Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Mia Couto

Mia Couto fala sobre a inspiração para os seus livros

0

naom_51a3c97050e0e

O escritor Mia Couto elogiou hoje Marcello Caetano por ter arquivado a correspondência entre os militares portugueses durante a guerra colonial, cartas que foram uma das fontes de inspiração para o seu último livro, lançado hoje em Óbidos, Portugal.

Publicado no Notícias ao Minuto

Nunca pensei dizer isto em público, mas tenho de elogiar Marcello Caetano por ter deixado uma coleção de correspondência dos militares portugueses que é absolutamente inspiradora”, afirmou Mia couto durante o lançamento do seu último livro, “Mulheres de Cinza”.

A obra, com 400 páginas, inicia uma trilogia do escritor moçambicano sobre “dois lados da história” de Portugal e de Moçambique.

O primeiro volume, lançado hoje no Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos, conta a história de Ngunyane, um imperador de Gaza, no sul de Moçambique, que se rebelou contra a potência colonizadora e acabou derrotado por Mouzinho da Silveira, preso e desterrado para os Açores, onde morreu em 1906.

Grande parte do romance histórico foi escrito “num castelo em Itália, para onde fugi”, confessou hoje o autor que, para escrever o segundo volume, pretende refugiar-se nos Açores, “onde ainda vivem muitos descendentes do imperador que podem contar histórias”.

Estas confissões foram feitas hoje perante mais de duas centenas de pessoas na apresentação da obra, que sucedeu a uma aula sobre literatura africana dada pelo autor e por José Eduardo Agualusa.

“A maioria dos países africanos são tão recentes que a busca da memória e da identidade são as questões centrais do nosso trabalho e do da maioria dos países africanos”, afirmou Mia Couto, com Agualusa a reforçar que muita dessa literatura tem a ver com a sua história “e os conflitos terríveis” com que grande parte deles se defrontou em décadas recentes.

Os dois concordam também que há hoje “uma segunda geração de escritores que estão mais preocupados em mostrar que são escritores do que em mostrar que são africanos”, afastando-se de “clichês” que ligam a literatura africana à poesia de combate, por um lado, e ao misticismo e ao fantástico, por outro.

Mas, a “relação muito aberta entre o sonho, o fantástico e a oralidade” gera “tantas histórias que, em Moçambique, o difícil é não se ser escritor”, acrescentou Mia Couto, contando episódios como as mensagens que recebeu sobre um caderno esquecido num armário e a cujos pedidos para que lhe fosse enviado recebeu “várias respostas a confirmar que ele estava no ‘arrumário”. Ou de alguém que o abordou no aeroporto sugerindo-lhe que usasse a palavra “improvisório” para definir algo “imprevisto e provisório”.

Muitas dessas histórias “são tratadas na imprensa como factos muito reais”, lembraram, brindando a assistência com episódios hilariantes sobre uma jiboia que invadiu a casa de um administrador de província e “às seis horas cantava o Hino”, ou a notícia sobre um “pseudo-voador” que queria voar entre a Ilha de Moçambique e Meca.

Foi uma hora de boa disposição entre os autores e o público, pela qual passou ainda a sugestão de “alterar a palavra lusofonia para lusofolia”, numa alusão ao festival que decorre na vila de Óbidos até ao dia 25.

Lista dos 20 escritores mais cotados para ganhar o Nobel de Literatura de 2015

0

Euler de França Belém, no Jornal Opção

O “Estadão” listou “20 escritores sempre cotados para o Nobel, mas esquecidos pela Academia Sueca”

1 – A. B. Yehoshua – Israelense. Autor de “Fogo Amigo”.

2 – Adonis – Poeta sírio. Cotado há vários anos. A guerra na Síria pode ajudá-lo.

3 – Amos Oz – Israelense. Escreveu “De Amor e Trevas”.

Amos Oz

Amos Oz

4 – António Lobo Antunes – Maior prosador português vivo. Autor de “Arquipélago da Insônia”.

5 – Bob Dylan – Americano. Seria um Nobel de Literatura mais pop.

6 – Cees Nooteboom – Holandês. Autor de “A Seguinte História”.

7 – Cormac McCarthy – Americano. Autor de um brilhante romance shakespeariano, “Meridiano Sangrento”. Autor do primeiro time às vezes visto como do segundo.

8 – Don DeLillo – Americano. Tão notável como Roth e John Updike, mas não tão canônico. Autor de “Homem em Queda” (sua resposta literária ao 11 de Setembro).

9 – Haruki Murakami – Japonês. Tudo indica que há um lobby pró-autor do sofrível mas cult “1q84”.

10 – Ian McEwan – Inglês. O romance “Reparação” tem poucos páreos nos últimos 30 anos. É um romance brilhantíssimo.

11 – Ismail Kadaré – Albanês. Autor de “O Jantar Errado”.

12 – Joyce Carol Oates – Americana. A mais brilhante escritora americana viva, altamente produtiva. Autora de “A Filha do Coveiro”.

13 – Margaret Atwood – Canadense. Autora de “O Conto da Aia”. Tão boa escritora quanto Alice Munro e ótima crítica literária.

14 – Mia Couto – Moçambicano. Autor de “O Último Voo do Flamingo”.

Mia Couto

Mia Couto

15 – Milan Kundera – Tcheco. Escreve em francês. Um gênio literário subestimado pelo fato de ter se tornado popular com “A Insustentável Leveza do Ser”. Também grande crítico literário; na realidade, ensaísta.

16 – Ngugi wa Thiong’o – Queniano. Autor do celebrado romance “Sonhos em Tempos de Guerra — Memórias de Infância”.

17 – Philip Roth – Americano. Autor de dois livros importantes: “O Complexo de Portnoy” (filho americano de, quem sabe, Jonathan Swift) e “O Teatro de Sabbath”.

Philip-Roth-1

Philip Roth

18 – Salman Rushdie – Indiano. Autor de “Versos Satânicos”. Corre-se o risco de a Academia Sueca premiá-lo por motivos políticos (perseguição dos iranianos) e não razões literárias (é, de fato, um grande escritor).

19 – Thomas Pynchon – Americano. Autor de “O Arco-Íris da Gravidade” e “Vício Inerente”. Se vencer, iria receber? É um problema para a Academia Sueca.

20 – Umberto Eco – Italiano. Subestimado como escritor, como Kundera, por ter se tornado popular com “O Nome da Rosa”. Precisa ser lido com mais abertura mental.

Umberto Eco

Umberto Eco

(A lista é do “Estadão”; os comentários, do Jornal Opção. Faltam outros escritores, claro; por exemplo, Martin Amis. Pode pintar surpresas, como em outros anos.)

2ª edição do Pauliceia Literária recebe o escritor Mia Couto

0
Mia Couto, escritor moçambicano participa do encerramento do Pauliceia Literária, na mesa sobre Lusotropicalismo

Mia Couto, escritor moçambicano participa do encerramento do Pauliceia Literária, na mesa sobre Lusotropicalismo

Publicado no Catraca Livre

Nos dias 24 e 26 de setembro, São Paulo recebe a segunda edição do Pauliceia Literária, festival internacional de literatura da cidade. Criado em 2013, o festival promove debates sobre literatura e assuntos relacionados a ela, e o ingresso custa até R$ 32. Todas as mesas acontecem no auditório principal da sede da Associação dos Advogados de São Paulo.

Além dos debates e mesas literárias, o Pauliceia Literária realiza oficinas de quadrinhos, ciclos de cinema e recebe food trucks em uma área reservada para gastronomia. O destaque dessa edição fica para a participação do escritor moçambicano Mia Couto.

A programação completa e aquisição do ingresso podem ser conferidos pelo site oficial do festival.

Mia Couto é um dos finalistas do prêmio Man Booker International Prize

0
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Autor moçambicano é o primeiro em língua portuguesa a figurar na lista

Publicado no Zero Hora

O escritor moçambicano Mia Couto é o primeiro autor em língua portuguesa a figurar em uma lista de finalistas para o Man Booker International Prize, prêmio concedido a cada dois anos a um autor de qualquer idioma.

Couto aparece ao lado de outros nove escritores: César Aira (Argentina), Hoda Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (EUA), Ibrahim al-Koni (Líbia), László Krasznahorkai (Hungria), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (àfrica do Sul).

O vencedor vai ser anunciado no dia 19 de maio, em Londres, e ganhará um prêmio de 60 mil libras, cerca de R$ 282 mil. Lydia Davis, Philip Roth e Alice Munro já receberam a honraria.

Um dos principais escritores em língua portuguesa, Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra Sonâmbula é considerado um dos dez melhores livros africanos do século 20. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

Vida de monarca africano inspira Mia Couto

0

O escritor Mia Couto, de passagem hoje pelo Brasil, fala sobre seu novo livro, uma ficção baseada na vida do último monarca africano que resistiu à dominação portuguesa

O moçambicano Mia Couto: "sempre amei o jornalismo. Mas me cansei de algumas coisas"

O moçambicano Mia Couto: “sempre amei o jornalismo. Mas me cansei de algumas coisas”

Publicado por O Povo Online

Quarenta anos após ter iniciado sua carreira de jornalista como um militante pró-independência infiltrado num diário português de Moçambique, o escritor Mia Couto, 59, volta ao campo da investigação da realidade para montar seu novo romance.

Trata-se de uma ficção baseada na vida de Ngungunhane (1850-1906), último monarca de um império africano que resistiu à dominação portuguesa.

Por telefone, Couto conta à reportagem como os anos em que participou da Frente de Libertação de Moçambique, nos anos 70, e atuando em meios de imprensa locais, como o jornal Notícias, o formaram como novelista.

“Eu sempre amei o jornalismo e esse contato privilegiado com a realidade. Mas me cansei de algumas coisas”, conta ele.

“Não aguentava cargos de chefia e, quando me enviavam a outra cidade para uma cobertura, sempre achava que precisava de mais tempo para entender o novo lugar em que estava. Como não podia ligar para meu editor e dizer que só mandaria o texto dali a duas semanas, resolvi desistir”, diz.

Sobre o novo livro, Couto diz que se sentiu desafiado a lidar com as diferentes interpretações que se fazem de Ngungunhane.

“Quando foi aprisionado, já estava muito debilitado. Mas os portugueses mesmo assim o celebraram como um importante inimigo vencido, obviamente para engrandecer sua conquista. Já os moçambicanos o reconstruíram de modo exagerado como mártir”, diz.

“Portanto, de alguma forma, as duas interpretações são ficcionais. E essa releitura, que a história faz sempre, com os olhos do presente, era o que mais me interessava investigar.”

O escritor é comumente comparado, no Brasil, a Guimarães Rosa (1908-1967) pelo uso do léxico do interior do país em sua obra. “Eu e minha geração buscamos no interior de Moçambique mais do que uma nova linguagem ou uma nova forma de tratar a língua portuguesa”, diz.

“Tratava-se de um compromisso de inserir aquela realidade na linguagem. Também correspondia a uma ideia de negar a homogeneidade que se buscava dar com a modernidade, mostrando um país complexo cheio de vozes e realidades diferentes.”

Couto, já bastante conhecido no Brasil entre os escritores de língua portuguesa contemporâneos, diz que faltam iniciativas para conectar ainda mais a literatura lusófona.

“Esse intercâmbio que passou a haver nos últimos anos é bem menor do que nos anos 60 e 70, quando havia regimes autoritários de ambos os lados que uniam os intelectuais”, explica.

Hoje, lamenta, Moçambique vive forte influência da televisão brasileira. “Não gosto do modo como o Brasil é mostrado lá, as pessoas ficam com uma sensação equivocada, de que é um mundo de pessoas ricas e brancas, principalmente veiculado pelas telenovelas.”

“Quando chegamos aqui há um choque, porque a realidade é mais complexa e veem-se as injustiças”, completa. (Sylvia Colombo, da Folhapress)

Go to Top