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‘Psicose’, o livro que fisgou Hitchcock, é relançado no Brasil

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Nova edição da obra de Robert Bloch, que inspirou filme clássico do mestre do suspense, chega ao país depois de meio século esgotada

Norman Bates (Anthony Perkins) e Marion Crane (Janet Leigh): diretor tirou o livro de circulação Divulgação

Norman Bates (Anthony Perkins) e Marion Crane (Janet Leigh): diretor tirou o livro de circulação Divulgação

Liv Brandão em O Globo

RIO – Mary Crane tomava banho em seu quarto do Bates Motel quando foi surpreendida por uma “velha louca”, cujas mãos abrem a cortina da banheira e, com uma faca de açougueiro, decepam sua cabeça. A descrição só não bate exatamente com a célebre cena do chuveiro de “Psicose” porque Alfred Hitchcock decidiu que a Marion de Janet Leigh deveria morrer esfaqueada. Mas foi justamente essa passagem do livro homônimo de Robert Bloch que inspirou o cineasta inglês a comprar aquela história. Depois de uma elogiosa resenha no “New York Times”, Hitchcock correu para adquirir seus direitos para o cinema e não só isso: fez sua assistente tirar de circulação todos os exemplares existentes do livro, para evitar que o final vazasse. Pois parece que a ordem do diretor acabou ecoando no Brasil, onde o livro foi editado unicamente na década de 1960 e figurou entre os mais vendidos da época, para depois desaparecer por completo das prateleiras – um exemplar usado, em mau estado, é encontrado por até R$ 150. Pois agora “Psicose” de Robert Bloch finalmente ganha uma reedição brasileira, pelas mãos da novata Darkside, depois de muita luta.

— Sempre quisemos lançar este livro. Fomos atrás dos principais agentes literários para descobrir quem representava a obra de Robert Bloch e foi muito difícil encontrar o responsável. Um passava para o outro e ninguém nunca sabia ao certo, ninguém tinha o contato. Levamos cerca de oito meses até descobrirmos que o livro era representado pelo advogado dos herdeiros do escritor (morto em 1994, aos 77 anos) — conta Christiano Menezes, diretor editorial da Darkside. A novíssima edição vem em duas versões: capa dura, que preserva o inconfundível logotipo criado por Tony Palladino, e brochura, com tradução de Anabela Paiva.

Apesar de Bloch ter sido criticado por François Truffaut em sua série de entrevistas com o mestre do suspense, o escritor era aclamado por colegas mais famosos, como Stephen King, que afirmou que algumas de suas obras (foram 30 livros e centenas de contos) tiveram grande influência na literatura americana. Estudiosos da obra de Hitchcock também ressaltam o valor da escrita de Bloch, que criou seu Norman Bates — atualmente retratado na elogiada série “Bates Motel” — inspirado pelo famoso assassino americano Ed Gein (sua primeira vítima conhecida, aliás, também se chamava Mary, como a mocinha do filme).

— Robert Bloch é frequentemente citado com desdém, mas o que a gente tem que lembrar é que ele chegou lá primeiro, foi ele quem criou o personagem chamado Norman Bates. Ele criou a Mary Crane do livro, que virou a Marion Crane do filme. Ele criou o enredo sobre um homem dominado pela mãe que recorre a diabólicos e assustadores atos de violência. Essencialmente, tudo o que acontece no filme em termos de história vem de Robert Bloch. Acho que há uma tendência a negligenciar o poder dessa criação — defende Stephen Rebello, autor de “Alfred Hitchcock e os bastidores de ‘Psicose’” (Intrínseca), considerado um dos maiores estudiosos da obra do cineasta.

Roteiro ‘impossível’

Para apostar na força do thriller, Hitchcock precisou comprar várias brigas. No fim dos anos 1950, o cineasta tentava se recuperar do baque de ter dois projetos abortados, que renderam prejuízos significativos, e enfrentava a concorrência de nomes como Otto Preminger e Henri-Georges Clouzot. Antes mesmo de se interessar pela trama de Bloch, “Psicose” já havia sido submetido aos analistas da Paramount, que consideraram o argumento “impossível para o cinema”, por ser chocante demais para uma época em que os filmes não retratavam tanta violência.

— Ele basicamente arriscou sua reputação e sua vida criativa para conseguir rodar esse filme — conta Rebello, que diz entender os motivos para o cineasta ousar tanto. — Com influência do (mestre da ficção científica e terror) H. P. Lovecraft, de quem era discípulo, Bloch vem de uma linha menos pretensiosa em termos de aspirações literárias, mas faz uma arte que tenta pegar pelas tripas em vez de investir na boa educação. Isso o interessou bastante.

Rebello, que assume que os diálogos da tela são uma versão melhorada do que está nas páginas, ressalta outra prova da importância da obra que inspirou o filme: a despeito da cena do chuveiro e ao contrário do que costumava fazer, Hitchcock foi bastante fiel ao que foi narrado por Bloch, que ainda lançou duas continuações de sua mais importante criação, cujo primeiro rascunho ficou pronto em seis semanas.

— No livro, Norman Bates é um cara de meia idade, careca, de óculos, rechonchudo, beberrão. Provavelmente mais parecido com o que Norman Bates poderia ser na vida real — contextualiza Rebello. — Só que Hitchcock tinha um ótimo instinto para escalar seus atores e foi muito sofisticado ao perceber que o público ficaria encantado por um belo rosto. Especialmente, um jovem e bonito. Para viver Norman Bates em “Psicose”, o filme, ele chamou Anthony Perkins. Graças a ele, as pessoas poderiam até não gostar do personagem, mas o achariam atraente. Isso foi brilhante.

Outra grande mudança acontece logo no início das duas versões da história. Se o filme apresenta de cara os dramas de Marion com seu amante Sam Loomis e seu inesperado golpe ao roubar US$ 40 mil do patrão para fugir e tentar uma vida melhor, o livro é aberto com descrições detalhadas sobre a interação entre Norman e sua castradora mãe, Norma.

— Isso obviamente não poderia acontecer no filme, afinal, descobrimos no fim de tudo que ela está morta. Há sim, mudanças, mas elas são bem espertas e acuradas — explica Rebello. — Acredito que o roteirista tenha decidido desenvolver primeiro o personagem de Marion para fazer com que os espectadores criassem empatia por uma mulher que está presa a um emprego nada interessante, lidando com colegas nada interessantes e vivendo uma situação desesperadora com o namorado que não quer casar com ela. Dessa forma, os espectadores se apegaram bem mais a esse personagem do que se o filme começasse como o livro.

Para Rebello, o fato de ler ter lido o livro depois de assistir ao filme e saber a verdadeira origem dos assassinatos no Bates Motel não estraga sua fruição. Se Hitchcock fez de tudo para preservar o desfecho da história — além de tirar todo o estoque do livro de circulação, o cineasta proibiu que as pessoas entrassem na sala depois de a exibição começar — o livro acaba completando a experiência.

— Há algo de realmente sombrio nesse livro, você consegue sentir que está lendo sobre uma vida muito difícil, uma existência muito solitária. O livro dá mais noção de como são as noites de Norman Bates, que tipo de música ele gosta de ouvir, o que ele lê, quão realmente horripilantes são os efeitos da violência emocional e psicológica de sua mãe. O filme não se atém a esse tipo de detalhe.

Prêmio Jabuti 2013 recebe mais de duas mil inscrições

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Publicado no Bem Paraná

O Prêmio Jabuti, a mais importante premiação editorial do país, encerrou suas inscrições da edição 2013 com 2.107 participações, em 27 categorias. Foram aceitas obras inéditas, editadas no Brasil, entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2012, inscritas no ISBN e que apresentavam ficha catalográfica. O Prêmio Jabuti é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Uma nova categoria integra a lista do regulamento deste ano: Melhor Tradução de Obra de Ficção Alemão-Português, em função da homenagem do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, que acontece em outubro próximo.

Os laureados em todas as categorias que compõem o prêmio receberão o troféu Jabuti e o valor de R$ 3,5 mil. Os vencedores do Livro do Ano – Ficção e Livro do Ano – não Ficção serão comtemplados, individualmente, com o prêmio de R$ 35 mil, além da estatueta dourada.

Um júri formado por especialistas de cada categoria – indicado pelo Conselho Curador do Prêmio, cujos membros são José Luiz Goldfarb, Antonio Carlos Sartini, Frederico Barbosa, Luis Carlos Menezes e Márcia Ligia Guidin – escolherá os vencedores. Os nomes dos jurados serão divulgados em ordem alfabética, somente na cerimônia de premiação. Até essa ocasião, os jurados igualmente desconhecerão a identidade uns dos outros.

O Conselho Curador também ficará responsável pelo acompanhamento de todas as etapas do prêmio.
Na primeira fase das apurações, os jurados deverão ler e avaliar os livros inscritos em sua categoria, de acordo com os quesitos especificados no Regulamento, atribuindo notas entre oito e 10 a cada um deles (sendo permitido o fracionamento em apenas meio ponto). Cada jurado escolherá dez livros, em cada categoria. Os selecionados nesta etapa de apuração serão conhecidos no próximo dia 17 de setembro, na CBL, localizada na Avenida Ipiranga, 1.267, 10o andar, São Paulo, Capital.

A segunda fase (e última) avaliará e atribuirá notas a todas as obras finalistas da primeira fase. As três obras que receberem a maior pontuação dos jurados, nesta fase, serão consideradas como vencedoras do prêmio em sua categoria, em primeiro, segundo e terceiro lugar. A cerimônia de entrega aos vencedores do Prêmio Jabuti 2013 acontecerá dia 13 de novembro, na Sala São Paulo.

De Monteiro Lobato a Paula Pimenta

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Cristiane Menezes, no Quadros, Retratos & Leituras

Ler é fundamental. Um, dois, três livros por mês, faz bem à mente. Mas é importante saber o que se lê e quem se lê. Sou contra ao dizer que a leitura de qualquer coisa seja útil. De que vale ler por ler? Há muitas futilidades nos livros atuais. Quando escrevi o post “Qual a sua geração?” indaguei sobre isto. É preciso ler algo que contribua no desenvolvimento e formação do ser humano.

Muitos jovens desconhecem, por exemplo, obras belíssimas como as de Clarice Lispector, escritora e jornalista ucraniana, mãe e mulher, naturalizada brasileira, que morou em Recife, capital de Pernambuco, onde começou a escrever logo que aprendeu a ler. E numa de suas obras Felicidade Clandestina fala de sua real paixão pela leitura.

“…Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai.” Leia mais aqui do Conto real Felicidade Clandestina: http://migre.me/dBHdL

Entretanto, são fanáticos pela O Diário da Princesa, a mais bem-sucedida série da escritora americana Meg Cabot, com mais de 15 milhões de exemplares vendidos, ganhou adaptação para os cinemas pelos Estúdios Disney.

Liberdade de escolha, sim! Também já falei sobre no post “O que dizer?”. Mas é preciso atenção aos conteúdos e escritores. Nem tudo que se lê é verdade, faz bem.

A colega e professora Ana Paula Dmetriv já citada aqui no post anterior, fez um comentário no Jornal Gazeta do Povo, de Curitiba/PR, que trazia a matéria Juventude Desperdiçada, lembrando outro ponto. Segundo a mesma o incentivo à leitura deve começar cedo e os pais não podem deixar essa tarefa restrita ao âmbito escolar. “A leitura não pode ser apresentada à criança como uma obrigação, mas como fonte de prazer, diversão e novas descobertas. Leia para seu filho, leve-o à biblioteca, à livraria… Enfim, dê o exemplo!” completa Ana.

Aqui no blog além das telas abaixo, você ainda pode encontrar “Maneiras de Ler Livros e Jornais” e se quiser dizer: Qual a sua preferida? Qual último livro leu? O que ficou de bom? Comente aqui!

A tela em moldura se chama Leitura e pertence ao artista plástico brasileiro José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899) que ficou famoso por suas pinturas realistas de caipiras.

Linda Apple artista plástica americana.

Tatyana Deriy nasceu em Moscou, Rússia, em 1973. Sempre demonstrou preferência pelo retrato e composições de interiores. É membro da Federação Internacional de Artistas e da União de Artistas de Moscou.

Louise Amélie Landré foi uma artista plástica francesa (1852-1906). Estudou no ateliê de Chaplin, depois com Barias e finalmente completou seus estudos em pintura com Hubert. Sua carreira se iniciou no Salão de 1876. Em 1885, foi nomeada como associada aos artistas franceses.

(mais…)

Jornal inglês inclui Isadora Faber em lista de 25 brasileiros destaques

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Géssica Valentini, no RBSTV SC

Financial Times relacionou “25 brasileiros que devem ser observados”.
Criadora da página ‘Diário de Classe’ foi listada na categoria ‘social’.

Página no Facebook já tem mais de 500 mil seguidores (Foto: Facebook/Reprodução)

Página no Facebook já tem mais de 500 mil seguidores (Foto: Facebook/Reprodução)

A catarinense criadora da página ‘Diário de Classe’, Isadora Faber, entrou na lista dos 25 brasileiros que devem ser observados nos próximos meses. A lista foi divulgada pelo jornal inglês Financial Times, em uma reportagem publicada na semana passada.

O jornal dividiu a lista em seis categorias: política, arte, entretenimento, social, negócios e esportes.

Isadora foi incluída na categoria ‘social’ e ao citá-la o jornal traz a descrição: “Esta garota de 13 anos abriu uma página no Facebook para relatar os problemas de sua escola pública em Florianópolis, no Sul do Brasil. No ‘Diário de Classe’, Isadora destaca as dificuldades do sistema educacional, reportando as carteiras quebradas, os banheiros sem porta e a falta de transparência nas contas da escola. Neste processo, atraiu 500 mil seguidores e garantiu um encontro com o ministro da educação”.

Além de Isadora, a jornalista e autora Talita Rebouças também foi incluída na categoria ‘social’. Outros brasileiros que estão na lista são o artista Romero Britto, a judoca Sarah Menezes, 1ª brasileira a conquistar uma medalha de ouro no judô em Olimpíadas, a modelo Gisele Bündchen e o jogador do Santos Neymar.

Moradora da Rocinha vira escritora e volta a estudar

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A moradora da Rocinha Lindacy da Silva: volta à escola
A moradora da Rocinha Lindacy da Silva: volta à escola Foto: Fernanda Dias / EXTRA

Bruno Rohde, no Extra

Quando Lindacy Fidélis da Silva Menezes, de 55 anos, coloca a ponta do lápis no papel sua vida se transforma de alguma maneira. A vontade dela de preencher com histórias as folhas em branco de seu caderno está mudando, aos poucos, a trajetória desta doméstica e hoje escritora. Lindacy é uma das autoras do livro “Pensa Flupp”, lançado este mês na Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora. A obra reúne textos de escritores moradores de comunidades do Rio.

E foi esse desejo de se tornar autora que levou Lindacy de volta para a sala de aula este ano. Moradora da Rocinha, ela cursa o 6º ano do ensino fundamental, na Escola Municipal Rinaldo de Lamare, em São Conrado.

Na última sexta-feira, Lindacy apresentou o conto “Último cliente” para os colegas numa feira de ciências da escola. No texto, que integra o livro recém-lançado, ela relata parte da infância, no Recife, em Pernambuco. O título da história faz referência ao local de trabalho de sua mãe adotiva: um bordel.

— Nunca conheci meus pais. Fui adotada por uma prostituta. Apesar de toda a pobreza, eu era amada por ela. O problema é que ela começou a beber e foi perdendo tudo. Eu tinha 6 ou 7 anos quando ela morreu — diz.

Entre idas e vindas de Recife para o Rio, Lindacy casou e teve três filhos. O estudo ficou de lado. Ainda sim, vez ou outra ela “conversava com os cadernos”, como Lindacy mesmo define. Ao saber que a Flupp procurava novos autores, ela se ofereceu:

— Pedi para minha filha me inscrever. Fiz um texto sobre o Rio e me chamaram.

Gerações diferentes

Além de Lindacy, outras quarenta e duas pessoas colaboraram com textos para o livro. Elas passaram por uma seleção que envolveu 102 candidatos e durou quatro meses. Colega de Lindacy, Francisca Paula de Araújo, de 44 anos, também estuda na Rinaldo de Lamare. Ela não ficou surpresa quando soube que a colega participaria da publicação:

— Já conheço a Lindacy há anos. Achei muito legal. Ela é a prova que nunca é tarde.

A unidade em que as duas estudam atende basicamente ao ensino infantil e ao Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). Entre os 245 alunos do Peja, adolescentes e adultos dividem as salas de aula de olho num futuro melhor. Se a diferença de gerações às vezes gera conflito, também acrescenta. Jacqueline Nogueira Rodrigues, de 49 anos, e Diego Vinícius da Silva, de 17, são prova disso. O compromisso da aluna mais velha vem auxiliando o estudante mais novo a manter o foco.

— É uma troca. Um ajuda o outro — diz Jacqueline.

O estudante agradece:

— Ela ganhou um “filho”.

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