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Posts tagged Medicina

Sonho realizado! Ex-morador de rua que vivia debaixo de ponte vai cursar Medicina

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Denis José

Publicado no Amo Direito

A vida de Denis José da Silva nunca foi fácil. Na infância, ele teve de sobreviver morando literalmente debaixo de uma ponte e pedindo esmolas.

“Em 2005, eu tinha 6 anos, lembro que meus pais, meus 3 irmãos e eu morávamos debaixo de uma ponte, no município de Ipojuca (PE). Debaixo dessa ponte, nossa casa era de lonas; lembro que, às vezes, tinham lagartas que queimam na nossa cama, quando íamos tomar banho no rio, também pegávamos camarões dentro de tijolos.”

Mas foi quando ele começou a cursar o ensino médio em uma escola municipal de Ribeirão, em Pernambuco, que ele teve a oportunidade de reescrever seu destino.

Em fevereiro de 2015 que ele descobriu o programa Ganhe o Mundo. As excelentes notas garantiram a aprovação em uma prova classificatória e ele foi selecionado para estudar no Canadá, como conta neste relato.

“Tirei 9,6 de 10. Na hora pulei de alegria e contei aos meus pais, que acharam que era mentira e nem ligaram. Minha mãe passou a acreditar a partir do momento que ela teve de ir, junto comigo, às reuniões de orientação. Logo depois veio a retirada de passaporte e foi aí que meu pai acreditou, pois ele que foi comigo, já que minha mãe é analfabeta e não teria como assinar os documentos.”

E essa foi só a primeira aventura de Denis, que tem 17 anos. Mal sabia ele que um ano depois seria selecionado e com bolsa integral para cursar medicina na Universidade Internacional de Manitoba. A universidade também daria dormitório e alimentação gratuita na faculdade.

Mas Denis quase perdeu a oportunidade porque não tinha dinheiro para comprar as passagens, agasalhos para o inverno e bancar a alimentação durante a viagem.

Para tentar driblar a situação de pobreza em que vive com os pais e outros 11 irmãos, ele criou uma vaquinha virtual para receber doações.

Denis talvez nem tenha imaginado a repercussão de seu pedido: A meta era alcançar o valor de R$ 8 mil, mas as doações não pararam de chegar e nesta sexta-feira (1), ele já tinha conseguido quase R$ 18 mil!

O adolescente ficou muito emocionado com a solidariedade e escreveu uma mensagem no site da vaquinha:

“Pessoal, muito obrigado a todos pela contribuição, pela comoção e tudo mais… Agradeço de coração. Atingimos a meta necessária para a viagem, mas se vocês quiserem continuar contribuindo para outras coisas, como: Ajudar minha família, que passa dificuldades, ajudar a me manter lá por um tempo, comprar alguns materiais para estudo; um computador, por exemplo… eu vou agradecer imensamente, mas isso é com vocês. O que eu pedi para a viagem, graças a Deus, e a vocês, já consegui (: Mais uma vez: muito obrigado a todos!”

Por Ana Beatriz Rosa
Fonte: Exame

Emoção na formatura do ex-cortador de cana-de-açucar que virou médico, no Recife

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Médico

Publicado no Amo Direito

Milagre é explicado como algo extraordinário, admirável, espantoso. Acontecimento que chama a atenção, que desperta interesse, que faz o povo ficar surpreso. Aos 30 anos, Jonas Lopes da Silva é sinônimo disso. Perseverança, coragem e firmeza foram virtudes que ajudaram a transformar seu destino.

Combustível para que o ex-cortador de cana, egresso da Zona da Mata pernambucana, estivesse entre os 74 jovens que colaram grau na 95ª turma de medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) no Teatro Guararapes, em Olinda, no Grande Recife, na noite desta quarta-feira (29).

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O reconhecimento pela sua difícil trajetória até conseguir o tão sonhado diploma foi louvado pelos colegas, que decidiram homenageá-lo. Aplaudido, Jonas ficou surpreso. Não esperava tamanha consideração. Tímido, chorou ao ficar de pé, em destaque, entre os demais (agora) médicos.

“Não existem vidas comuns. Apesar de termos tantos milagres hoje a contar, a turma 95 escolheu um desses milagres para receber o grau (de médico) em nome de todos nós. Antes de ser estudante de medicina ele lutou contra a exploração de mão de obra infantil nas usinas de cana-de-açucar no interior de Pernambuco”, discursou a oradora, Débora Lima, assim que a solenidade começou.

Nascido em Palmares, criado em Joaquim Nabuco, foi cortador de cana até os 15 anos. Aos 24, o quinto dos sete filhos de seu José Lopes e dona Edileusa chega à universidade. Hoje nossa turma pede que Jonas Lopes da Silva fique de pé para receber nosso aplauso e reconhecimento”, complementou Débora. O rapaz foi aclamado com muitas palmas.

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Para testemunhar esse momento, uma pequena caravana saiu de Joaquim Nabuco, distante 113 quilômetros de Recife, antes do sol se pôr: os pais, os seis irmãos, cunhados, alguns primos, tios. Três carros cheios de gente e de orgulho.

“Não dormi nem comi direito. Meu coração está acelerado, a mil por hora. Meu filho conseguiu realizar o sonho de se tornar médico”, comentou dona Edileusa, tão tímida quanto o filho. Ela precisou levar Jonas para acompanhá-la na cansativa labuta de cortar e limpar cana, quando ele era criança, pois dali que tirava o sustento para garantir o feijão com arroz de todos os dias.

Também estava lá Benjamim Gomes, professor de Jonas no terceiro período do curso médico e que tanto o apoiou em vários momentos da faculdade. Fernando Beltrão, igualmente professor de medicina da UPE e de um cursinho onde Jonas ganhou bolsa para se preparar para o vestibular, foi outro que presenciou a formatura.

A alegria pela conclusão da graduação médica era a mesma de Márcio Nascimento, 29 anos, colega de turma de Jonas. Suas histórias se parecem. Ambos moraram na Casa do Estudante de Pernambuco, no Derby, área central do Recife. Enfrentaram restrição financeira e saudade dos parentes enquanto cursaram os seis anos da faculdade. Não desistiram.

“A formatura é o apogeu. Esperei muito por esse dia. É uma alegria sem tamanho”, destacou Márcio, ao lado da esposa, Juliane, grávida de seis meses, e do filho Bruno, 8 anos. Os pais, sogros, irmãos e parentes também saíram de Floresta, no Sertão (a 417 km de Recife), para participar da colação de grau em Olinda.

“Foi um milagre de Deus eu virar médico. Ele, minha família e tantas pessoas apostaram em mim e sou muito grato por isso. Espero ser um bom médico para retribuir”, afirmou Jonas, que agora tem como desafio passar na residência em clínica médica ou cardiologia.

Fonte: jconline ne10

Aluna de escola pública representará o Brasil em Olimpíada de Neurociência

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Alfredo Mergulhão, no UOL

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne Isidoro Gonçalves, de 17 anos, está com viagem marcada rumo à Copenhague, na Dinamarca, para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional de Neurociência (2016 Brain Bee World Championship), que acontece de 30 de junho a 4 de julho.

Aluna de escola pública e moradora da Favela da Camarista, no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, a jovem superou outros 13 concorrentes na final do torneio da 4ª Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee). Para vencer a competição, Lorrayne teve de responder 100 questões em provas de neuroanatomia, neurohistologia, neurofisiologia e neurociências clínicas.

“Está uma correria agora. Tenho que me preocupar com passaporte, buscar mais livros para estudar e organizar meu tempo para me sair bem na olimpíada, sem esquecer da escola e do Enem. Mas eu estou muito feliz. Faço isso com dedicação e alegria”, conta Lorrayne, na barraca de camelô do pai, nas proximidades da estação de trem do Engenho Novo, na zona norte do Rio, pouco depois de sair do Colégio Pedro II, instituição de ensino federal em que estuda.

Durante o preparo para a olimpíada internacional, a garota que já fala inglês e francês também começou a estudar dinamarquês por conta própria. Ela diz que é para poder se comunicar melhor durante a competição.

“Fico feliz de ver a determinação dela. A coisa mais normal do mundo é eu chegar do trabalho, quase meia-noite, e encontrar a Lorrayne estudando. Ela está certa de buscar o objetivo”, conta o pai da jovem, Jorge Cabral Gonçalves, de 61 anos, que estudou até o 2º ano do ensino médio.
Por que neurociência?

O interesse em neurociência surgiu por acaso. Há algum tempo Lorrayne já pensava em fazer faculdade para se tornar pesquisadora, só que não sabia exatamente qual área escolher.

Ao ver um material de divulgação sobre a competição de neurociência no corredor da escola, decidiu arriscar. A primeira iniciativa foi procurar uma orientadora, requisito para participar da olimpíada. Camila Marra, professora de biologia no colégio, assumiu a missão.

Os estudos começaram com o empréstimo de livros de graduação para Lorrayne ler durante as férias. Quando as aulas voltaram, a estudante já tinha devorado os livros.

“Ela veio apenas para tirar dúvidas. Eu cheguei a preparar aulas expositivas, mas a gente praticamente não teve encontros para isso. Ela tinha compreendido praticamente tudo e usava o Facebook para fazer perguntas. Foi como uma orientação de uma monografia, mas sem a produção de um texto”, disse a professora.

Além disso, a adolescente participou de um curso de férias sobre neurociência oferecido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se tornou voluntária Museu Itinerante de Neurociência da mesma instituição.

Lorrayne diz que o segredo para aprender rápido foi saber administrar o tempo e usá-lo com disciplina. “Dá para fazer de tudo. Só que a hora de estudar tem que ser de dedicação. Quando começo a estudar não fico batendo papo no WhatsApp”, afirma.
Futura médica

No fim do ano, Lorrayne vai fazer prova do Enem e disputar uma vaga para o curso de medicina, na UFRJ. Caso ela passe, será a primeira pessoa na família a frequentar a faculdade.

Apesar da vaga garantida no evento internacional, Lorrayne só teve a tranquilidade para continuar estudando após a confirmação de que a escola vai pagar sua passagem e hospedagem, assim como de sua orientadora.

Sem a certeza de que o colégio bancaria as despesas, os próprios organizadores da Olimpíada Brasileira de Neurociências criaram uma vaquinha online para arrecadar dinheiro. Nos 5 dias de campanha, a estudante conseguiu mais de R$ 56 mil em doações, que vão permitir que ela participe em condição de igualdade com os concorrentes.

Superação: ele vivia no lixão em busca de comida. Encontrou livros velhos e se formou em Medicina

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Publicado no Amo Direito

Ele tinha tudo para dar errado. Mas decidiu contrariar os paradigmas de um garoto pobre, negro e criado em meio à violência, drogas e alcoolismo. Cícero Pereira Batista tem 33 anos que podem ser triplicados pelas experiências que viveu. Após tirar literalmente do lixo sua esperança de uma vida melhor, hoje comemora a conquista do diploma de médico conquistado graças à obstinação, como ele mesmo define.

Foi na quadra 20 da QNL, mais conhecida como Chaparral e pelos altos índices de violência, que o então menino Cícero cresceu. Na época ainda era chamado de Juca pelos sete dos 20 irmão que conseguiram sobreviver à pobreza.

Quando tinha apenas três anos, o pai morreu e o futuro que já seria difícil se tornou pior. A mãe de Cícero encontrou no álcool a fuga para as mazelas da periferia que tomaram conta de sua casa. O irmão mais velho passou a traficar e usar drogas. Momentos que marcaram a mente de Juca.

— Meu pai, antes de morrer, pediu ao meu irmão mais velho que cuidasse de nossa família, mas ele não suportou. Ele se envolveu com as drogas e passou a usá-las dentro de casa. Isso aqui era cheio de gente drogada. Eu via meu irmão cheirando cocaína ao meu lado.

Em meio ao caos, Cícero buscou meios para sua própria subsistência. E o foi buscar no lixo o que comer. Entre lágrimas, ele lembra o que precisava fazer para comer e ajudar a irmã mais nova.

— Eu tinha que chafurdar no lixo para encontrar comida. E muitas vezes encontrava pedaço de carne podre, iogurte vencido, resto de comida que ninguém queria. Era aquilo que me alimentava. E no meio do lixo surgiu a minha oportunidade de uma vida melhor.

No meio aos restos, Cícero encontrava livros e discos de vinis velhos. Os livros passaram a ser o refúgio de tanta desgraça. Os vinis, a trilha de uma trajetória que ele jamais imaginava percorrer.

— Eu lia tudo que encontrava pela frente. Eram livros velhos manchados pelo chorume de lixeiras de supermercados, mas era a única coisa que eu tinha. Os vinis eu escutava na casa de um vizinho. Beethoven e Bach foram minhas inspirações.

A irmã de Cícero o matriculou na escola pública próxima a sua casa. Só conseguiu chegar ao ensino técnico graças à ajuda de professores e amigos. Decidiu fazer o curso de técnico em enfermagem que passou em segundo lugar na seleção feita pelo Cespe, banca que integra a UnB (Universidade de Brasília).

Ao concluir o curso logo veio a primeira vitória. Foi aprovado no concurso da Secretaria de Saúde para técnico em enfermagem e passou a trabalhar no HRT (Hospital Regional de Taguatinga). Mas ainda era pouco para quem estava acostumado com tanta dificuldade. Então ele buscou o que já procurava desde a infância. Passou para o vestibular de medicina em uma faculdade particular de Araguari.

Cícero estudava de segunda a sexta-feira e aos fins de semana tirava plantão de 40 horas no HRT. O salário que recebia ia todo para o pagamento da mensalidade. Sobrevivia de doação e da própria determinação.

Como a rotina estava muito difícil, Cícero decidiu fazer o Enem e tirou nota suficiente para lhe garantir uma bolsa de estudos em uma faculdade particular do DF. Passou a estudar medicina no Gama onde enfrentou o preconceito racial e a rotina de estudos.

— Eu nunca pensei em desistir. Meus companheiros sempre foram os livros e a música clássica me dava leveza de espírito para seguir em frente. Eu pensava que se Beethoven se tornou um dos grandes compositores da história eu também poderia me tornar um bom médico.

E deu certo. No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

Hoje faz questão de contar a própria história no lugar onde tudo começou. A casa ainda sem nenhum conforto na QNL 20 é o lugar que abriga a mãe e os livros achados no lixo e nas paradas de ônibus. Os planos agora são outros, mas sempre focados em dias melhores.

— Eu quero justificar a confiança que meus professores e meus amigos depositaram em mim. Por isso estou focado em me tornar um bom médico, dar uma vida melhor para minha mãe e depois me especializar em psiquiatria ou pediatria. Mas ainda penso estudar Direito, quem sabe.

Fonte: mundo gump

88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são da escola pública

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Alunos fazem prova da 2ª fase do vestibular da Unicamp

Alunos fazem prova da 2ª fase do vestibular da Unicamp

Publicado no Quem Inova

Pela primeira vez, mais da metade alunos aprovados no vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) são oriundos de escola pública –1.714 dos 3.320 aprovados, um total de 51,9%. Além disso, dentre os estudantes de escola pública, 43% são autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

O fato mais surpreendente é do curso de medicina. O índice de aprovação chegou a 88,2%. A Unicamp não adota o sistema de cotas, mas sim de bonificação.

A primeira lista de aprovados foi divulgada nesta sexta-feira, dia 12. Os convocados deverão fazer a matrícula via internet entre as 8h deste sábado (13) e às 18h do domingo (14). Acesse aqui os aprovados.

A segunda chamada está prevista para o dia 16.

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