Contando e Cantando (Volume 2)

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Sem aulas e de graça: assim é a escola de programação mais revolucionária do mundo

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William Beaucardet

William Beaucardet

50.000 candidatos se inscrevem todos os anos para entrar na 42, uma escola vanguardista de Paris que não exige nem o ensino médio e onde não existem professores

Jacobo Pedraza, no El País

Duas instituições acadêmicas convivem no Boulevard Bessières de Paris, no 17º distrito, limite entre a cidade e os subúrbios. Uma é o Liceu-Colégio Internacional Honoré de Balzac, o maior colégio público da capital francesa: cinco hectares consagrados ao criador de A Comédia Humana, cuja assinatura se vê estampada na grade de entrada do local. A outra se chama 42. Uma escola de programação que a partir do próprio nome já encarna uma mudança em relação à totalidade do sistema educacional francês ou, o que é a mesma coisa, ao conceito de formação que impera há pelo menos três séculos. Para começar, porque não exige nenhum título acadêmico aos seus alunos. E porque é gratuita.

A 42 é uma fundação privada sem fins lucrativos, sustentada principalmente pelo magnata francês da tecnologia Xavier Niel, coproprietário do Le Monde (e dos direitos de My Way de Sinatra) e, além disso, incentivador do que será a maior incubadora do mundo, a também parisiense Station F. O modelo acadêmico foi concebido pelo próprio Niel e por Nicolas Sadirac, fundador e ex-diretor executivo da rede de escolas particulares de código Epitech, de excelente reputação no cenário tecnológico francês, mas com preços a partir dos 7.000 euros (25.800 reais) anuais. Ambos acreditam que a genialidade não surge somente entre os que podem pagar uma instituição desse tipo, e pensam que a universidade pública se asfixia por seu próprio tamanho e falha na hora de proporcionar o salto entre a formação e a empresa. Criaram uma escola que qualquer um “nascido para o código” (o lema da escola) possa ter acesso, em permanente contato com o ambiente empresarial e um com um conceito pedagógico que faz da gamificação sua essência.

A escola surpreende já na entrada. A primeira coisa que o aluno escuta é a própria porta, que o cumprimenta pelo nome: “Bonjour, Gilles”. A recepção tem um móvel para guardar o patinete, o meio de transporte favorito de muitos. Mas o que fascinam são as primeiras amostras da enorme coleção de arte urbana que decora a escola, e que se mistura à perfeição com os alunos e com o espírito desse espaço: mais de 150 pinturas e esculturas subversivas, rebeldes, jovens. “Temos até mesmo um Banksy”, confessa lá mesmo Catherine Madinier, ex-aluna dessa escola fundada em 2013 e membro do corpo docente, que por fim confirma a suspeita que todo bom freak já tinha sobre o nome da escola: “É pelo Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams”. A 42 é – nessa série de rádio, romance e filme – a resposta absurda e confusa que dá um monumental supercomputador à “pergunta definitiva sobre a vida, o universo e tudo”. Até a calculadora do Google conhece essa referência.

Sem aulas, sem professores

Madinier avança até a primeira colmeia de computadores, no térreo do edifício. Uma sala gigante com mais de 300 desktops com a inconfundível maçã da Apple: “Os macs consomem menos energia. Quando se usam mais de 1.000 por dia, a economia é considerável”, diz esta nativa de Nice, de 31 anos, que se define frequentemente como professora, embora saliente que seu papel é mais de tutora ou mediadora. “Não existem professores. Não há aulas. Não há lições ou livros de estudo”. “Isso é uma grande diferença em relação a outras escolas como a Epitech”, destaca David Giron, diretor de estudos da 42, que desempenhou a mesma função na própria Epitech, que acrescenta. “Os professores e as lições não têm sentido hoje em dia. Todo o material está na Internet, e queremos sejam capazes de procurá-lo, classificá-lo e filtrá-lo”.

Os mais de 2.000 alunos da escola deixam de lado o modelo de formação que conheceram em favor de uma educação a partir de uma perspectiva que, na realidade, conhecem muito melhor: a dos vídeogames.

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Níveis, títulos e recompensas

Gilles Potte tem vinte anos e está muito distante da imagem normalmente associada ao estudante de engenharia da computação: cobre seu cabelo longo com uma boina, ostenta um piercing na orelha, uma tatuagem nas costas e usa calças corsário e camiseta. Ao seu redor há alunos que escrevem linhas de código em velocidade de cruzeiro, enquanto outros socializam entre vídeos do YouTube e algum fica absorto jogando uma partida. “Podem fazer mais coisas, gostamos que façam mais coisas, mas na maior parte do tempo devem estar programado”, diz Madinier.

Gilles inicia a sessão na intranet da 42. É como carregar uma partida salva de um videogame. No menu principal se pode observar que ele está no nível 2, faltam poucos pontos de experiência para alcançar o 3. “No total, são 21 níveis [não é um número ao acaso, é a metade de 42], a partir do 21º se considera que o aluno está capacitado para sair para o mundo do trabalho”, diz Catherine Madinier. Frequentemente, segundo ela, os alunos conseguem um emprego em tempo integral que os faz deixar a escola antes de completar os três anos, duração média do programa.

A gamificação é aplicada em todos os campos da 42. Gilles ganhou dois títulos, algo como um tratamento oficial (senhor, doutor, excelentíssimo) muito comum no mundo dos videogames, que são dados como recompensa ou punição de acordo com as ações realizadas pelo jogador. “Tenho os títulos de troll e o de altruísta”, proclama o aluno, rindo. O primeiro é por fazer comentários demais e com ânsia de incomodar nos fóruns da escola. O segundo é por ser um grande corretor desinteressado dos exercícios dos colegas. Sim, na 42 os exercícios não são corrigidos pelos tutores, mas pelos próprios alunos: “É uma maneira de aprender com o trabalho dos outros, com suas formas, seus métodos para chegar a uma solução de um problema e com seus erros”, explica Madinier. O erro também é recompensado: o título de errão é assumido com orgulho porque implica em perseverança e desejo de superação de si mesmo.

O progresso nos estudos é observado no gráfico de exercícios, que lembra claramente os diagramas de habilidades aprendidas em videogames como Final Fantasy. O aluno começa no centro de vários círculos concêntricos e seu avanço o leva para a parte externa, prova a prova, escolhendo um ou outro caminho em função da parcela de todo o mundo da informática que mais lhe interesse.

O percurso começa focado no desenvolvimento do ambiente Unix com linguagem de programação C, no final os alunos poderão usar praticamente qualquer linguagem fluentemente. As quatro matérias principais são Unix, algoritmos, gráficos e web. Aos poucos vãos e especializando: celular, cibersegurança, hardware, design, videogames. “Não chegam a completar todos os exercícios de todos os caminhos, isso é quase impossível. Pense que existem trabalhos tão complexos como criar seu próprio sistema operacional ou o motor de um vídeo game online do zero”, revela Catherine Madinier. “Eu ainda não decidi. Estou entre design, vídeo games, ou inteligência artificial”, diz Gilles, fã de fotografia e edição gráfica.

O programa de estudos é elaborado e atualizado constantemente pela equipe docente, formada por cerca de 15 tutores dirigidos por David Giron. Há exercícios de todo tipo: elaborar periféricos para substituir o mouse do computador, dar forma a um videogame de tiros em primeira pessoa, criar um aplicativo de calendário que depois o próprio aluno utilizará ou pequenas ferramentas para o site da 42. Cada prática é avaliada pelos colegas e os resultados podem ser verificados e alterados a partir da intranet da escola.

Se um estudante é reprovado ou aprovado (mas não está satisfeito com seu desempenho) pode repetir o exercício quantas vezes quiser. “A escola fica aberta todos os dias do ano, 24 horas por dia, de modo que os alunos chegam a passar mais de 90 horas por semana nela”, diz Giron. Ser aprovado com boas notas ou com especial esmero em alguns pontos dá direito a medalhas e recompensas, um sistema amplamente desenvolvido em qualquer vídeo game da plataforma online Steam.

“As recompensas podem ser trocadas por produtos do refeitório ou, por exemplo, por banhos na Jacuzzi”, diz Madinier enquanto continua mostrando as instalações da 42. O refeitório e a varanda estão inusualmente cheios por causa do sol. É possível perceber estéticas e padrões: geeks que poderiam muito bem ser membros de qualquer equipe profissional de esports, alguns com roupas escuras e estética mangá, e outros com calças jeans largas e tênis de skate. Todos coexistem, se misturam e desfrutam da música, desta vez um rap francês, o gênero favorito do banlieue (subúrbio).

A piscina

Ao lado do refeitório fica a piscina. Não há piscina ou água. É uma enorme sala onde podem ser vistas malas, pessoas deitadas, gente descansando em colchões infláveis e sacos de dormir. A piscina é o nome do espaço e da época que definem se um aluno tem ou não futuro na 42. Quase um mês de intensidade máxima que representa o único veículo para ser admitido na escola.

Chega-se à piscina depois de duas provas online, dois jogos que, além disso, não são os mesmos para todos. Um dura 10 minutos e é um exercício de memória. O outro dura mais de duas horas e testa a capacidade lógica do candidato. Começam sendo simples, mas à medida que os níveis são concluídos tornam-se mais e mais complicados. Com eles é feita a seleção dos pretendentes que terão acesso à piscina: de cerca de 50.000, apenas 3.000 sobrevivem.

“Para a inscrição só pedimos nome, sobrenome e data de nascimento. Não queremos saber de mais nada”, afirma Madinier. “Nem o que estudaram. Ou de onde vêm. Ou se são pobres ou ricos”. Chegam à 42 muitos candidatos de classe baixa, dos subúrbios das cidades ou pessoas sem recursos de outros países, que dificilmente poderiam entrar em qualquer outra escola de programação. Durante o mês de provas, nas quais os alunos passam uma média de 15 horas por dia trabalhando, são autorizados a se alojar nas instalações da escola (no recinto da piscina), usar os chuveiros e os vestiários e comer no refeitório, com preços muito menores que os de estabelecimentos próximos e ainda mais baratos quando comparados aos do centro de Paris.

As provas terminam a cada dia exatamente às 23h42. Seu foco é o desenvolvimento de habilidades em linguagem C, um pilar básico para adaptar os conceitos e a mentalidade ao mundo da programação. “Muitos pré-inscritos chegam sem saber programar. Eu mesma vim do setor de negócios e não tinha a menor ideia”, revela Madinier. Gilles vem do mundo da restauração: “Eu me matriculei num curso técnico de hotelaria perto daqui, no 18º distrito, mas esse futuro não me convenceu. Descobri que era isso que eu gostava, então eu decidi tentar”, lembra o aluno parisiense, que também não sabia muito de código antes de entrar, apesar de reconhecer que se preparou antes da piscina.

Os exercícios da piscina são corrigidos entre os próprios alunos, que vão aprendendo com isso, e também por uma inteligência artificial conhecida como moedora. Nessa altura, são incentivados a trabalhar em conjunto e a ajudar uns aos outros “algo que em outros lugares significa fazer trapaça e que nós pensamos que é essencial”, argumenta David Giron. No fim da primeira semana de cada processo seletivo mais de uma centena de candidatos (entre 800 e 1.000 para cada uma das três piscinas anuais, que são realizadas no verão) terá desistido. “É um processo muito difícil e a maneira de encará-lo também é importante para nós. As notas são uma indicação, mas no final os selecionados são escolhidos pelo corpo docente para além dos seus resultados. O critério varia e o número de admitidos, também”, afirma Madinier. A 42 não costuma aceitar alunos menores de 18 anos ou maiores de 30: não quer que deixem o ensino médio para entrar em um processo muito difícil de aprendizagem porque perderiam muitas oportunidades de futuro, e tampouco acreditam que aqueles que já passaram dos trinta possam absorver a quantidade de conceitos que precisam assimilar. A intenção também é ter um corpo discente coeso.

 Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

Uma das colmeias de computadores da escola. William Beaucardet

A escola estima que 40% dos alunos não têm o ensino médio completo. Uma porcentagem um pouco menor vem de meios desfavorecidos. Cerca de 20% vêm de fora da França. Poderia ser um ambiente complicado, mas é completamente o oposto. “Eu estou aqui faz pouco tempo, mas desde o início você percebe que este é o seu lugar. Na piscina todos ajudamos uns aos outros e agora continua sendo assim. Não importa de onde você vem. Somos todos amigos”, diz Gilles.

Como diretor de estudos, David Giron viveu histórias que destacam as oportunidades que a escola deu para muitos alunos: “Poderia mencionar um ex-pequeno traficante de drogas que veio para cá depois de escapar por pouco da cadeia e hoje dirige sua própria empresa e contrata nossos alunos. Ou um montador da ópera que não via sentido na vida e hoje é feliz como desenvolvedor de aplicativos para celular. Ou até mesmo um doutor em filosofia italiano que agora é diretor de tecnologia de uma grande empresa”. “A melhor coisa de trabalhar aqui é ver florescer alguns. Sua mudança dentro da 42 ao encontrar um lugar e colegas com os que se sentem realmente bem e envolvidos. Muitos encontram aqui pela primeira vez uma motivação, um modo de vida e uma oportunidade única “ diz sorrindo Catherine Madinier, que cumprimenta muitos alunos com dois beijos.

Trabalho

Os que foram aprovados também podem comer no refeitório e até mesmo trabalhar nele. Também podem ser remunerados com dinheiro para uso interno por fazer visitas guiadas para os turistas. Podem descansar, mas ao contrário dos candidatos, não estão autorizados a dormir nas instalações: em troca, a escola oferece alojamentos baratos e os apoia para obter empréstimos.

No primeiro andar da 42 fica a segunda colmeia de computadores, conhecida como Terra Média. Outros 300 computadores, onde o ambiente de trabalho é mais profissional. “Temos um fórum onde colocamos ofertas de emprego que chegam a nós”, diz Madinier. Estágios, contratos por tarefa, por tempo indeterminado ou até para cargos de diretor e tecnologia em algumas das startups do poderoso ecossistema parisiense. O centro é muito bem relacionado graças ao apoio de Xavier Niel e ao prestígio que adquiriu desde sua criação. É comum que os alunos colaborem com escolas de design e de negócios, muitas vezes através de hackathones: maratonas de programação para concluir um projeto específico. Muitos dos trabalhos que aparecem no fórum não requerem estar fisicamente presente, por isso chegam anúncios de qualquer lugar do planeta.

Quando eles saem da escola, os alunos têm um amplo leque de opções: “Não levam mais de dois meses para encontrar um emprego. Muitos gostam de cibersegurança, também de videogames e do campo dos gráficos, que agora está tendo muito desenvolvimento com a realidade virtual”, exemplifica Madinier. “Alguns alunos vão para startups, enquanto outros preferem as grandes empresas. Alguns decidem fundar suas próprias empresas e outros vão para o GAFA [acrônimo de Google, Apple, Facebook e Amazon]” explica David Giron.

Existe um elemento em que a 42 se parece com qualquer outra escola de programação: a ausência de mulheres. Catherine Madinier é uma exceção, pois elas representam apenas 8% do corpo discente. “Há muuuuito trabalho a fazer”, admite. Giron insiste que o problema vem de antes, uma vez que o percentual é semelhante ao das mulheres que se candidatam às provas de ingresso: “É uma coisa cultural. A indústria dos videogames, com as personagens femininas que cria, tem muito a ver com isso”. A mentalidade e o espírito divertido da escola fazem dela talvez algo mais atraente, mas em um setor, o do entretenimento eletrônico, em que as mulheres também foram sempre uma minoria muitas vezes esquecida. A 42 não tem quotas de qualquer espécie e se recusa a estabelecer um percentual mínimo de mulheres.

Agora em Silicon Valley

A 42 é o sonho de Xavier Niel, que aos 49 anos é a nona fortuna da França, com cerca de 10 bilhões de dólares, segundo a Forbes. Ele contribuiu com mais de 70 milhões na fundação da 42 para comprar o prédio da escola e mantê-la nos primeiros 10 anos de vida, à razão de cerca de 7 milhões de euros por ano. Niel é um pioneiro que criou uma das primeiras empresas francesas de Internet quanto tinha 19 anos. Alguns dos alunos da escola foram trabalhar em suas empresas, entre elas a Free, a segunda maior fornecedora de serviços de rede do país, e a terceira operadora de telefonia celular. Na incubadora de startups Station F, investiu mais de 100 milhões de euros com o objetivo de continuar impulsionando a criação de empresas de tecnologia em Paris.

Em 2016 Niel decidiu levar o modelo de sua escola ao Silicon Valley, o epicentro da inovação tecnológica, com a abertura de uma sede em Fremont, na Baía de San Francisco, na qual também investiu 100 milhões para garantir sua viabilidade para a próxima década. Ele tem o apoio dos fundadores de empresas tão importantes no mundo da tecnologia como Snapchat, Periscope, Nest Labs, Slack ou a conhecida incubadora YCombinator. Lá, Niel levantou um campus de quase 20.000 metros quadrados com um edifício de dormitórios para 300 alunos, oferecidos gratuitamente aos nascidos para o código que têm menos recursos.

Com sonho de ser médico, garoto de MS vende doces para estudar

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Desejo de fazer medicina despertou após irmã falar do curso de Enfermagem (Foto: Nathália Rabelo/G1 MS)

Desejo de fazer medicina despertou após irmã falar do curso de Enfermagem (Foto: Nathália Rabelo/G1 MS)

Ele estuda no 2° ano do ensino médio e sonha cursar medicina na USP.
Bolos, bombons, tortas, ovos de Páscoa e panetones estão à venda.

Publicado no G1

João Vitor Macedo Neves, de 15 anos, é um adolescente de Campo Grande que assim como tantos outros estudantes, sonha cursar medicina. Para conquistar o objetivo, além de estudar muito, o garoto uniu a força de vontade com a paixão por confeitaria: faz doces e os vende pela internet para conseguir bancar os materiais de estudo, cursinhos online e outras ferramentas.

O objetivo de João é estudar medicina na Universidade de São Paulo (USP), faculdade mais concorrida do Brasil, segundo o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2016. E para conquistar o sonho, o ‘trabalho’ do menino é diário.

Sobre o sonho de ser médico, ele resume: “médico é uma profissão que contribui muito para a sociedade. Salvar a vida de alguém é muito prazeroso”, afirmou.

Culinária
Apaixonado por cozinhar, ele iniciou o negócio para comprar objetos pessoais, tanto que a família sempre pensou que ele cursaria gastronomia. Com a venda de chocotones, bolos, cestas, bombons, tortas e ovos de Páscoa, o menino já conseguiu comprar um notebook, contratar cursinhos virtuais, mantém os materiais e compra livros.

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

 

E como a Páscoa já está chegando, João Vitor não perdeu tempo e já se preparou para a época festiva. Ele já fez panfletos para distruibuir e recebeu várias encomendas. “Estou recebendo até o dia 31, mas já recebi bastante encomendas”.

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

 

Ele também explica que toda a confecção do doce é feita por ele na cozinha da própria casa. As pessoas olham os produtos no facebook, instagram e whatsapp, fazem o pedido e no final ele entrega para elas. Há também aqueles clientes que preferem buscar.

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

Estudante aproveita Páscoa para vender doces (Foto: João Vitor Macedo Neves/Divulgação)

 

A família também ajuda nos negócios de João Vitor. A avó, por exemplo, faz a limpeza da cozinha após a realização do produto e o pai a entregar os doces.

Estudos
Com o tempo, João percebeu que a paixão pela cozinha era mais um hobbie do que profissão e então passou a se dedicar para cursar medicina, cujo interesse surgiu após conversar com a irmã mais velha que estudava enfermagem.

De segunda a sexta-feira ele estuda na Escola Estadual Joaquim Murtinho no período da manhã. A maratona de estudos fora do colégio é sempre a partir das 13h com os cursinhos online. A rotina só termina em torno de 22h e 23h. A produção de doces fica no intervalo dos livros.

Já no final de semana, o esforço é redobrado, segundo João Vitor. Por não ter aula regular, ele dedica o tempo para estudar em casa de manhã e à tarde. No domingo ele vai à reuniões de redação com outros alunos.

Os doces podem ser pedidos na página do facebook “João Chocolate”, no Instagram como “@chocolatesjoao” e whatsapp (67) 99207-8780. O email [email protected] Os preços variam de acordo com a quantidade.

Entre conversas sobre metas e sonhos, João Vitor se orgulha do esforço que realiza para conquistar os objetivos. Servindo de incentivo para outros vestibulandos, ele finaliza dizendo que acredita em uma frase e que a leva para a vida inteira “Tudo o que o ser humano consegue, eu também consigo”.

*Nathália Rabelo, sob supervisão das jornalistas Nadyenka Castro e Juliene Katayama.

Familiares apoiaram a decisão do menino (Foto: Nathália Rabelo/G1 MS)

Familiares apoiaram a decisão do menino (Foto: Nathália Rabelo/G1 MS)

Brasil tem 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola

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Marcelle Souza, em UOL

Em todo o país, 2,8 milhões de crianças e adolescentes, ou 6,2% dos brasileiros entre 4 e 17 anos, estão fora da escola. Isso é que mostra um levantamento divulgado nesta terça-feira (19) pelo Todos pela Educação, que levou em conta dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2014.

A partir deste ano, as redes de ensino estão obrigadas a incluir alunos de 4 e 5 anos, segundo a meta 1 do PNE (Plano Nacional de Educação) e uma alteração de 2013 na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As normas regulamentaram a mudança feita na Constituição por meio da Emenda Constitucional nº 59, de 2009. Os números divulgados hoje mostram que a universalização, porém, não deve ser cumprida este ano.

“O Brasil tratou com descaso a educação durante séculos e está tentando recuperar essa dívida histórica nos últimos 25 anos, é um período muito curto”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

Para Ângela Maria Costa, professora do curso de pedagogia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o número também reflete problemas de gestão. “Os municípios não se prepararam para o cumprimento da lei. Eles tinham desde 2009 para fazer isso, mas todo mundo ignorou”, afirma.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, pais e governos podem ser responsabilizados por criança fora da escola.

Um problema apontado pela pesquisa é que a porcentagem dos alunos fora da escola é distribuída de forma desigual. O Norte, por exemplo, tem o menor índice de inclusão de crianças e adolescentes na escola: 91,9%. Na outra ponta está o Sudeste, que atende 94,9% de 4 a 17 anos.

“No Brasil, temos uma desigualdade que é profunda e persistente e as ascensões sociais são muito voláteis. Para criar uma sociedade com distribuição mais justa, é preciso garantir educação de qualidade principalmente para os mais pobres. Os Estados mais pobres têm mais problemas de acesso e qualidade na educação, então 100% das políticas educacionais precisam ter foco na desigualdade educacional”, diz a presidente do Todos.

Desafio na pré-escola

Cruz afirma que, somados aos problemas regionais, está a necessidade de diferentes estratégias para cada etapa de ensino. “Na faixa de 4 e 5 anos, é um desafio dos municípios, já que eles que são os responsáveis por essa etapa, de criar essas vagas, oferecer transporte, merenda, e está mais ligado a insumos, financiamento”.

O MEC (Ministério da Educação) disse que tem ajudado os municípios a colocar mais alunos na educação infantil. “A meta de universalização deve ser cumprida. Há uma parcela ainda de estudantes fora da pré-escola e há projetos para tornar mais acessível a ampliação de escolas e atingir a meta”, disse o secretário da Educação Básica do MEC, Manoel Palácios, em entrevista ao UOL no início deste mês.

Para a professora da UFMS, além da quantidade de alunos na escola, é preciso pensar também na qualidade da educação. “A pré-escola não pode ser escolarização precoce. A criança só pode aprender de verdade a ler e a escrever aos seis anos. Mas, sem qualificação dos professores, [os municípios] vão querer botar as crianças para escrever”, diz. “A pré-escola está preocupada com outras expressões, a artística, a corporal, a musical. Aprender a ler e escrever é consequência”.

Abandono no ensino médio

Apesar da meta garantir a inclusão dos alunos de 4 e 5, já que o ensino já era obrigatório de 6 a 17 anos até o ano passado, o grande problema são os adolescentes. De acordo com os dados, 17,4% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Nessa faixa etária, os grandes problemas são o abandono e a reprovação.

“No ensino médio o desafio é outro, porque temos um o grande problema de abandono escolar. Para esse jovem do século 21, a forma de fazer ensino médio no Brasil é anacrônica e expulsa de cara 10% dos alunos no primeiro ano”, afirma Cruz.

Os números também apontam, que apesar dos desafios, houve melhora no acesso à educação: há mais pobres, negros e pardos e moradores de zonas rurais na sala de aula. “É importante destacar e celebrar que o Brasil avançou justamente em relação às populações mais vulneráveis. A gente melhorou, está no caminho correto, agora precisa acelerar mais ainda”, afirma Cruz.

A reestruturação das escolas de São Paulo será boa para a educação?

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A reforma que fechará 93 escolas e criará 754 escolas de ciclo único levou à ocupação de 34 escolas, como forma de protestos

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Publicado em Época

A mudança demográfica fez o país perder alunos no ensino básico. A rede estadual de São Paulo tem 2 milhões de alunos a menos do que em 1998 e mais de 2 mil classes vagas. Esse panorama levou o governo do estado a anunciar a reestruturação da rede e aumentar o número de escolas de ciclo único. Cada uma dessas escolas terá somente um ciclo: ou o ensino médio, ou o ensino fundamental do 1º ao 5º ano, ou do 6º ao 9º ano. Ao todo, 93 escolas serão esvaziadas. De acordo com a Secretaria de Educação, essas unidades serão usadas para ensino integral, educação de jovens e adultos, centro de idiomas e para novos centros de ensino profissional. A reestruturação criará 754 unidades de ciclo único e atingirá 311 mil alunos no estado de São Paulo.

A mudança foi mal recebida por parte da comunidade. Alunos e famílias reclamam da separação de turmas e da mudança de prédio. Sindicatos de professores reclamam da diminuição de vagas para professores temporários. Há ainda reclamações sobre falta de diálogo com a comunidade para a tomada de decisão. Os alunos ocuparam 24 escolas do estado. O grupo Movimento Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocupou outras dez. Em audiência de conciliação ocorrida na sexta-feira, dia 19, o secretário de Educação, Herman Voorwald, se comprometeu a negociar cada um dos casos depois de todas as escolas serem desocupadas. Mas reiterou que não voltará atrás na decisão de reestruturar a rede. “É política pública e será mantida”. Abaixo, dois especialistas ouvidos por ÉPOCA opinam sobre a mudança:

Marcos Kauê, presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e estudante de curso técnico de Administração de Empresas, defende que a reestruturação das escolas de SP não será boa para a educação

ÉPOCA – Por que vocês são contra a reestruturação?
Marcos Kauê –
 O governo fez isso na hora errada e sem perguntar a opinião dos alunos. Ninguém nos procurou para saber o que queríamos. O país hoje vive uma crise. Essa não seria a hora de fazer a reestruturação. Há outras prioridades nas escolas. Não temos laboratórios para os alunos. Faltam bibliotecas.

ÉPOCA – Com o ciclo único pode ficar mais fácil fazer laboratório para ensino médio e parquinho para os alunos menores. Hoje com o ciclo misto, a direção tem de escolher entre um e outro porque não tem dinheiro para tudo. Você não acha que as chances de melhorar a infraestrutura aumentam?
Kauê –
 Isso é bobagem. Se fosse para fazer laboratório porque já não fizeram nas escolas que têm só ensino médio? Se não fizeram antes por que fariam com a reestruturação? Eles dizem que é para melhorar o ensino e a estrutura, mas tá na cara que é para economizar dinheiro.

ÉPOCA – Se for mesmo isso, é ruim o governo querer economizar nessas épocas de crise?
Kauê – 
É inaceitável que ele faça isso prejudicando a vida de estudantes dessa forma. Não aceitaremos isso. Hoje, 27% dos pais de alunos de escola privada estão inadimplentes. Essas crianças irão para onde. O governo está considerando isso?

ÉPOCA – Quais são as suas reivindicações para a desocupação do prédio?
Kauê – 
O secretário conhece a nossa reivindicação: queremos que a reestruturação seja cancelada.

ÉPOCA – Na Escola Estadual Diadema, a primeira a ser ocupada, os alunos saíram da escola pacificamente em troca do compromisso do secretário de analisar, uma a uma, a lista de reivindicações. Havia pedido de melhorias físicas na escola e manutenção de professores. Qual seria a lista de reivindicações no caso de vocês?
Kauê –
 Não temos lista alguma. Queremos o fim da reestruturação.

ÉPOCA – Então, vocês estão inflexíveis. E quanto aos alunos que não podem ter aula?
Kauê –
 Não somos inflexíveis. Nosso ponto é que não sairemos enquanto o governo não desistir. Fazemos isso por todos os alunos.

A educadora Guiomar Namo de Mello, doutora pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-doutora pela Universidade de Londres, acredita que a reestruturação será boa para a educação. 

ÉPOCA – Por que a reestruturação da rede de São Paulo é boa para a educação?
Guiomar Namo de Mello –
 A experiência mostra que escolas de ciclo único têm chances de serem mais organizadas e mais efetivas nas propostas para os alunos daquela faixa etária. Isso traz ganhos para o aprendizado. Os professores podem ter mais aulas numa mesma escola. Isso faz com que haja um envolvimento maior do professor com os alunos  e com o projeto da escola.  Com o ciclo único é possível pensar em um programa de formação continuada com foco nos conteúdos  que os professores daquela escola trabalham e num espaço próximo que facilita a frequência do professor. Além disso, é claro que todos ganham com a racionalização de recursos que a reorganização trará.

ÉPOCA – O governo de São Paulo está sendo acusado por algumas instituições de ter tomado uma posição autoritária. Qual a opinião da senhora sobre isso?
Guiomar –
 Não acho que houve autoritarismo. A secretaria de educação discutiu com as diretorias de ensino, que é a forma que eles têm de chegar até um contingente de mais de 5 mil escolas. Agora, acho que deixaram tudo isso muito solto, muito nas mãos da diretoria. Poderia ter sido mais bem discutido, sem dúvida.  É preciso entender que o mundo hoje é maior. Qualquer ação tem um desdobramento que no passado seria impossível de ocorrer com essa velocidade. Redes sociais e celulares nos colocaram numa nova etapa da democracia. Depois de junho de 2013, as coisas mudaram. E isso é muito bom. Hoje, estão todos mais participativos. Não tenho dúvidas de que a secretaria acredita que fez tudo que podia para colocar uma gestão participativa. Mas o que eles acreditam não é mais suficiente. Eles têm de mudar a forma de trabalhar e de se comunicar. Olha, outros estados fizeram grandes reestruturações, como o Rio de Janeiro, e a recepção foi muito mais pacífica.
Dito isso, acho extremamente positiva essa mobilização dos estudantes. Ninguém mais pode falar mal do ensino público sem parar para refletir. Esses jovens mostram que gostam da escola que têm. Nunca antes vimos tanta gente interessada em educação. A secretaria e quem mais estiver à frente tem uma oportunidade de ouro de usar esse interesse como  alavancar a educação em todos os aspectos. Para isso, é preciso abrir canais efetivos de comunicação com a comunidade.

ÉPOCA – Dada essa situação de agora, o que deve acontecer para fazer da reestruturação algo realmente positivo para a educação?
Guiomar –
 Agora, o governo precisa conversar com os representantes dos alunos, ouvir  suas preocupações e esclarecer  pontos que eles ainda  não tenham entendido.  E precisa tomar cuidado porque tem muita questão partidária envolvida. Não são os professores que eles têm de ouvir nem outros movimentos políticos. São os estudantes que devem falar. Resolvida essa questão, é importante o governo mostrar sua proposta pedagógica para as escolas de ciclo único,  para todos entenderem que não é a reestruturação pela reestruturação. Acho importante ser direto e efetivo. Algo como, o professor terá X tempo livre para formação, haverá espaço para cursos em tais bairros. Olha, não sou da secretaria, mas sei que eles já fizeram muita coisa boa que a população não faz ideia. O governo de São Paulo tem um currículo pedagógico melhor do que o que está proposto no PNE ( Plano Nacional de Educação) e ninguém sabe disso. Seria algo divulgar e sentir orgulho. O governo precisa melhorar a forma como se comunicar de forma geral.

 

Em 2022, Brasil será um país de alfabetizados – e nada mais

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Novo estudo do movimento Todos pela Educação comprova gargalo nos ensinos fundamental e médio, o que prejudica a capacidade de compreensão e raciocínio dos jovens que saem da escola

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Publicado em Veja

Um novo mapeamento da educação no Brasil comprova que uma porcentagem ínfima de jovens conclui os estudos do ensino básico com os conhecimentos adequados em língua portuguesa e matemática. Tomando como base dados de 2013 divulgados pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) no ano passado, o movimento civil e apartidário Todos Pela Educação, que traçou metas para a melhoria do ensino no país até 2022, aponta que somente 9,3% dos estudantes brasileiros se formaram no Ensino Médio com aprendizado adequado em matemática no período focado pelo estudo. O índice é superior para língua portuguesa (27,2%), mas não deixa de ser preocupante. Em 2011, por exemplo, os números eram de 10,3% e 29,2%, respectivamente. Se mantida esta tendência, o país continuará a ter no futuro jovens com níveis de compreensão e raciocínio lógico irrisórios para o ingresso numa boa universidade ou para o exercício pleno de uma profissão.

Embora 93,6% da população de 4 a 17 anos de idade estejam matriculados na educação básica – o índice fica um pouco abaixo da meta intermediária de 95,4% proposta pelo movimento -, os péssimos números registrados nos anos finais dos ensinos Fundamental (seis a 14 anos) e Médio (15 a 17 anos) refletem erros cometidos ao longo de todo processo de aprendizado. Menos de um terço das crianças de 8 anos que chegam ao 3º ano escolar são capazes de desenvolver uma redação em termos satisfatórios. A proficiência nacional em leitura nesta faixa etária encontra-se em 44,5%. A proficiência em matemática, em 33,3%.

Sem fôlego, o sistema de ensino deixa de atrair os jovens em fase final de formação, sobretudo os com baixa renda familiar. A consequência é uma alta taxa de evasão nacional. Cerca de 8,1% dos alunos desistiram do Ensino Médio em todo o país no período focado pelo estudo.

Com isso, mais de 1,6 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora das escolas. Entre os matriculados no primeiro, segundo e terceiro anos do Ensino Médio, o atraso de dois anos ou mais atinge 33,1%, 27,8% e 25,4% dos alunos, respectivamente. Os números, apesar de terem diminuído se comparados com os dos anos anteriores, apresentam uma triste projeção para o país. O movimento Todos Pela Educação prevê que, em 2022, apenas 76,9% concluirão o Ensino Fundamental e 65,1% se formarão no Ensino Médio com até um ano de atraso. O prognóstico fica longe das metas traçadas pelo movimento para daqui sete anos: 95% dos jovens de 16 anos com Ensino Fundamental e 90% dos que fizeram 19 anos com Ensino Médio.

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