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Livraria Blooks abrirá loja no Paço Imperial, onde funcionava a Arlequim

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Livraria Arlequim, no Paço Imperial, fecha as portas no dia 18 de maio Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

Anúncio foi feito no dia 28 nas redes sociais; loja inicia suas atividades dia 1º de julho

Publicado em O Globo

RIO — O Paço Imperial terá uma nova livraria a partir do próximo 1º de julho. Após o fechamento da tradicional Arlequim no último dia 18 de maio, o centro cultural abrigará uma loja da Blooks. O anúncio foi feito pelo antigo dono da Arlequim, Ronald Iskin, e a dona da Blooks, Elisa Ventura, em suas redes sociais.

A Blooks ficará no mesmo espaço em que a Arlequim funcionou nos últimos 25 anos.

“Num momento em que acompanhamos livrarias e outras atividades voltadas à produção cultural encerrando suas atividades, é motivo de muito otimismo sabermos que o Paço Imperial segue dedicando sua área de lojas à difusão de produtos culturais de alto nível e relevância”, escreveram Ronaldo e Elisa.

O Centro do Rio, cuja tradição de livrarias remete aos tempos de Machado de Assis — frequentador da Garnier, na Rua do Ouvidor — vem sofrendo com o fechamento de importantes lojas do ramo nos últimos anos . Em março deste ano, a Travessa teve que fechar sua loja na Avenida Rio Branco, pois o espaço, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, avisou que o prédio vai entrar em obras.

No ano passado, a Livraria Cultura da Rua Senador Dantas encerrou as atividades após seis anos funcionando no local. O fechamento ocorreu pouco antes de a rede entrar com pedido de recuperação judicial, devido à crise do mercado editorial. Também fecharam as portas nos últimos anos o tradicional sebo Al-Farábi, point cultural localizado na Rua do Rosário, e a Livraria Marins, na praça Tiradentes .

Tradicional Livraria Arlequim, no Centro do Rio, vai fechar as portas

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Livraria Arlequim, no Paço Imperial, fecha as portas no dia 18 de maio Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

Loja que fica no Paço Imperial está fazendo saldão de seus produtos

Jan Niklas, em O Globo

RIO — Uma das mais tradicionais livrarias do Centro do Rio de Janeiro irá fechar as portas. Em funcionamento há 25 anos, a Arlequim, que fica no Paço Imperial, se despede definitivamente dos cariocas no dia 18 de maio, confirma um funcionário da casa.

O local, onde também funciona um bistrô, é famoso por reunir um acervo de obras de filosofia, história, literatura e artes. Além disso, o espaço vende CDs de gravadoras independentes brasileiras, jazz e clássicos de selos importados e nacionais. A Arlequim contava ainda com uma programação cultural que recebia apresentações de música e lançamentos de livros.

— Aqui tem uma miscêlanea que é rara de se encontrar no Rio. Desde Thelonious Monk e Chet Baker, até Voltaire e Ingmar Bergman, de toda essa cultura você podia encontrar obras aqui — afirma o funcionário.

Até o fechamento definitivo do espaço, os produtos comprados pela loja (que não são consignados) estão sendo vendidos em um saldão com descontos de até 80%.

O Centro do Rio, cuja tradição de livrarias remete aos tempos de Machado de Assis — frequentador da Garnier, na Rua do Ouvidor — vem sofrendo com o fechamento de importantes lojas do ramo nos últimos anos . Em março deste ano, a Travessa teve que fechar sua loja na Avenida Rio Branco, pois o espaço, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, avisou que o prédio vai entrar em obras.

No ano passado, a Livraria Cultura da Rua Senador Dantas encerrou as atividades após 6 anos funcionando no local. O fechamento ocorreu pouco antes da rede entrar com pedido de recuperação judicial, devido a crise do mercado editorial. Também fecharam as portas nos últimos anos o tradicional sebo Al-Farábi, point cultural localizado na Rua do Rosário, e a Livraria Marins, na praça Tiradentes .

“Leitores não faltam”, diz novo curador do Prêmio Jabuti sobre crise no setor

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Reprodução
Pedro Almeida

Elisa Dinis, no IG

Pedro Almeida foi anunciado como o novo curador do Prêmio Jabuti . Com mais de 20 anos de experiência no mercado editorial, já trabalhou em diversas editoras no Brasil e foi responsável por alguns best-sellers como “Marley & Eu”.

Sonho de consumo de diversos autores, Pedro é um nome forte no mercado e juntou um time de peso para ajudá-lo em sua gestão. Além de editor, Pedro é também professor e sócio na Faro Editorial.

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional do mercado literário. Criado em 1958 pela Câmera Brasileira do Livro (CBL) tem premiações para as diversas esferas que envolvem a produção de um livro, como adaptação, tradução e as tradicionais por gêneros literários.

Confira nosso bate-papo:

Quarta Capa: Primeiro parabéns pela indicação! O que essa nomeação representa na sua carreira?

Pedro Almeida : Apesar de participar da Premiação desde 2016, nas curadorias dos professores Marisa Lajolo e Armando Bagolin, o desafio é enorme, mas eu adoro desafios! E nesse tempo participando como membro do conselho pude confirmar uma crença: a de que uma premiação cultural tem o poder de incentivar a leitura, a Educação, de valorizar a cultura. Isso é o que me move e que me fez aceitar o convite.

Q.C.: A edição passada teve algumas polêmicas. Como você enxergou tudo o que aconteceu?

P.A.: Foram feitos muitos ajustes, oriundos de demandas de todas as partes, que eram adiadas frequentemente. Diante disso, alguns ajustes se fazem necessários à edição passada, e nas próximas também. As polêmicas foram supervalorizadas diante do que foi bem positivo. Quem viu o resultado do prêmio percebeu que muitas escolhas renovaram a premiação, deram mais destaque aos vencedores, e era tudo o que desejávamos na época.

Q.C: Você trabalha no mercado editorial há mais de 20 anos. Você o escolheu ou foi escolhido?

P.A.: Fui escolhido. Venho de uma família em que a Literatura não era um hábito comum. Foi um interesse particular, pessoal, despertado na juventude. E tive de me dedicar mais para lidar com o atraso, com o tempo perdido das leituras que não fiz antes. Aos 23 comecei a ler freneticamente, de tudo, em geral, os clássicos: Oscar Wilde, Genet, Machado, Alencar, Clarice, Cecília e tantos outros.

Q.C: Mas antes você estava trabalhando com o quê?

P.A.: Minha carreira teve início em área totalmente diferente. Aos 16 saí de casa para estudar na escola de Especialistas de Aeronáutica. Aos 18, já formado, e como sargento, trabalhava na área de controle de tráfego de aeroportos, por 5 anos no aeroporto de Congonhas. Mas a vida me conduziu ao ambiente das redações. Primeiro das revistas, depois dos livros, de onde nunca mais saí.

Q.C: Como sócio de uma Editora, como vê essa crise que o mercado está passando?

P.A.: Estamos diante de um cenário complexo. Não é da falta de leitores, mas do risco das maiores livrarias falirem. Já houve um baque enorme em 2018. Pode acontecer uma segunda fase desta crise e isto levar ao fim de muitas editoras. É importante que as empresas meçam seus riscos e não apostem todas suas fichar num único caminho. Se o vento parar de soprar, será preciso ligar o motor ou acionar os remos para continuarmos navegando. Leitores não faltam.

Vivemos algumas gerações de falta de incentivo à leitura, de desprestígio do livro, de uso da literatura apenas para fazer provas. Literatura é essencial para a formação de um povo, para a educação. Não consigo ser pessi mista porque penso que já atingimos o fundo do poço, e as novas gerações de leitores, editores, autores e professores vão mudar esse quadro.

Q.C: Agora recebemos a polêmica notícia sobre o teto de R$ 1 milhão para captação de recursos via Lei Rouanet…

P.A.: Essa notícia pegou muita gente de surpresa. Inúmeros festivais de literatura como Bienais, feiras do Livro e a Flip utilizam a Lei Rouanet para captar recursos. Não se pode colocar no mesmo patamar uma instituição de classe como a CBL ou o Snel, que fomentam eventos culturais e inserem centenas de pequenas empresas editoriais em evento cultural com a mesma restrição que se pode fazer a um artista ou banda. É algo que precisa ser revisto e creio que diante desse quadro, desconhecido por quem propôs a redução do teto, isto deverá acontecer.

Q.C: As plataformas de auto publicação estão ganhando mais espaço. Como enxerga esse mercado sendo você um editor do chamado “publicação tradicional”?

P.A.: Acho todas essas plataformas são complementares, e isso é o que está trazendo novos leitores a cada ano. Mais pessoas escrevem e lançam e isso faz todo o ciclo se movimentar: mais autores, mais leitores, mais livros em diferentes meios e formatos. Muitos autores foram contratados por mim depois de terem lançados suas obras por essas plataformas. Elas são um bom caminho para quem não tinha oportunidade de mostrar o seu trabalho às editoras.

Q.C: Quais dicas você pode passar para os autores que desejam participar de concursos e prêmios literários?

P.A.: Cada concurso tem seu foco. A coisa mais importante é ver quais livros são premiados e participar daqueles que estão no mesmo segmento que o seu. Há uma infinidade de focos, mesmo quando falamos em prêmios de ficção, romance nacional. Há concursos que escolhem apenas os mais literários, outros que valorizam o aspecto temático em igual medida. Premiações ajudam sobretudo aos novos escritores a encontrar mais leitores e casas editoriais para suas obras.

Q.C: Agenciamento literário internacional é uma realidade há décadas. Aqui no Brasil estamos profissionalizando cada vez mais essa prática com os autores nacionais. Como você lida com os agentes para publicação de nacionais?

P.A.: Mais da metade dos meus autores nacionais são agenciados. Para mim é uma facilidade, pois muitas questões práticas são resolvidas mais facilmente com os agentes. Sei que há poucos agentes para tantos autores ainda, mas é uma questão de tempo. Nos últimos cinco anos o número de agentes praticamente triplicou em nosso mercado.

Q.C: Além de publisher, você também é professor de cursos na área editorial. Como tem avaliado a busca por profissionalização no nosso mercado?

P.A.: Na década de 1990, quando comecei, não havia cursos. Tudo o que aprendíamos era na prática ou em livros importados. Decidi dar aulas quando vi que o pouco que sabia era algo necessário para quem chegava ao mercado. E que não precisaria esperar 10, 15 anos como eu, para acumular sozinho.

Dar aulas, para mim, é uma forma de retribuir o que recebi de outros, e um caminho para lidarmos com o nosso atraso nesta formação. Não há muito espaço para o autor ou o editor idealista, sonhador, que se preocupava apenas com aspectos artísticos de uma obra, sem orientar-se por sua viabilidade. É isso o que esses cursos proporcionam, e podem evitar qu e empresas quebrem por excesso de idealismo ou falta de educação editorial profissional.

Q.C: Você tem vários sucessos em seu currículo, como Nicholas Sparks e Marley & Eu. O que podemos esperar para esse ano na Faro Editorial?

P.A.: Sinto-me feliz quando livros que eu público se comunicam com muitas pessoas. Não é fácil reproduzir grandes sucessos. A boa escolha é apenas uma parte do processo. A primeira, mas não é raro ver obras que tinham enorme potencial, alcançarem resultados medíocres. E obras regulares alcançarem resultados fantásticos. As estratégias, comercial e de marketing de uma obra, fazem muita diferença.

No próximo mês lançaremos o 4º livro de um autor americano de suspense que tenho o maior orgulho em publicar. Fomos o primeiro país a adquirir os direitos de sua obra. Sabia que não conseguiria torná-lo um sucesso no Brasil sendo que se tratava de livro de estreia, publicado nos EUA numa pequena casa, sem muito marketing. Mas acreditamos na escrita dele e, depois de mais de 150.000 exemplares vendidos aqui com três obras, estamos fazendo uma aposta com tiragem incial de 50.000 exemplares. Charlie Donlea, Uma mulher na escuridão.

Q.C: Gostaria de encerrar com algumas dicas para autores que desejam ingressar no mercado. O que pode dizer a eles?

P.A.: Escrever é como uma segunda língua. E cada gênero deve ser encarado como um idioma extra. Muita gente acha que escrever é uma consequência natural do domínio de um vocabulário e das regras de um idioma. Não é. Trata-se de uma atividade profissional que requer interesse, talento e muito esforço. Autocrítica para descobrir um gênero em que é melhor e investir nele.

Nos cursos editoriais que ministro com a agente Alessandra Ruiz explicamos que antes a pessoa publicava um livro e atraía leitores. Hoje uma pessoa precisa ter leitores para publicar um livro. Então, não há espaço para quem nunca publicou textos em sites, blogs, jornais, revistas e, de repente, surgir com um livro para publicar. Quer se tornar escritor? Exponha sua escrita. Se houver leitores interessados nela, aí você descobriu algo que vale a pena investir. E editoras aparecerão.

Nova série do canal Curta mostra bastidores do mercado editorial

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“Esse Negócio de Livro” é a nova produção do canal Curta. Divulgação / Canal Curta

Cristina Danuta

 

Hoje, às 22:50h, estreia “Esse Negócio de Livro”,  a nova série de 14 episódios do canal Curta.

A série falará sobre a produção e os bastidores da publicação de livros no Brasil, contando, inclusive, com depoimentos de escritores, editores, agentes literários, designers, tradutores e livreiros. Desde Harry Potter a Vidas Secas, a atração também abordará curiosidades sobre o mundo dos livros. A direção é de Adriana Borges e Lúcia Tupiassú.

Com informações de Gaucha Zh

Por que presentear quem você ama com livros neste Natal

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Uma biblioteca demarca territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais onde até mesmo os livros não lidos têm sua função Julio Cordeiro / Agência RB

 

Luiz Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores busquem soluções “criativas e idealistas” para a crise editorial

Claudia Laitano, no Gaúcha ZH

Já leu isso tudo? Quem guarda muitos livros em casa acaba se acostumando a ouvir essa pergunta – principalmente de quem que não têm o hábito de ler ou comprar livros. A ideia por trás da questão é a de que livros são como utilidades domésticas que devem ser colocadas em uso para não perder o sentido, mas qualquer um que gosta de ler sabe que uma biblioteca expressa não apenas um plano prático de consumo imediato, mas também o vago desejo de demarcar territórios imaginários de afinidades literárias e intelectuais. Uma biblioteca é uma carta de intenções, um plano de voo, um projeto de vida.

A minha começou como uma estante de apenas três prateleiras, fragilmente aparafusada na parede de um quarto minúsculo, e hoje ocupa todas as paredes de uma sala inteira. Não li todos aqueles livros e é pouco provável que isso aconteça um dia. Mas isso não me aflige ou exaspera. Pelo contrário. Todos os meus livros, inclusive os não lidos, me representam e iluminam. São um retrato dos meus interesses, da pessoa que eu gostaria de ser, assim como da pessoa que eu fui e da que talvez, com sorte, um dia eu me torne. Uma biblioteca é um jardim de possibilidades essencialmente inesgotáveis, um organismo vivo que cresce, ganha novas formas, se recria. Se os meus livros ocupam tanto espaço na minha casa, não é apenas porque construí uma vida afetiva, profissional e intelectual em torno deles, mas porque a potência desse conjunto toca meu coração todos os dias – como qualquer coisa bela e transcendente que não se torna invisível com o passar do tempo.

Nos últimos meses, as notícias sobre o mercado editorial brasileiro têm deixado aflitas as pessoas que amam os livros. Governos comprando menos em função da crise, o consumo das famílias em queda, duas das maiores redes de megalivrarias do país (Cultura e Saraiva) entrando em recuperação judicial e uma política agressiva de descontos da Amazon desconcertando o já não muito sólido ecossistema de edição e distribuição no país são alguns dos fatores que contribuíram para esse momento de extrema fragilidade do mercado.

Na última terça-feira, o dono de uma das maiores casas editoriais do país, Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, lançou uma comovente carta aberta falando sobre sua preocupação com o futuro do mercado editorial brasileiro: “O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador”. Schwarcz propõe que editores, livreiros e autores encontrem soluções “criativas e idealistas” para enfrentar a situação.

Mas termina o texto com um apelo direto aos leitores: “Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro”.

Se você, como eu, ama os livros e o que eles significam, faça sua parte: neste Natal, dê o mundo de presente para quem você ama.

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