Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged memórias

Tragédias pontuam história de amor dos pais de Adriana Falcão, agora narrada em livro

0

Homenageada da Fliporto deste ano, a roteirista e escritora resgata desde o primeiro encontro entre Caio e Maria Augusta, em 1947, até o enterro da mãe, no começo da década de 1990

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Fellipe Torres, no Diário de Pernambuco

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Ao caminhar na orla da praia de Boa Viagem, de tempos em tempos, a carioca Adriana Falcão, 54, sente-se mais perto dos pais, cujos restos mortais estão enterrados no Cemitério de Santo Amaro. Na memória, os anos vividos no Recife desde 1971, quando o patriarca da família veio instalar uma fábrica de papelão na cidade, até 1991, quando a mãe morreu depois de abusar de remédios, vodca e uísque. Treze anos antes, o pai havia se suicidado ao tomar 400 comprimidos para dormir, mesmo período em que a mulher ameaçava atear fogo no próprio corpo com um isqueiro e uma garrafa de álcool, que explodiu em sua mão. Era a culminância de uma vida atribulada. Ela, Maria Augusta, uma provável bipolar. Ele, Caio, depressivo.

Acompanhada de perto por tragédias, a história de amor entre os dois estaria esquecida se não fosse resgatada pela filha no livro Queria ver você feliz (Intrínseca, 160 páginas, R$ 29,90). Resgatar a vida em comum dos pais foi como uma terapia (“além da que já faço semanalmente e os antidepressivos que tomo”). Há cinco anos, a roteirista de A grande família acreditava levar uma vida perfeita junto ao marido, o cineasta João Falcão, e as filhas. Mas uma separação repentina gerou uma crise pessoal. “Era como se eu, aos 49 anos, visse acabar a vida que eu tinha e amava ter com essa família. Tive que me reinventar, repensar tudo”.

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Parte dessa reinvenção terapêutica está em uma noite em claro, no Rio de Janeiro, acompanhada pelas duas irmãs e regada a “risadas, choros e Rivotril”. Juntas, elas abriram o baú onde ficam guardadas as correspondências dos pais, muitas delas reproduzidas no livro. Foi o ponto de partida para tornar pública a intimidade do casal. “Apesar de tanta tristeza, tanto conflito, eles foram tão fortes, tão lindos, tão difíceis… Claro, muita coisa ali é como um soco no estômago, mas é tão a realidade… Uma realidade que às vezes é cruel, mas às vezes é tão linda, engraçada, e cruel de novo”.

Para se distanciar e evitar sentimentalismos, Adriana deu voz ao amor e o colocou como narrador da história do casal. Um amor arrogante, ácido, irônico. Essa entidade é responsável por esmiuçar a combinação entre personalidade exuberante de Maria Augusta e a melancolia de Caio. A obra dá conta desde o primeiro encontro entre os dois, em 1947, até o enterro da mãe, no começo da década de 1990. Ao ler o livro em primeira mão, o genro Gregório Duvivier disse nunca ter entendido tão bem a mulher, Clarice Falcão. Juntos, eles gravaram e postaram vídeo no YouTube cantando Learnin’ the blues, música favorita de Caio e Maria Augusta. “A gente termina tendo orgulho dessa ancestralidade maluca, que suplanta todo o resto”.

ENTREVISTA >>> ADRIANA FALCÃO

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Você escolheu o amor para ser narrador desse livro, que promete uma história bonita e oferece uma sequência de socos no estômago. O amor é mesmo tão cruel?
O narrador é um amor arrogante, não é? Acho que estou fazendo um desserviço à humanidade (risos). O mais incrível é que toda essa historia é verdadeira, com exceção de algumas coisas de quando eu não era nascida. São detalhes, como a data do noivado deles, que eu não sabia. Mas todas as cartas trocadas entre eles estavam dentro de um baú. A história de um tempo para cá todo mundo sabia, até porque a gente viveu isso tudo. Eu e minhas irmãs, que ainda moram no Recife.

Foi doloroso trazer à tona essa vida marcada por tragédias?
Obviamente foi muito duro. A gente sempre teve sensação de tanta gratidão por ter esses pais. Apesar de tanta tristeza, tanto conflito, eles foram tão fortes, tão lindos, tão difíceis também. A gente herdou da minha mãe o senso de humor. Lembro que no dia do velório dela, uma das minhas irmãs disse que Deus não iria aguentar minha mãe no céu e iria mandar ela de volta. E aí a outra respondeu que ela é que não iria aguentar viver lá no céu sem controlar a vida da gente e iria voltar. Mais tarde eu transformei isso em ficção, no livro A comédia dos anjos, em que uma mãe manipuladora morre e volta à vida.

Como foi a abertura desse baú e o contato com as cartas?
Quando mamãe morreu, fiquei muito mal. Fomos dividir as coisas, e eu não queria nada, estava muito agoniada. Quando achamos o baú, eu disse que queria, e tenho ele até hoje. Vez ou outra eu abria e mostrava a minha filha algumas coisas engraçadas (óbvio que não mostrei a carta de suicídio do meu pai). Mas sempre foi algo que me deu um pouco de medo. Há três anos, minhas irmãs estavam comigo aqui, no Rio de Janeiro. Com elas, me sentia mais segura. E aí passamos a noite em claro lendo, rindo, chorando, tomando Rivotril. Foi quando elas me disseram que eu precisava fazer um livro, pois tinha uma história muito rica.

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Houve medo de se expor demais?
Passei por todas as crises. Pensei se não seria expor demais, se deveria ou não tornar essa história pública, até chegar à conclusão que, se eu e minhas irmãs, que somos herdeiras dessa história, concordávamos em dividir com os outros… Por que não? Também tinha a sensação de que meu pai e minha mãe opinariam a favor. Claro, muita coisa ali é como um soco no estômago, mas é tão a realidade… Uma realidade que às vezes é cruel, mas às vezes é tão linda, engraçada, e cruel de novo… mas é a realidade.
Teve um momento que fiquei na dúvida se incluía a carta de suicídio de meu pai, que é bem carinhosa, bem pratica, mas eu tinha um pouco de medo de expor isso. Mas conversei com minhas irmãs e elas me deram força. Por toda a minha vida cansei de dizer que meu pai se matou e ouvir alguém responder: “ah, coitado! Está queimando no inferno.” Essas coisas de quem não compreende o tamanho da dor de alguém que se mata. Nunca discuti, porque sou uma pessoa conciliadora, muito pacificadora, mas me incomodava muito quem não via o lado dele. Quando ele cometeu suicídio, tinha duas filhas grávidas, eu e minha irmã mais velha. Pra muita agente era uma coisa louca. Como um pai se mata e deixa a família assim? Mas só quem viveu a dor dele pode entender. Tenho certeza que pela posição política, social e emocional dos meus pais, eles gostariam que eu contasse essa história.

Como tocou a vida após a morte de sua mãe e deixar o Recife?
Depois de toda essa tragédia, logo depois vim morar no Rio de Janeiro com João e as meninas. Durante muito tempo escrevi A grande família, livros infantis, vivi uma fase muito bem, com a família feliz, com tudo indo bem no trabalho, tudo direitinho. Mas em 2009 a gente se separou. Eu não queria. Tinha uma paixão imensa, parecida com a que minha mãe tinha pelo meu pai. Foi difícil. Hoje em dia a gente é super amigo, e eu entendo perfeitamente o direito de escolha dele, aos 50 anos, de querer viver, experimentar outras coisas.
Absolutamente compreendi. Mas dentro de mim causou uma coisa muito forte, porque era como se eu, aos 49 anos, visse acabar a vida que eu tinha e amava ter com essa família. Foi uma crise pessoal. Me colocou em uma posição que tive que me reinventar, repensar tudo. E fui muito feliz em manter a união da família, nas conquistas profissionais. Fez parte desse esforço esse mergulho no meu passado, como uma espécie de terapia. Não basta a terapia que faço semanalmente e os antidepressivos que tomo. Tive que dar um mergulho lá dentro, reinventar Adriana.

As vidas da sua avó, de seu pai e de sua mãe foram marcadas por tragédias. Em algum momento houve receio de uma “herança maldita”?
Todas nós temos, eu, minhas irmãs, todos os nossos filhos adultos. Nós somos muito sensíveis, já tivemos crise de pânico, fizemos terapia, tanto nos três quanto nossas filhas. Mas com o tempo esse medo foi se transformando numa coisa maluca, em um orgulho de a gente ser assim. É engraçado… Quando o Gregório (Duvivier, marido de Clarice Falcão, filha de Adriana) leu, disse assim: “Meu Deus, entendi a Clarice como nunca”. (risos) Também teve o namorado da Isabel, o músico pernambucano Mateus Torreão, que falou algo sobre uma “ancestralidade maluca”. Achei bonitinho. A partir dessa ancestralidade maluca, a gente pega o que tem de melhor, o senso de humor, o talentos para as coisas. Herdamos muito da felicidade da minha mãe, que deveria ter sido escritora, para botar a agonia para fora de alguma maneira. Ela teve uma vida muito careta para a personalidade dela. Foi funcionária pública e se aposentou cedo para se mudar para o Recife. Viveu como dona de casa e não se aguentava desse jeito. Mas sinto que há uma herança bendita que engole a herança maldita. Minhas três filhas escrevem. A Clarice escreve, compõe, canta… É óbvio que todas as noites eu rezo pelo bem-estar emocional de todo mundo. Não é fácil. Às vezes uma das minhas meninas tem crise de pânico.

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Foto: Editora Intrínseca/divulgação

Como a família tem reagido ao livro?
Clarice e Gregório gravaram um vídeo cantando a música que meus pais gostavam. É como eu disse, a gente termina tendo orgulho dessa coisa… dessa ancestralidade maluca. Acho que isso suplanta o resto. Quando o livro foi lançado no Rio de Janeiro, estava lá a irmã do meu pai, com 83 anos, a família da minha mãe, todo mundo muito feliz de reencontrar com essas duas pessoas que eles amavam tanto. Com o livro, puderam entender melhor, ter acesso à vida deles. Hoje eu acordei com o telefonema de um primo meu, aos prantos. Ele era muito ligado à minha mãe. Ele disse: “o livro é lindo, estou aqui pensando nela”. É quanto eu me toco que realmente o livro tem esse lado punk.

E suas filhas?
Cada uma reage de um jeito. As meninas foram as primeiras a ler. Tatiana, a mais velha, disse: “Mãe, você conseguiu uma coisa inacreditável. Mas o final é assim mesmo? A gente vai ficar desacreditando de tudo mesmo?” Eu disse que não, que tudo tem suas dificuldades. Ela conviveu muito com a avó, então o que ela acha inacreditável é como a alma de mamãe ficou ali. Clarice tem uma relação mais próxima do humor. Fica lendo trechos das cartas de amor, em que minha mãe dizia: “Querido Caio, o ‘querido’ vou tirar porque na carta anterior você me tratou como quem vai me vender uma empresa ou um terreno em Jacarepaguá” (risos). Clarice fica morrendo de rir com essas passagens.
Já Isabel, que estuda letras, vai mais pela literatura. Comenta que foi um grande acerto tirar de mim a narrativa e colocar nesse amor que tem personalidade tão forte. Porque, caso contrário, poderia resvalar em um sentimentalismo no meu coração. Ao tentar colocar daquela forma, com um narrador tão ácido, tão crítico, coloco as coisas de uma maneira mais realista.

Autora do livro que inspirou ‘Orange is the new black’ diz que terceiro ano da série vai explorar a fé

0

Piper Kerman se diz ansiosa para ler as memórias da ex-namorada

Jason Biggs, Piper Kerman e Danielle Brooks posam durante visita a São Paulo, em 2013 - Terceiro / Alex Azevedo/ Fabio Pugliesi/DIVULGAÇÃO

Jason Biggs, Piper Kerman e Danielle Brooks posam durante visita a São Paulo, em 2013 – Terceiro / Alex Azevedo/ Fabio Pugliesi/DIVULGAÇÃO

Publicado em O Globo

LOWELL, Massachusetts — A mulher cujas memórias dos tempos de prisão deram origem à série “Orange is the new black”, da Netflix, dividiu suas apostas para o terceiro ano da série. Consultora da trama, Piper Kerman disse que “muitas histórias incríveis e reviravoltas”.

Segundo a inspiradora da personagem Piper Chapman, de Taylor Schilling, a próxima leva de episódios contará as histórias por trás de alguns personagens, além de apresentar novos nomes aos espectadores.

A série, criada por Jenji Kohan, acompanha uma mulher cumprindo pena numa prisão federal por carregar uma mala cheio de dinheiro de traficantes para sua então namorada, envolvida com um poderoso cartel. A Piper da vida real revelou que as filmagens da terceira temporada já passaram de metade, mas ela não quis dar nenhum spoiler ou mesmo confirmar a data de estreia, prevista para meados de 2015.

Como consultora, Piper lê os roteiros e aconselha a equipe sobre como manter a história o mais próximo possível da realidade. Quando perguntada se Vee (vivida por Lorraine Troussaint), uma das maiores antagonistas da segunda temporada, ainda está viva, Piper apenas riu.

“Uma das coisas que Jenji Kohan pôde revelar sobre a terceira temporada é que a exploração da fé é uma parte importante e o que eles já escreveram até agora”, disse Piper a uma turma de 400 estudantes e fãs em uma palestra na Universidade de Massachusetts.

Piper também comentou o contrato que sua ex-namorada, interpretada da ficção por Laura Prepon, assinou para também escrever um livro. Catherine Cleary Wolters acabou sendo presa por seu envolvimento com o tráfico de drogas.

“Espero que o livro da minha ex seja uma leitura fascinante”, disse. “Ela teve uma vida muito diferente, e a história dela na cadeia é muito diferente da minha. Por um lado, ela esteve muito mais envolvida com o tráfico de narcóticos, e por outro, ela passou muito mais tempo na prisão”.

Sem glamour: Taylor Schilling em cena de ‘Orange is the new black’ - JOJO WHILDEN /

Sem glamour: Taylor Schilling em cena de ‘Orange is the new black’ – JOJO WHILDEN /

Apesar de ter conquistado fama e fortuna graças ao seu livro de memórias e a adaptação dele para uma série de sucesso, Piper disse que mudaria sua história em um piscar de olhos se pudesse voltar para 1993, quando tudo começou. Ela tinha apenas 22 anos.

“Eu me arrependo muito do crime que cometi”, afirmou Piper, uma ativista pela reforma do sistema de Justiça criminal. Por mais que eu seja grata por ter encontrado leitores e feliz com a série na Netflix, a verdade é que a prisão é uma experiência muito traumática.

Piper passou 13 meses em uma prisão federal de segurança mínima em Danbury, Connecticut, há mais de dez anos, por sua participação em um esquema de lavagem de dinheiro de um cartel de drogas.

“O que eu causei à minha família e às pessoas que me amam foi dor e preocupação. Outra verdade fundamental é que minhas ações causaram outros danos em outras pessoas em termos de abuso de substâncias”.

Prostitutas mais velhas de Amsterdã contam segredos em livro

1

As irmãs martine e Louise afirmam que os jovens de hoje bebem demais

Publicado originalmente na BBC

O filme “Meet the Fokkens” (Conheça as Fokkens, em tradução literal) segue as gêmeas idênticas Louise e Martine Fokken, de 70 anos de idade, que compartilham os segredos da venda de sexo no famoso distrito da luz vermelha da cidade.

Louise e Martine se embaralham no apartamento de dois quartos que dividem em Ijmuiden, a oeste de Amsterdã. Uma de chinelos, a outro de sandálias, elas pegam canecas de café e seus bolos de creme favoritos. Há uma sincronicidade inconsciente em seus movimentos.

Martine cantarola enquanto Louise resmunga sobre famílias forçadas a fugir durante a Segunda Guerra Mundial. Sua mãe tinha origem judia, algo que conseguiu esconder das forças de ocupação nazistas, permanecendo na Holanda. Já o tema da canção de Louise transita entre a alegria de viver e a tristeza de deixar alguém.

“Nós éramos muito pequenas durante a guerra. Quando as sirenes soavam, nossa mãe nos levava ao porão. Nós não tínhamos capacetes e por isso usávamos frigideiras para cobrir nossas cabeças. Ficávamos muito engraçados. E nos divertíamos lá”.

Mas suas memórias são de lágrimas ou de risos?
“Oh, risos, definitivamente risos. Você tem de rir mesmo se estiver triste, porque é a sua vida e você não pode mudá-la. É sempre melhor se você está sorrindo.”

As irmãs concordam em uníssono. Mas os seus lábios habilmente pintados de vermelho não diminuem o brilho de tristeza em seus olhos.

“É claro que quando tínhamos 14 ou 15 anos nunca pensamos em trabalhar como prostitutas um dia. Éramos criativas e cheias de sonhos”, diz Martine.

As irmãs, quando ainda trabalhavam juntas

Louise acrescenta: “Eu sempre conto que o meu marido me batia. Ele era violento e disse que iria me deixar se eu não vendesse sexo para ganhar mais dinheiro.

“Mas ele foi o amor da minha vida …”, diz ela.

As crianças de Louise foram levados para um orfanato. Ela ainda guarda fotografias, que ficam nas prateleiras de uma estante antiga, mostrando seus pequenos rostos sorridentes.

Falando da experiência

Martine ainda vende sexo. Ela diz que a aposentadoria do estado holandês não é suficiente para o seu sustento. Já Louise teve de parar por sofrer de artrite.

Martine diz que gostaria de se aposentar, mas não pode. O documentário a mostra no trabalho – sentada em um banquinho, de meias finas, cinta-liga e sapatos altos envernizados.

Homens jovens que passam em frente à sua vitrine, alguns deles fazendo turismo sexual, zombam porque ela é velha. Ela ri da situação (como faz com tudo) e afirma não se importar.

Ela diz que os tempos mudaram: “Os meninos são diferentes agora, eles bebem muito, são gordos e não respeitam você. Eles deveriam andar de bicicleta como meninos holandeses, e não apenas beber o tempo todo”.

Apesar das jovens prostitutas que competem na casa ao lado, há ainda um mercado de serviços para Martine.

Ela se especializou em bondage para homens mais velhos. Orientando-a sobre como querem que ela se vista, eles a pedem para usar uma série de (aparentemente perigosos) chicotes ou sapatos de salto alto. Parece que ela encontrou um nicho no mercado de fetiche.

“Nós sabemos os truques, nós sabemos o que eles querem. Nós sabemos como falar com eles e sabemos como fazê-los rir muito.”

Martine diz que tem sorte de estar viva e se lembra de um episódio em que recebeu um homem que lhe despertou uma sensação ruim, de desconfiança. “Ele tirou a roupa e, quando me sentei na cama, percebi que havia uma faca enorme sob o travesseiro.”

“Há sempre altos e baixos”, acrescenta Louise. “Altos e baixos, altos e baixos …” as gêmeos cantam, antes de cair em si e terem um ataque de riso.

A história das gêmeas promete, agora, se tornar global. A biografia das irmãs ficou no topo da lista de best-sellers da Holanda e, agora, uma tradução em inglês está sendo impressa e deverá ser lançada ainda neste ano.
As gêmeas dizem que “Conheça as Fokkens” ajudou a mudar atitudes e alguns dos abusos a que eram submetidas foram substituídos por respeito.

Depois de atacar os restos do bolo com creme de Louise, Martine oferece uma garfada para de um de seus três Chihuahuas, que se equilibra sobre seu colo.

“Isso é o que sabemos fazer. Se não estivéssemos na rua, o que faríamos? Esta é a nossa vida.”

“Além disso,”, ela olha novamente para a irmã, “ainda estamos nos divertindo”.

Go to Top