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Se você tem mais de 30 anos, não é tarde para uma primeira graduação

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Mercado de trabalho tem caminhado para ser cada vez mais flexível em relação à idade, afirma coach de carreira

Publicado no Administradores

O mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais competitivo. Para ter alguma chance de manter ou conseguir um emprego, o profissional precisa estar em constante aprimoramento e aprendizado. Porém, enganam-se quem acredita que o mercado apenas encontra força de vontade e disposição nos profissionais com 20 e poucos anos. Muito pelo contrário. As qualidades necessárias para preencher os pré-requisitos de uma vaga de emprego, muitas vezes, só são adquiridos com a maturidade da prática e experiência de vida, que os profissionais mais velhos têm de sobra.

Madalena Feliciano, coach de carreiras e diretora da Outliers Careers e do Instituto Profissional de Coaching, diz que o mercado de trabalho tem caminhado para ser cada vez mais flexível em relação à idade. “Embora essa nova mentalidade se desenvolva lentamente, a cultura dos profissionais de Recursos Humanos está cada vez mais pautada em competências, isto é, o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que devem estar congruentes ao que as empresas pedem. Profissionais mais velhos já trazem essa experiência na prática, por isso se enquadram às buscas de candidatos”, explica.

A coach acrescenta que a formação superior nunca é tardia. “Os profissionais que já tem experiência em sua área de atuação, mas não tem formação acadêmica (graduação ou pós-graduação), são beneficiados com novos pontos de vista, novas ferramentas e metodologias que não conseguiram desenvolver na atuação prática”, comenta.

Madalena ainda ressalta que a qualidade mais procurada no mercado de trabalho, hoje em dia, é a força de vontade e aprimoramento pessoal. “Principalmente em tempos de crise econômica, o profissional que não acrescenta nada de novo, é facilmente descartado, pois o empregador vê isso como um investimento alto e arriscado. Uma graduação, não importa a idade, é, com certeza, um aprimoramento e vontade de crescer. Isso é muito bem visto no mercado”, afirma a coach.

De acordo com a especialista, esta é uma regra que se aplica a todos, tanto aos já formados, quanto aos que ainda estão buscando a primeira graduação, em qualquer idade. “Profissionais que estão sempre em busca de novos aprendizados, são sempre melhores vistos no mercado. Pois são os que estão completamente fora de suas zonas de conforto, trazendo inovação e pensamentos diferentes dos que as empresas estão acostumadas. O perfil deste profissional inquieto está entre os mais procurados no mercado de trabalho”, complementa Madalena.

Aos profissionais que já são formados, mas estão buscando a transição de carreira, Madalena diz que uma segunda graduação só tem a acrescentar. “Estes profissionais têm a oportunidade de agregar ao seu currículo um perfil mais versátil, maximizando os seus resultados em função da integração entre Experiência Corporativa e conhecimentos acadêmicos, de comprovada eficiência”, afirma.

A coach de carreiras comenta que, às vezes, o maior obstáculo desse profissional é a visão pessimista, comumente vinda de familiares e amigos, sobre a pessoa estar “muito velha” para uma reinvenção profissional. “É importante sempre lembrar, que muitas das grandes mentes do mundo são pessoas que quebraram as barreiras do preconceito e superaram a si mesmas, se reinventando com idades mais avançadas e quando ninguém mais acreditava”, diz.

E conclui: “Nunca deixe que alguém diga o que você pode ou não fazer, afinal, você é o único representante do seus sonhos e ninguém pode parar uma pessoa que está determinada em ser cada vez melhor”, finaliza Madalena.

Cresce número de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

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Jovens: 14,4% não estão sequer procurando trabalho ou ocupação, segundo o IBGE (Thinkstock)

Jovens: 14,4% não estão sequer procurando trabalho ou ocupação, segundo o IBGE (Thinkstock)

 

A proporção dos jovens “nem nem”, que não estudam nem trabalham, aumentou em 2015 em relação a 2014

Publicado na Exame

Rio – O número de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam em 2015 cresceu no País, chegando a 22,5% da população dessa faixa etária. Sequer procuravam trabalho 14,4% dessas pessoas.

A proporção dos chamados “nem nem” cresceu 2,5 pontos percentuais em relação a 2014 (20%) e 2,8 frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior porcentual em 2015: 27,4%.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta sexta-feira, 2.

“É quase um quarto dos jovens, e os números mostram que o porcentual dos `nem nem nem’, que não estudam, não trabalham e não procuram trabalho, não varia mesmo em cenários diferentes”, aponta a analista do IBGE Luanda Botelho, referindo-se ao fato de que os “nem nem nem” terem representado 12,8% dos jovens em 2005.

“No caso dos `nem nem’, a piora do mercado de trabalho influenciou o resultado. Quando a economia piora, os jovens são os mais afetados e os que mais demoram a se recuperar.”

Por conta da maternidade e da maior dedicação a afazeres domésticos, o porcentual de mulheres não estudantes e inativas em 2015 era quase o dobro do que o de homens: 29,8%, contra 15,4%.

Em 2005, estas proporções eram 28,1% e 11,1%.Da população feminina de todas as faixas que não trabalhavam nem estudavam, 91,6% ocupava-se das tarefas da casa, incluindo aí os cuidados com os filhos.

Quando se comparam homens e mulheres que trabalham fora, a persistência da sobrecarga sobre elas quanto às atividades domésticas é evidenciada pelos dados do IBGE.

De 2005 a 2015, o número de horas semanais que os homens gastaram com esse tipo de atividade não se alterou: ficou em 10 horas.

Já entre as mulheres o dispêndio de tempo é o dobro disso, e, somada à jornada de trabalho fora, a jornada total semanal feminina é em média cinco horas maior do que a masculina.

A Síntese é feita pelo IBGE desde 1998. Esta edição utilizou números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 e do Censo de 2010, entre outras publicações, e trouxe dados relativos a demografia, famílias, educação, trabalho, distribuição de renda e domicílios. O objetivo da síntese é traçar um perfil das condições de vida da população.

Estudo não aumenta eficiência do trabalho no Brasil, diz pesquisa

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Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

O avanço da escolaridade no país nas últimas décadas não foi acompanhado do aumento esperado de eficiência do trabalhador brasileiro.

A experiência internacional mostra que, à medida que acumulam mais anos de estudo, os profissionais de uma nação, normalmente, se tornam mais produtivos, contribuindo, com isso, para o crescimento da economia.

Dados preliminares de uma pesquisa feita por Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, revelam que isso não parece estar ocorrendo no Brasil.

Entre 1980 e 2010, cada ano a mais de estudo no país foi seguido de um aumento extra de produção de apenas US$ 200 por trabalhador.

O número é irrisório se comparado ao que ocorreu em outros países. Cada ano a mais de escolaridade foi acompanhado de uma expansão de US$ 3.000 de produção por trabalhador no Chile e de US$ 6.800 na Coreia do Sul.

De acordo com Paes de Barros, é possível que a qualidade e o conteúdo do ensino nas escolas brasileiras expliquem por que o país tem sido um ponto fora da curva.

“Pode ser que esse aumento de educação não tenha significado econômico, por isso tenha muito pouco impacto sobre a produtividade”, diz.

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MENORES GANHOS

A piora na qualidade da educação no Brasil também pode ser uma das causas da rápida queda do ganho extra de renda que os trabalhadores conseguem ao aumentar sua escolaridade. Em 2004, cada ano a mais de estudo resultava em um salário 9,6% maior no país. Em 2014, esse retorno caiu para 7,2%.

Outro fator que contribuiu para essa redução, segundo Paes de Barros, foi o aumento do salário mínimo, que elevou a renda do trabalhador pouco escolarizado.

Uma terceira explicação para a queda do prêmio salarial foi a expansão da demanda da nova classe média por serviços menos qualificados, nos últimos anos.

“Nós nos tornamos uma economia intensiva em mão de obra pouco qualificada. Isso tem a ver com o tipo de estrutura de demanda que a economia brasileira gerou.”

Embora esse movimento tenha contribuído para a redução da desigualdade de renda, ele também pode estar afastando o jovem brasileiro da escola: “Isso não ajuda a incentivar as pessoas a estudar mais”.

EVASÃO ESCOLAR

Um dos principais focos da pesquisa conduzida pelo economista —que tem apoio do Instituto Ayrton Senna, do Insper, da Fundação Brava e do Instituto Unibanco— é entender as causas da elevada evasão escolar no Brasil.

O estudo mostra que, a cada ano, mais de um quarto dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos tem um dos seguintes destinos: nem se matriculam na escola (15%); abandonam os estudos (7%) ou são reprovados por falta (4%).

A meta oficial do governo de universalizar o acesso dessa faixa etária à escola até 2016 não foi cumprida.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo IBGE, a parcela de jovens de 15 a 17 anos na escola chegou a 85% em 2015. Esse percentual tem aumentado em ritmo lento nos últimos anos. E os prognósticos de evolução não são positivos.

Pelas contas de Paes de Barros e sua equipe, o Brasil precisaria avançar a um ritmo 23 vezes maior que o atual para universalizar o acesso de jovens de 15 a 17 anos à escola em uma década.

Segundo o economista, o objetivo da pesquisa é ajudar os gestores educacionais a entender as causas do baixo engajamento do jovem com a escola e, com isso, adotar as medidas cabíveis.

No estudo, Paes de Barros e seus coautores explicam que há três grandes causas para o afastamento entre o jovem brasileiro e a escola.

O primeiro grupo de fatores está ligado a problemas como pobreza extrema, distância grande entre o domicílio do jovem e a escola e gravidez precoce.

O segundo motivo é o que eles chamam de “falta de interesse informada” do jovem pela educação formal. “Isso tem muito a ver, por exemplo, com a falta de flexibilidade do currículo do ensino médio”, afirma o economista.

Por último, há o caso de jovens que têm pouco interesse pela escola por falta de informação adequada.

Diploma inútil? Por que tantos brasileiros não conseguem trabalho em suas áreas

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Com tantos graduados no mercado, muitos não conseguem exercer suas profissões - Thinkstock

Com tantos graduados no mercado, muitos não conseguem exercer suas profissões – Thinkstock

 

Ingrid Fagundez, na BBC Brasil

Enquanto você lê esta reportagem, milhares de jovens pelo Brasil se preparam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova que pode garantir a entrada deles na universidade. Os estudantes apostam na graduação para começar uma carreira. No entanto, muitos dos que pegam o diploma hoje não conseguem exercer sua profissão.

A culpa não é só da crise econômica, que levou o desemprego a 11,8% no terceiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, mas do perfil dos recém-formados. Eles se concentram em poucas áreas e, quando buscam uma vaga, percebem que não há tanto espaço para as mesmas funções.

Essa análise foi feita pelo economista e professor da USP Hélio Zylberstajn, a partir de um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.

Os números de 2014, os mais recentes disponíveis, mostram que 80% dos formandos estudavam em seis ramos: comércio e administração; formação de professor e ciências da educação; saúde; direito; engenharia e computação. Ao olhar o que faziam os trabalhadores com ensino superior, o professor notou que os cargos não existiam na mesma proporção dos diplomas.

Um bom exemplo é o setor de administração que, em 2014, correspondia a 30% dos concluintes. Apesar da fatia expressiva, apenas 4,9% dos trabalhadores com graduação eram administradores de empresa. Outros 9,4% eram assistentes ou auxiliares administrativos, função que nem sempre exige faculdade.

“As pessoas fazem esses cursos, mas evidentemente não há demanda para tantos advogados ou administradores. Elas acabam sendo são subutilizadas”, diz Zylberstajn.

O professor também diz que o número total de graduados seria superior ao que o mercado brasileiro pode suportar. De acordo com o Censo do Ensino Superior, em 2014, um milhão de pessoas saíram das salas de aula. Em 2004, eram 630 mil.

Mais gente no ensino superior

Mas o que levou esse número a crescer tanto?

A multiplicação das instituições privadas, ao lado da maior oferta das bolsas do Prouni e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), facilitaram o acesso dos brasileiros à graduação. De 2000 a 2014, a quantidade de instituições dessa natureza aumentou 15%. Outro fator, dizem os entrevistados, é cultural: no país, a beca é sinônimo de status.

“A gente despreza o técnico e supervaloriza o superior. É uma tradição ibérica. Como por muito tempo foi uma coisa da elite, passou a ser considerado um meio de ascender socialmente”, afirma Zylberstajn.

Para a professora Elisabete Adami, da Administração da PUC-SP, esse objetivo está ligado à ideia de que o diploma basta para ganhar mais.

Ela diz que deu aulas em faculdades privadas de São Paulo e notava o desejo de seus alunos de melhorar de vida.

“Na sala, tinha três que eram carteiros, muitos motoboys, o pessoal que trabalhava em lojas. O que eles queriam ali? Subir.”

Rodolfo Garrido foi fazer faculdade de engenharia porque queria ganhar mais  - Arquivo pessoal

Rodolfo Garrido foi fazer faculdade de engenharia porque queria ganhar mais – Arquivo pessoal

Rodolfo Garrido pensava nisso quando largou o ensino técnico para entrar em uma faculdade privada. Ele ganhava R$ 2.600 como programador de produção em uma metalúrgica. Como engenheiro, diz, seu salário poderia subir para R$ 4.000.

Com a oportunidade do financiamento estudantil, decidiu apostar.

“Já trabalhava na área, então só juntei os estudos. Para poder me graduar e ter um salário melhor, poderia ganhar o dobro. Quando surgiu o incentivo do governo, comecei a pesquisar, porque antes era uma bolada.”

Depois de três semestres, teve que deixar as aulas porque ficou desempregado.

Segundo a diretora do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP, Tania Casado, a crença de Rodolfo é endossada por pesquisa. Elas indicam salários maiores para empregos de nível superior. Mas A a professora faz uma ressalva: os estudos são feitos com quem já está trabalhando nesses cargos.

“Os dados são verdadeiros, só que é preciso lê-los corretamente. O fato de você fazer uma faculdade não significa que vai para um vaga desse tipo.”

Os motivos pelos quais Rodolfo escolheu engenharia também ajudam a explicar a concentração dos estudantes em seis áreas, que incluem saúde, direito e computação. São profissões tradicionais, teoricamente mais estáveis e bem pagas. Além disso, são as mais oferecidas pelas instituições privadas, responsáveis por 87,4% da educação superior no país.

“As pessoas vão para faculdades pagas, que têm cursos de menor custo, como Direito e Administração”, diz o professor Hélio Zylberstajn.

Eles são mais baratos porque não usam outros equipamentos a não ser a sala de aula. Cursos de Química, por exemplo, exigem laboratórios e substâncias controladas.

Outro fator para decisões tão parecidas seria a pouca idade com que os brasileiros escolhem uma profissão.

“É uma meninada de 17, 18 anos, que faz Administração porque o pai fez, ou porque acha legal ser CEO”, diz a professora Elisabete Adami, da PUC-SP.

Aceitar o que tiver

Evelyn queria ser administradora de empresas, mas trabalha como assistente administrativa  - Arquivo pessoal

Evelyn queria ser administradora de empresas, mas trabalha como assistente administrativa – Arquivo pessoal

Com tantos professores, administradores e advogados no mercado, muita gente tem dificuldade de conseguir um bom cargo na sua área. Às vezes o jeito é aceitar vagas que pedem apenas ensino médio.

Quando Evelyn Maranhão se formou, em 2011, pensava que seria administradora de empresas. Cinco anos e muitas negativas depois, trabalha como assistente administrativa. Ela registra pedidos e lança horas-extras no sistema de uma empresa de manutenção predial.

“Achei que ia lidar com estatística, relatório, análises, e, na verdade, faço o que uma secretária faria. Imaginava que estaria na tomada de decisões.”

Há quem nem consiga exercer sua profissão.

Antes de cursar enfermagem, Vivian Oliveira trabalhava com eventos. Mesmo depois da formatura, continua organizando congressos, feiras e festas. Nesse meio tempo, diz, mandou incontáveis currículos, mas não foi chamada para entrevistas. Só foi contratada por uma clínica, onde ficou um ano.

“Até há vagas, mas como não tenho muita experiência, eles não chamam.”

Para a enfermeira, o fato de não ter estudado em uma universidade conceituada prejudicou sua trajetória “Se surgir uma posição no (hospital Albert) Einstein, vai entrar alguém de faculdade renomada. Vi que meus colegas buscam fazer pós em lugares reconhecidos, porque colocam esse nome no currículo.”

Formada em enfermagem, Vivian trabalha com eventos  - Arquivo pessoal

Formada em enfermagem, Vivian trabalha com eventos – Arquivo pessoal

 

Faculdade renomada

A falta de experiência e a formação em instituições pouco prestigiadas são os principais empecilhos que os formandos enfrentam nos processos de seleção, diz Luciane Prazeres, coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Luandre.

Prazeres relata que muitos profissionais chegam no mercado sem ter feito estágio porque precisavam trabalhar para pagar os estudos. E alguma experiência na área é sempre requisitada pelos empregadores.

“A maioria são recepcionistas, operadores de call center que buscam o oposto do que estão fazendo. Mas, se ele não sai do mercado para fazer estágio, é difícil conseguir uma oportunidade.”

Segundo ela, é comum que, ao abrir um posto, as empresas peçam candidatos formados em determinada universidade.

Professora na PUC-SP, Elisabete Adami diz notar essa diferença ao ver que seus alunos saem empregados do curso.

“Pega estudantes da PUC, da FGV, do Insper, da USP…eles não estão tão sem trabalho. O pessoal de faculdades de segunda linha não encontra espaço e vai ter que fazer uma pós para complementar a formação.”

Para Adami, houve uma proliferação de escolas com menos qualidade, que entregariam profissionais deficientes.

“Esses conglomerados pagam, em média, R$ 17 a hora-aula. Que tipo de professor você vai ter?”

No entanto, pondera, a estrutura ruim não é sempre sinônimo de profissionais mal-preparados. Só que, nesses ambientes, eles são mais frequentes do que em instituições de ponta.

“Sai gente boa, mas por conta própria, porque são esforçados.”

Entre uma graduação ruim e uma boa formação técnica, diz Adami, ela aposta na segunda.

“Essa mania de ser o primeiro da família a se formar é uma ilusão, mas é forte no Brasil. É algo secular. Na França e na Alemanha, você não tem esse percentual de jovens na universidade.”

Proliferação de faculdades levou à formação de profissionais deficientes, diz professores  - Thinkstock

Proliferação de faculdades levou à formação de profissionais deficientes, diz professores – Thinkstock

Ensino técnico

O ensino técnico é citado pelos entrevistados como uma opção interessante.

Hélio Zylberstajn, da USP, diz que o ensino é negligenciado e faz falta para o país. O professor sugere que disciplinas ligadas ao ensino técnico sejam incluídas na grade curricular do ensino médio, e não em institutos, como acontece hoje.

“Estamos carentes de técnicos. No ensino médio, deveríamos formar mão de obra em cooperação com as empresas.”

Esse tipo de formação é uma possibilidade que deve ser analisada antes da decisão definitiva pelo ensino superior, diz Tania Casado, do Escritório de Desenvolvimento de Carreiras da USP.

“É preciso olhar para o lado e ver que há muitas posições não preenchidas, porque as pessoas não têm estudo específico. Os jovens precisam saber disso ao se lançarem em um curso.”

Se a escolha for pelo ensino superior, Casado diz que o estudante não deve conhecer apenas a profissão, mas as ocupações que ela abrange. Um graduado em Medicina, por exemplo, pode tornar-se um gestor de plano de saúde. Da mesma forma, alguém formado em Administração pode tornar-se um consultor.

Além de analisar as alternativas que o mercado oferece, aconselha a diretora, o candidato deve olhar para si e escolher algo com o que se identifique. Se depois quiser mudar de área, a transição não tem que ser dolorosa. Nem sempre uma nova faculdade é necessária, afirma. Às vezes uma especialização ou cursos livres são suficientes.

“Carreira é isto: olhar o entorno e se olhar, o tempo inteiro. E saber que, à medida que você vai evoluindo, pode haver outros interesses, o que é bom. É preciso se preparar para esses interesses, mas não necessariamente isso passa por uma graduação.”

Curso técnico ainda é visto no país apenas como ‘pré-vestibular’

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Clara Malafaia, na biblioteca da universidade Mackenzie em São Paulo  - Raquel Cunha/Folhapress

Clara Malafaia, na biblioteca da universidade Mackenzie em São Paulo – Raquel Cunha/Folhapress

 

Iara Biderman, na Folha de S.Paulo

Concluir o ensino técnico está longe de significar o fim da carreira estudantil.

“É uma modalidade da educação formal que pode e deve ser o caminho para o curso superior”, afirma Gustavo Leal, diretor de operações do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Entrar na faculdade tem sido o objetivo principal dos alunos destes cursos, segundo João Cardoso Palma, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

“A maior parte dos estudantes que concluem o técnico presta o vestibular, o que é uma distorção”, diz Palma.

Para o professor da Unesp, também membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, o curso profissionalizante deveria ser suficiente em si. “É um desperdício de recursos manter em cursos técnicos alunos que não pretendem ir para o mercado de trabalho, mas sim prestar vestibular.”

Apesar de os cursos profissionalizantes receberem menos de 10% do total de matrículas no ensino médio, eles são considerados “mais puxados” do que os cursos regulares do ensino público.

“O estudante enxerga o técnico como uma oportunidade para vencer o funil do vestibular”, analisa Leal.

Nas escolas técnicas mais conceituadas, o funil vem antes: é preciso passar por uma seleção bastante concorrida para conseguir uma vaga.

ACADEMIA X MERCADO

O cenário é diferente em outros países. “Na Finlândia, que tem um dos melhores sistemas educacionais do mundo, a maior parte dos alunos que termina o curso técnico vai para o mercado, não para a universidade”, diz Palma.

A situação é semelhante na Alemanha. O modelo dual alemão, muito voltado para a inserção no mercado de trabalho, é uma referência mundial em ensino técnico.

É o modelo usado no Colégio Humboldt, em São Paulo, fundado por alemães. Mas no Brasil, ao contrário do que acontece na Alemanha e na Europa em geral, a maioria dos alunos não considera o curso técnico um fim em si.

“Aqui todos querem ir para a faculdade, independentemente de ter perfil acadêmico ou não”, diz Hans Wagner, vice-diretor do Humboldt.

A questão é econômica e cultural. “No Brasil todo mundo quer ser ‘doutor’, é um legado do sistema escravocrata, em que o trabalho manual ou técnico é desvalorizado”, afirma Palma.

Também é mais mal pago. “O salário de quem tem curso superior é três vezes maior do que o dos que só têm ensino médio”, afirma Simon Schwartzman, sociólogo e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.

Bárbara Vias, na empresa onde trabalha, em São Paulo - Raquel Cunha/Folhapress

Bárbara Vias, na empresa onde trabalha, em São Paulo – Raquel Cunha/Folhapress

A preocupação de Schwartzman é o fato de apenas 17% dos jovens no ensino médio de todo o país conseguirem entrar na universidade. “Os que não entram e não têm formação profissional estão despreparados para o mercado de trabalho.”

“Quem faz o curso técnico e depois vai fazer faculdade já sai em vantagem”, afirma Wagner. No Colégio Humboldt, 50% dos alunos do técnico buscam formação universitária após a profissionalizante, segundo ele.

Clara Malafaia, 21, está neste grupo. Ela resolveu cursar gestão em administração após se formar no ensino médio regular. “Não sabia que faculdade fazer. Aos 17 anos é muito cedo para decidir a profissão. Entrei no técnico, e um dos módulos era marketing. Descobri ser o que eu queria.”

Hoje, ela cursa a faculdade de publicidade no Mackenzie, em São Paulo. Durante o técnico, trabalhou em uma empresa de empilhadeiras e na Câmara Brasil-Alemanha, como parte do curso. E já foi chamada para um novo emprego.

“A escola técnica dá a parte prática, que não tem na faculdade. Os dois cursos são complementares”, avalia Bárbara Vias, 19. Como Clara, ela fez gestão em administração.

Foi sua mãe que a incentivou a cursar o técnico. “Ela trabalhou 26 anos numa grande empresa, sabe que o mercado está cada vez mais competitivo e este curso pode fazer a diferença”, diz Bárbara.

Durante a formação técnica, ela afirma ter ganho experiência no dia a dia de uma empresa, passando por todos os setores, do financeiro à logística e vendas.

Em março, foi efetivada no emprego como assistente administrativa, mas não desistiu de seguir os estudos. Bárbara entrou em direito e é hoje a caçula de sua turma de faculdade, conta.

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