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Editores comentam as principais apostas da literatura policial para 2014

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Entre os autores com lançamento previsto estão Raymond Chandler, J.K. Rowling e Patrícia Melo

Publicado no MSN

Leitores de obras policiais, dos mais variados subgêneros, podem esperar uma série de bons lançamentos para 2014. Enquanto editoras como a Globo e L&PM se ocupam em reeditar livros de Agatha Christie – pelas contas delas serão 38 volumes no ano -, e a Alfaguara começa a trabalhar a obra de Raymond Chandler, que chega ao catálogo com seis romances e um livro de contos, outras apostam em novos nomes, seguem a moda de publicar os nórdicos e vão tentando agradar os fãs das histórias de detetives, de mistério, suspense, tribunal, etc.

A Rocco, uma das editoras de destaque no gênero, faz suas apostas. Em março, ela lança A Loura de Olhos Negros, o primeiro de dois livros que Benjamin Black, pseudônimo de John Banville, escreveu a convite do espólio de Raymond Chandler. O protagonista das duas histórias é o detetive Philip Marlowe, personagem clássico de Chandler.

Também a convite de herdeiros, a britânica Sophie Hannah, de 42 anos, está trabalhando em mais uma aventura de Hercule Poirot, detetive de Agatha Christie. Enquanto isso, a editora prepara três livros: Hurting Distance, Kind of Cruel e Lasting Dammage.

“Há uma grande expectativa em torno de Tana French, de quem acabamos de lançar O Passado é um Lugar. Patrícia Melo surge, pela primeira vez, com uma protagonista feminina, uma patologista, e uma obra que pode consolidá-la ainda mais em mercados como a Alemanha. Há o novo John Grisham, claro, e alguns estreantes com voz surpreendente”, adianta a diretora editorial Vivian Wyler.

No catálogo nacional, destaque também para Flávio Carneiro, que acaba de lançar O Livro Roubado, em que resgata a dupla André e Gordo, de O Campeonato, seu primeiro romance policial, e mistura suspense, mistério, violência e romance. A história se passa no Rio de Janeiro e investiga o roubo de uma edição rara de Histoires Extraordinaires, uma tradução feita por Charles Baudelaire dos contos de Edgard Alan Poe, que integrava a coleção de um bibliófilo. Em 2014, ele relança Da Matriz ao Beco e Depois, sua primeira obra que completa 20 anos.

A Rocco promete, ainda, um segundo livro de Robert Galbraith, pseudônomo de J. K. Rowling – de quem a editora publicou, em novembro, O Chamado do Cuco. A primeira tiragem foi de 125 mil exemplares e uma nova leva já está saindo do forno.

Nem todos os livros são lançados com tanta confiança, mas de acordo com Ana Paula Costa, editora-executiva de ficção estrangeira da Record, o gênero vende. “Os títulos não são sempre best-sellers, mas há muitos leitores fiéis, viabilizando a contínua publiação de literatura policial”, comenta. Para ela, thrillers jurídicos e médicos têm bom desempenho entre os leitores brasileiros.

Em 2013, a Record lançou 18 títulos policiais e o principal deles foi Boneco de Neve, de Jo Nesbo. Lançado em outubro, já foi reimpresso e, segundo a editora, vendeu cerca de 10 mil exemplares. Dele, ela lança, em 2014, O Leopardo. De Scott Turow, publica Idênticos. Aposta, também, no romance de estreia do dinamarquês Jussi Adler-Olsen, A Mulher Enjaulada, e na espanhola Dolores Redondo, de quem publica O Guardião Invisível.

Há ainda na programação um novo livro de Alberto Mussa, único brasileiro citado no artigo de Flávio Carneiro que terá, por ora, uma obra lançada em 2014. Mas apesar de ter um assassinato e sua elucidação como elementos-chave, o editor Carlos Andreazza, também da Record, diz que não classificaria A Primeira História do Mundo como policial.

A Tordesilhas também tem investido no gênero. “Em 2014 vamos publicar o segundo livro de dois autores que lançamos no Brasil: Os Bons suicidas, do espanhol Toni Hill, e O Sono e a Morte, da dupla dinamarquesa que assina como A.J. Kazinski. Também vamos lançar um livro que ganhou diversos prêmios na França e que tem tido uma história brilhante: O Último Lapão, de Olivier Truc”, conta a editora-executiva Ibraíma Dafonte Tavares.

O carioca Raphael Montes publica seu segundo romance em maio pela Companhia das Letras, mas Dias Perfeitos não sairá pela coleção de romances policiais da editora. O advogado de 23 anos foi revelado por Suicidas, seu romance finalista do Prêmio Benvirá que vendeu, desde o lançamento, em 2012, 5 mil exemplares – um número e tanto para um autor estreante.

O novo livro é um suspense de amor obsessivo sob a visão do psicopata, explica o autor. “Conta a história de Téo, um estudante de medicina, solitário e depressivo, que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e dissecar cadáveres nas aulas de anatomia – o momento em que mais se sente feliz. Certo dia, Téo conhece Clarice, uma jovem roteirista de cinema, e se apaixona. Levado a extremos, ele decide obrigar Clarice a gostar dele”, completa. O autor já outros dois romances policiais em andamento. “Um deles é o primeiro de uma série que pretendo escrever com um personagem fixo, um padre. O outro é segredo, por enquanto.”

A Companhia das Letras publicará, ainda, um novo volume de Tony Bellotto, ainda sem título definino, com o detetive Bellini como protagonista.

Já a Arqueiro lança em janeiro o sexto livro da série Clube das Mulheres Contra o Crime, do best-seller americano James Patterson. A Suma de Letras publica dois títulos de Michael Connelly: A Queda e Caixa Preta. Dois e-books com histórias curtas dele sairão pelo selo digital Foglio.

Clássicos
A partir de outubro, o americano Raymond Chandler (1888-1959) terá alguns de seus principais romances no catálogo da Alfaguara, a começar por The Lady in the Lake (1943) e The Long Goodbye (1953), que já foram publicados pela L&PM. Lançará, ainda The Big Sleep (1939), Farewell, My Lovely (1940), The High Window (1942) e The Little Sister (1949). O 7.º título é uma coletânea de 13 contos.

Numa tentativa de resgatar a Coleção Amarela, responsável pela divulgação de livros de suspense no País, a Globo publica, em maio, oito volumes de Agatha Christie – três são reedições (E Não Sobrou Nenhum, O Assassinato de Roger Ackroyd e Os Cinco Porquinhos). Os novos no catálogo da editora são O Misterioso Caso em Styles, Os Relógios, O Adversário Secreto, Três Ratos Cegos e Assassinato num Campo de Golfe.

Já a L&PM prepara nada menos do que 30 títulos da Dama do Crime. No formato tradicional, sairão Agatha Christie: Mistérios dos Anos 50 e Agatha Christie: Mistérios dos anos 60. Entre as edições de bolso, estarão Mistério no Caribe, que completa 50 anos em outubro, Cipreste Triste, Assassinato no Expresso Oriente, A Mansão Hollow e É Fácil Matar.

CEO da Amazon promove clube de leitura para inspirar líderes

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Jeff Bezos contou em entrevista à CNBC que usou a estratégia para estimular seu time de executivos e discutir sobre os negócios neste verão

Jeff Bezos: "Foram ótimas conversas deram a todos nós a chance de conhecer uns aos outros melhor", diz sobre clube de leitura / Mario Tama / Getty Images

Jeff Bezos: “Foram ótimas conversas deram a todos nós a chance de conhecer uns aos outros melhor”, diz sobre clube de leitura / Mario Tama / Getty Images

Luísa Melo, na Exame

São Paulo – Uma das estratégias de Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, para inspirar o seu time de executivos é organizar um clube de leitura. Ele revelou a atividade durante uma entrevista à CNBC, nesta quarta-feira, para falar da nova linha de Kindles lançada pela compahia.

No meio da conversa, o repórter Jon Fortt pergunta a Bezos o que ele faz para impulsionar, motivar ou questionar o seu time de liderança quando está junto dele no Lab 126, local onde são desenhados os projetos de hardware da companhia, no Vale do Silício. Bezos então conta: “o que eu fiz neste verão, é que nós tivemos três clubes de leitura. O nosso time de líderes se encontrou e tivemos durante três dias inteiros esses clubes de leitura e bons jantares”.

“Uma das coisas que nós fizemos foi ler esses livros de negócios juntos e falar sobre estrátegia, visão e o contexto. Esses livros realmente viraram ferramentas de trabalho que nós usamos para falar de negócios. Foram ótimas conversas deram a todos nós a chance de conhecer uns aos outros melhor”, avaliou.

Durante a entrevista, o presidente da Amazon não disse quais foram os três livros lidos pelo time de executivos, mas Jon Fort divulgou os títulos em uma postagem em seu perfil no LinkedIn.

São eles: “The Effective Executive”, de Peter Drucker, “The Innovator’s Solution”, do autor Clayton Christensen e “The Goal”, de Eliyahu Goldratt.

Veja o vídeo da entrevista:

dica do Chicco Sal

Universitária em cadeira de rodas perde aula por falta de acesso

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Estudante de Arquitetura da Unifor, em Fortaleza, fica impedida de chegar à sala porque rampa do prédio é íngreme demais
Relato de aluna no Facebook ganha apoio de milhares de internautas

William Helal Filho em O Globo

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

RIO – A estudante Lorena Melo Martins, de 22 anos, faz faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Fortaleza (Unifor), mas está enfrentando dificuldades para frequentar o curso devido aos problemas de acessibilidade do prédio, na capital do Ceará. Ela passou por uma operação no joelho e, obrigada a usar uma cadeira de rodas, não consegue chegar à sala de aula porque a rampa até o segundo andar é íngreme demais. Depois de perder várias aulas, a aluna fez um relato sobre seu drama no Facebook. O post já tem mais de 6,2 mil compartilhamentos e 170 comentários.

“Todos os dias venho pra aula e não consigo chegar nas salas de aulas por causa da péssima acessibilidade da universidade”, conta ela, antes de descrever com detalhes os diversos apelos feitos à Unifor e os constragimentos que sofreu. “Já me humilhei, chorei e perturbei as pessoas aqui na universidade por uma coisa que é minha de DIREITO! Não só minha, mas de TODOS!”.

De acordo com seu texto na rede social, Lorena pediu à coordenadoria do curso para passar sua turma a uma sala no térreo. Mas, em vez disso, a direção deixou à disposição três pessoas para ajudá-la a subir a rampa todos os dias. No começo, deu certo, ainda que de mal jeito, mas, nesta segunda-feira (12), a aluna chegou ao local no horário certo e não havia ninguém para ajudar. Depois de um telefonema, veio um funcionário.

“O segurança demorou 20 minutos pra chegar. Mesmo assim, ele não conseguiu me levar, pois tenho 1,80m e sou gorda. Impossível subir a rampa do bloco C”, critica a estudante, que perdeu a aula nesse dia. “Já é a terceira semana de aula que começo perdendo”.

O direito de ir e vir é de todo brasileiro, previsto no Artigo 5 da Constituição Federal. A Lei de Acessibilidade, criada em 2004, exige que toda construção de uso coletivo ofereça facilidades a cadeirantes. De acordo com o arquiteto Arthur Fortaleza, da Unifor, a faculdade tem cerca de 20 blocos. Nove deles foram construídos em 1972. Nestes, as rampas de ligação com os andares superiores são mais íngremes do que as demais. Os alunos sentem a diferença mesmo caminhando. Para pessoas em cadeira de rodas, ele reconhece, é bem complicado.

– Até o momento, todos os problemas que aconteceram por causa das rampas haviam sido contornados, com mudanças de salas. Mas isso não foi possível neste caso. Estamos para apresentar à diretoria um plano que prevê melhorias na acessibilidade do campus – diz Artur.

Já a estudante termina seu relato com um desabafo.

“Enfim, a Unifor é uma das maiores universidades particulares do Nordeste, é um local de uso coletivo, ou seja, tem OBRIGAÇÃO de ser acessível. Amigos arquitetos e estudantes da Unifor, gostaria de pedir a ajuda de vocês para, juntos, termos uma universidade acessível para todos. Isso é NOSSO direito!”

Alunos de SP produzem curtas para debater sexualidade nas escolas

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Cena do filme "E agora?" feito por estudantes de escola pública de SP (Reprodução)

Cena do filme “E agora?” feito por estudantes de escola pública de SP (Reprodução)

Marcelle Souza, no UOL

Vinte estudantes da rede pública de ensino paulista apresentaram nesta segunda-feira (24), em São Paulo, cinco curtas-metragens sobre sexualidade que podem ser utilizados em escolas para discutir o tema.

Os vídeos foram produzidos durante três semanas e fazem parte do projeto “Dar voz aos jovens”, desenvolvido pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em parceria com a Fundação Carlos Chagas.

Os curtas têm aproximadamente dez minutos e tratam de gravidez na adolescência, assédio sexual, diversidade sexual, relações amorosas e a primeira vez.

Para falar de gravidez na adolescência, o grupo de Ilana Julia de Sousa Oliveira, 16, partiu de histórias da própria comunidade em que moram para mostrar o tema a partir de uma visão diferente. “A gente sempre vê as pessoas falarem das meninas, então decidimos mostrar que também é um momento difícil para os meninos”, afirma.

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Assista aos vídeos aqui.

Os jovens participaram de oficinas de audiovisual e foram orientados por especialistas na área. Os roteiros, escritos pelos próprios adolescentes, são produto de histórias que eles já conheciam e dos debates sobre sexualidade com o grupo.

“A atriz principal do nosso curta é prima de uma das meninas do grupo. A mulher que alicia o menino no início do vídeo é a minha mãe e a casa é da minha tia”, conta Victor Hugo Costa de Melo, 18, que faz parte do grupo que produziu o vídeo “Violência e poder” e trata de abuso sexual no trabalho.

Para ele, a linguagem dos curtas pode ajudar a aproximar dos adolescentes o debate sobre sexualidade. “Normalmente, os vídeos sobre o assunto são institucionais, mais chatos. Acho que um curta feito por jovens e para jovens tem mais chances de chamar a atenção para o assunto”, diz.

Os vinte participantes foram selecionados em um concurso de narrativas direcionado a jovens de 14 a 19 anos. Eles deveriam retratar a sua percepção sobre a sexualidade. Uma comissão formada por profissionais das áreas da saúde, educação e ciências humanas escolheu os melhores textos.

Os vídeos serão apresentados ao público nesta segunda a partir das 14h no Polo Cultural Heliópolis, em São Paulo. O objetivo é que eles sirvam como ferramenta de debate sobre o tema nas escolas.

Como falar sobre sexo com seu filho

1ª turma do método Paulo Freire se emociona ao lembrar das aulas

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Método Paulo Freire de alfabetização completa 50 anos neste mês.
Primeira turma teve 380 alunos de Angicos, dos quais 300 se formaram.

Paulo Souza, aluno da primeira turma do método Paulo Freire, se emociona ao lembrar das aulas (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Paulo Souza, aluno da primeira turma do método Paulo Freire, se emociona ao lembrar das aulas
(Foto: Fernanda Zauli/G1)

Fernanda Zauli, no G1

Paulo Alves de Souza, 70 anos, Maria Eneide de Araujo Melo, 56, e Idália Marrocos da Silva, 83. Três personagens de uma história que teve como cenário a pequena cidade de Angicos, localizada na região central do Rio Grande do Norte, a 170 km de Natal, e que completa 50 anos neste mês de abril. Os três fizeram parte da experiência de alfabetização de adultos, conhecida como as 40 Horas de Angicos, na qual foram alfabetizados cerca de 300 angicanos, em 1963, sob a supervisão do educador Paulo Freire.

Éder Jofre é professor doutor no método Paulo Freire (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Éder Jofre é professor doutor no método Paulo
Freire (Foto: Fernanda Zauli/G1)

A experiência, inédita no Brasil, tinha uma meta ousada: alfabetizar adultos em 40 horas. Mas não era só isso. De acordo com o professor doutor Éder Jofre, Paulo Freire pretendia despertar o ser político que deve ser sujeito de direito. “A palavra ‘tijolo’ fez parte do universo vocabular trabalhado em Angicos. Era uma palavra que fazia parte do cotidiano dessas pessoas. Mas não era só ensinar a escrever tijolo, tinha também a questão social e política. Era questionado: você trabalha na construção de casas, mas você tem uma casa própria? Por que não tem? Levava o cidadão a pensar nessas questões”, explica Éder Jofre, que é doutor no método Paulo Freire.

Paulo Souza lembra que naquela época, quando tinha 20 anos, já não tinha esperanças de aprender a ler, até que chegou na cidade a notícia do curso de alfabetização de adultos. “Eu não pensei duas vezes. Fui na hora.” Ele conta que trabalhava o dia todo e seguia para as aulas que aconteciam em uma casa no centro da cidade. “Naquela época aqui era só mato. Depois do trabalho a gente seguia para a aula com o caderninho debaixo do braço. Aquilo mudou a minha vida, porque quando a gente não sabe ler a gente não participa de nada, a gente não é ninguém”, diz, emocionado.

Maria Eneide se tornou professora após passar pelo curso de alfabetização (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Maria Eneide se tornou professora após passar pelo curso de alfabetização (Foto: Fernanda Zauli/G1)

A partir dali eu tive certeza que seria professora”
Maria Eneide

Maria Eneide também participou das aulas de alfabetização. Com 6 anos de idade, ela não era o público alvo do curso, mas acompanhava os pais porque não tinha com quem ficar em casa. “Meu pai e minha mãe estavam no curso, então eu ia com eles. Eu aprendi a ler no colo do meu pai e quando ele não podia ir eu acompanhava minha mãe e depois ensinava meu pai”, lembra. A experiência foi determinante na vida de Eneide. “A partir dali eu tive certeza de que seria professora e hoje dou aula para alunos da educação infantil”, diz.

Aos 83 anos de idade, Idália Marrocos da Silva diz que se lembra ‘como se fosse hoje’ das aulas. “Nós íamos para uma casa e tínhamos aula na sala. Naquela época essas aulas aconteciam em todo lugar: na igreja, na delegacia, nas casas das pessoas. Muita gente aprendeu a ler com essas aulas”, lembra. De sorriso fácil e boa memória. Dona Idália lembra que muita gente tinha medo de ir às aulas porque na época diziam que Paulo Freire era comunista e que os alunos do curso seriam perseguidos. “Muita gente tinha medo. Minha mãe não queria que eu fosse, mas essas aulas mobilizaram a cidade inteira. Foi quase uma revolução e eu queria fazer parte”, conta, na cadeira de balanço, em uma casa simples onde mora sozinha.

Idália diz que lembra das aulas 'como se fosse hoje' (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Idália diz que lembra das aulas ‘como se fosse hoje’ (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Entenda o método Paulo Freire

Paulo Freire desenvolveu um método de alfabetização baseado nas experiências de vida das pessoas. Em vez de buscar a alfabetização por meio de cartilhas e ensinar, por exemplo, “o boi baba” e “vovó viu a uva”, ele trabalhava as chamadas “palavras geradoras” a partir da realidade do cidadão. Por exemplo, um trabalhador de fábrica podia aprender “tijolo”, “cimento”, um agricultor aprenderia “cana”, “enxada”, “terra”, “colheita” etc. A partir da decodificação fonética dessas palavras, ia se construindo novas palavras e ampliando o repertório.

O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos mediante a discussão de suas experiências de vida entre si, através de palavras presentes na realidade dos alunos, que são decodificadas para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo.

“A concepção freiriana procura explicitar que não há conhecimento pronto e acabado. Ele está sempre em construção”, explica Sonia Couto Souza Feitosa, coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire (CRPF), entidade mantida pelo Instituto Paulo Freire. “Aprendemos ao longo da vida e a partir das experiências anteriores, o que faz cair por terra a tese de que alguém está totalmente pronto para ensinar e alguém está “totalmente” pronto para receber esse conhecimento, como uma transferência bancária. Esse caráter político, libertador, conscientizador é o diferencial da metodologia de Paulo Freire dos demais métodos de alfabetização.”

1O método Paulo Freire foi desenvolvido no início dos anos 1960 no Nordeste, onde havia um grande número de trabalhadores rurais analfabetos e sem acesso à escola, formando um grande contingente de excluídos da participação social. Com o golpe militar de 1964, Paulo Freire foi preso e exilado, e seu trabalho interrompido.

“Já naquela época Paulo Freire defendia um conceito de alfabetização para além da decodificação dos códigos linguísticos, ou seja, não basta apenas saber ler e escrever, mas fazer uso social e político desse conhecimento na vida cotidiana”, explica Sonia, que é licenciada em Letras e Pedagogia, com mestrado e doutorado pela Faculdade de Educação da USP.

Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Apesar de aplicado entre jovens e adultos, o método também pode ajudar na alfabetização e letramento de crianças.

O método Paulo Freire é dividido em três etapas. Na etapa de Investigação, aluno e professor buscam, no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e temas centrais de sua biografia. Na segunda etapa, a de tematização, eles codificam e decodificam esses temas, buscando o seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido. E no final, a etapa de problematização, aluno e professor buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica do mundo, partindo para a transformação do contexto vivido.

Nascido no Recife, Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Ele morreu em maio de 1997, e no ano passado foi declarado patrono da educação brasileira. “O legado que ele nos deixa, entre tantas contribuições, é de esperança”, destaca a coordenadora. “Um legado de entender a educação como espaço de transformação social, que nos ajuda não só a ler a história, mas sermos também escritores da história.”

dica do João Marcos

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