar essa façanha.

O interesse foi tanto que o problema foi parar em portais de notícias no Reino Unido e um programa de TV até convidou um matemático para explicar ao público – passo a passo – como chegar a sua solução (veja link no final do texto).

O fenômeno surgiu quando o apresentador de TV de Cingapura Kenneth Kong publicou o problema em seu perfil em uma rede social.

A princípio, pensou-se que o enigma havia sido criado para crianças de 10 anos de idade, o que acabou provocando críticas de que o sistema educacional de Cingapura, porque o público considerou a questão matemática difícil demais para crianças tão jovens.

Mas depois Kong esclareceu que o problema foi criado para estudantes de 15 anos que participavam na semana passada da Sasmo (sigla da Olimpíada de Matemática de Cingapura e de Escolas Asiáticas).

Os organizadores do evento disseram que o problema visava selecionar os melhores do grupo.

Mesmo assim, a questão levou muitos internautas a ver o problema como explicação para a razão de Cingapura estar entre os primeiros países nos rankings internacionais de matemática.

Então, se você quiser competir com um estudante de Cingapura, apresentamos abaixo o problema.

Alberto e Bernard acabam de conhecer Cheryl e querem saber qual é a data do aniversário dela. Cheryl dá a eles uma lista com 10 datas possíveis.

15 de maio, 16 de maio, 19 de maio

17 de junho, 18 de junho

14 julho 16 de julho

14 de agosto, 15 de agosto, 17 de agosto

Cheryl conta então, para Albert, o mês e, para Bernard, o dia.

Albert: “Não sei quando é o aniversário de Cheryl, mas sei que Bernard também não sabe.”

Bernard: “A princípio não sabia quando era o aniversário de Cheryl, mas agora já sei.”

Albert: “Então eu também sei quando é o aniversário dela.”

Então quando é o aniversário de Cheryl?

Go to Top