Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged mob de leitura

Livro para ensinar política para crianças de 5 a 7 anos consegue financiamento coletivo

0

1

Brunella Nunes, no Hypeness

Desde que somos apenas um brotinho, nossos pais já têm mil planos e ambições para nós. Acontece que pai e mãe, na prática, não decide nada por ninguém, mesmo que as crianças cresçam sem noção alguma sobre poder e liberdade de escolha. Pensando nisso, o grupo do Laboratório Hacker vai criar um livro infantil focado em política, o “Quem Manda Aqui?”, primeiro volume de uma série de livros com o tema.

O livro, voltado para crianças de 5 a 7 anos, vai traduzir em imagens e poucas palavras conceitos como Monarquia, Ditadura, Democracia, Desígnio Divino e Meritocracia, além de falar sobre formas de decisão como Voto e Consenso. Segundo um dos idealizadores do projeto, Pedro Markun, o livro colaborativo terá ainda a participação das próprias crianças para ser elaborado.

Serão quatro oficinas em diferentes regiões de São Paulo dedicadas a ideias de pais e filhos que participarão como autores. Na obra, personagens e situações serão representados em linguagens visuais como colagem, pintura, desenho, material utilizado posteriormente na produção editorial.

1

Entre os outros projetos bacanas já realizados por eles, Pedro citou alguns para o Hypeness: “faz um tempo que a gente vem explorando atividades para o público infantil que tentem explicar ou provocar uma reflexão política. A oficina de ‘Como fazer um projeto de lei?’ transforma as crianças em legisladores e coloca elas para pensar em soluções para problemas da cidade – que a gente escreve em forma de lei e encaminha para a Câmara Municipal”.

E por quê escolher as crianças? Pedro contou que os adultos têm dificuldades para visualizar soluções criativas, presos na realidade. “As crianças não têm essa limitação e são sempre capazes de imaginar outros futuros possíveis”, pontuou.

O projeto do livro arrecadou R$ 12.987 via financiamento coletivo, valor dedicado totalmente à causa e aos seus colaboradores, profissionais que serão remunerados. A obra infantil será publicada com Licença Livre (CC-BY) e ficará disponível gratuitamente para download.

1

1

1

O trabalho do Laboratório Hacker é composto por um grupo de hackers, ativistas, desenvolvedores, advogados, palhaços e acadêmicos que buscam novas maneiras de fazer política a partir das tecnologias digitais. O espaço esta aberto das 14h as 20hs para quem quiser aparecer, na rua Alfredo Maia, 506 – próximo ao metrô Armênia.

1

1

2

3

*Fotos cedidas gentilmente pela equipe Laboratório Hacker

Agradecimentos: Pedro Markun, Larissa Ribeiro e Raul Duarte

O complexo de vira-latas na literatura

0

Repetir frases como: “É só no Brasil” ou “Só podia ser no Brasil” apenas rebaixa o que temos como visão de mundo; não é só aqui que temos problemas. Somos humanos, e nossa capacidade intelectual de criar é compatível com a nossa dificuldade em resolver.

NR_-_divulgação3

Luísa G. Ferreira, no Homo Literatus

O termo complexo de vira-latas foi criado por Nelson Rodrigues diante da visão brasileira sobre o futebol, que segundo ele vacilava entre o pessimismo obtuso e a esperança mais frenética. A própria relação brasileira em defender com unhas e dentes a seleção, sempre com o ápice das vitórias, esvai-se diante de uma pequena derrapada, que não vinha a acontecer há muito tempo. Há sempre uma grande preparação para a copa; e o Brasil, sendo o “país do futebol”, permanece (pelo menos a maior parte da população) com a certeza de vencer o campeonato. Talvez, o único e mais sólido campo em que nós brasileiros sentimos orgulho, muitas vezes por simplesmente não abrimos os olhos para enxergar o que acontece ao nosso redor.

Repetir frases como: “É só no Brasil” ou “Só podia ser no Brasil” apenas rebaixa o que temos como visão de mundo; não é só aqui que temos problemas. Somos humanos, e nossa capacidade intelectual de criar é compatível com a nossa dificuldade em resolver. Ainda transformamos pequenos e simples atos, em grandes e complexos problemas. Diante das grandes diferenças de pensamento cultural, nos resta estudar, analisar para que possamos, com embasamento, discutir nossas relações, sejam regionais ou mundiais.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. (Nelson Rodrigues)

Como exposto, o pessimismo brasileiro corrompe o nosso desenvolvimento. Impedindo-nos de revelar nossas conquistas e abraçar o que lutamos para conseguir. Quando será possível, ler matérias positivas, sem ter que considerar como sendo comum em outros países e tão raras no Brasil? Para que isto seja possível, é preciso considerar o trabalho conjunto. Afinal, somos uma nação.

E você pode estar se perguntando: Qual é a relação disso com a literatura?

Muitas pessoas desprezam a produção literária nacional: pelo simples fato de ser nacional. Posso considerar como uma das raízes do problema os livros exigidos nas escolas. Para muitos jovens alunos (não todos), a falta de interesse surge da falta de identificação do que foi proposto durante as aulas sobre clássicos nacionais. O que acontece também, em filmes e séries; por não conseguirem situar o momento em que vivem, dentro de um contexto político e social, concluem e consequentemente generalizam: “Todos são ruins e nada disso faz sentido”. Com este pensamento em relação aos clássicos, já conhecidos pelo público, imaginem a literatura contemporânea, pouco conhecida.

Nelson diverte crianças de colégio com uma encarnação da “cabra vadia”, personagem que testemunhava entrevistas imaginárias que ele conduzia num terreno baldio (Foto: Arquivo / Agência O Globo)

Nelson diverte crianças de colégio com uma encarnação da “cabra vadia”, personagem que testemunhava entrevistas imaginárias que ele conduzia num terreno baldio (Foto: Arquivo / Agência O Globo)

De acordo com Nelson, o brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-lata. Uma vez que nos convençamos, seremos capazes de libertar a capacidade de mudar o que precisa ser mudado; e reconhecer o que já construímos diante de tantos empecilhos.

Ainda diante do problema, Nelson Rodrigues finaliza sua crônica:

Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

Para concluir, recomendo os vídeos abaixo, o primeiro baseado no texto de Ernest Cline sobre a visão egoísta dos seres humanos que se acham superiores, negando sua real natureza como primatas (resumindo: Somos macacos). A ideia do vídeo exprime bem a discriminação criada em cima de coisas comuns, que fazem parte de nossas vidas. E o segundo, um pequeno documentário sobre a crônica de Nelson Rodrigues. Sinceramente, considero o complexo de vira-latas na literatura como mais uma das pedras que nós mesmos colocamos em nosso caminho, pedras estas formadas pela ignorância e falta de conhecimento. Por isso, além de entender estes erros é preciso que vejamos de uma vez por todas, que o real problema não é o Brasil, e sim, os brasileiros; porque a mudança depende de nós.

Existem bilhões de galáxias no Universo observável.

Em cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas… Em uma dessas galáxias, orbitando em uma dessas estrelas se encontra um pequeno planeta azul… E este planeta é governado por um bando de macacos.

Documentário:

Até quando esta visão pessimista definirá a produção e dispersão da literatura brasileira?

Que destino terão os 4 mil livros de Joaquim Barbosa em Brasília

0

Felipe Patury, na Época

BIBLIOTECA Onde Joaquim Barbosa porá os quatro mil livros que tem apenas em Brasília (Foto: Alan Marques/Folhapress)

BIBLIOTECA Onde Joaquim Barbosa porá os quatro mil livros que tem apenas em Brasília (Foto: Alan Marques/Folhapress)

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa acumulava quase quatro mil livros no seu gabinete na corte. Depois que se aposentou, pediu aos antigos funcionários que catalogassem todos, os encaixotassem e mandassem para seu apartamento em Brasília. Não é problema acomodar no imóvel de 600 metros quadrados sua biblioteca brasiliense – ele tem outra no Rio. O problema é que se trata de um apartamento funcional e Barbosa quer devolvê-lo ao Erário tão logo volte de suas férias. Seus amigos estão de olho num apartamento ou casa capaz de comportar tudo, quando ele recomeçar sua vida como parecerista e palestrante. Já tem, aliás, seis conferências na agenda.

Cristo Redentor é mote de romance da escritora Lucinda Riley

0

Irlandesa lança novo romance neste sábado na Bienal do Livro

Maria Fernandes Rodrigues, no Estadão

A irlandesa Lucinda Riley, que viajou muito com o pai quando era criança, ouviu dele que ela deveria conhecer o Brasil. Guardou o conselho, fantasiou acerca da terra distante e acalentou o sonho, mas nunca fez nada de concreto para tirar a viagem da lista de coisas a fazer antes de morrer. Foi a literatura, profissão escolhida aos 20 e poucos, que a trouxe para cá – caminho que sua personagem Maia, protagonista de As Sete Irmãs, faria no romance lançado com pompa no Copacabana Palace, na semana passada, e que será apresentado neste sábado aos leitores na Bienal do Livro de São Paulo.

Já editada em diversos países e trilhando uma bem-sucedida carreira, ela se frustrava porque nenhuma editora brasileira se interessava por seus romances femininos. Um dia, sem mais nem menos, uma amiga sensitiva ligou para ela e disse: “Sabia que você vai para o Brasil?”. Ela ainda não tinha recebido o e-mail de sua agente dizendo que a Novo Conceito estava interessada em publicá-la – a mensagem só chegaria na manhã seguinte. Nesta semana, de volta ao Brasil pela terceira vez, ela foi a Abadiânia conhecer o homem que soprou no ouvido da amiga que seu sonho estava prestes a se realizar: o médium João de Deus.

O enredo de As Sete Irmãs surgiu em 2012, quando ela veio divulgar, também na Bienal do Livro, A Casa das Orquídeas. Terminados os compromissos na cidade, ela partiu para o Rio, para o tão aguardado encontro com o Cristo Redentor. Decidiu, naquele momento, que incluiria a história do País em seu próximo trabalho, e em março do ano seguinte estava instalada num apartamento em Ipanema. De um lado, a praia; do outro a estátua cuja construção seria o pano de fundo da história que ela começava a escrever ali.

Lucinda. Ideia do livro surgiu em sua 1ª viagem ao País

Lucinda. Ideia do livro surgiu em sua 1ª viagem ao País

O livro tem início com a morte de um homem que criou suas filhas numa idílica casa num lago austríaco – isolada, protegida do mundo exterior e acessível apenas por barco. Todas as meninas foram trazidas de um lugar diferente do mundo. No testamento deixado a Maia, estão as pistas de sua origem e ela, uma tradutora de livros (do português, inclusive), sem saber o que fazer naquela casa e para fugir de um amor prestes a reaparecer, ela decide iniciar a busca por sua identidade. No Rio.

Poderia ter sido apenas uma estratégia de marketing, ou então uma tentativa de retribuir o carinho com o qual foi recebida por suas fãs. “Ir à Bienal foi provavelmente a mais incrível experiência da minha carreira literária. Havia 300, 400 pessoas gritando. Foi emocionante. Meu momento Madonna”, contou, na véspera de sua viagem a Abadiânia. Mas ela garantiu que não foi jogada e disse que existe uma ligação mais forte, talvez espiritual com o País. E que, assim como Maia, está tentando descobrir algo de si. O que já encontrou? “Meu coração”, disse. “Viajo o mundo todo, vejo muitos lugares, mas normalmente não sinto o que o Brasil despertou em mim. Como alguém pode explicar isso? Meu nome é Lucinda, tão português. Somos ingleses, por que meus pais me deram esse nome? Quem sabe eu não estive aqui há 200 anos”, questiona.

E vai além: “Acredito em outras vidas, e não acho que sou eu quem escreve essas histórias. Falo as histórias para um gravador. Nunca volto, nunca sei para onde estou indo. No final, tenho cerca de 190 mil palavras e realmente acho que elas foram ditas a mim”. Ela disse que fazer essa viagem para conhecer o médium é como ir para casa. “Talvez seja sobre isso essa história toda. Não sei qual é a conexão, mas o processo desse livro mudou a minha vida.”

Enquanto esteve no Rio para a pesquisa, a escritora conheceu a cineasta Bel Noronha, bisneta de Heitor da Silva Costa, idealizador da estátua do Cristo. As duas viraram melhores amigas e Lucinda teve acesso a diários, cartas, fotos. Uma historiadora a ajudou a imaginar o Rio naquele início dos anos 1920. “Quis escrever uma história que nunca foi escrita. Até os brasileiros acham que o Cristo foi um presente da França ao País”, comentou. Mas As Sete Irmãs, o primeiro de uma série que a irlandesa que divide seu tempo entre a literatura, os quatro filhos, uma casa na Inglaterra e outra na França pretende escrever, é um romance – recheado, sim, de fatos históricos. O enredo acompanha a família de Maia por décadas e incluiu até o envolvimento de um dos membros com drogas.

Para Riley, o processo de idealização e criação de um livro – já são seis – é como numa gravidez: dura nove meses. “Qualquer que seja a história, escrevo do fundo do meu coração. Nunca sei se alguém vai gostar. Só tenho que escrever.”

Depois de sua ida à Bienal, ela volta ao Rio para tentar fazer um passeio pelo interior da estátua. Está mais tranquila, já que recuperou a mala que não embarcou no mesmo voo que ela – e onde estava um vestido comprado para a festa do Copacabana Palace com o adiantamento recebido de um país do leste europeu – e por ter conhecido João de Deus. “É simplesmente uma força da bondade. Céticos… Venham e vejam por vocês mesmos.”

AS SETE IRMÃS
Autora: Lucinda Riley
Trad.: Elaine Albino Oliveira Editora: Novo Conceito 560 págs., R$ 39,90; R$ 27,90 o e-book)
Lançamento: Sábado (23), às 15 h, na Bienal (Rua D, 600).

Razões para amar a Bienal do Livro

0

O calendário nacional está cheio de novos eventos literários, mas o mais tradicional deles ainda é o mais apaixonante

1

Danilo Venticinque, na Época

Não contem com o fim da Bienal. Desde a criação da Festa Literária Internacional de Paraty, em 2003, e o surgimento de inúmeros eventos semelhantes em várias cidades, há quem questione o futuro da Bienal do Livro de São Paulo. Alguns dizem que o modelo está esgotado. Ao contrário da Flip e de festas semelhantes, a Bienal está longe de ser um evento glamouroso. Grandes estrelas da literatura internacional costumam preferir o charme de cidades históricas a enfrentar os tumultuados corredores do Pavilhão de Exposições do Anhembi. Debates entre grandes pensadores dão lugar a encontros com autores best-sellers. Em vez de intelectuais na plateia, há multidões de crianças e adolescentes. Apesar disso tudo – ou exatamente por isso –, a Bienal sempre foi meu evento literário favorito.

Não estou sozinho. Pela estimativa dos organizadores, mais de 700 mil pessoas devem participar da próxima edição, entre os dias 22 e 31 de agosto. Na programação, há atrações para todo tipo de leitor: do best-seller galês Ken Follett, autor do monumental romance histórico Os pilares da Terra, à americana Cassandra Clare, estrela da literatura juvenil. Os autores nacionais também marcarão presença. Ruy Castro falará sobre autoficção. Patrícia Melo e Cristóvão Tezza discutirão o papel do escritor brasileiro. Pedro Bandeira, um dos autores mais queridos do público infantojuvenil, estará lá para lançar seu novo livro. Na ala jovem, Eduardo Spohr, Affonso Solano, Carolina Munhóz e Raphael Draccon representarão a fantasia. O suspense ficará por conta de Raphael Montes. Bruna Vieira e Paula Pimenta devem empolgar adolescentes numa mesa apropriadamente intitulada “papo de garotas”.

Se você já foi a qualquer edição da Bienal, sabe o que esperar: filas de leitores esperando para conversar com seus ídolos, leitores amontoados nos estandes à procura de bons descontos e jovens carregando sacolas cheias de livros. Para quem acredita no futuro da leitura no país, não dá para não sorrir diante dessas cenas. Também é difícil não comparar o Anhembi com as ruas de Paraty durante a Flip, em que era impossível caminhar sem tropeçar num autor nacional ou internacional – mas podia-se passar o dia inteiro sem ver alguém com uma sacola de livros recém-comprados. A Flip é uma festa de autores. A Bienal, uma festa do leitor. Ambas têm importância. O mercado cultural brasileiro perderia muito sem uma delas.

Por mais charmosos que sejam os novos eventos literários, nenhum é tão bem-sucedido quanto a Bienal no desafio de atrair o público jovem. Desde a primeira edição, em 1970, várias gerações de leitores descobriram a leitura graças a ela. Não há leitor na cidade que não se lembre de sua primeira Bienal. Eu, pelo menos, não me esqueço da minha. Foi em 1994, na última edição da feira no Ibirapuera. Lembro de ter me perdido várias vezes pelos corredores, em busca de gibis da Turma da Mônica. Voltei à Bienal em 1996, no Expo Center Norte, com metas um pouco mais ambiciosas. Perambulei um bocado até encontrar o estande da Ediouro, que vendia com desconto obras de Júlio Verne e aventuras de Sherlock Holmes. Também comprei uma Ilíada, incompreensível para os meus 11 anos de idade, que só li um bom tempo depois. Novato de Bienal, não levei nenhuma sacola. Tive de carregar minhas compras debaixo do braço. Mesmo assim, passeei pelos corredores por horas. Só fui embora porque meu pai insistiu.

Neste ano, voltarei ao Anhembi como jornalista, para fazer algumas entrevistas e mediar um debate no Congresso Internacional do Livro Digital, nesta sexta-feira (22). Não deixarei de levar minha sacola e abastecer minha estante com novas compras, como fiz há 20 anos e espero fazer nas próximas edições. Algumas paixões são para sempre. A leitura é uma delas. A Bienal também.

Go to Top