Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged mendigo

O encontro que ajudou sem-teto a se tornar escritor best-seller após 27 anos nas ruas

0
THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images Image caption Roughol pedia esmola na avenida Champs-Élysées quando encontrou o político Jean-Louis Debré

THOMAS SAMSON/AFP/Getty Images
Image caption Roughol pedia esmola na avenida Champs-Élysées quando encontrou o político Jean-Louis Debré

 

Jean-Marie Roughol viveu nas ruas de Paris por 27 anos, até que um encontro casual mudou sua vida. De sem-teto, ele se tornou escritor de um best-seller.

Publicado na BBC Brasil

Ele pedia esmola na avenida Champs-Élysées, próximo ao Arco do Triunfo, quando Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior e ex-presidente da Assembleia Nacional da França, chegou de bicicleta.

“Eu estava tomando conta da bicicleta dele”, contou Roughol ao programa Outlook da BBC. “A gente estava conversando, quando ouvimos algumas pessoas dizendo: ‘olha, é aquele político, o Jean-Louis Debré, e ele está conversando com um mendigo'”.

O tom do comentário não agradou o político, que reagiu com uma proposta que abriria um novo capítulo na vida de Roughol.

“Naquele momento, a expressão de Jean-Louis mudou. Ele não gostou da forma que se referiam a mim. Foi nessa hora que ele falou: Jean-Marie, por que você não escreve um livro sobre sua experiência? Aí as pessoas vão ver como é a vida sob sua perspectiva. Vamos publicá-lo”, relembra.

KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images Image caption Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior, encorajou Roughol a escrever o livro

KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images
Image caption Jean-Louis Debré, ex-ministro do Interior, encorajou Roughol a escrever o livro

O livro, intitulado Je tape la manche : Une vie dans la rue (“Eu peço esmola: uma vida na rua”, em tradução livre para o português), já vendeu 50 mil cópias.

“Eu jamais poderia imaginar que o livro seria um sucesso. Achava que se conseguisse vender 50 cópias, seria um milagre. E, de repente, eu estava concedendo um monte de entrevistas”, conta.

Era a primeira vez que Roughol se aventurava no mundo da escrita.

“Não comecei imediatamente. Se passaram 6 meses até eu pegar papel e caneta. Jean-Louis me encorajou a escrever quando eu pudesse, aos poucos. Eu sempre carregava um caderninho comigo e ia preenchendo com a minha história”, relata.

Jean-Louis Debré, que foi um político de perfil conservador e ministro durante a Presidência de Jacques Chirac, fez questão de se envolver pessoalmente na revisão da obra.

“Ele (Debré) achou uma editora para mim e fazia as correções”, relata Roughol. “Eu cometia muitos erros, já que não terminei a escola. Mas ele dizia: ‘não se preocupe, escreva o que você quiser e eu dou uma olhada”, diz.
Infância conturbada

O livro relata a trajetória de Roughol, que tem origem em uma infância conturbada.

“Eu era maltratado. Não tínhamos o suficiente para comer. Natal simplesmente não exisita. Aniversários nunca eram comemorados. Eu chorava no meu quarto. E uma vez, pensei em me matar”, conta.

Aos 12 anos, ele foi morar com o pai. Mas o ambiente tampouco era acolhedor.

“Meu pai era alcoólatra. Quando estava bêbado, me batia muito. Foi quando comecei a fugir de casa e matar aula. Minha infância foi um inferno. Foi uma época terrível. E isso eventualmente me levou a viver nas ruas.”

“Se eu tivesse pais normais e cuidadosos, minha vida seria bem diferente. Meu sonho na infância era ser arqueólogo. Eu era apaixonado por história”, relata.

Ele tinha 19 anos quando dormiu na rua pela primeira vez.

“Foi no dia seguinte que terminei de servir o Exército. Só tinha 200 francos comigo. Passei a noite no metrô. Esperei o último trem partir e passei a noite na estação”, recorda-se.
‘Um dia de cada vez’

Sem endereço fixo, Roughol não conseguia arrumar emprego. E, para completar, teve os documentos roubados.

“Eu pedia esmola então. Há alguns anos, as pessoas eram bem generosas. Eu passava de três a quatro horas por dia pedindo esmola e era suficiente para o dia. Recentemente, ficou mais difícil. Eu tinha que passar 15 horas por dia pedindo dinheiro. Quando se mora na rua, você vive um dia de cada vez”, afirma.

Além de lutar pela sobrevivência, ele convivia constantemente com o medo de ser roubado.

“É muito difícil encontrar lugares seguros para dormir. Você não quer ficar sozinho para não ser um alvo fácil para assaltantes. Já roubaram meus sapatos enquanto eu dormia. Na primeira noite, você dorme com um olho aberto. Na segunda noite, também. Na terceira, você está tão cansado que nada é capaz de te acordar. É nesse momento que os ladrões te atacam e roubam seus pertences”, afirma.

Apesar da fama repentina, Roughol continuou dormindo na rua por um período, até receber o primeiro pagamento pelo livro.

“Eu continuei pedindo esmola por um tempo. As pessoas eram mais generosas. Me viam na TV e vinham me dar dinheiro. Isso foi antes de eu receber os royalties pelo livro. Quando recebi o dinheiro, consegui meu próprio apartamento, onde vivo há um ano”.
Lar, doce lar

Da solidão das ruas para o conforto do lar, houve um processo de adaptação. A primeira noite em casa foi comemorada com uma bela refeição.

“No início, eu andava pelo apartamento, sem saber o que fazer. Na primeira noite, decidi fazer um bife. Nas ruas, você só come comida barata – sanduíche, kebab, pizza… Então na minha primeira noite no apartamento, eu queria comer algo bem bacana. Foi um momento incrível para mim”, diz.

Roughol se dedica agora a escrever seu segundo livro, uma adaptação da obra para o teatro. E espera que sua história inspire uma mudança de comportamento nas pessoas.

“O importante é não julgar as pessoas que vivem nas ruas. Todo mundo pode acabar na rua. Até mesmo CEOs de grandes empresas. Eu só espero que as pessoas se esforcem mais para falar com moradores de rua. Mesmo que você não dê dinheiro, converse com eles”, sugere.

Sem-abrigo escreve bestseller mas continua na rua

0
Roughol foi incentivado a escrever pelo presidente do Tribunal Constitucional francês AFP/Getty Images

Roughol foi incentivado a escrever pelo presidente do Tribunal Constitucional francês
AFP/Getty Images

 

Jean-Marie Roughol vive nas ruas de Paris há 20 anos. Escreveu um livro que vendeu quase 50 mil exemplares, mas continua a ser sem-abrigo. O dinheiro dos royalties só chega daqui a 10 meses…

Publicado no Observador

É um fenômeno de vendas. Je Tape La Manche: Ma Vie Dans la Rue tornou-se um dos sucessos editoriais do ano em França. O seu autor é um sem-abrigo, Jean-Marie Roughol, de 47 anos. O livro são as memórias deste homem que espera que as suas palavras mudem a forma como as pessoas olham para as pessoas que vivem na rua. E já vendeu quase 50 mil exemplares — o que lhe daria dinheiro mais do que suficiente para deixar de ser sem-abrigo. Mas…

… mas o problema é que Roughol ainda não recebeu royalties do livro. Nem vai receber até outubro do próximo ano. Por isso, Jean-Marie conta continuar a viver ao relento. Até lá, vai-se habituando à ideia de ser reconhecido na rua e falando com os seus fãs no Facebook, através de um smartphone que conseguiu comprar com um adiantamento que a editora lhe deu.

Abandonado pela mãe

A vida deste homem é semelhante a tantos outros casos de pessoas sem-abrigo. Jean-Marie Roughol foi abandonado pela mãe e criado por (mais…)

Criado em lixões, mendigo entra na melhor universidade do mundo

0

Ex-mendigo que foi criado em lixões e aterros sanitários conquista vaga em Harvard. Justus passou 13 anos estudando e aprendeu inglês, francês, suaíli e lingala

Justus viveu como mendigo nas ruas de Ruanda, pequeno país da África Central, e morou dentro de um carro incendiado em um depósito de lixo (Pragmatismo/The New York Times)

Justus viveu como mendigo nas ruas de Ruanda, pequeno país da África Central, e morou dentro de um carro incendiado em um depósito de lixo (Pragmatismo/The New York Times)

Publicado por Pragmatismo Político

Durante boa parte da sua infância, Justus Uwayesu, viveu como mendigo nas ruas de Ruanda, pequeno país da África Central, e morou dentro de um carro incendiado em um depósito de lixo. “Não havia chuveiro, e eu não tomava banho”, contou. Ele já chegou a ficar um ano sem tomar banho. As informações são do The New York Times.

Justus nasceu na zona rural do leste de Ruanda e quando tinha 3 anos perdeu seus pais, vítimas de um combate motivado por questões políticas, onde mais de 800.00 pessoas morreram em apenas 100 dias. A Cruz Vermelha conseguiu resgatar um irmão e duas irmãs.

Um casal começou a cuidar das crianças, mas a quantidade de órfãos na região foi crescendo e a família abandonou os quatro.”Foi um momento muito escuro, porque eu não podia ver um futuro. Eu não podia ver como a vida poderia ser melhor ou como eu poderia sair daquela situação de vida”, contou.

Certo dia, a criança viu sua vida mudar completamente. Clare Effiong, fundadora de uma ONG em New Rochelle, Nova York, decidiu no ano 2000, através de viagens pelo país, conhecer histórias de vida para ajudar crianças que se encontravam pelo mundo. Ao encontrar com Justus, perguntou qual seria seu maior desejo. “Eu quero muito ir para a escola”, contou.

Após completar seus estudos, ele conseguiu muito mais. Hoje, Justus Uwayesu, faz parte da maior universidade do mundo, Harvard. Justus passou 13 anos estudando e aprendeu inglês, francês, suaíli (uma das línguas oficiais do Quénia) e lingala (idioma materno na região noroeste da República Democrática do Congo).

Ele começou a estudar e conseguiu vaga em uma escola especializada em ciência. Durante os estudos, trabalhou na caridade e abriu uma escola de culinária para garotas, no campus do próprio orfanato. Em Harvad ele estudou através de uma bolsa integral, matemática, economia e direitos humanos. Atualmente, ele diz ter 22 anos (ainda não se sabe a data exata do seu aniversário) e faz parte de 1.667 alunos da sua área.

dica da Luciana Leitão

Go to Top