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Dado Villa-Lobos conta a história da Legião em Memórias de um legionário

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O guitarrista da Legião Urbana lança autobiografia. A trajetória do grupo e de Renato Russo também será contada em exposição e outros livros

Publicado no Divirta-se

A Legião Urbana é, sem dúvidas, uma das mais populares bandas de rock do Brasil. O grupo, nascido na Colina, em Brasília, acabou em 1996 – por conta da morte de Renato Russo, vítima da Aíds -, mas é reverenciado por uma legião de fãs, inclusive por aqueles que nasceram depois dessa época. Quem não viu o músicos na ativa, poderá reviver as histórias pela ótica do guitarrista Dado Villa-Lobos, que lançará a autobiografia Memórias de um legionário.

O livro, que foi escrito ao longo de dois anos e contou com a ajuda dos historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, aborda histórias da vida de Dado Villa-Lobos e, consequentemente, da criação e da consolidação da Legião Urbana.

Histórias dos bastidores da banda são contadas em primeira pessoa, por Dado, que viveu aquilo intensamente. Em um dos trechos divulgados na imprensa, o guitarrista fala sobre a relação de amor e ódio da Legião Urbana com a música Índios.

“Apesar de o Renato tê-la como uma música especial, e nós também, quase nunca a tocávamos ao vivo, o que às vezes gerava confusão. Em uma conversa que tivemos há pouco tempo, o Rafael – que, antes de se tornar o nosso empresário, costumava nos levar para tocar em Santos – recordou um show da Legião nessa cidade, no Clube Caiçaras, no dia 25 de outubro de 1986. Parte do público ficou revoltada porque não tocávamos ‘Índios’ e começou a gritar: ‘filho da puta!’. O Renato, que estava em direção ao palco para fazermos o bis, voltou imediatamente para o camarim quando ouviu aquele coro hostil. A plateia, é claro, ficou ainda mais irritada, e o contratante foi reclamar com o Rafael, que não pôde fazer muito coisa”, conta, em trecho divulgado na imprensa.

Vem mais por aí!
Além do livro Memórias de um legionário, o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo organiza uma exposição para homenagear os 20 anos da morte de Renato Russo.

Saiba como Bia Bittencourt criou – e toca sozinha! – a Feira Plana

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Saiba como Bia Bittencourt criou – e toca sozinha! – a Feira Plana, o mais importante encontro de arte impressa do país

Phydia de Athayde, no Draft

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Realizada em março deste ano, a segunda edição da Feira Plana atraiu 11 000 pessoas

Bia Bittencourt está em Nova York. Mas não a imagine em nenhum lugar diferente do MoMA PS1, o posto avançado do icônico museu, no Queens, local que abrigou até este domingo a décima edição anual da New York Art Book Fair. De graça e aberta ao público, a feira recebeu 27 000 pessoas no ano passado e este ano trouxe livros, catálogos, zines e periódicos de mais de 350 artistas, antiquaristas, instituições e publishers independentes, de 28 países.

O que Bia faz lá? Pira, respira, se inspira e renova sua paixão de vida pela arte e poesia impressas. Bia é a one-woman-entrepeneur responsável pela Feira Plana, exposição e venda de arte impressa que é um enorme sucesso em São Paulo há dois anos, realizada no MIS. A versão brasileira segue o molde da inspiradora nova-iorquina mas tem cara de Brasil, tem cara de Bia.

A New York Art Book Fair aconteceu este fim de semana no MoMA PS1, no Queens

Bia esteve na New York Art Book Fair que aconteceu este fim de semana no MoMA PS1, no Queens

Bia tem 29 anos, é filha única de pai bancário e mãe professora de inglês e português, e cresceu rodeada de livros e bonecas. A coleção Os Pensadores ficava em seu quarto e não por outro motivo suas Barbies se chamavam Diderot, Platão, Espinosa. Ela fez colegial técnico em economia, na Fundação Bradesco, e tentou cinco vezes entrar no programa Jovem Aprendiz, ligado à instituição. “Nunca consegui um emprego no banco, como os meus amigos. Eu não passava no teste psicotécnico”, diz, e se diverte ao lembrar que sempre preferiu desenhar a fazer qualquer coisa mais racional.

A atração pelo abstrato a levou à Belas Artes. Na época da faculdade, trabalhava em museus — como “oficineira”, no MAM, e como “educativo”, no Masp — e chegou a dar aula de educação artística em escola pública antes de ir para a Fiz TV, um canal colaborativo que a Abril Radiodifusão incorporou à MTV Brasil em 2009. Bia passou a produzir o “Fiz na MTV” e a ter como missão garimpar os vídeos que apareciam no programa.

“Quando você acha alguém que tem potencial, é preciso apoiar, incentivar a produção. Você não pode descobrir alguém e jogar no mundo”

Ela ainda não sabia, mas já estava depurando seu talento para encontrar, se relacionar e selecionar o trabalho produtores independentes. “Quando você acha alguém que tem potencial, é preciso apoiar, incentivar a produção. Você não pode descobrir alguém e jogar no mundo”, diz Bia. Alguns dos criadores que ela conheceu esta época também produzem em papel, caso de Raul Chequer, Daniel Furlan e Juliano Enrico, da TV Quase, e hoje expõem na Feira Plana. Bia deixou a MTV em 2013, quando o canal foi vendido e relançado pela Viacom, e tornou-se editora de vídeos da TV Folha (o braço audiovisual do jornal Folha de S.Paulo).

Bia Bittencourt

Bia Bittencourt brincando de ser Picasso

Apesar da vida profissional ir mais para o vídeo, Bia nunca deixou pesquisar artistas gráficos, nem de produzir seus “livrinhos”, como gosta de dizer. Da adolescência até meados da faculdade, fez parte da Iuoma, uma associação internacional de arte postal, e enviava e recebia criações pelo correio. “Aí nasceu meu gosto por fanzines e pela autopublicação”, conta ela, que é a criadora da produtora Ursinho Trovão (também uma de suas assinaturas artísticas para trabalhos gráficos e animações), tem parcerias com as editoras Bote e E-Stilingue (esta, de livros interativos digitais), e mantém sozinha uma espécie de loja e micro editora virtual, a Kaput Livros.

Mas o estalo transformador, o momento em que ela vislumbrou o que era a sua missão de vida, veio quando Bia visitou a New York Art Book Fair. Ela estava na cidade por sugestão do namorado, o músico e artista plástico Carlos Issa, hoje seu marido. Lá, ficou alucinada ao encontrar não centenas, mas milhares de pessoas produzindo e expondo algo que ela amava quase heroicamente. “Não imaginava que existiam tantos artistas e anônimos fazendo coisas reprodutíveis em tão alto nível”, conta.

Aqui no Brasil, existia a Tijuana, que também é uma feira de arte impressa, concebida dentro da Galeria Vermelha e da qual Bia já tinha participado como artista. “Mas acho que faltava algo que fosse gratuito, feito em um espaço público e aberto a receber projetos de qualquer um”, diz ela. “Tenho um gosto muito específico e queria poder fazer a curadoria. Queria materiais de design e com refino gráfico, mas que fossem acessíveis. Que o artista pudesse vender barato e para qualquer um.”

A ideia estava na cabeça e, embora conhecesse muita gente que gostaria de convidar para a sua Feira Plana, Bia tinha zero aptidão de administradora. “Uma amiga tinha acabado de fazer um projeto no MIS, me indicou, e a curadoria do museu gostou da ideia. Eu tinha o espaço e deste ponto até a primeira edição da Feira, foi um caos”, conta. Artistas reconhecidos no meio, como Fabio Zimbres e Jaca, iam confirmando, e nos bastidores a bagunça imperava.

Quando Bia viu que precisaria de algum dinheiro para que os convidados tivessem onde efetivamente expor, recorreu ao MIS, que forneceu os 2 mil reais usados na compra de cavaletes e folhas de papelão improvisadas como mesinhas. A primeira edição da Feira Plana aconteceu em março de 2013 e levou milhares de pessoas ao museu. Um público ávido para consumir aquela arte impressa meio alternativa, com jeito de algo exclusivo, escolhido com a dedo para estar ali. Era isso mesmo.

Feira Plana

Na primeira edição da Feira Plana, as mesinhas eram feitas de cavaletes e folhas de papelão

A segunda edição da Feira ocupou o mesmo espaço no MIS, em março deste ano, e segundo Bia reuniu 11 000 pessoas. Uma novidade foi o patrocínio da Adidas, e a organizadora diz que a marca não fez exigências quanto ao destino dos 15 mil reais oferecidos. “Eles foram super legais. Pude comprar mesinhas de verdade, convidar alguns gringos e imprimir o livrinho da Feira em risográfico”, conta, exultante. “Risográfico é como um silk, uma impressão que só uma gráfica em São Paulo faz em pequena escala. É muito mais legal.”

Mas o sucesso da Feira Plana, até o momento, é algo literalmente imensurável. “Os expositores não pagam para se inscrever, nem me repassam nada. Não tenho ideia do quanto circulou nas duas edições. A única base é a minha mesa, que vendeu de 2 a 5 mil reais”, diz Bia.

“Existe demanda para ter mais edições, mas eu não conseguiria, pois levo de seis a sete meses para organizar cada uma, e acho bom que existam outras feiras assim na cidade”

Ela tem um jeito específico de lidar com fazer o que acredita. Pelo menos por enquanto, opta por manter um emprego que a permita se realizar fora dali. “Prefiro que não seja uma relação direta, que eu tenha o meu trabalho da firma, e que eu tenha coisas por fora, para não embaralhar”, diz. Se ainda faltam condições de tornar a Feira um empreendimento financeiramente sustentável, isso não pesa tanto porque o evento é anual. “Até existe demanda para ter mais edições, mas eu não conseguiria, pois levo de seis a sete meses para organizar cada uma, e acho bom que existam outras na cidade.”

Feira Plan

A Feira Plana lota os jardins do MIS, durante um final de semana, há dois anos

Ela já concebeu novidades para a próxima Feira que, desta vez, será dedicada à fotografia. Além de livros e fotozines, terá a presença de convidados especiais já confirmados, como o fotógrafo Ari Marcopoulos (que foi assistente de Andy Warhol), Erik van der Weijde, Pedro Alfacinha e a editora Renata Catambas. O número de expositores será um pouco menor, cerca de 100 contra 150 da última edição, para facilitar as interações com o público. Apesar de um recente abaixo assinado de moradores do entorno do MIS pedindo o fim dos eventos no local, o museu garantiu à Bia que não há risco de cancelamento.

A realizadora segue à mil. Ano que vem será a primeira vez que Bia chama um coletivo de designers para criar a identidade visual do evento, missão entregue à República, formada por Adriana Komura, Caco Neves e Bruno Oliveira. Bia fez surgir aparentemente do nada a maior e mais importante feira de arte impressa do país, e às vezes subestima seu próprio poder transformador. “Não tenho a menor ideia de como os negócios funcionam. O que faço não dá dinheiro, mas tem coisas que a gente faz porque quer ver funcionando, sabe?”

Feira plana

legenda

Obra de Graciliano Ramos é celebrada com exposição e livro

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Lançamento da obra terá presença de familiares do escritor

Guilherme Sobota, no Estadão

Em 18 de setembro de 1910, o Jornal de Alagoas publicou um inquérito com um jovem literato alagoano que assinava G. Ramos de Oliveira – então com 17 anos, ele demonstra uma erudição impressionante ao listar impressões sobre O Guarani (que lera aos 10), afirmar que o “realismo nu de Adolfo Caminha e a linguagem sarcástica de Eça de Queiroz” o influenciaram e ter a capacidade de autoironia suficiente para dizer que seus primeiros textos, “pequeninos contos”, foram “verdadeiras criancices”.

Essa é a primeiro das 25 entrevistas que Graciliano Ramos (1892-1953) concedeu a jornais e revistas durante sua vida, agora reunidas em Conversas (Record). O livro ainda traz respostas do escritor a enquetes e depoimentos, e ganha um lançamento de luxo: a exposição Conversas de Graciliano Ramos foi montada no MIS de São Paulo baseada no projeto de pesquisa de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, com curadoria de Selma Caetano. A mostra fica aberta até o dia 9 de novembro e tem entrada gratuita – até ontem, a exposição ficou fechada para visitação por motivos de segurança. Nesta segunda-feira, ocorre no MIS o lançamento do livro, às 19h, com presença de familiares do escritor e dos organizadores – em um coquetel aberto ao público.

A exposição foi montada de modo a dar voz a Graciliano – da sua voz mesmo, não existe nenhum registro. As entrevistas então são uma forma direta de ouvir o que o escritor tinha a dizer além da sua produção ficcional. “Foi legal mostrar como o Graciliano falava de tudo, contrariando uma imagem sisuda”, diz a curadora Selma Caetano. Todas as frases estampadas nas paredes são do próprio Graciliano.

Selma viajou, junto com o fotógrafo Walter Craveiro, por cidades de Pernambuco e Alagoas que têm ligação com a vida do escritor. O intercâmbio entre acervos – do Arquivo Público de Alagoas, do Museu Casa Graciliano Ramos, do Projeto Portinari e do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) – possibilitou uma reunião particular de imagens sobre a vida do escritor, de acordo com a curadora.

Multimídia. Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Multimídia. Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Há mais de dez anos pesquisando a obra de Graciliano, Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla foram além do trabalho de compilação no livro: com intenso contato com fontes primárias, como jornais e documentos oficiais, eles apresentam aqui uma contribuição, também, para a história da imprensa no País, ao pontuar o livro com uma profusão de notas de rodapé que situam as entrevistas no contexto da publicação.

Um traço marcante apontado por Conversas, segundo os pesquisadores, é que a construção das principais obras do escritor “partiu de contos, de modo que os capítulos se singularizam por sua força dramática, concisão e autonomia”. “Tal particularidade formal se deve à concepção realista de Graciliano, que se empenhou por concentração dramática e estilística, e à sua necessidade financeira, que o levou a publicar contos/capítulos, crônicas e artigos na imprensa”, afirmam os pesquisadores, por e-mail.

O segundo volume de Conversas, ainda por concluir, reunirá depoimentos de amigos e familiares, também publicados na imprensa – gente como José Lins do Rego, Jorge Amado, Rubem Braga -, assim como uma entrevista inédita com Luiza Ramos Amado, filha de Graciliano.

Salla destaca um dos depoimentos dado pelo escritor à revista Diretrizes, em 1942. Perguntado se “poderia um nazista escrever um poema?”, Graciliano responde: “sim, devem fazer também poemas. Se não os fizessem, abandonariam completamente a espécie humana”.

“Ele atrela o conceito de ‘humanidade’ à possibilidade de criação artística”, conclui Salla.

CONVERSAS
Org.: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla
Editora: Record (420 págs. e 20 págs. de encarte, R$ 48) Lançamento com coquetel aberto ao público, segunda, às 19h, no MIS

Graciliano Ramos é tema de grande exposição gratuita no MIS

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Composta por documentos, fotos e vídeos que apresentam a vida pessoal, a exposição mostra a trajetória literária e a militância política de Graciliano

Conversas de Graciliano Ramos

Conversas de Graciliano Ramos

Publicado por Cabine Cultural

O Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo vem desde o final do ano passado apresentando exposições que homenageiam grandes artistas do mundo. Começou com o mestre do cinema Stanley Kubrick; logo depois veio o gênio da música David Bowie e mais recentemente (ainda em cartaz) a exposição que festeja um dos mais interessantes programas da história da televisão brasileira, o Castelo Rá-tim-bum.

Continuando este belo trabalho, entre os dias 16 de setembro e 9 de novembro, o espaço paulistano recebe a exposição Conversas de Graciliano Ramos. A mostra apresenta a história de vida, trajetória política e carreira de um dos maiores escritores brasileiros por meio de imagens, documentos, pertences pessoais, depoimentos exclusivos, intervenções audiovisuais e uma instalação que recria o ambiente criativo do escritor. Conversas de Graciliano Ramos será exibida em uma das salas do andar Térreo e tem entrada gratuita.

Objetos
Todos os objetos e documentos vêm de Alagoas, das cidades de Palmeira dos Índios (Museu Casa Graciliano Ramos) e Maceió (Arquivo Público do Estado de Alagoas), além de material proveniente da família do escritor que mora na Bahia e em São Paulo. Entre os documentos estão o manuscrito da carta, nunca enviada, que escreveu para Getúlio Vargas após a saída da prisão (1937) e o datiloscrito assinado dos relatórios entregues ao governador de Alagoas quando era prefeito de Palmeira dos Índios, em Alagoas (1927 a 1930), documento importante que deu notoriedade intelectual a Graciliano.

A parte cenográfica da mostra será produzida recriando o ambiente criativo do escritor, com os objetos pessoais: uma poltrona de descanso (sempre vista nas fotos), a mesa de trabalho quando prefeito de Palmeira dos Índios, a máquina de escrever, canetas tinteiro e o tinteiro, entre outros itens.

Vídeos
A exposição apresenta onze vídeos sobre o escritor, entre eles estão quatro filmes cronológicos que descrevem períodos marcantes da vida do homenageado (1892/1926; 1927/1935; 1936/1944; 1945/1953); a amizade de Graciliano com Portinari é representada em outro vídeo; um bate-papo entre o jornalista da Globo News, Edney Silvestre, e Graciliano interpretado pelo ator Marat Descartes, traz ao público as conversas de Graciliano Ramos com a imprensa nacional e internacional, de 1910 a 1952. Por fim, é apresentado um filme conceitual do vídeoartista Eder Santos, Na escuridão percebi o valor das palavras.

Livro
Já no dia 22 de setembro acontece o lançamento do livro inédito de Graciliano Ramos, Conversas (Record), organizado por Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla. O evento, que também tem entrada gratuita, contará com a presença de parentes e amigos do escritor. Além disso, estão programados debates e exibição de filmes inspirados em suas obras, entre os dias 14 e 16 de outubro.

Uma maravilhosa oportunidade para se adentrar no universo de uma joia da nossa literatura. Imperdível!

SERVIÇO
Conversas de Graciliano Ramos
16.09 a 09.11
Terça a sábado das 12h às 22h; domingos e feriados das 11h às 21h
Espaço expositivo Térreo
Gratuito
Museu da Imagem e do Som – MIS Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo

David Bowie chega ao Brasil com retrospectiva no MIS e livro

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Gaía Passarelli, na Folha de S.Paulo

Os “cartões de estratégias oblíquas” criados por Brian Eno e usados na gravação da trilogia de Berlim estão lá. Filmagens raras da turnê do álbum “Diamond Dogs”, também. E ainda a primeira foto de divulgação, os macacões coloridos, a apresentação de “Starman” na BBC em 1972.

Seria preciso muito espaço para descrever o que se pode ver na exposição “David Bowie”, que o MIS (Museu da Imagem e do Som) paulistano abre ao público no dia 31.

É a maior retrospectiva já dedicada a um artista pop. Organizada pelo londrino Victoria & Albert Museum, a mostra teve acesso aos mais de 75 mil itens do David Bowie Archive, acervo pessoal que reúne fotografias, figurinos, estudos, pinturas e cenários usados ao longo dos 46 anos de carreira.

Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior

Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior / The David Bowie Archive/Divulgação

David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita

David Bowie durante a filmagem do clipe de 'Ashes to Ashes', em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie durante a filmagem do clipe de ‘Ashes to Ashes’, em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Brian Duffy/Divulgação

Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme 'O homem que caiu na Terra', 1975-1976

Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme ‘O homem que caiu na Terra’, 1975-1976 / Filme de David James/The David Bowie Archive/Divulgação

Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para 'The 1980 Floor Show'

Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para ‘The 1980 Floor Show’ / The David Bowie Archive/Divulgação

Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Terry O\’Neill/The Davide Bowie Archive/Divulgação

Modelo do cenário para a turnê de "Diamond Dogs", de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Modelo do cenário para a turnê de “Diamond Dogs”, de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust

Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust / Richard Davis/Divulgação

Letra original de "Ziggy Stardust", de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

Letra original de “Ziggy Stardust”, de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação

Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane

Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane / The David Bowie Archive/Divulgação

David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS

David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita/Divulgação

Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive

Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive / David Bowie Archive Image/Divulgação

Foto original da capa do álbum "Earthling", de 1997

Foto original da capa do álbum “Earthling”, de 1997 / Frank W Ockenfels

“O desafio desse tipo de exibição é justamente reunir material, então nesse sentido boa parte do trabalho já estava feito,” conta Victoria Broackes, curadora do V&A ao lado de Geoffrey Marsh.

Mesmo assim, levaram dois anos visitando o arquivo. “Para mim, o mais excitante foi encontrar anotações, pequenos pedaços de papel com rabiscos à mão”, diz Broackes. A dupla de curadores ressalta que Bowie “escolheu não participar de nenhuma etapa da exposição”.

A montagem brasileira, com cerca de 300 itens, não é rigidamente idêntica à original, até por questões de espaço. Algumas peças menores podem não aparecer nos corredores do MIS, mas André Sturm, diretor-executivo do museu (e fã de Bowie) afirma, sem dar detalhes, que há “algumas novidades e uma estará logo na entrada”.

Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação

Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação

O livro comemorativo da mostra também ganhou versão nacional, uma coedição entre o MIS e a editora Cosac Naify. Com mais de 300 páginas, traz análises e ensaios sobre a influência de Bowie.

Sem dar entrevista há anos, Bowie não perdeu sua capacidade de manipular. “A ideia por trás dele é que você pode ser quem quiser”, diz Marsh. Fascinado pela cultura pop e também um ator e pensador sério, Bowie é “um mestre na manipulação da mídia”, lembra o curador.

Em março de 2013, encerrou uma década de reclusão lançando o álbum “The Next Day”. O disco concorre ao Brit Awards (artista solo e disco do ano) e ao Grammy (apresentação e álbum de rock).

DAVID BOWIE – MOSTRA
QUANDO abre em 31/1; ter. a sex., das 12h às 21h; sáb., das 10h às 22h; dom. e feriados, das 11h às 20h; até 20/4
ONDE MIS (av. Europa, 158, Jardim Europa; tel. 0/xx/11/2117-4777)
QUANTO ingressos antecipados por R$ 25, no site www.ingressorapido.com.br; no MIS, a partir de 31/1, por R$ 10; entrada gratuita às terças-feiras

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