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Fã de livros antigos? Descubra os 4 melhores sebos de São Paulo

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Livro, cama e café: tem combinação melhor? (Foto: Thinkstock)

Livro, cama e café: tem combinação melhor? (Foto: Thinkstock)

 

Esses lugares são, praticamente, uma biblioteca de obras raras! Vale super a visita

Flávia Bezerra, na Glamour

Cheiro de livro antigo; folhas amareladas e cheias de história; dedicatórias datadas na primeira página. Vai dizer que você não ama experimentar todas essas sensações em um livro antigo? E não existe lugar melhor para encontrá-los que… Sebos!

Em sintonia com o nosso projeto #MulherBacanaLê, selecionamos os top 4 melhores sebos de São Paulo. Vem ver!

Sebo Avalovara
Aberto desde 2005, o sebo tem mais de 15 mil livros! O acervo (que incluem obras raríssimas, como as primeiras edições de Machado de Assis e José de Alencar; folhetins modernistas da década de 20 e edições de luxo da confraria dos bibliófilos do Brasil) pode ser consultado pela internet neste link.

Além da venda, o sebo está à procura de livros para comprar! Segundo o proprietário Sandro Giuliano, o sebo compra obras regularmente. “É muito importante para nós estarmos sempre comprando livros. A ideia, é oferecer um acervo cada vez mais amplo aos nossos clientes”, diz. “Compramos desde pequenas quantidades, 10, 20 ou 50 livros, até grandes lotes de 500, 1000 ou 2000 exemplares”, complementa. O preço é avaliado pela qualidade dos títulos e edições, além do estado de conservação. A especialidade do acervo são as obras voltadas às áreas humanas, como artes, filosofia, psicologia, sociologia e história, além de literatura, poesia, teatro e até arquitetura. “Não trabalhamos com livros jurídicos, nem técnicos de medicina e engenharia”, diz Sandro. (Av. Pedroso de Morais, 809, Pinheiros)

Desculpe a Poeira
Famosos no Instagram (o sebo tem quase 40 mil seguidores, acredita?!), o Desculpe a Poeira, criado pelo jornalista Ricardo Lombardi, funciona na garagem de prédio, no bairro de Pinheiros, e tem um acervo com mais de 5 mil livros. Vale a visita! 😉 (R. Sebastião Velho, 28, Pinheiros.)

Sebo do Messias
Um dos mais tradicionais de São Paulo, o Sebo do Messias está em funcionamento desde a década de 70. (Praça Doutor João Mendes, 140, Centro)

Sebo Central
Precisando de um livro jurídico? O sebo Central é o lugar. Localizado bem no coração de São Paulo, o local é praticamente uma biblioteca: são mais de 200 mil obras! (Rua Riachuelo, 62, Sé)

Livro de Colm Tóibín devolve humanidade à mãe de Jesus

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Antonio Gonçalves Filho, no Estadão

Apresentar a Virgem Maria não como a mãe de Deus, mas uma mulher vulnerável, certamente é um passaporte para o purgatório num país como a Irlanda. Mas foi isso o que fez o escritor irlandês Colm Tóibín em O Testamento de Maria, lançado agora pela Companhia das Letras, justamente quando a peça ainda faz barulho na Broadway. A adaptação para o teatro, feita pelo próprio autor e estrelada por Fiona Shaw (dos filmes de Harry Potter), provocou protestos de católicos na rua 48, em Nova York, na noite de estreia, em abril, no Walter Kerr Theater. A polêmica só não foi maior porque Tóibín, em sua pequena novela, que rendeu um monólogo de 90 minutos, usa uma linguagem elegante, respeitosa, quase arcaica, para contar a história de Maria vivendo no exílio, em Éfeso, 20 anos depois da crucificação de Cristo. Detalhe: ela não acredita que seu filho Jesus seja o Messias.

Esse, aliás, é o motivo da resistência de Maria em dar sua versão pessoal da morte do filho para dois apóstolos, empenhados em escrever o Novo Testamento. Protegida por João, que arranja para ela uma casa como refúgio, Maria, viúva e precocemente envelhecida, recusa-se a aceitar a narrativa dos discípulos, descritos pela Virgem como “um bando de desajustados” tentando criar um mito. Em Éfeso, Maria é apenas uma mulher solitária, que emerge no livro como uma personagem de estatura moral comparável ao monumento erigido pela Igreja após o primeiro concílio de Éfeso, em 431. Nele, a Virgem Maria foi declarada mãe de Deus (Theotokos), e não apenas da natureza humana de Cristo.

Menos dogmático, Colm Tóibín, conhecido do leitor brasileiro por livros como O Mestre e Mães e Filhos, mostra Maria como uma mulher comum, que não fica aos pés da cruz como a retratam os pintores ocidentais. A versão de Toíbín, que concedeu uma entrevista, por telefone, à reportagem, é que Maria fugiu, com medo de ser a próxima vítima, acossada que estava por dois fariseus. Lá pelo fim do livro, depois de muito duvidar sobre a natureza divina do filho, ela, num momento de clarividência diante da morte, só lamenta não ter tido a chance de evitar seu martírio, como lamentaria qualquer mãe.

Devolver a humanidade a Maria, como Kazantzakis fez com Jesus em A Última Tentação de Cristo, não chega, portanto, a constituir um escândalo, embora alguns católicos possam ficar incomodados com a recusa de Maria em pronunciar o nome do filho revolucionário – que não reconhece como a criança que criou. Descrente, Maria não se sente à vontade sequer para entrar na sinagoga. Prefere, em Éfeso, retomar a antiga crença na deusa pagã Ártemis, a casta caçadora desapegada da figura masculina.

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