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Mercado Editorial x Retratos da Leitura no Brasil

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Foto: Banco de Imagens / ESRA SIRMAN

Tatiany Leite no Vá Ler Um Livro

A “Bíblia Sagrada” já vendeu, aproximadamente, 3,9 bilhões de cópias. O livro “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi, já vendeu 8 milhões de exemplares. O livro erótico, “Cinquenta Tons de Cinza”, chegou ao número de 100.000 obras vendidas. Com um baixo número de 88 milhões de leitores em todo o Brasil, perguntamos: Para onde vão esses livros? Quem os está lendo? Para que os estão comprando?

Há dez anos o Ibope Inteligência em conjunto com o Instituto Pró-Livro (IPL) tem elaborado a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada com 5.012 pessoas, de 315 municípios. Apenas na terceira edição e considerando como leitores aqueles que leram um livro nos três meses anteriores ao questionamento, a pesquisa de 2011 divulgou que, no Brasil, são leitores apenas 50% da população (88,2 milhões de pessoas). Um número já complicado que só piora ao compararmos com o triste, mas melhor, resultado de 2007 que apresentava como ávidos da leitura 55% da população, ou seja, 95,6 milhões de pessoas. Além disso, a quantidade de livros lidos por ano, por esses poucos leitores, indicava 4,7 em 2007 (considerando os livros escolares) e caiu para 4 na pesquisa do ano passado. Em relação à queda de resultados, a jornalista Raquel Cozer, que assina a coluna Painel das Letras na Folha de S.Paulo, disse em seu blog, “talvez o problema esteja na forma como a pesquisa foi feita ou lida em 2007. É provável que os números estivessem errados antes, e não que a situação tenha piorado.”, analisa.

A pesquisa quantitativa, por sua vez, é feita com a aplicação de um questionário com 60 questões estruturado por meio de entrevistas presenciais em domicílios, feitas com pessoas residentes no Brasil, há cinco anos ou mais, alfabetizadas ou não. Com o total de 5012 entrevistas e uma margem de erro de 1,4%, 315 municípios foram visitados pela equipe do instituto que, em sua apresentação, aponta uma considerável porcentagem de 93% de amostragem na última pesquisa de 2011 (contra 92% na de 2007 e 49% na de 2000). Se os dados foram colhidos erroneamente em 2007, como alguns jornalistas, como Cozer, têm acreditado, os resultados ainda não são agradáveis, mas podem explicar parte dos números de vendas, destacando, por exemplo, a Bíblia e livros religiosos como os preferidos da população e, ainda, colocando nomes como padre Marcelo Rossi em 14º lugar na lista de preferências (nem aparecendo na de 2007 já que, na época, seu livro ainda não havia sido publicado) e pastor Silas Malafaia, em 24º, possivelmente por conta de seus onze livros que já venderam mais de 1 milhão de cópias.

Pesquisa x Pesquisa

O problema piora ao tentarmos analisar as pesquisas feitas para sentir o crescimento do mercado editorial. Encomendada anualmente pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro revelou uma venda de quatro bilhões de reais em livros, com 469 milhões de obras vendidas. Enquanto em 2007, este número estava bem abaixo com R$ 3.013.413.692,53 milhões de reais e 329.197.305 exemplares. Por que o crescimento se deu com tal tamanho, de 2007 para 2011, apenas nas vendas e não nos números de leitores? Têm-se, segundo a pesquisa da Pró-Livro, aproximadamente e atualmente, 88,2 milhões de leitores no Brasil, então, para onde vão os outros aproximadamente 381 milhões de exemplares vendidos?

É claro que tais diferenças, por mais drásticas que pareçam, podem ser esclarecidas por conta das diferentes técnicas de abordagem da pesquisa e outras questões não mencionadas. Mas, ainda carecemos de uma pesquisa bem elaborada que possa nos dar, com precisão, as questões de leitura do Brasil, “[Nós] acreditamos que o crescimento nas vendas reflita essas duas realidades [a economia brasileira e o sucesso de políticas públicas para o livro]. Desde que o brasileiro se viu com uma margem um pouco maior para fazer investimentos em lazer, e com a crescente conscientização sobre a importância da leitura para o crescimento profissional e pessoal dos indivíduos, temos observado uma aceleração na venda de livros. Soma-se a isso a ampliação dos programas de compras de livros pelos diferentes níveis de governo.”, conta Karine Pansa, presidente da CBL. Ao ser perguntada, pelo blog acesso do Instituto Votorantin, sobre o disparate de informações entre as pesquisas, Karine tenta explicar, “Não há uma explicação científica para esse aparente desequilíbrio, mas a nossa interpretação é de que o público brasileiro que já era leitor está lendo em maiores quantidades, mas que, infelizmente, estamos avançando muito lentamente no sentido de ampliar o número de leitores no Brasil.”.

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Profissionais que deixaram a redação dão dicas para ingressar no mercado editorial

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Brasil consumiu quase 470 milhões de livros em 2011 (Imagem: Reprodução/Felipe Rau/AE)

Priscila Fonseca, no Portal Comunique-se

Estimado em 4,8 bilhões de reais, o mercado editorial brasileiro está produzindo mais, de acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro de 2011. As editoras brasileiras estabeleceram um novo recorde de vendas para o setor, cerca de 438 milhões de exemplares foram comercializados ano passado. Com o crescimento, é comum ver jornalistas migrarem para esse mercado em busca de novas experiências profissionais.

Para quem deseja deixar a redação e ter maior contato com o mundo dos livros, as jornalistas Michelle Strzoda, diretora editorial da Babilônia Cultura Editorial, e Cristiane Costa, editora de não-ficção da Nova Fronteira, falaram sobre pontos importantes para jornalistas que querem trabalhar nesta área. Antes da mudança para o mercado editorial, Michelle colaborou com Folha de S. Paulo e O Globo, e Cristiane foi editora do ‘Caderno Ideias’ (Jornal do Brasil) e da revista Nossa História.

Com base na experiência das duas jornalistas, veja cinco dicas para ir em busca do ingresso no mercado editorial :
Foco na qualidade. O trabalho na redação é uma vitrine, as pessoas precisam olhar e admirar. Para isso, é essencial desempenhar um bom trabalho, mesmo que desejando sair da redação em que está.

Conhecimento do assunto. 90% dos jornalistas já trabalham, ou tem algum acesso, com o mercado editorial dentro do próprio veículo de comunicação em que trabalha. É preciso ter um conhecimento sobre a área de livros. Saber o assunto que mais te interessa e onde você deseja atuar de uma forma mais efetiva.

Network. Ter bons contatos é essencial. Como no jornalismo de redação, conhecer alguém que possa te indicar, ressaltar a sua competência e fazer lobby por sua contratação acaba fazendo a diferença.

Conhecer o mercado. Frequentar feiras, bienais, trabalhar como tradutor ou até mesmo publicar um livro ajudam a conseguir uma vaga em alguma editora.

Escritor… e leitor. Uma carga de leitura é essencial. Ser um bom leitor acima de tudo. Ler aumenta o vocabulário e estimula a mente.

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