Contando e Cantando (Volume 2)

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MEC diz que vai de casa em casa para matricular quem estiver fora da escola

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O ministro da Educação Aloizio Mercadante durante coletiva de imprensa em Brasília (Foto: Adriano Machado/Reuters)

O ministro da Educação Aloizio Mercadante durante coletiva de imprensa em Brasília (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Existem 1,6 milhão de jovens e crianças fora das salas de aula, diz ministro.
Governo pretende pedir ajuda de estados e municípios para realizar tarefa.

Gabriel Luiz, no G1

Dados do Censo Escolar de 2015 divulgados nesta terça-feira (22) pelo Ministério da Educação aponta haver 1,6 milhão de jovens e crianças fora da escola em todo o país. Segundo o ministro Aloizio Mercadante, a pasta já traçou um perfil desse público, que se concentra em grandes cidades. A meta do ministério é de que em abril as famílias com adolescentes e crianças em idade escolar comecem a ser visitadas uma a uma, com o objetivo de matriculá-los.

Mercadante não disse em quanto tempo o governo espera terminar as visitas nas casas de jovens fora da escola. “A dificuldade é como a gente convence ele [o jovem] a voltar para a escola”, afirmou. De acordo com o ministro, o governo federal vai pedir ajuda dos estados e municípios na “busca ativa” para tentar levar os jovens à sala de aula. “Temos que repensar a escola.”

Ele fez um paralelo entre taxas criminais e índices de escolaridade. “Se todos os jovens estiverem na escola, nós teremos muito menos problemas de violência no país”, disse Mercadante.

O Censo Escolar também mostra que existem 7,9 milhões de alunos matriculados na educação infantil (creche e pré-escola). No ensino médio, são cerca de 8 milhões de estudantes. Durante o anúncio dos dados, a pasta também informou que vai distribuir 30 milhões de livros didáticos na rede pública.

Mercadante também anunciou a criação de um novo exame específico para certificar estudantes do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). Até então, a única forma era por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A data não está definida, mas a previsão é de que o novo exame aconteça duas vezes por ano.

Ainda de acordo com dados do censo, 56,6% das escolas brasileiras têm alunos com deficiência incluídos em turmas regulares. Em 2008, esse percentual era de 31%

12% dos programas de pós no Brasil têm nível internacional

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Flávia Foreque, na Folha de S.Paulo

De um total de 3.337 programas de mestrado e doutorado no país, apenas 12,2% (406) possuem qualidade de nível internacional: esse grupo recebeu nota 6 ou 7 em avaliação feita pela Capes (autarquia do Ministério da Educação responsável pela pós-graduação).

O balanço faz parte de avaliação trienal realizada pelo órgão e divulgada nesta terça-feira (10). As notas variam entre 1 e 7 e são elaboradas com base em critérios como formação do corpo docente, infraestrutura e número de artigos publicados em periódicos, por exemplo.

O percentual é levemente superior ao percentual de programas com mesma nota em 2010, quando a última avaliação foi feita. Na ocasião, 11,8% dos 2.718 programas receberam conceito 6 ou 7.

No outro extremo, cursos com nota 1 ou 2 são considerados de má qualidade. Alunos já matriculados nesse programas terão o diploma reconhecido nacionalmente, mas a partir de agora eles não poderão ser ofertados novamente. As instituições recebem as notas nesta semana e podem apresentar recurso.

Em 2013, 1,8% dos programas (60) receberam nota 1 ou 2. Em 2010, o índice foi de 2,2%. A lista de notas de mestrados e doutorados de todo o país deve ser publicada ainda hoje no site da Capes. Apenas os 60 programas com avaliação ruim não serão divulgados –o MEC aguardará o prazo para apresentação de recurso para publicar essa relação.

REGIÃO NORTE

Entre todas as regiões, apenas o Sudeste registrou evolução do número de programas abaixo da média nacional. Enquanto o país registrou um aumento de 23% (de 2.718 programas em 2010 para 3.337 em 2013), a região teve crescimento de 14%. Apesar disso, o Sudeste ainda concentra a grande maioria dos programas no país (1.560).

O Norte foi a região com maior salto do número de programas: de 121 para 170 em três anos (índice de 40%), seguido do centro-oeste (37%) e nordeste (33%).

“Estamos tendo uma importante desconcentração [para] o Centro-Oeste, Norte e Nordeste, áreas mais carentes no ensino superior em geral. Isso é muito importante pra gente manter a expansão da graduação”, disse o ministro Aloizio Mercadante (Educação) em coletiva de imprensa.

EVOLUÇÃO

Mercadante elogiou os resultados da avaliação trienal. Ele ressaltou que, entre 2010 e 2013, 69% dos programas mantiveram anota nesse período, 23% registraram aumento e 8% tiveram queda no conceito.

“O sistema como um todo evoluiu em direção à qualidade. (…) O programa está numa forte expansão e numa trajetória de melhora”, afirmou.

Muita teoria e pouca prática formam os professores

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

1“Não dá para formar um professor só lendo Piaget.”

A frase é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em alusão à carga teórica dos cursos que formam docentes para a escola básica, como a literatura de Jean Piaget, pensador do século 20.

Foi dita recentemente em encontro com mil secretários municipais da área de ensino. Arrancou aplausos.

A declaração sintetiza a avaliação dos gestores de que a formação universitária dos futuros professores da educação básica é um dos entraves para a melhoria da qualidade do ensino no país.

A reclamação é que os futuros docentes têm muito contato com teóricos da educação, mas terminam o curso despreparados para enfrentar salas de aulas.

CARGA HORÁRIA

Um dos mais amplos estudos no país sobre currículos das licenciaturas foi feito recentemente pelas fundações Victor Civita e Carlos Chagas.

O trabalho apontou que nos cursos de licenciatura do país que formam professores de português e de ciências, a carga horária voltada à docência fica em 10%.

Já o tempo destinado aos conhecimentos específicos das áreas passa dos 50%.

“Os professores chegam às escolas com bom conhecimento da sua disciplina, mas não sabem como ensinar”, disse à Folha o secretário estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald.

Na opinião do secretário, cuja rede tem 200 mil professores, um docente de matemática, por exemplo, é muito mais um matemático do que um professor.

Para Voorwald, as licenciaturas deveriam ter menos conteúdos específicos das matérias e mais técnicas sobre como dar aulas.

Presidente da comissão de graduação da Faculdade de Educação da USP, Manoel Oriosvaldo discorda que a formatação dos cursos de pedagogia e de licenciatura seja responsável pela má qualidade do ensino básico.

“Com o salário que se paga ao professor, é difícil convencer um jovem a assumir uma sala de aula”, afirma. “Se as condições de trabalho melhoram, sobe o nível de quem seguirá na carreira.”

Especificamente sobre os currículos, ele diz que diminuir a teoria dos cursos “simplifica o papel do professor”.

Para Oriosvaldo, a teoria permite que o professor consiga refletir sobre sua atividade constantemente. E corrigi-la quando necessário.

Além disso, o docente deve ter condição de ensinar aos alunos o histórico que levou à resolução de uma equação, por exemplo. Assim, o jovem conseguirá também produzir conhecimento.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

SEM MUDANÇAS

A maioria dos alunos e dos coordenadores dos cursos de formação de professores tem avaliação semelhante à do professor da USP, mostra estudo feito pela Fundação Lemann, a pedido da Folha.

O trabalho aponta que há menos coordenadores de cursos de pedagogia ávidos por mudanças em seus currículos (38% das respostas) do que em engenharia civil (50%), por exemplo.

A pedagogia forma professores para atuar com os alunos de seis a dez anos. A partir daí, os demais professores vêm das licenciaturas.

A opinião sobre os cursos foi tabulada a partir das respostas dadas nos questionários do Enade 2011, exame federal de ensino superior.

As respostas mostram também que os formandos em pedagogia se sentem mais bem preparados para a profissão (68%) do que os de engenharia de produção (57%).

Contraditoriamente, o Enade revela que os concluintes dos cursos de formação de professores estão entre os que possuem notas mais baixas em conhecimentos gerais. Pedagogia está na 46ª pior posição, entre 59 cursos.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Bolsa para universitário dará R$ 900 a índios

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Aluno que tenha renda média familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa receberá bolsa de R$ 400

Laís Alegretti, no Estadão

Apesar de ainda não saber quantos alunos se enquadram no programa, o governo federal lançou nesta quinta-feira, 9, uma bolsa de auxílio de R$ 400 para estudantes de universidades e institutos federais que tenham renda média familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa e façam cursos com média de 5 horas diárias de aula. Para indígenas e quilombolas, o valor é maior: R$ 900.

O Programa Nacional de Bolsa Permanência tem o objetivo, segundo o governo, de garantir que os alunos com dificuldades financeiras não deixem de concluir o ensino superior. “Em algumas áreas, como o mercado de trabalho está muito aquecido, os alunos acabam abandonando a faculdade para ir trabalhar mais cedo, o que não interessa ao Brasil”, afirmou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

O ministério estima que o pagamento começará a ser feito em junho, após credenciamento dos alunos. O valor da bolsa será repassado mensalmente, por meio de cartões do Banco do Brasil. Segundo o ministro, o uso do cartão trará transparência e agilidade. “É um novo padrão de administrarmos bolsas.”

A bolsa será concedida por um período de até um ano a mais que a duração oficial da graduação. Isso quer dizer que se um aluno levar seis anos para concluir um curso que dura cinco anos, ele receberá o auxílio durante todo o período. A Bolsa Permanência não pode ser acumulada a auxílios das universidades em razão das condições econômicas dos estudantes. Já as bolsas de iniciação científica, por exemplo, poderão ser recebidas sem prejuízo. Podem se inscrever inclusive os alunos que não ingressaram por cotas, mas que se enquadram nos critérios de renda e carga horário.

Orçamento

O ministério da Educação não informou quantos alunos se enquadram no programa e tampouco qual o valor destinado ao Bolsa Permanência. “Como é uma opção do estudante solicitar adesão ao programa, não podemos dizer quanto de recurso vamos colocar”, disse o secretário de Ensino Superior da pasta, Paulo Speller. “O MEC tem disponibilidade de recurso para atender toda a demanda”, garantiu.

Segundo Speller, há hoje pouco mais de 1 milhão de estudantes matriculados em universidades e institutos federais no Brasil. Desse total, cerca de 120 mil fazem cursos que se enquadram na carga horária exigida pelo programa. O ministério não sabe, entretanto, quantos deles são de baixa renda. “Não temos ainda quantos têm renda média salarial na família inferior a 1,5 salário mínimo”, disse.

Indígenas

Para receber o recurso, os indígenas e quilombolas terão apenas que comprovar sua origem. “A comunidade tem de reconhecê-lo”, explicou Speller. A diferença no valor da bolsa existe porque, segundo ele, “as demandas são diferenciadas”.

Mercadante afirmou que a pobreza é maior para esses grupos e que eles têm mais dificuldade de acesso aos grandes centros. “Jovens indígenas que vivem nas aldeias e vêm estudar na universidade não têm apoio de família naquele município e eles precisam voltar para a aldeia, que ficam em regiões remotas, então precisamos ter reforço maior. E o mesmo se estende para os quilombolas.”

Durante cerimônia em Brasília, foram assinadas a portaria que cria o Programa Nacional de Bolsa Permanência e a resolução que estabelece regras para pagamento de bolsas no âmbito do programa. Na segunda-feira, estará disponível um manual no site do Ministério da Educação para orientar estudantes e universidades a fazer os registros. Deve ser lançado ainda em maio, segundo Mercadante, um programa de apoio acadêmico aos estudantes com baixa renda. “Precisamos de tutores para fazer o nivelamento de alunos que vêm da escola pública com algum nível de deficiência”, disse.

Professores terão de melhorar alunos para ganhar diploma

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Imagem: Internet

Imagem: Internet

Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

O Ministério da Educação lançará nas próximas semanas programa para tentar melhorar o desempenho de alunos e professores em matemática, física, química e biologia, tanto no ensino médio quanto no superior.

As quatro matérias são as que mais possuem problemas de qualidade, de acordo com o próprio governo federal.

Uma das ações será a oferta de pós-graduação em universidades federais e privadas a professores que lecionam as disciplinas nas escolas públicas de ensino médio.

O certificado garantirá aumento salarial ao docente (progressão na carreira), mas só será concedido se houver a comprovação de que seus estudantes melhoraram –exigência inédita em programas federais de educação.

“Hoje, gasta-se muito com formação dos professores, mas a melhoria não chega aos alunos”, disse Mozart Neves, que coordenará o programa do Ministério da Educação.

A forma de avaliar a evolução dos estudantes não está definida. O docente reprovado poderá refazer o curso.

O número de professores participantes do programa dependerá da adesão dos Estados, que são os responsáveis pelos docentes.

O país tem cerca de 250 mil docentes de ensino médio em matemática, física, química e biologia, segundo os últimos dados do governo. Mas boa parte não tem formação na área –em física, são 90%.

OUTRAS FRENTES

“Temos um número insuficiente de professores nessas áreas. E a procura pelas licenciaturas é insuficiente”, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Para tentar reverter o quadro, o programa terá outras duas frentes.

Em uma delas, o governo tentará incentivar alunos do ensino médio a escolherem o magistério nessas áreas.
Para isso, estudantes com interesse nessas matérias passarão a ter aulas de reforço e ganharão ajuda mensal de R$ 150 (paga pela União).

Eles participarão também de atividades nas universidades em grupos que reunirão docentes universitários, alunos de licenciaturas e professores das escolas básicas. A meta é recrutar 100 mil estudantes do ensino médio.

Em outra frente, os estudantes que já estão nas licenciaturas poderão fazer aulas de reforço nos conteúdos básicos, numa tentativa de diminuir a evasão nos cursos.

Ex-diretor da Unesco no Brasil (braço da ONU para educação), Jorge Werthein diz que o programa é interessante. Ele faz, porém, ressalva sobre a vinculação do certificado de pós-graduação ao professor à melhoria dos alunos.

“Ainda não se encontrou uma boa forma de avaliar o trabalho do professor. Pode haver injustiças.”

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