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Bienal do Livro do Rio investe em jovens e reúne estreantes e veteranos

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A escritora Thalita Rebouças, uma das autoras de maior sucesso entre o público juvenil, vai lançar dois livros na Bienal do Rio (Foto: Bárbara Raso/Divulgação)
A escritora Thalita Rebouças, uma das autoras de maior sucesso entre o público juvenil, vai lançar dois livros na Bienal do Rio (Foto: Bárbara Raso/Divulgação)

Evento homenageará a Argentina em sua 17ª edição.
Obra de Maurício de Sousa terá exposição especial.

Cristina Boeckel, no G1

A 17ª edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro abre as portas nesta quinta-feira (3), reunindo mais de 200 autores autores brasileiros e estrangeiros, estreantes e experientes, de diversos estilos. Entre os principais destaques está a atenção dada à literatura jovem, que reúne nomes consagrados como Thalita Rebouças, até estreantes como Pathy dos Reis, que ficou conhecida no YouTube.

Thalita Rebouças lançará dois livros no evento. “Fala sério, irmão! Fala sério, irmã!”, é o sétimo da série que a consagrou como uma das principais autoras para adolescentes do país. Ela também lança “Um ano inesquecível”, em parceria com as autoras Paula Pimenta, Bruna Vieira e Babi Dewet. Contando com os lançamentos, já são 20 livros na carreira. Ela se considera uma “rata de Bienal” e acredita que boa parte de seu sucesso se deve ao evento.

“Eu amo ir à Bienal porque é uma oportunidade de conhecer os leitores. Porque geralmente eles nos conhecem, mas nós não os conhecemos. É o momento de receber o carinho deles, de olhar no olho,” afirma Thalita, que lançou seu primeiro livro na edição de 2001 da Bienal do Rio.

Thalita estará no evento no sábado (5), na segunda-feira (7), no sábado (12) e no domingo (13). Para ela, a Bienal tem, cada vez mais, um público adolescente.

“Acho que os leitores já estão se renovando há algum tempo. Desde que comecei, vi o público adolescente crescer e ter uma presença cada vez mais maciça. Eles leem cada vez mais”, disse.

No outro extremo está Pathy dos Reis, de 26 anos, dona de um canal no YouTube com mais de um milhão de inscritos, que aposta na ficção policial na sua primeira incursão pelo mundo da literatura. Ao lado de Maria Carolina Passos, também de 26 anos, que é roteirista do programa na internet, ela assina a autoria de “Blasfêmia”.

O canal de Pathy na internet tem um público formado por jovens adultos, em sua maioria, com idade entre 18 e 25 anos. Ela acredita que o livro tem uma maior abrangência e deva atingir pessoas entre 16 e 30 anos.

Pathy tenta disfarçar o nervosismo da estreia, mas não consegue esconder a ansiedade do encontro com o público.

“Estamos bem ansiosas. Não consigo imaginar como vai ser. É um evento muito grande. Ir como participante e compartilhar a nossa história é muito empolgante”, disse ela.

Pathy e Maria Carolina estarão na Bienal do Livro do Rio no domingo (13), às 13h.

Pathy Reis, à esquerda, e Maria Carolina Passos estreiam romance policial na Bienal do Livro do Rio (Foto: Pathy Reis/Arquivo pessoal)

Pathy Reis, à esquerda, e Maria Carolina Passos estreiam romance policial na Bienal do Livro do Rio (Foto: Pathy Reis/Arquivo pessoal)

Argentina homenageada
O país homenageado é a Argentina, que tem um estande de 400 metros quadrados e um auditório batizado como Manuel Puig, em homenagem ao autor de “O beijo da mulher-aranha”, que foi transformado em filme por Hector Babenco, com Sônia Braga, Raul Julia e William Hurt no elenco.

A delegação argentina tem 15 autores, que mostrarão um pouco da literatura que é feita pelo país vizinho. Entre eles destaca-se Eduardo Sacheri, autor de “O segredo dos seus olhos”, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Outros destaques são Martín Kohan, Tamara Kamenszain, Claudia Piñero, Mariana Enríquez, Mempo Giardinelli e Sérgio Olguín.

Entre os nomes internacionais de outros países estão Jeff Kinney, autor da série de livros “Diário de um banana”, e Sophie Kinsella, autora da série de livros que consagraram a personagem Becky Bloom. Ambas as obras têm versões cinematográficas.

Mauricio de Sousa ganha exposição
A Bienal também vai homenagear Maurício de Sousa, que comemorará 80 anos no evento e ganhará uma exposição especial com 190 metros quadrados. Os visitantes poderão ver uma retrospectiva com a evolução dos desenhos de seus principais personagens e terão um canto de leitura com vários lançamentos do autor, entre eles uma versão de “O pequeno príncipe”. Mauricio de Sousa receberá o Prêmio José Olympio, por seu trabalho na promoção da leitura.

O Café Literário, espaço para discussões sobre cultura, debaterá as relações do Rio de Janeiro com as letras, entre outros assuntos. Serão 33 debates ao longo de todo o evento, que termina no domingo (13).

As crianças também terão atrações especiais durante a Bienal, com brincadeiras que envolvem a cultura de vários países. Os pequenos poderão participar dos Jogos Literários da Bienal com as famílias, em disputas sobre a língua portuguesa, que envolvem atores circenses. Crianças e adultos também poderão se transformar em contadores de histórias com a ajuda de acessórios em cabines de leitura.

SERVIÇO
17ª Bienal do Livro Rio
Onde
Riocentro
Avenida Salvador Allende 6555, Barra da Tijuca

Quando
De 3 a 13 de setembro
Dia 3, de 13h às 22h
Dias de semana, de 9h às 22h
Fins de semana, 10h às 22h

Preços
Inteira, R$ 16; meia-entrada, R$ 8
Estacionamento, R$ 22 para 12 horas de permanência

Mais informações
Site da Bienal, clique aqui

O conselho de Maurício de Sousa que mudou a vida de uma leitora

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Leila Endruweit, no ZH

A leitora Ana Paula Mesquita Scalabrin, 45 anos, escreveu para ZH para contar sua história envolvendo o cartunista Maurício de Sousa, que esteve autografando obras na Feira do Livro de Porto Alegre na última sexta-feira.

Ela conta que em sua primeira gravidez, em 1999, ela decorou o quarto da filha, Bruna, com bonecas da Mônica. No entanto, complicações no parto fizeram o bebê morrer logo após o nascimento. Ana entrou em depressão e passou a dormir com algumas bonecas e as tratá-las como suas filhas.

Sem esperança de receber algum consolo, Ana Paula escreveu para Maurício de Sousa relatando a história e teve uma grata surpresa. Em uma bela carta, ele sugeriu que as bonecas fossem doadas para crianças carentes.

– Ele disse que isso faria o meu anjo feliz – contou Ana.

Seguindo a sugestão do cartunista, a cada dia uma boneca foi doada. Recuperada da depressão e decidida a ser mãe novamente, Ana engravidou em 2001 de Giovana, que também teve seu quarto decorado com o tema Turma da Mônica.

Ao saber que o cartunista estaria na Capital, Ana Paula correu para a fila de autógrafos para realizar o sonho de abraçá-lo e agradecê-lo.

– Quando contei minha história para ele, ficamos emocionados, sentimento compartilhado por todos ao nosso redor. Choramos juntos – conta.

‘Turma da Mônica’ ganhará versão adulta

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Série vai acompanhar o envelhecimento dos personagens a partir dos 25 anos de idade

Mauricio de Sousa e os bonecos dos personagens da 'Turma da Mônica' (Foto: Divulgação)

Mauricio de Sousa e os bonecos dos personagens da ‘Turma da Mônica’ (Foto: Divulgação)

Publicado em O Globo

Já imaginou Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão adultos, inseridos no mercado de trabalho, cuidando da casa? Pois depois da “Turma da Mônica” jovem, vem aí “Turma da Mônica” adulta. O quadrinista e empresário Mauricio de Sousa está planejando uma revista em que seus famosos personagens aparecem a partir dos 25 anos.

Em formato de folhetim, a série prevê que Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, entre tantos outros, envelheçam junto com os leitores. A ideia é que a história seja contemporânea, acompanhando os acontecimentos do Brasil.

A equipe do estúdio de Mauricio de Sousa chegou a fazer esboços de como Monica-quarentonaseria a Mônica de 40 anos (veja ao lado). “Foi apenas uma adaptação feita no estúdio. Não significa que essa será a imagem dela nessa série da turma adulta”, explicou o cartunista José Alberto Lovetro, o JAL, que trabalha com Mauricio de Sousa.

Na “Turma da Mônica jovem”, que retrata os personagens na adolescência, Mônica e Cebolinha apareceram aos 25 anos. A cena, parte de um especial, mostrou o casamento dos dois.Previsto para “daqui a alguns anos”, o projeto seguirá junto com a “Turma da Mônica” clássica e a “Turma da Mônica” jovem. Para desenvolver as novas tramas, mais maduras, Mauricio de Sousa, de 78 anos, tem se consultado com colegas como o novelista Walcyr Carrasco, das novelas “Caras e bocas” e “Amor à vida”.

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade; quadrinistas homenageiam

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A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

A pedido do UOL, Maurício de Sousa imaginou o encontro cordial entre as duas maiores estrelas das histórias em quadrinhos sul-americanas: Mônica e Mafalda (Maurício de Sousa/UOL)

Rodrigo Casarin, no UOL

“Papa?”
“O papai está trabalhando, Guile”
“Po quê?”
“Porque gente grande precisa trabalhar”
“Po quê?”
“Porque senão não dá para comprar comida, nem roupa, nem nada”
“Po quê?”
“Porque o mundo está organizado assim, Guile”
“Po quê?”
“Um ano e meio, e já é candidato às bombas de gás lacrimogênio”.

Os desenhos que ilustram a história acima são até dispensáveis para mostrar como continua atual o universo que rodeia Mafalda, clássica personagem de Quino e que nesta segunda-feira (29) completa 50 anos. A garotinha de cabelos negros ornados por uma fita e rosto gorducho ficou conhecida por causa de suas contestações e inconformismo com o mundo que lhe serviu de palco durante 1964 e 1973.

Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. Na direção oposta, colocava Beatles no mais alto dos patamares.

“Mafalda é uma heroína ‘enraivecida’ que recusa o mundo tal qual ele é. (…) Já que nossos filhos vão se tornar –por escolha nossa– outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real”, cunhou o escritor Umberto Eco em “Mafalda ou A Recusa”, texto publicado em 1969 e que ajudou a torná-la famosa mundialmente.

Em sua cidade natal, Buenos Aires, Mafalda virou praça e estátua, uma das atrações preferidas de muitos turistas para as fotos. Mas ela representa muito mais que isso: apesar de ter vivido somente nos desenhos e tirinhas –e uma brevíssima incursão pelo desenho animado–, tornou-se uma referência de seu país, uma das dez figuras argentinas mais conhecidas em todo o mundo no século 20.

“Olhando em perspectiva, há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias. Esse fato direcionou a produção de tiras nos jornais argentinos a partir da década de 1970 e é sentido até hoje”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs e blogueiro do UOL, autor de “Bienvenidos – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos”.

"Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive", revela Laerte (Laerte/UOL)

“Conheci a Mafalda em 67 ou 68, acho. Foi um dos motivos para eu começar a fazer tiras. Quino é um dos modelos de humor mais claros que tive”, revela Laerte (Laerte/UOL)

Um capricho no RG

Mafalda completa 50 anos neste 29 de setembro por capricho de seu criador. Na verdade, a menina surgiu em 1963 para uma campanha publicitária, mas Quino, então com 38 anos e já um dos principais desenhistas de humor do seu país, optou por considerar sua data de nascimento o dia em que ela estreou em uma tira independente, publicada no “Primeira Plana”, semanário importante da Argentina na época. O pedido do veículo era para que Quino tivesse uma colaboração regular com ênfase na sátira, e o sucesso veio rápido: em 1966, as tirinhas de Mafalda já eram veiculadas em diversos jornais da América Latina e a garotinha começava a despontar para o mundo.

Quino é o nome artístico de Joaquín Salvador Lavado, que nasceu em 1932 em Mendoza, no oeste da Argentina. Assim como sua personagem, ele veio de uma família de classe média. Começou a desenhar influenciado por um tio pintor e publicou sua primeira tira em 1954. Exilou-se em Milão, na Itália, em 1976 por conta da situação política de seu país, que se encontrava sob ditadura militar. Mais tarde, passou a viver entre Madrid –tornou-se cidadão espanhol em 1990– e Buenos Aires. Neste ano, ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias. O júri destacou o valor educacional e as características universais de sua obra.

Foi a universalidade que fez com que Mafalda extrapolasse a Argentina e virasse uma personalidade mundial. Até hoje faz bastante sucesso em países mais diversos, até mesmo do extremo oriente, como China e Japão. “É difícil precisar uma data de quando teria sido a primeira publicação de Mafalda fora da Argentina. No Brasil, ocorreu no comecinho da década de 1970. O eco se tornou maior quando chegou à Europa. O texto de Umberto Eco feito para a contracapa de ‘Toda Mafalda’, que reúne tiras da personagem, seguramente ajudou a dar o empurrão final. O escritor se referia a ela como ‘contestadora'”, registra Ramos.

Essa contestação se voltava a assuntos como a guerra no Vietnã, a situação econômica argentina e o futuro da humanidade. Pela postura, em 1977 Mafalda foi adotada pela Unicef (Fundos das Nações Unidas para a Infância) para ilustrar e comentar a Declaração dos Direitos da Criança. Por causa de suas ideias fortes, certa vez o escritor Julio Cortázar declarou: “O que eu penso da Mafalda não importa. O importante é o que a Mafalda pensa de mim”.

Apesar de todo posicionamento crítico, ela conseguiu escapar da censura de seu país em uma época que os militares procuravam calar qualquer voz que destoasse das posições oficiais da nação. Quino acredita que isso possa ter acontecido porque as tiras eram percebidas como algo menor, um mero entretenimento –algo evidentemente equivocado.

“Cresci com ela e, cada vez que a lia, entendia de novas formas. Sinto que ela também foi crescendo comigo. São quadrinhos reflexivos e com altos voos poéticos. Mafalda representa a todas as pessoas que sonham com um mundo melhor”, diz Gervasio Troche, quadrinista que nasceu na Argentina, mas se tornou cidadão uruguaio.

"O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar", afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

“O traço limpo e simples do Quino e as contestações sociais eram tudo que um pré-adolescente como eu precisava para continuar gostando de desenhar”, afirma o ilustrador Orlando (Orlando/UOL)

Colegas de Mafalda e Quino

O sucesso de Mafalda é dividido também com seus colegas de tiras, personagens que em muitas ocasiões foram fundamentais para que a inteligência da garota se destacasse. Depois do pai, que adora cultivar plantas, e da mãe, dona de casa vista como medíocre, o primeiro a aparecer, no começo de 1965, foi Felipe, um rapaz magro, de dentes projetados e personalidade bastante introspectiva.

Aos poucos foram surgindo outros, como Manolito, um gorducho que coloca o dinheiro acima de todas as coisas; Susanita, garota de rosto alongado e marcada pela futilidade; e Miguelito, um menino mais novo que costuma levar tudo ao pé da letra; além de Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda. “Admiro como Quino refletiu a sociedade nas diferentes personalidades de seus personagens”, diz Troche.

O sucesso das tiras fez também com que toda obra de Quino fosse observada com atenção. O próprio Troche conta que foi graças à garotinha que conheceu os outros trabalhos de autor. “O livro que mais influenciou a minha carreira foi ‘Gente En Su Sitio’. Eu era um adolescente e buscava uma forma de me expressar com desenhos. Quando o li, senti uma emoção gigante e encontrei o que gostaria de fazer”.

Quem segue linha semelhante é o quadrinista brasileiro André Dahmer. “Assim como [Robert] Crumb e [Charles] Schulz, Quino é uma escola dentro dos quadrinhos e da arte gráfica. Mafalda é icônica, brilhante e exata. Acho o trabalho de cartum do Quino mais importante e interessante, mas fica aqui o registro da invenção de um clássico”.

A declaração de Allan Sieber, outro quadrinista nacional, vai ao encontro à de Dahmer. “Na verdade, fui mais influenciado pelos cartuns do Quino do que pelas tiras. E reza a lenda que ele acabou com a Mafalda porque o Jaguar falou que era uma m…”.

"Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove - frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! - e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre", diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

“Me colocando como leitora mas também como cartunista, o que mais admiro na produção do Quino, e principalmente na Mafalda como personagem, é a perspicácia. Essa ironia fina que traduz aquela realidade pungente, sem tirar nem pôr. Que nos comove – frente a questões sociais que até hoje não foram resolvidas! – e causa identificação. A piada sagaz, no tempo e no tom certo. É um mestre”, diz a quadrinista Chiquinha (Chiquinha/UOL)

Aposentadoria precoce

Ao longo de sua história, Mafalda passou por algumas publicações argentinas, mas em meados de 1973 seu criador decidiu que era hora de encerrar as tirinhas com a personagem. Dizia estar cansado de fazer sempre a mesma coisa, que encontrava dificuldades em não se tornar repetitivo. Apesar de desenhá-la novamente em uma situação específica ou outra, colocava ali um ponto final nas tramas da garota e seus colegas. Mas Mafalda continuou sendo lida e muito bem quista pelas décadas e gerações seguintes.

Em recente entrevista à agência de notícias EFE, Quino disse ser “como um carpinteiro que fabrica um móvel, e Mafalda é um móvel que fez sucesso, lindo, mas para mim continua sendo um móvel, e faço isto por amor à madeira em que trabalho”.

Por mais que tente transformar a garotinha em um mero objeto, o cartunista jamais conseguiu desvincular seu nome do de sua criatura. “Não sei dizer se, na época, ele tinha dimensão do ícone que iria ser criado a partir de então. Assim como Che Guevara, Evita Perón, Carlos Gardel, Mafalda foi inserida no rol de personagens míticos da cultura argentina, que saíram de cena no auge de suas diferentes atuações. Mafalda é uma filha que Quino carrega até hoje”, diz Ramos. “É uma dessas obras que atravessaram o tempo. Cada artista reflete a sua época, mas há obras que perduram porque foram feitas para transcender”, completa Troche.

‘Turma da Mônica’ é grande vencedora do maior prêmio das HQs nacionais

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Imagem: Google

Imagem: Google

Cesar Soto, na Folha de S.Paulo

A 26ª edição do HQMix, maior prêmio dos quadrinhos nacionais, acontece neste sábado (13), em São Paulo. Quem for ao Sesc Pompeia para acompanhar a entrega dos troféus observará o aumento de um movimento iniciado em 2013: grande parte das principais categorias irão para personagens da “Turma da Mônica”.

O espectador estranhará, então, que não será Mauricio de Sousa o grande premiado da noite, mas um casal de irmãos mineiros (Lu e Vitor Cafaggi) e um artista paraibano (Shiko) ainda não tão conhecidos do grande público.

Isso acontece porque eles levam troféus por sua participação na linha Graphic MSP, que entrega personagens como a própria Turma da Mônica e Piteco às histórias e traços de novos quadrinistas.

“Turma da Mônica – Laços”, dos irmãos Lu e Vitor Cafaggi, foi escolhida como melhor edição especial nacional e melhor publicação infantojuvenil. Lu também foi ganhadora como melhor nova desenhista e, junto de seu irmão, como melhor roteirista.

Shiko foi lembrado como melhor desenhista nacional e melhor publicação de aventura/terror/ficção, por “Piteco – Ingá”.

“A importância maior nem é para mim, mas pelo reconhecimento da qualidade das histórias, da arte e da edição”, diz Mauricio de Sousa, criador dos personagens. “Eu não quero que graphic novel [novela gráfica] vire um modismo, mas que faça com que as outras editoras arrisquem mais, invistam no mercado nacional de HQs.”

O projeto teve início em 2010, durante o lançamento do livro “MSP + 50″, segunda edição de uma trilogia que convidou 150 artistas a inventarem suas próprias versões de personagens de Mauricio.

Após o lançamento das quatro primeiras edições –”Astronauta – Magnetar” e “Chico Bento – Terror Espaciar” completam a coleção–, que vendeu cerca de 75 mil livros, “Bidu – Caminhos”, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, iniciou a segunda fase da linha, que contará ainda com edições dedicadas ao Louco, à Turma da Mata, ao Papa Capim e ao Penadinho e seus amigos.

Sidney Gusman, idealizador da Graphic MSP e responsável pelo planejamento editorial do estúdio de Mauricio, conta que o prêmio serve como reconhecimento aos autores, mas que não deve alterar as vendas, pois não é muito conhecido pelo grande público.

“O HQMix é mais um prêmio do mercado. O leitor em si não é tão influenciado por ele”, diz.

Os fundadores do troféu, José Alberto Lovatro, o Jal, e João Gualberto Costa, o Gual, concordam, mas veem uma valorização do evento com o tempo. Para eles, os novos autores premiados ficam em maior evidência junto às editoras. Ao mesmo tempo, com o crescimento da qualidade da HQ nacional e do público leitor, o próprio HQMix se torna mais popular.

Outros dos grandes vencedores do prêmio são a Nemo, que ganhou como melhor editora e melhor projeto editorial com sua Coleção Moebius, e o cartunista da Folha Angeli, que receberá a homenagem como grande mestre do ano.

Gual atribui o sucesso da Nemo, que ganha pelo segundo ano consecutivo como editora, à sua mistura de investimento em novos autores nacionais e à publicação de quadrinistas internacionais reconhecidos –como é o caso da do artista francês Moebius [1938-2012].

Já no caso de Angeli, o autor da tirinha “Níquel Náusea” e homenageado no troféu da premiação deste ano, Fernando Gonsales, é enfático: “O Angeli é uma coisa fora de série. É o melhor desenhista do Brasil, em todos os aspectos. Ele poderia estar em qualquer galeria. É mesmo o grande mestre”.

26º TROFÉU HQMIX
QUANDO sáb., às 17h
ONDE Sesc Pompeia (r. Clélia, 93)
QUANTO grátis. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes

CONFIRA ABAIXO A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES

ADAPTAÇÃO PARA OS QUADRINHOS
Dom Casmurro (Devir)

DESENHISTA ESTRANGEIRO
Enki Bilal (Tetralogia Monstro)

DESENHISTA NACIONAL
Shiko (Piteco – Ingá e O Azul Indiferente do Céu

DESTAQUE INTERNACIONAL
André Diniz (Duas Luas)

EDIÇÃO ESPECIAL ESTRANGEIRA
Pobre Marinheiro (Balão)

EDIÇÃO ESPECIAL NACIONAL
Turma da Mônica – Laços (Panini

EDITORA DO ANO
Nemo

EVENTO
FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos

EXPOSIÇÃO
Ícones dos Quadrinhos (FIQ 2013

LIVRO TEÓRICO
Marvel Comics. A História Secreta (Leya)

NOVO TALENTO – DESENHISTA
Lu Cafaggi (Turma da Mônica

NOVO TALENTO – ROTEIRISTA
Pedro Cobiaco (Harmatã)

PRODUÇÃO PARA OUTRAS LINGUAGENS
Cena HQ (Caixa Cultural)

PROJETO EDITORIAL
Coleção Moebius (Nemo)

PUBLICAÇÃO DE AVENTURA/TERROR/FICÇÃO
Piteco – Ingá (Panini)

PUBLICAÇÃO DE CLÁSSICO
Fradim (Henfil – Educação de Sustentabilidade)

PUBLICAÇÃO DE HUMOR GRÁFICO
Os Grandes Artistas da Mad: Sergio Aragonés (Panini

PUBLICAÇÃO DE TIRA
Valente por Opção (Panini)

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE AUTOR
Beijo Adolescente 2 (Rafael Coutinho)

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE GRUPO
Café Espacial 12

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE EDIÇÃO ÚNICA
O Monstro (Fábio Coala)

PUBLICAÇÃO INFANTOJUVENIL
Turma da Mônica – Laços (Panini)

PUBLICAÇÃO MIX
Friquinique! (Independente

ROTEIRISTA ESTRANGEIRO
Robert Kirkman (The Walking Dead)

ROTEIRISTA NACIONAL
Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi (Turma da Mônica – Laços)

TIRA NACIONAL
Manual do Minotauro (Laerte)

WEB QUADRINHO
Terapia

WEB TIRA
Overdose Homeopática

GRANDE CONTRINBUIÇÃO
Catarse

DESENHISTA DE HUMOR GRÁFICO
Alpino

SALÃO DE HUMOR
1º Bienal Internacional de Caricatura

HOMENAGEM ESPECIAL
Site Memória Gráfica

GRANDE MESTRE
Angelí

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