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8 livros de leitura indispensável para os executivos em 2015

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8 livros de leitura indispensável para os executivos em 2015

Luísa Melo, na Exame

São Paulo – Um bom administrador precisa se manter sempre atualizado. Pensando nisso, EXAME.com consultou alguns especialistas e elaborou uma lista de 8 livros lançados este ano que vão ajudar os executivos começar 2015 com os horizontes ampliados.

São títulos com conhecimentos práticos para absorver, histórias para se inspirar e outras para aprender a não repetir.

“É importante que o gestor busque publicações que não estão na estante da administração, para oxigenar. É necessário estar atento a temas que não dizem respeito à formação técnica, mas que estão em curso dentro das organizações”, diz o professor Anderson Sant’anna, da Fundação Dom Cabral.

Tudo ou nada

Tudo ou nada

“Tudo ou nada” é uma grande reportagem. Nela, a jornalista Malu Gaspar apresenta ao leitor uma pesquisa profunda sobre o empresário Eike Batista e dá voz a pessoas ligadas a ele que nunca antes haviam se pronunciado sobre sua ascensão e decorrada.

Para a professora Liliam Carrete, da FIA e FEA-USP, a leitura desta obra é indispensável aos executivos para que eles aprendam a não cometer os mesmos erros de Eike. “Ele traz uma linguagem investigativa e explica muito bem o que houve”, diz.

Ascensão e queda do império X

Ascensão e queda do império X

Já “Ascensão e queda do império X”, adota outro tom. A obra conta com bom humor as histórias de quem perdeu junto com a queda Eike e também narra como o empresário ergueu seu império a partir do impulso dado pelo pai, Eliezer Batista.

“Este livro é muito interessante para os gestores porque não é só uma biografia, ele também explica o mercado de capitais a partir de referências internacionais”, diz Liliam Carrete, da USP.

Um país chamado favela

Um país chamado favela

Fruto de uma intensa pesquisa feita em conglomerados brasileiros, “Um país chamado favela”, de Renato Meyrelles e Celso Athayde, traça um perfil sem estigmas desses locais e revela por que eles concentram oportunidades para o país.

“O livro mostra como as pessoas da classe emergente se comportam, que valores elas têm. É interessante para os gestores porque grande parte dos consumidores e trabalhadores das empresas faz parte desse público”, diz o professor Anderson Sant’anna, do Núcleo de Desenvolvimento de Liderança e Pessoas da Fundação Dom Cabral.

Walking the talk - A cultura através do exemplo

Walking the talk – A cultura através do exemplo

Na obra lançada em português neste ano, a consultora Carolyn Taylor usa sua experiência prática para definir o que é a cultura organizacional e discorrer sobre a sua importância na condução da estratégia de uma empresa.

“O grande desafio dos gestores é a questão da cultura e a Carolyn a coloca de uma maneira muito simples, indicando três principais vetores e como destrinchar cada um deles. Ele ajuda os executivos a entender que a mensagem precisa ser passada em todos os sistemas da empresa, da marca ao modelo orçamentário”, diz a professora Leni Hidalgo, do Insper.

Geração de valor

Geração de valor

Neste livro, o autor Flávio Augusto da Silva, nascido em uma família simples da periferia do Rio de Janeiro, conta como se tornou um dos mais jovens bilionários do país ao criar a rede de escolas de inglês Wise Up.

“Precisamos estudar a trajetória de empresários brasileiros e não só de nomes como Bill Gates e Steve Jobs. O Flávio não tinha nada, enfrentou muita dificuldade para chegar aonde chegou. É uma história para ser aproveitada tanto na vida profissional quando na pessoal”, diz Liliam Carrete, da USP.

O acaso favorece quem se prepara

O acaso favorece quem se prepara

Este livro faz parte da coleção “O que a vida me ensinou”, da Editora Saraiva. Nele, o economista Maílson da Nóbrega conta como, vindo de uma família pobre do interior da Paraíba, teve de (mais…)

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

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Julio aposta na faculdade de Engenharia de Produção. Davi Ribeiro

Julio aposta na faculdade de Engenharia de Produção. Davi Ribeiro

Há mais jovens nos bancos escolares e menos nas filas de emprego

André Barrocal, no Carta Capital

Julio Marks Morales de Silva, de 18 anos, acaba de concluir o primeiro semestre de Engenharia de Produção em uma faculdade paulista. No Rio Grande do Sul, Verônica Sallet Soster, de 19, encerrou o segundo em Arquitetura. Distantes 1,1 mil quilômetros, ambos vivem histórias parecidas. Com o apoio dos pais, concentram-se em livros e provas e adiam a busca de trabalho. “Às vezes, eles me dizem para eu procurar algo, pela experiência. Mas só estudar é bom, tenho mais tempo para me dedicar ao curso”, comenta Julio. “Eu vivo uma situação particular, tenho bolsa de 80% porque minha mãe é professora na universidade. Acredito que podendo me empenhar agora no estudo, terei mais qualidade”, avalia Verônica.

A dupla participa de um capítulo raro na biografia nacional. A rapaziada nunca foi tão numerosa nas faculdades, enquanto a massa de jovens com emprego é das menores do século. A combinação explica um paradoxo escancarado neste ano. A economia quase parou em 2014 e teve um de seus piores resultados dos últimos tempos (em 12 meses, o crescimento não chegará a 1%). O desemprego, contudo, seguiu declinante e chegou a pisos históricos, na casa dos 5%. A perda de fôlego na criação de vagas foi compensada pela redução da tropa a folhear classificados, graças à turma com dedicação exclusiva à conquista do diploma, entre outras causas.

A quantidade de brasileiros com idade entre 18 e 24 anos em cursos de ensino superior atingiu um recorde, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada em setembro. Era de 16,5% em 2013. Sobe sem parar desde 2004, quando estava em 10,5%. No período, a presença dos jovens no mercado de trabalho percorreu trajetória inversa. A proporção dos empregados, informa a Pnad, era de 60,8% em 2013. Após um pico de 64% em 2008, ano da crise financeira global, só fez recuar, até tornar-se a menor desde 2003.

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

 

A crescente opção dos graduandos por concentrar-se nos estudos ampara-se em duas razões. A primeira: os cursos ficaram mais acessíveis e baratos. Em uma década, dobraram as vagas e matrículas nas universidades federais. Programas como o Fies, de crédito estudantil subsidiado, e o ProUni, de isenção de impostos a instituições receptoras de alunos de baixa renda, duplicaram as inscrições na rede privada. Além disso, a criação de 20 milhões de vagas de trabalho e a alta dos salários abriram uma folga no orçamento das famílias capaz de tirar dos filhos a pressão por contribuir com o sustento da casa.

O quadro fica nítido a partir de 2011, aponta Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, que elabora a Pnad. É quando a força de trabalho não ativa – indivíduos aptos, mas que por decisão própria não buscam emprego – começa a crescer e situar-se em outro patamar. Se, na década passada, estava em 31%, agora anda pelos 34%. Por causa dos universitários, em boa medida. “Os jovens são o grupo com mais barreiras para conseguir emprego, por falta de formação e qualificação, e o mercado está cada vez mais exigente. Se eles só estudam, melhoram seu desempenho educacional e suas oportunidades”, explica Azeredo.

A dedicação ao estudo abre uma perspectiva promissora, e não só para quem permanece nas escolas. Mais bem capacitada, a mão de obra nacional dotará a economia de melhores condições para enfrentar rivais estrangeiros aqui ou no exterior. As forças produtivas esperam por isso. E com êxito, ao que parece. Desde 2011, os cursos de Engenharia passaram a ser mais procurados do que carreiras como Direito. “Veremos resultados importantes daqui a 10, 15 anos. Teremos um incremento no valor agregado da nossa produção, o que vai permitir maior crescimento da renda e do PIB”, afirma o ministro da Educação, Henrique Paim.

O aumento da chamada produtividade tende a causar demissões, pois um grupo menor de empregados consegue gerar mais riqueza. Se a preferência dos jovens por se dedicar à graduação ocorresse em um ambiente de elevado desemprego, os trabalhadores, em seu conjunto, teriam razões para temer. Como não é o caso, talvez até tirem proveito. “Eles vão poder participar mais dos resultados das empresas. Mas para isso o sistema público tem de investir em formação técnica e na intermediação da busca de trabalho”, aconselha Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese).

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

O País também tem suas obrigações para com os caçadores de diploma. De nada adiantará um canudo, se não houver vagas para as funções cobiçadas. Os jovens são um fator determinante do mercado de trabalho e desequilibram os índices de desemprego. A desocupação na faixa entre 18 e 25 anos costuma ser o triplo da média, segundo estudos internacionais. “O mercado de trabalho juvenil até agora não foi afetado pelo baixo crescimento, mas, se for, o mercado de trabalho inteiro vai sentir. O Brasil precisa voltar a crescer”, afirma Waldir Quadros, um dos maiores especialistas do tema, professor aposentado do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp.

A perspectiva de dias piores passa longe dos pensamentos de Julio e Verônica, exemplos citados no início da reportagem. Eles estão certos da recompensa pelo esforço. “Não acredito que terei dificuldades para encontrar um emprego, pois arquitetura é muito importante hoje em dia”, acredita a gaúcha, que tem planos de conseguir estágio para realizar o sonho de um dia trabalhar pela recuperação do patrimônio histórico. “Como engenheiro de produção, posso trabalhar em qualquer área, a carreira oferece oportunidade em hospital, indústria, banco”, afirma o paulista. “O País vai precisar, independentemente do setor.”

A universidade burra

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Alguém até pode dar aulas numa faculdade só pela experiência. Mas incomoda quem está no “esquema”

caderno

Walcyr Carrasco, na Época

Falo por experiência própria: a universidade brasileira é burra. Não me refiro só às públicas. As particulares também. Sou da área de comunicações e artes, faço talvez uma ressalva quanto às de exatas. Mas, como são regidas pelas mesmas regras e pelo enorme contingente de acadêmicos, em sua maioria dedicados a escrever teses que ninguém lê, arrisco dizer que não há muita diferença.

Tomei consciência disso há alguns anos, ao ler aqui e ali que este ou aquele escritor americano fora professor residente numa universidade, com cursos de escrita criativa. Nem todo escritor americano é best-seller. Muitos autores bons gramam com tiragens pequenas. Há essa válvula de escape, dentro do sistema universitário, que atrai profissionais do mercado para compartilhar suas experiências. Inicialmente, como sempre a gente faz, culpei o governo brasileiro, cujas leis provavelmente impediriam essa participação. Surpreso, por meio de conversas com docentes e diretores de universidades, descobri que a possibilidade existe. Alguém pode dar aulas numa universidade apenas por sua experiência. Chegaram a tentar, no Rio de Janeiro, com um ator famoso. Mas ouvi:

– Essas pessoas não se adaptam ao esquema.

Exato. Incomodam. O sistema universitário brasileiro é rançoso. As pessoas só ascendem por meio de trabalhos acadêmicos. Os outros incomodam.

Fiz jornalismo na Universidade de São Paulo. Trabalhei nos mais importantes veículos da imprensa escrita deste país. Fui diretor de redação. Jamais fui convidado para dar um curso, ou workshop, em escolas de jornalismo. Também fiz carreira na televisão. Sou autor de novelas. Quem me conhece sabe que, graças a Deus, tenho emprego numa empresa que admiro, a Globo. E que minhas novelas fizeram sucesso aqui no Brasil e também em muitos países do mundo. Alguém me chamou para um curso de roteiro?

Óbvio, não estou procurando emprego.

Me surpreende esse desinteresse pelo que eu poderia oferecer. Só a própria TV Globo, por meio de seu programa de contato com as universidades, manifestou interesse. Dei uma palestra numa faculdade do Rio de Janeiro, particular. Não houve um minuto em que algum aluno não entrasse ou saísse. Em nenhum momento, um professor aconselhou a parar com aquele ir e vir. Perdi a concentração.

Anos depois, um amigo e aluno me convidou para uma palestra em sua classe de teatro, numa universidade particular de São Paulo. Na sala, percebi que uma aluna estava com a filha de 4 anos. Primeiro, avisei que, se alguém saísse, não poderia voltar. Depois, pedi a saída da mãe com a criança, pois a discussão de algum tema poderia ser inadequada. A professora depois me agradeceu, porque a criança atrapalhava as aulas, que, em teatro, muitas vezes exigem leituras despudoradas. Mas não sabia como agir.

Há um ano, uma grande faculdade particular, que cobra altas mensalidades, me convidou para dar uma palestra num festival de cinema. Perguntei quanto pagariam. A resposta foi que não havia verba para isso. Já dei palestras para alunos de escolas públicas sem pensar em grana. Certa vez, fui a um bairro de periferia, na divisa de São Paulo, onde o portão de ferro era trancado para evitar a violência das ruas. Jamais cobraria nada de uma população carente, desde que tenha agenda. Mas de uma faculdade caríssima? Expliquei: o cachê era uma questão de respeito. Desistiram de mim.

Agora, vamos ver: quem são os mestres das grandes escolas de comunicação? Jornalistas que trabalharam em algum lugar há 20, 30 anos. Roteiristas fora do mercado. Gente que, reconheço, tem seu valor. Conhecem teoria, têm tempo para estudos aprofundados. E me desculpem as raríssimas exceções, que não conheço. Mas não pode ser só isso.

A universidade se distancia da realidade do mercado de trabalho. Muitos conhecidos da área e eu sentimos que seria bom compartilhar nossa experiência, não pela grana, mas para exercer uma função social. Trocar. Formar. Não pretendo fazer uma tese, mas meu trabalho já não me habilita a dar aulas de roteiro? Se ambicionasse uma cátedra, teria de seguir todos os passos da burocracia acadêmica. Que, pior, entrega ao mercado gente absolutamente despreparada. Jornalistas que não escrevem, atores que não representam, roteiristas capazes de tão somente fazer uma linda tese sobre roteiros, como seus mestres. Os acadêmicos tremem diante da ideia de seus castelos ruírem. É burrice, deles e do sistema. Ninguém devia tremer, mas compartilhar.

Mais de 70 instituições de ensino oferecem vestibular de inverno

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Estudantes que estavam indecisos no início do ano têm nova oportunidade.
Muitos dos cursos oferecidos oferecem menor concorrência.

Publicado por G1

1Mais de 70 instituições de ensino estão com inscrições abertas para o vestibular do meio do ano em todo o Brasil. As provas de inverno oferecem aos estudantes a oportunidade de tentar ingressar em uma boa universidade caso não tenham sido aprovado no vestibular de verão, descansar por alguns meses ou fazer um intercâmbio após o ensino médio, ou ainda se preparar mais meio ano para disputar o vestibular. Além disso, em alguns casos, a concorrência é menor.

A cada ano mais universidades optam por oferecer aos jovens a oportunidade de prestar vestibular no meio do ano. Isso se tornou uma excelente oportunidade para as instituições preencherem as vagas remanescentes do vestibular convencional.

O vestibular no meio do ano também é uma boa opção para quem estava em dúvida e enfim decidiu que curso fazer. “Agora existem as redes sociais, as pessoas devem procurar se informar, conversar com aquelas pessoas que já estão no mercado para ver se é isso mesmo que elas querem”, orienta Célio Tasinafo, diretor de um cursinho pré-vestibular.

Um diploma na mão pode fazer a diferença no mercado de trabalho. Levantamento do IBGE feito em 2011 mostrou que profissionais com curso superior tiveram salário 219% maior que na comparação com quem não tinha essa formação.

Quem investiu nos estudos, ganhou mais: o salário médio em 2011 para quem tinha o ensino superior foi de R$ 4.135,06 e para quem não tinha graduação foi de R$ 1.294,70. O levantamento mostra ainda que os homens tiveram ganhos 25% maiores do que as mulheres.

1A professora Margarida Limena, pró-reitora de graduação da PUC, participou de um chat ao vivo no site do Jornal Hoje e respondeu dúvidas sobre a escolha da carreira. Veja no vídeo ao lado.

Quais valores a educação deve transmitir?

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Lydia Cintra, na Superinteressante

Atenção, educadores. Vocês já devem saber, mas não custa repetir: o papel de vocês no mundo é essencial. Ensinar, aprender e retransmitir conhecimento é uma das formas mais nobres de se colocar neste planeta, passar valores e formar verdadeiros cidadãos. Por isso, este texto é especialmente para vocês.

Mas não deixe de ler se você não é educador. Ele também se aplica a todos que acreditam que a educação é a única saída – ou melhor, o único meio – para transformar e fazer do mundo um lugar mais justo, humano e interessante para se viver.

Não se pode esperar, portanto, que as práticas educacionais sejam neutras. É como a imparcialidade no jornalismo: utopia. Quem educa é movido por ideias e ideais. Saber reconhecê-los na sociedade em que vivemos é que consta como grande desafio. “Cabe perguntar qual tipo de ideologia que a educação vem inserindo ao sabor das diversas tendências políticas e principalmente econômicas, em um sistema que entende a educação como aprendizagem para o mercado de trabalho e não como direito humano”, defendem Moema Viezzer e Mônica Osorio Simons, consultoras em Educação Ambiental.

Moema é cientista social com experiência em Projetos Educativos em áreas rurais do Nordeste Brasileiro e fundadora da ONG Rede Mulher de Educação. Mônica é mestre em Educação, Especialista em Educação Ambiental, Bióloga e responsável pela Área Estratégica de Educação Ambiental da Secretaria da Saúde da Prefeitura de Guarulhos.

Para elas, uma educação transformadora é aquela que promove a crítica, a autonomia, a inserção política e a mudança de hábitos, ações que vão muito além do mero acúmulo de informações. Afinal, um cidadão autônomo e com capacidade crítica tende a não seguir o fluxo das coisas como as coisas são. Quem se depara com o mundo e avalia suas possibilidades, sabe que mudar é necessário.

Moema e Mônica fazem parte da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global. O nome é grande e o motivo é nobre: promover a educação ambiental como primordial para a formação do ser humano. Mas, que fique claro: não estamos falando daquela educação ambiental que ensina a separar resíduos recicláveis. Aqui, ela é a própria educação, aquela que poderíamos chamar de “formal”.

No geral, as questões da educação ambiental estão atreladas a determinadas disciplinas específicas como a de ciências. Mas, na verdade, “ela se vincula muito mais a posturas e valores em um profundo respeito pela dinâmica da vida, do que a conteúdos teóricos que em si mesmos não garantem a mudança de atitudes, haja vista a distância que ainda temos entre a teoria e a prática”, dizem.

Mais abordagens holísticas, menos “caixinhas” de conhecimento. A ideia é trazer a educação socioambiental para o centro da vida cotidiana, o centro dos sistemas de ensino, o centro da gestão ambiental. “Uma iniciativa que pretende contribuir para mudar o mundo e salvar-nos junto com o planeta”. É isso: precisamos, antes de tudo, salvar a nós mesmos.

> on October 11, 2011 in Berlin, Germany.

Tratado de Educação Ambiental

A criação da Rede Planetária partiu de ações iniciadas com a criação do Tratado de Educação Ambiental, que resultou da 1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental realizada no Rio de Janeiro, em 1992, durante o Fórum Global da Eco 92.

O Tratado é formado por 16 princípios e sugere um plano de ação que deve desdobrar-se em centenas de outros planos nos âmbitos mundial, regional, nacional e local. É um instrumento estratégico para que a educação ambiental esteja no cotidiano das pessoas, na vida da comunidade, no ensino formal, no ambiente empresarial, no terceiro setor…

A sua construção contou com a participação de educadoras e educadores adultos, jovens e crianças de oito regiões do mundo (América Latina, América do Norte, Caribe, Europa, Ásia, Estados Árabes, África e Pacífico do Sul). Inicialmente publicado em cinco idiomas, ele serviu de apoio a ações educativas e inspirou a criação de Organizações da Sociedade Civil, Redes de Educação Ambiental e políticas públicas.

As ações mundiais relacionadas ao Tratado deram origem à 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental, iniciada em 2008 e fortalecida com a Rio +20, que aconteceu no ano passado. Logo depois, os trabalhos se voltaram à construção da Rede Planetária do Tratado de Educação Ambiental, uma estratégia de articulação de experiências e trabalhos.

O que está sendo feito no Brasil?

Há diversos exemplos no Brasil para os quais os princípios do Tratado servem como base de ação. O Instituto Ecoar para a Cidadania foi um dos primeiros frutos e se constituiu como referência da Educação Popular Ambiental, atingindo todos os Atores Sociais que interferem na qualidade do ambiente e de vida: escolas, grupos comunitários, empresas e instituições do poder público.

Em Guarulhos/SP foi criado o GTIEA – Grupo de Trabalho Intersetorial de Educação Ambiental (Decreto Lei nº 28698/11) e o município desenvolve diversas linhas de ação pautadas nos princípios do Tratado, envolvendo mais de 100 mil alunos através do Programa Saúde na Escola, tendo também uma rede de 7 Centros de Educação Ambiental que atendem aos diferentes segmentos da comunidade com inúmeras ações regulares numa programação mensal voltada a prática da sustentabilidade.

Em Piracicaba/SP, a OCA – Laboratório de Educação Ambiental da USP vem desenvolvendo estudos especiais e oficinas pautadas no Tratado de EA. O Instituto Paulo Freire desenvolve jornadas locais do Tratado de Educação Ambiental no MOVA-Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, utilizando a metodologia dos Círculos de Cultura proposta por Paulo Freire. O Instituto Supereco atua há 18 anos e já envolveu mais de 1,5 milhão de alunos. Os princípios do Tratado permeiam todas as suas atividades que procuram tornar a educação ambiental transversal e transdisciplinar, incluindo nos projetos pedagógicos a valorização da diversidade cultural dos povos tradicionais e a conservação da biodiversidade.

Outro ponto de destaque é que o Tratado embasa toda a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil (Lei nº 9795/99) cujo grupo gestor é constituído pelos Ministérios de Meio Ambiente e Educação.

O que diz o Tratado?

Conheça os 16 princípios do Tratado de Educação Ambiental:

1. A educação é um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores.

2. A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade.

3. A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.

4. A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social.

5. A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística, enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar.

6. A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação entre as culturas.

7. A educação ambiental deve tratar as questões globais críticas, suas causas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seu contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao desenvolvimento e ao meio ambiente tais como população, saúde, democracia, fome, degradação da flora e fauna devem ser abordados dessa maneira.

8. A educação ambiental deve facilitar a cooperação mútua e equitativa nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas.

9. A educação ambiental deve recuperar, reconhecer, respeitar, refletir e utilizar a história indígena e culturas locais, assim como promover a diversidade cultural, linguística e ecológica. Isto implica uma revisão da história dos povos nativos para modificar os enfoques etnocêntricos, além de estimular a educação bilíngue.

10. A educação ambiental deve estimular e potencializar o poder das diversas populações, promover oportunidades para as mudanças democráticas de base que estimulem os setores populares da sociedade. Isto implica que as comunidades devem retomar a condução de seus próprios destinos.

11. A educação ambiental valoriza as diferentes formas de conhecimento. Este é diversificado, acumulado e produzido socialmente, não devendo ser patenteado ou monopolizado.

12. A educação ambiental deve ser planejada para capacitar as pessoas a trabalharem conflitos de maneira justa e humana.

13. A educação ambiental deve promover a cooperação e o diálogo entre indivíduos e instituições, com a finalidade de criar novos modos de vida, baseados em atender às necessidades básicas de todos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião, classe ou mentais.

14. A educação ambiental requer a democratização dos meios de comunicação de massa e seu comprometimento com os interesses de todos os setores da sociedade. A comunicação é um direito inalienável e os meios de comunicação de massa devem ser transformados em um canal privilegiado de educação, não somente disseminando informações em bases igualitárias, mas também promovendo intercâmbio de experiências, métodos e valores.

15. A educação ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores, atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativas de sociedades sustentáveis.

16. A educação ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vida pelos seres humanos.

Para conhecer mais sobre o Tratado e as ações desenvolvidas, acesse o site ou o Facebook da Rede.

Imagens: Getty Images (1 e 2) Divulgação (3)

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