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Quando estudar em Harvard não é o melhor para você

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Flâmulas da Universidade de Harvard (Foto: Getty Images/Arquivo)

Flâmulas da Universidade de Harvard (Foto: Getty Images/Arquivo)

 

Enquanto há estudantes que de fato tirarão o máximo de proveito de um ambiente como de uma universidade de ponta, é possível se desenvolver de outras maneiras em escolas menos prestigiadas

Publicado na Época Negócios

Diferente do que o senso comum pode indicar, estudar em Harvard (ou em universidades de elite em geral, líderes nos rankings internacionais) não é um indicativo de sucesso. E nem de realização. Isto porque, enquanto há estudantes que de fato tirarão o máximo de proveito de um ambiente como de uma universidade de ponta, é possível se desenvolver de outras maneiras em escolas menos prestigiadas.

Um estudo conhecido, publicado em 1999, apontou que estudantes que se candidataram às Ivy League e acabaram optando por outra escola de menos renome tiveram o mesmo nível de rendimento futuro que os colegas que frequentaram as de mais prestígio. A conclusão do estudo é que estudantes que se candidatam a estas universidades em geral possuem certas características – como determinação e disciplina – que serão benéficas para o seu futuro, independentemente de qual escola emitiu seu diploma. Em outras palavras, os pesquisadores Krueger e Dale concluíram que “o estudante, não a escola, era responsável pelo seu sucesso”.

Naturalmente, o prestígio destas instituições não existe à toa. Para algumas áreas (como mercado financeiro ou economia), o networking de uma Ivy League pode ser relevante; para outras, o contato com determinado grupo de pesquisa pode ser essencial para quem deseja seguir carreira acadêmica. Mas, dependendo do seu objetivo, outras escolas tão boas quanto Harvard (embora menos famosas) poderão oferecer uma experiência melhor para o estudante.

Artur Ávila – “Sorte” de não ter ido para as mais renomadas
É o caso do matemático Artur Ávila, brasileiro ganhador da Medalha Fields, que afirmou em um evento da Fundação Estudar, em 2016, que sua sorte foi não ter ido para Harvard ou Princeton. Ele, que optou por estudar no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, acredita que teve, assim, mais tempo para desenvolver confiança e adquirir conhecimento. “No IMPA, eu sentia medo, claro, mas não estava em um ambiente que podia me esmagar. Tinha pouco conhecimento, mas fazia uma coisa de cada vez.”

Ter estudado em uma instituição de menor renome internacional, portanto, não apenas não prejudicou a carreira do matemático como também colaborou para o seu amadurecimento. Assim, quando para o seu pós-doutorado ele optou por estudar na França, já estava mais adaptado para enfrentar “aquele mundo”: “Cheguei mais confiante, trabalhando nas linhas que já havia começado, indo sem desespero e com consciência de que eu sabia, de fato, muito pouco” afirmou.

Como avaliar se universidades de elite são a melhor opção para você
Em geral, candidatos tentem a considerar apenas se eles são inteligentes o suficiente para serem aprovados em uma universidade de elite. Raramente se considera se estas instituições são as melhores para eles em outros aspectos da vida universitária.

Para isso, autoconhecimento é a chave. O estudante não pode deixar de considerar qual é o seu estilo de estudos; como ele lida com situações de pressão e quais são suas expectativas para os quatro anos de faculdade. De acordo com avaliações enviadas pelos próprios estudantes no portal Unigo, o candidato deve sempre considerar os seguintes fatores:

Carga de Trabalho

Universidades de elite exigem muito trabalho. Além de uma carga grande de leitura, mesmo os estudantes mais preguiçosos não conseguem se livrar de escrever ao menos um essay por semana – e geralmente bem mais que isso.

Estilo de Ensino e Avaliação

Algumas universidades favorecem o debate oral – é o caso, por exemplo, da maior parte das instituições da Ivy League, que têm aulas em formato de seminário e discussão de cases. Assim, estudantes brilhantes, mas que tenham melhor desempenho escrito podem ser ofuscados pelos mais desenvoltos na oratória.

Estilo de Envolvimento Acadêmico

Muitas universidades de elite assumem que boa parte do seu aprendizado se dará através de atividades extracurriculares – seja através de envolvimento com esportes, clubes, trabalho voluntário ou projetos particulares. Claro, você também encontrará espaço se a sua melhor opção de lazer (ou de estudo) for uma biblioteca silenciosa – mas definitivamente não estará explorando o máximo que estas instituições oferecem.

Estilo dos estudantes (elas não são “cool”!)

Universidades de elite são, sim, um espaço para diversidade e jovens engajados nas mais diversas causas. Um espaço onde se podem encontrar jovens confiantes, carismáticos, divertidos e sagazes, críticos e questionadores. Porém, em geral não são o lugar para estudantes “descolados” – no estilo mais tradicional da palavra, de Jack Kerouac, caracterizada por desprezo às carreiras mais tradicionais e “engessadas”. De fato, muitos dos estudantes estão nestas universidades justamente para se tornar este profissional tradicional.

A pressão

Estudantes que não conseguem lidar com a pressão de estarem constantemente cercados de conquistas e sucessos passarão tempos difíceis em escolas de elite. Estas instituições não são o lugar para você se você pensa que tem que ser o melhor em tudo – porque invariavelmente você não será. Gustavo Torres, que está em seu terceiro ano em Stanford, afirmou que um dos seus maiores aprendizados por lá foi “Não dá pra ser o melhor em tudo”. “O negócio é também tentar ser o melhor em algo, aprender com as outras pessoas e tentar construir algo com elas”, afirma.

A liberdade

Instituições como estas geralmente assumem que os estudantes são automotivados e que correrão atrás dos seus objetivos de forma independente. Ninguém – nem professores, nem advisors, sem seus colegas – vão lhe dizer o que fazer (embora lhe ofereçam todos os meios para ajuda-lo se você já souber o que quer). Da mesma forma, se você parar de comparecer às aulas ou não entregar trabalhos, ninguém vai lhe cobrar, até que seja tarde demais.

Estes questionamentos são polêmicos e muitas vezes exigem que o candidato quebre preconceitos e reveja sua própria autoimagem. Mais do que questionar a nossa capacidade de ser aceito por uma destas instituições, devemos nos perguntar: será que tenho a disposição/a humildade/a resiliência/a energia para ter um bom desempenho em uma universidade de elite? Será que serei feliz lá?

No fim, é melhor fazer estes questionamentos com calma e antecedência do que seguir o nome famoso da instituição e passar os quatro anos que deveriam ser os melhores da sua vida se perguntando se não havia outro lugar melhor para você.

Matemático brasileiro receberá Legião de Honra na França

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Artur Ávila, brasileiro naturalizado francês ganhou medalha Fields. THOMAS SAMSON/AFP

Artur Ávila, brasileiro naturalizado francês ganhou medalha Fields. THOMAS SAMSON/AFP

Publicado no O Povo

O matemático brasileiro naturalizado francês Artur Ávila; o escritor Patrick Modiano, Prêmio Nobel de Literatura no ano passado; e o economista Thomas Piketty, os dois últimos gauleses; figuram entre os novos condecorados pela Legião de Honra, relação divulgada ontem no Diário Oficial francês, em Paris. A lista conta com 691 contemplados em diversos graus, entre os quais 571 cavaleiros, 95 oficiais, 19 comendadores, cinco grandes oficiais e um único grã-cruz, o resistente e historiador da Segunda Guerra Mundial Jean-Louis Crémieux.

Ávila, de 35 anos, ganhador da Medalha Fields 2014, a recompensa mais prestigiada no campo da matemática, foi nomeado cavaleiro a título excepcional, já que a sua idade o impede de cumprir o critério de 20 anos de atividade exigidos para receber a condecoração. Também foi o caso da enfermeira de 29 anos, sobrevivente do vírus ebola, integrante da organização Médicos sem Fronteiras (MSF), 29, sem ter o nome divulgado, que vai receber a medalha a título excepcional, explicou a Grande Chancelaria da Legião de Honra. Infectada pelo vírus durante a sua missão na Libéria e repatriada em 19 de setembro à França, a jovem recebeu alta no início de outubro.

Já Piketty, cujo livro O capital no século XXI vendeu 1,5 milhão de exemplares, foi nomeado cavaleiro. Piketty, no entanto, reagiu afirmando que””rejeita sua designação” para receber a Legião de Honra: “Acabo de saber que haviam proposto meu nome para a Legião de Honra. Rejeito esta designação, já que não acredito que seja papel do governo decidir quem é honorável”, declarou Piketty,. Acrescentou que “valeria mais que se consagrasse a recuperação do crescimento na França e na Europa”. (das agências de notícias)

Brasil conquista medalha inédita em olimpíada internacional de astronomia

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Publicado no Bonde
Na mesma semana em que Artur Ávila Cordeiro de Melo, matemático brasileiro, conquistou a Medalha Fields, o Brasil teve outra conquista na área de ciências exatas, protagonizada por alunos do ensino médio. Cinco estudantes conquistaram a medalha de prata em prova por equipe na 8ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, conquista inédita no país. O evento, que terminou no último domingo (10), ocorreu na cidade de Suceava, na Romênia. O grupo brasileiro também obteve, nas provas individuais, duas medalhas de bronze e três menções honrosas.

A equipe desembarcou hoje (14) no Brasil, após viagem de 30 horas. “Essa competição tem nível muito elevado, e os alunos brasileiros se destacaram”, diz o coordenador de Educação em Ciências do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro, Eugênio Reis, que acompanhou os estudantes. Segundo ele, “esses jovens que voltam com a medalha mostram para os demais que isso é uma coisa possível; que basta se dedicar, que se tem chance”.

Ao todo, participaram da olimpíada 208 estudantes, de 39 países. O Brasil é um dos países que participa da Olimpíada desde a primeira edição. A prova de equipe varia a cada ano, e a elaboração fica a cargo do país que sedia o evento. Na última edição, os grupos tiveram 90 minutos para calcular a trajetória de dois mísseis que deveriam atingir um asteroide, em rota de colisão com a Terra, e salvar o planeta.

Para as contas, puderam usar apenas objetos contidos em uma caixa: réguas, massa de modelar, barbante e papel milimetrado. A medalha de ouro ficou com o Canadá e a de bronze com a Lituânia.

A preparação dos estudantes vem desde o ano passado, com a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, voltada para estudantes de escolas públicas e particulares. No ano passado foram 800 mil inscritos em todo o país. Os participantes que se destacaram foram convidados a continuar estudando.

Os selecionados passaram por várias etapas, que incluíram uma prova presencial. Além dos cinco estudantes que participaram da competição internacional, foram escolhidos cinco para participar da competição latino-americana, que será no Uruguai, de 10 a 16 de outubro. Haverá também cinco suplentes. Os finalistas tiveram aulas, participaram de oficinas e de observações astronômicas.

“Foi uma experiência indescritível”, sintetiza Felipe Vieira Coimbra, de 16 anos, que acabava de entrar em casa quando conversou com a Agência Brasil. Ele é aluno do segundo ano do Instituto Dom Barreto, em Teresina (PI). O colégio particular está entre as notas mais altas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como astronomia não está no currículo escolar, Felipe diz que todo o estudo que teve foi por conta própria, com livros e apostilas usadas em universidades.

Além da medalha de prata, o jovem carrega no currículo duas medalhas de ouro na Olímpíada Brasileira de Física. Ele diz que prefere não restringir os planos para o futuro, mas adianta que pretende seguir na área de exatas e cogita o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) como objetivo. “Na escola, é quase um clichê, as exatas são as matérias menos populares. Mas não sou o único no Brasil, tem muita gente que se destaca, o Artur é um exemplo”.

Medalha Fields de Artur Avila inspira alunos do Colégio São Bento, onde ele estudou

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Fãs de matemática: Antônio Ferreira (esquerda), Lucas Guerreiro (centro) e Joao Pedro Homem, alunos do Colégio São Bento - Leo Martins / Agência O Globo

Fãs de matemática: Antônio Ferreira (esquerda), Lucas Guerreiro (centro) e Joao Pedro Homem, alunos do Colégio São Bento – Leo Martins / Agência O Globo

Publicado em O Globo
RIO – No rastro de Artur Avila, estudantes que já investiam na matemática viram suas ambições ganharem ainda mais força com o prêmio. Aluno do terceiro ano do ensino médio do Colégio São Bento, onde o brasileiro já estudou, João Pedro Homem, de 16 anos, é um deles.

– Foi uma conquista para o Brasil. Mostra que não estamos alheios à matemática mundial e que não somos dependentes do ensino aplicado fora do país. A matemática brasileira tem potencial e, cada vez mais, se insere no contexto internacional – diz.

Homem já foi medalha de prata na Olimpíada Estadual de Matemática do Rio de Janeiro e conquistou ouros e pratas no Canguru Matemático, um concurso internacional. Agora, se prepara para cursar ciência da computação ou matemática em respeitadas instituições americanas. Ele pretende focar em pesquisas acadêmicas e não descarta a possibilidade de ser um novo brasileiro a alcançar prestígio como Avila.

– Acredito que posso ganhar uma medalha Fields como ele. Quando vemos o primeiro latino-americano a chegar lá, percebemos o quanto isso é possível – vislumbra.

Outro medalhista em competições de matemática, o estudante Lucas Guerreiro, de 16 anos, está no segundo ano do ensino médio no São Bento e também achou a conquista inspiradora.

– Ele é um herói, mas não da ficção, com poderes inatingíveis. É uma pessoa que se esforçou para conquistar seu legado. Já é um ídolo para nós – avalia o garoto que está empenhando em conhecer melhor as pesquisas de Avila.

O professor Cleuber Nascimento na turma preparatória para olimpídas do Sistema Elite de Ensino - Leo Martins / Agência O Globo

O professor Cleuber Nascimento na turma preparatória para olimpídas do Sistema Elite de Ensino – Leo Martins / Agência O Globo

Para seguir esse caminho, muita gente investe desde cedo nos estudos. Aluna do sexto ano do ensino fundamental do Colégio Militar, Rebeca Pena, de 12 anos, faz parte da turma preparatória do Sistema Elite de Ensino para olimpíadas. Seu foco é no futuro:

– Com as olimpíadas, ganharei mais disciplina e rapidez no raciocínio. Além disso, as medalhas serão importantes para o nosso currículo – diz.

Professor de Rebeca na turma preparatória, Cleuber Nascimento conta que alunos que participam de olimpíadas ganham mais concentração e passam a valorizar mais os estudos. Agora, com a premiação de Avila, ele acha que tudo isso será potencializado.

– Espero que o brasileiro deixe de entender a matemática como um carma ruim. Desejo que isso incentive mais pesquisas e desenvolvimento – afirma. – Já tive a oportunidade de conhecê-lo e sei o quanto há pessoas tão inteligentes como ele que também podem chegar lá.

‘Muitas pessoas nem sabem que matemático pode ser profissão’, diz ganhador da Medalha Fields

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Conheça mais sobre Artur Avila, um carioca típico que gosta de ir à praia e beber açaí

O matemático Artur Ávila, de 35 anos, premiado com a Medalha Fields - Américo Mariano

O matemático Artur Ávila, de 35 anos, premiado com a Medalha Fields – Américo Mariano

Cesar Baima e Fernando Eichenberg em O Globo

PARIS E SEUL – Um talento único, cujo trabalho está ajudando a expandir as fronteiras da matemática, o que de pouco valeria se não fosse conjugado com boas doses de dedicação. Assim ex-professores e colegas descrevem Artur Avila, carioca de 35 anos que hoje vive entre Rio e Paris. Ele é pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e diretor do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França. Carioca de 35 anos, o matemático hoje tem até nacionalidade francesa, mas, caminhando às margens do Rio Sena enquanto reflete sobre algum problema, morre de saudade de ir à praia e de beber açaí.

Há dois meses, Avila recebeu um e-mail da União Internacional de Matemática (IMU, na sigla em inglês) comunicando que ele receberia a Medalha Fields, principal prêmio da área no mundo, considerado o “Nobel da matemática”. A premiação foi confirmada oficialmente nesta terça, durante o Congresso Internacional dos Matemáticos, na Coreia do Sul.

— É o prêmio mais importante. Você passa a ser conhecido pelos não matemáticos. Para o Brasil, é simbolicamente importante. Um certificado de que está sendo feita ciência de alto nível no país. E isso é um trabalho de décadas — comenta ele, acomodado na poltrona de uma sala da Universidade de Jussieu, em Paris, após dar conselhos, no quadro-negro, durante uma hora, para um estudante americano de pós-doutorado em seus problemas matemáticos.

Vestindo jeans e camiseta branca, Avila sorve em intervalos irregulares goles de leite que toma direto do bico da garrafa de plástico de um litro, da qual não se separa. Um ardil para compensar refeições ignoradas, consequência de sua tumultuada agenda dos últimos dias. Para ele, a Medalha Fields e o fato de o próximo Congresso Internacional de Matemática ocorrer no Brasil, em 2018, é “uma janela de oportunidade” para se pensar em algo mais amplo no avanço da ciência no país, de forma gradual, “sem mágica”. O contexto também poderá confortar vocações já despertas. Matemático pode ser uma boa profissão, garante o carioca:

— Muitas pessoas nem sabem que pode ser uma profissão, e bem-sucedida. É uma carreira competitiva, precisa ter talento especial em vários níveis, mas dá muita liberdade. Você escolhe em que vai trabalhar como pesquisador. Há pouca hierarquia, não tem chefes. Você é independente.

Avila é objetivo e reservado. Não fala sobre sua vida pessoal. A não ser quando ela se confunde com a paixão pela matemática. Ele começou a desenvolver essa vocação na 5ª série (atual sexto ano do ensino fundamental), motivado por um professor do Colégio São Bento que lhe apresentou, em 1992, a Olimpíada Brasileira de Matemática, promovida pelo Impa para rastrear jovens talentos. O garoto, com 13 anos, conquistou uma medalha de bronze no primeiro ano e, depois, três ouros consecutivos.

Em 1995, ganhou outra medalha dourada, desta vez na Olimpíada Internacional de Matemática no Canadá. Abriram-se, então, as portas do Impa, onde ele ingressou para fazer um curso de verão. Enquanto os colegas reclamavam da dificuldade das provas, Avila, sempre calado, na dele, só tirava notas altas.

— A partir daí ele começou a ser conhecido como brilhante — diz o diretor-geral do Impa, César Camacho.

A matemática que a maioria de nós aprende na escola está tão distante do trabalho atual do pesquisador quanto um livro infantil de colorir está de um quadro de Picasso. Nos últimos anos, o matemático ganhou reconhecimento atuando na área de sistemas dinâmicos, a popular teoria do caos, que procura explicar sistemas que mudam com o tempo. Algo aplicado em diversas áreas, como a economia e a meteorologia.

Avila é incomum entre os matemáticos em seus hábitos de trabalho. Ele confessa, por exemplo, não ler livros. Nem mesmo a literatura científica da área. Prefere conversar com colegas para identificar os problemas em aberto e definir como pode colaborar para solucioná-los. Se despertarem seu interesse, claro.

— Gosto de interagir com outros matemáticos, assim somos pelo menos duas pessoas com o mesmo objetivo — conta.— Quando quero entrar em um assunto, vou conversar. Isso me permite ir direto ao ponto.

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