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Livrarias de volta: Lojas reabrem com vendas 70% menores, dívidas com editoras e ‘socorro’ digital

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Publicado no G1

Quando as livrarias fecharam as portas em março, elas já enfrentavam crise no mercado e algumas dívidas. Agora, após mais de 100 dias de quarentena, as lojas que não puderam abrir notaram que poucos clientes migraram para o on-line. Também não houve ajuda ou linha de crédito específicas.

Quando a retomada aconteceu nas cidades mais controladas, as unidades que abriram suas portas saíram da quarentena com desafios a superar:

Vendas 70% menores que o habitual, dívidas ainda maiores e uma folha de pagamento que se manteve a mesma, com ou sem clientes;
E a necessidade de atrair um público ainda com medo de sair de casa, mesmo com abertura em horários restritos, muitas vezes coincidindo com o horário comercial.

O cenário descrito acima foi contado ao G1 pelo presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Vitor Tavares; um dos sócios da Livraria da Travessa, Rui Campos; o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Bernardo Gurbanov; e Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila.

As livrarias entram na categoria de comércio e puderam voltar a funcionar nas cidades em que o setor foi autorizado a reabrir. Assim como o restante das lojas, elas têm de obedecer a algumas regras, como distanciamento entre clientes e barreiras de acrílico nos caixas.

A maior mudança é em relação aos livros manuseados. A cada vez que um cliente folheia um livro, ele precisa ser limpo imediatamente. Para não estragar a capa, o número de unidades embaladas com plástico aumentou.

Em algumas livrarias, a edição folheada e não comprada é embalada novamente antes de voltar para a prateleira.

Queda de faturamento

“Reabrimos, mas todo mundo ainda está assustado e não temos um resultado muito bom. Nas lojas, temos vendido 30% do habitual”, conta Rui Campos, da Livraria da Travessa.

A Livraria da Vila registra a mesma porcentagem de vendas. “Se não conseguirmos manter as despesas das lojas proporcionais ao que vendem, aí a situação complica mais do que já está”, diz Seibel, presidente da empresa.

Mesmo com a queda de 70%, vale a pena abrir. O custo da livraria fechada permanece o mesmo, dizem os empresários.
Os livreiros reclamam da falta de incentivo governamental e só recentemente conseguiram recorrer a empréstimos de bancos privados com aval do BNDES.

Mas obter crédito é um desafio grande para os pequenos. “Quando eles conseguem, geralmente é via banco privado e os juros são altos porque nem sempre as livrarias têm histórico com os bancos ou uma boa condição financeira que garanta taxas melhores”, explica Tavares.

Sem capital de giro, elas não conseguem sequer comprar obras novas e se preparar para a reabertura seguindo os protocolo de segurança, diz Gurbanov.

A Lei Aldir Blanc, sancionada pelo Governo Federal em 29 de junho, prevê linhas de crédito e financiamento de projetos culturais, incluindo as livrarias. Mas as fontes ouvidas pelo G1 dizem que ainda não sabem quando nem como a lei passará a valer.

‘Socorro’ digital

Grandes redes e franquias recorreram às vendas on-line durante os meses de fechamento e conseguiram se salvar. Na Livraria da Vila, as vendas digitais já têm um faturamento equivalente a uma loja pequena. Na Travessa, elas dobraram durante os meses de quarentena.

Já as pequenas muitas vezes não têm tecnologia e conhecimento para vender na internet. “As micro e pequenas mal conseguiram vender por telefone ou Whatsapp. Essas começaram a passar por uma situação terrível”, explica Tavares.

Elas também esbarram na falta de serviço de entrega. “Recomendamos o uso de serviços terceirizados ou mesmo o Rappi. Contratar um motoboy de qualquer jeito não é o ideal, porque pode acabar em alguma infração trabalhista.”

A produção caiu e poucos autores têm lançado obras novas. Além disso, um dos livros lançados na pandemia teve contrato de exclusividade com um vendedor.

“A Amazon exigiu exclusividade de vendas do novo livro do Ciro Gomes [“Projeto Nacional: O Dever Da Esperança”]. Nós tentamos comprar da editora, mas não conseguimos. E é um livro importante. Reclamamos com a LeYa, mas eles alegaram que no momento de crise que estão passando, não tinham como recusar”, conta Campos.

Ajuda às pequenas livrarias

Para ajudar as pequenas unidades, a Câmara Brasileira do Livro, a Associação Nacional de Livrarias e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros se uniram para promover a campanha Retomada das Livrarias.

A campanha é um financiamento coletivo e, segundo Tavares, a ideia é arrecadar o máximo possível até o final de julho para poder disponibilizar o dinheiro em agosto. Até o momento, foram arrecadados R$ 300 mil. A CBL prevê que consigam chegar a R$ 500 mil até o fim do mês. 56% das doações foram feitas por pessoas físicas e 44%, por empresas, principalmente do setor editorial.

Depois disso, uma comissão formada por editores, autores e livreiros vai selecionar 50 livrarias com apenas uma unidade e que tenha 50% do negócio dedicado à venda de livros para receberem R$ 10 mil.

O projeto Retomada das Livrarias esperava receber inscrição de 40 livrarias. Foram mais de 200 pedidos. Os selecionados terão R$ 10 mil para ajudar no aluguel, reposição de estoque e outros gastos que podem fazer o negócio falir.

O Brasil tem, hoje, pouco mais de 2,2 mil livrarias. É um número baixo tanto em relação à quantidade de municípios (5.570) quanto se comparado às unidades que o país já teve.

“Já chegamos a 3 mil livrarias. Mas somos um país de leitura per capita baixa. A última pesquisa do instituto pró-livro mostrou que a média de leitura no Brasil é 2,5 livros por pessoa anualmente. Se dobrássemos essa média, teríamos mais livrarias e até preços mais baixos, porque o valor por escala diminui”, diz Tavares.

Os livros físicos e digitais mais vendidos pela Amazon no Brasil

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Kindle: leitor de livros digitais da Amazon tem diferentes versões à venda no Brasil (Gustavo Marcozzi/Site EXAME)

 

Títulos de autoajuda e clássicos da literatura aparecem entre os mais populares desde 2014

Lucas Agrela, na Exame

São Paulo – A gigante americana Amazon divulgou uma lista inédita de livros físicos e digitais mais vendidos no Brasil desde 2014, quando a empresa iniciou a operação de venda de produtos físicos no país. EXAME obteve acesso aos dados antecipadamente.

As duas listas apresentam resultados diferentes, apesar de terem alguns pontos de convergência, como o livro de desenvolvimento pessoal de Mark Manson – que está entre os dez mais vendidos também nos Estados Unidos.

O clássico de autoajuda de Dale Carnegie “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, foi o recordista de vendas em livros digitais no mercado brasileiro. Esses e-books podem ser comprados e lidos tanto no aplicativo oficial do Kindle, disponível para smartphones Android e iPhones, quanto em leitores digitais da série Kindle, à venda no mercado brasileiro. O título também aparece entre os livros físicos mais vendidos.

Book Friday, da Black Friday da Amazon

A Amazon fará sua própria Black Friday no próximo final de semana. A empresa americana oferecerá descontos de até 80% em livros digitais e físicos. O período do evento chamado pela empresa de “Book Friday” é das 18h de 29 de agosto a 23h59 de 1º de setembro. A Amazon também oferecerá preço promocional para o seu “Netflix de livros digitais”, o Kindle Unlimited. A contratação do serviço por novos clientes custará 1,99 nos primeiros três meses – depois, o preço sobe para 19 reais.

A data pode ajudar a aumentar as vendas de livros digitais no Brasil. O faturamento do mercado de livros digitais, também chamados de e-books, tem aumentado nos últimos anos. Ele passará de 13,1 bilhões de dólares em 2018 para 15,2 bilhões de dólares globalmente até 2023, de acordo com dados da consultoria de mercado americana Statista, complicados em julho deste ano. A mesma previsão estima que o número de leitores de livros digitais também continuará a crescer nesse período de cinco anos, indo de 892,1 milhões para 1,1 trilhão. A receita dos livros digitais é maior nos Estados Unidos, seguido de Japão, China, Reino Unido e Coreia do Sul. A penetração de livros digitais no Brasil ainda é baixa se comparada à dos Estados Unidos. São apenas 11,9% contra 25,1%.

Confira a seguir quais foram os 10 livros físicos mais vendidos na história da Amazon.com.br.

A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se, por Mark Manson
O milagre da manhã, por Hal Elrod, David Osborn e Honorée Corder
Os segredos da mente milionária, por T. Harv Eker
Do Mil ao Milhão. Sem Cortar o Cafezinho, por Thiago Nigro
Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, por Yuval Noah Harari
O poder do hábito, por Charles Duhigg
Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, por Dale Carnegie
Mindset, por Carol S. Dweck
O conto da aia, por Margaret Atwood
Me Poupe!, por Nathalia Arcuri

Os 10 e-books mais vendidos no da Amazon desde 2014 são:

Como fazer amigos e influenciar pessoas, por Dale Carnegie
SCRUM: A arte de fazer o dobro de trabalho na metade do tempo, por Jeff Sutherland
A história do mundo para quem tem pressa, por Emma Marriott
Laranja mecânica, por Anthony Burgess
A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se, por Mark Manson
A Segunda Guerra Mundial, por Martin Gilbert
O Pequeno Príncipe, por Antoine de Saint-Exupéry
O poder do hábito, por Charles Duhigg
Os melhores contos de H.P. Lovecraft, por H. P. Lovecraft
A filosofia explica grandes questões da humanidade, por Clóvis Barros de Filho e Júlio Pompeu

Universidade dos Estados Unidos cria graduação sobre maconha

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(Foto: Creative Commons/ Kyrnos)

(Foto: Creative Commons/ Kyrnos)

 

Publicado na Galileu

A combinação maconha e faculdade nunca foi uma novidade. Mas na Universidade do Norte do Michigan (MNU), nos EUA, a planta deixou o intervalo e as matadas de aula para virar tema de quatro anos de graduação. Quase metade dos 50 estados norte-americanos já reconhecem o uso terapêutico da planta, sendo que oito unidades da federação legalizaram inclusive o uso recreativo. Nasceu assim um mercado bilionário, mas ainda faltam pessoas capacitadas para lidar com ele. Visando preencher essa lacuna surgiu o curso de Química de Plantas Medicinais.

Somente no ano passado, o mercado legal da maconha e seus derivados movimentou U$ 6.7 bilhões somente nos EUA. A expectativa é que o volume dispare nos próximos anos, atingindo a marca de U$ 44 bilhões em 2020, tanto que a revista Forbes apontou o mercado da erva como a melhor oportunidade de negócios para empreendedores e investidores de startups. A Sociedade Americana de Química criou recentemente uma subdivisão que visa apresentar as novidades da indústria em seus encontros nacionais.

Foi justamente em um desses encontros que um professor da MNU, Brandon Canfield, observou a necessidade de formação técnica na área. Nos quatro anos de curso os alunos obterão conhecimento em química e biologia da Cannabis, além de aprender sobre empreendedorismo e a cultivar a planta. O curioso é que a Universidade não vai poder manter sua própria plantação de maconha, já que o Michigan não é um dos estados em que a erva foi legalizada.

Livraria Cultura anuncia compra da Fnac no Brasil

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O valor do negócio não foi revelado

Publicado na Veja

A Livraria Cultura anunciou nesta quarta-feira a compra da operação da Fnac Brasil. O valor da transação não foi revelado. O negócio foi fechado cinco meses depois de a rede francesa comunicar a intenção de se retirar do Brasil, onde possui doze lojas em sete estados.

Fontes ligadas à Fnac dizem que a aquisição envolve a marca Fnac no Brasil.

“A união entre os dois grupos criará valores e sinergias, compartilhando culturas similares e o comprometimento com a promoção da cultura no Brasil e permitirá que a Livraria Cultura diversifique seus negócios adicionando novas linhas dos produtos e serviços”, informa o presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, Pedro Herz.

A Cultura, que atua há setenta anos no mercado brasileiro, possui dezoito lojas. Segundo a empresa, a transação deverá ser concluída nas próximas semanas.

Atuação no Brasil

A Fnac está presente no Brasil desde 1998, quando comprou as operações do varejo da editora Ática, e iniciou suas operações no ano seguinte.O grupo nacional se retirava da venda direta de livros ao consumidor cerca de um ano após ter inaugurado uma loja com fachada de vidro e metal em São Paulo. O prédio, que se destacava em relação às demais livrarias da capital paulista, é atualmente uma unidade da Fnac.

Fazia alguns anos que a empresa vinha enfrentando dificuldades no país, com menos de 2% do volume de vendas globais. O faturamento em 2016 foi de 380 milhões de reais no país.

A filial brasileira continuava estruturalmente deficitária dentro de um mercado instável e competitivo. As dificuldades do grupo se agravaram desde que o Brasil entrou em recessão, o que afetou especialmente a aquisição de bens de consumo não alimentares pela população. A entrada no Brasil foi a primeira incursão da Fnac na América Latina.

(Com AFP e Reuters)

Faturamento das vendas de livros cresce pela primeira vez desde 2015

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faungg's photos/Flickr

faungg’s photos/Flickr

Maria Cristina Frias, na Folha de S.Paulo

O mercado livreiro teve alta de faturamento em termos reais no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016, segundo o Snel (sindicato dos editores).

As vendas foram 6,81% maiores em 2017, e o IPCA nos últimos 12 meses foi de 3%. É a primeira vez desde que a entidade começou a divulgar o desempenho do segmento, em 2015, que há crescimento em termos reais.

O resultado não é igual ao de anos anteriores à crise, segundo Marcos da Veiga Pereira, presidente da Snel, mas a melhora aconteceu durante a recessão, e ele diz esperar que uma retomada dê mais impulso ao setor.

Ao comparar o momento atual de mercado com o anterior à recessão, houve uma concentração em um número menor de títulos. “Os livros mais vendidos ganharam importância maior no total.”

Um segmento teve até mesmo impulso por conta da situação econômica: o de autoajuda, afirma Sonia Jardim. presidente do grupo Record,

“Esses leitores precisam se recolocar, melhorar sua situação ou se sentir mais preparados. São compras viáveis, mais baratas que cursos.”

Livros de ficção foram os que mais perderam fatia de mercado, mas, para os próximos meses, as editoras apostam em lançamentos de autores que costumam ir bem.

Os preços de capa ficaram 1,46% mais caros, portanto, abaixo do índice geral.

Efeito colateral no varejo

O uso de descontos pelas varejistas brasileiras costuma ter um efeito negativo a longo prazo, segundo a consultoria Kantar.

Durante uma promoção, há uma alta de até 32%, por exemplo, nas vendas de iogurte (uma categoria de produto considerada madura pelo mercado, cujo consumo não sofre grandes oscilações), segundo a consultoria.

Quando o período promocional se encerra, no entanto, o volume comercializado retrai para 80% do patamar inicial, afirma Tiago Oliveira, da Kantar Worldpanel.

“Se [o desconto] for aplicado a uma categoria de frequência semanal ou quinzenal, as pessoas basicamente só antecipam as compras. Elas não aumentam o [nível de] consumo”, afirma.

“O grande objetivo das promoções no Brasil tem sido trazer resultados a curto prazo. No exterior, há muitos casos em que essa ação ajuda a construir lealdade à loja ou à marca, mas por aqui há apenas um impacto pontual.”

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