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‘Moby Dick’, clássico de Herman Melville, chega ao Brasil em quadrinhos

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A investida é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim Foto: Divulgação

A investida é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim
Foto: Divulgação

‘Moby Dick’, levado mais de dez vezes à televisão e ao cinema (desde 1926, em um filme dirigido por Millard Webb) é homenageado também nos quadrinhos.

Publicado no JC Online

O crítico literário Harold Bloom, em seu Cânone Americano, erige, ao lado de Walt Whitman, Herman Melville como o mais “ambicioso e sublime” escritor norte-americano. Em sua época, contudo, Melville (1819-1891) foi tido como um mero escriba de romances náuticos. Morreu soterrado pelo ocaso na cova rasa em que a crítica deposita os corpos dos ditos escritores medianos. Melville só iniciou sua escalada ao posto de um dos baluartes do tal “grande romance americano” quando, passadas três décadas de sua morte, foi resgatado por autores como William Faulkner e D.H Lawrence, que buscavam terreno fértil para fincar as raízes literárias americanas além dos versos de Henry Wadsworth Longfellow e do fugere urbem de Henry David Thoreau.

Foi então que a percepção de seus romances mudou drasticamente e as adaptações de suas obras espraiaram-se pelas mais diversas mídias. Peter Ustinov filmou Billy Budd, O Marinheiro em 1962 para refletir as tensões da guerra fria.

Bartleby, o Escrivão, adaptado em 1970 por Anthony Friedman e em 2001 por Jonathan Parker, foi enfim reconhecido como a pérola niilista-burocrata-corporativa que é, cada dia mais atual em um mundo globalizado e robotizado. Nada mais justo que sua obra-prima, Moby Dick, levada mais de dez vezes à televisão e ao cinema (desde 1926, em um filme dirigido por Millard Webb), seja homenageada também nos quadrinhos.

A história da baleia branca já havia sido quadrinizada, entre muitos outros, pelo italiano Dino Battaglia (1967), pelo francês Paul Gillon (1983) e pelos norte-americanos Bill Sienkiewicz (1990) e Will Eisner (2001), sendo este o autor de The Spirit (1940) e um dos maiores estetas da história dos quadrinhos, responsável por inovações gráficas que perduram até hoje no formato. A investida mais recente, de 2014, é do francês Christophe Chabouté, publicada agora no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.

Estética 

Logo no início de Moby Dick, o traço fino e bastante definido de Chabouté se faz notar, lembrando outro mestre francês, Moebius. A modulação da espessura do traço, embora tímida, está lá dando volume aos objetos e criando um dos mais belos efeitos marítimos dos quadrinhos.

Por mais que boa parte da trama se passe em alto-mar, a paisagem nunca fica monótona graças à ambientação detalhada dos cenários em planos abertos. Para focar a atenção do leitor, Chabouté economiza traços nos planos médios e closes, alternando as angulações de plongée e contra-plongée.

Como o autor desenha em preto e branco, sem o uso de retículos ou degradê, as imagens são sempre chapadas, trabalhando em cima do forte contraste entre luz e sombra. Em alguns momentos, a cena só é visível a partir da ausência de luz; em outros, o Sol parece ofuscar o leitor. Há diversas sequências de vinhetas em planos abertos nas quais somente a silhueta do navio ou dos personagens é visível ou uma pretensa câmera se mantém fixa enquanto a ação transcorre de um canto a outro em silêncio.

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Este, aliás, é um elemento muito bem utilizado pelo quadrinista: o silêncio. Embora boa parte do texto original tenha sido mantido – citações do livro abrem cada capítulo -, não é pequeno o desafio de transmitir sem palavras essa atmosfera inicialmente leve, até cômica, que vai ganhando tons mais sombrios e épicos à medida que o drama se desenrola.

Talvez alguém que não seja iniciado na linguagem dos quadrinhos não consiga aproveitar o ritmo cadenciado e os longos silêncios beckettianos que Chabouté imprime para tentar se aproximar da verve filosófica da prosa de Melville. O francês deixa de lado a tradicional sequência frenética “ação a ação” dos quadrinhos ocidentais e assume o contemplativo estilo “perspectiva a perspectiva”, mais característico dos mangás japoneses.

É uma excelente solução, mas é claro que a linguagem de Melville é insubstituível, como ocorre com qualquer adaptação. Por isso, a dramaticidade de alguns momentos, especialmente os mais próximos do final, acaba comprometida com a ausência de palavras.

Trabalhos de Chabouté

Moby Dick é um dos melhores trabalhos de Chabouté, cuja primeira aparição foi em Les Récits (1993), uma antologia sobre o poeta Arthur Rimbaud, mas não é sua primeira adaptação de um clássico literário: o quadrinista de 50 anos, até então inédito no País, publicou Construire un Feu (2007), inspirado em To Build a Fire, de Jack London.

Um de seus destaques é a trilogia Purgatoire (2003-2005), uma biografia em quadrinhos de Henri Désiré Laundru, serial killer e uma espécie de Barba Azul da França, responsável por 11 assassinatos entre 1915 e 1919, mencionado por Marcel Proust em sua obra Em Busca do Tempo Perdido e inspiração de Charles Chaplin em Monsieur Verdoux.

Tão injustiçado em vida, Melville foi tratado como subproduto cultural, tal como, em outros tempos, o jazz, o romance em prosa e a fotografia. Não é por acaso que sua obra tenha sido retratada com tamanha excelência por outra manifestação artística relegada à margem durante muito tempo: os quadrinhos.

Bob Dylan é acusado de plágio em seu discurso para o Nobel de Literatura

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Bob Dylan receberá Nobel de Literatura neste fim de semana em Estocolmo (Foto: Vince Bucci/Invision/AP)

Bob Dylan receberá Nobel de Literatura neste fim de semana em Estocolmo (Foto: Vince Bucci/Invision/AP)

Após pesquisa de comparações, a jornalista Andrea Pitzer cita trechos de ‘Moby-Dick’ que não estariam no livro e, sim, em um guia de estudantes.

Publicado no G1

Bob Dylan demorou seis meses para mostrar seu discurso sobre o prêmio Nobel de Literatura, que recebeu em dezembro de 2016. E, após divulgar a longa carta acompanhada de um áudio, uma nova polêmica. O cantor está sendo acusado de plágio em suas palavras. A jornalista Andrea Pitzer fez uma matéria sobre o assunto para a revista “Slate” após uma longa pesquisa.

Tudo começou quando o escritor Ben Greenman fez um post no Twitter falando sobre uma possível citação de “Moby-Dick” feita por Dylan, mas que não está no livro de Herman Melville.

“Como notou Ben Greenman, Dylan parece ter inventado a passagem de Moby-Dick que ele citou em seu discurso do Nobel”, afirmou Andrea. Além disso, segundo ela, o trecho citado pelo cantor parece ter sido usada em um parágrafo do SparkNotes, popular guia usado por estudantes para encontrar resumo de livros.

Intrigada com o assunto, Andrea fez uma longa pesquisa comparando os trechos dos livros com as citações de Dylan e fez uma matéria para a “Slate”, onde começa o texto questionando “se um compositor pode ganhar o Nobel de Literatura, poderia o CliffsNotes ser arte?”.

A jornalista ainda enumerou: entre as 78 citações feitas por Dylan em seu discurso, mais de uma dúzia delas apareceram muito semelhantes aos guias de estudantes. Ela ainda cita que outras palavras citadas pelo cantor com passagens do livro nem constam na obra.

Em sua matéria para a revista, Andrea afirma ainda que tentou contato com Dylan e seus representantes, mas não teve retorno até o fechamento da matéria.

História real que inspirou “Moby Dick” ganha contornos épicos na aventura “No Coração do Mar”

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Melville abre seu livro com várias citações da Bíblia, da literatura e da cultura popular às baleias e ao Leviatã, monstro marinho mítico, muitas vezes associado ao animal e a forças diabólicas. Reprodução

Melville abre seu livro com várias citações da Bíblia, da literatura e da cultura popular às baleias e ao Leviatã, monstro marinho mítico, muitas vezes associado ao animal e a forças diabólicas. Reprodução

 

Publicado no Chico Terra

SÃO PAULO (Reuters) – “Chamai-me Thomas” não é, mas caberia muito bem como a primeira fala em “No Coração do Mar” (2015), novo filme de Ron Howard que leva às telas do cinema o caso real que inspirou as páginas escritas por Herman Melville em sua obra-prima “Moby Dick” (1851).

O fato de grande parte da produção seguir o ponto de vista de Thomas Nickerson, um dos sobreviventes do naufrágio do baleeiro Essex em 1820, seria a razão mais lógica para citar a frase inicial tida como a mais famosa da literatura, segundo alguns especialistas.

Contudo, tal qual o escritor apresentou categoricamente seu narrador como Ismael, envolto em referências bíblicas ao filho ilegítimo de Abraão para compor a simbologia de um homem selvagem e rejeitado, que acompanha a vida em uma Arca de Noé da Humanidade, o cineasta usa a figura do órfão, cujo nome tem origem no apóstolo incrédulo do Evangelho, como interlocutor de uma história que beira a fantasia para alcançar o âmago de questões humanas sempre urgentes.

Charles Leavitt, roteirista de “Diamante de Sangue” (2006), adapta o premiado livro homônimo de Nathaniel Philbrick, publicado em 2000, que detalha os acontecimentos vividos pela tripulação do Essex.

Seu roteiro, porém, cria um fictício – ao que tudo indica – encontro de Melville (Ben Whishaw, o Q dos últimos “007”) e Nickerson (interpretado nesta parte por Brendan Gleeson, e nas recordações por Tom Holland) para introduzir claramente a ligação entre o naufrágio real e o ficcional.

Na realidade, o autor utilizara os relatos de outro sobrevivente retratado no longa como uma das fontes de inspiração para a sua obra, entre elas sua própria experiência em um baleeiro.
Mas se engana quem espera ver a mesma obsessão do capitão Ahab comandando as ações da embarcação, como lida no clássico ou vista no longa de John Huston de 1956; pelo menos a princípio. Howard volta a trabalhar com a rivalidade entre dois homens, que lhe foi cara em “Rush – No Limite da Emoção” (2013), contrapondo a diferença social, de personalidade e pensamentos, mas que ganha um viés ainda mais trágico aqui com a ambição de ambos.

Mais conhecido como intérprete do heroi Thor, Chris Hemsworth aqui atua como o imediato Owen Chase, filho de um pária que espera dar uma vida melhor a sua mulher (Charlotte Riley) e o futuro bebê a nascer, tornando-se capitão.

No entanto, a nomeação de George Pollard (Benjamin Walker, de “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”), membro de uma poderosa família de Nantucket, ilha do Massachusetts que se especializou na caça e comércio de óleo de baleia, atrapalha seu sonho de estar à frente da próxima expedição.
A péssima impressão inicial que um tem do outro mina a relação dos dois dentro do Essex e expõe a tripulação aos riscos do alto mar, especialmente quando a vontade de se verem livres de seu respectivo desafeto os leva a encontrar a grande cachalote que aterroriza o centro do Pacífico.
A partir daí, só basta alertar que, diferente do que a imagem divulgada nos últimos dias faz pensar, Hemsworth aparece muito magro em pouquíssimas cenas. A questão do canibalismo é pouco desenvolvida pelo roteiro e direção com o Thomas jovem, cabendo à sua versão mais velha carregar a maior parte do dilema moral.

Cineasta versátil em gêneros e temáticas, Howard, que levou o Oscar por “Uma Mente Brilhante” (2001), tem a oportunidade de mostrar todo o seu apuro técnico nesta aventura marítima dramática, além de sua verve sentimental, embora tenha mais controle neste quesito com este trabalho.
Todavia, pode causar alguma estranheza o visual mais fantástico criado em CG para as tempestades e encontros com a baleia, quando confrontado com o realismo nas cenas de navegação e calmaria no mar, observados na fotografia de Anthony Dod Mantle, também ganhador do prêmio da academia por “Quem Quer Ser Um Milionário?” (2008).

Talvez essa diferença estética seja até valorizada, em 3D e/ou IMAX, formatos que estarão disponíveis nas versões brasileiras, mas outros aspectos dão a unidade necessária, a exemplo do competente elenco, a tensão conferida na montagem de seus antigos parceiros Daniel P. Hanley e Mike Hill e a grandiloquência da trilha sonora do espanhol Roque Baños.

Melville abre seu livro com várias citações da Bíblia, da literatura e da cultura popular às baleias e ao Leviatã, monstro marinho mítico, muitas vezes associado ao animal e a forças diabólicas.

O teólogo São Tomás de Aquino chegou a afirmar que ele era o demônio da inveja, entretanto, seu quase xará que relata o drama no navio aponta que a monstruosa baleia, enquanto objeto de desejo da cobiça humana, provoca o pecado dos homens, mas não é o mal em si.

Ron não alcança as várias interpretações suscitadas em “Moby Dick”, contudo, entrega a dose certa de entretenimento e mais reflexão do que o público espera em uma superprodução como esta.
Representações de um julgamento final, entre outras referências religiosas, continuam, enquanto o olhar mais atento de reconhecimento ao desconhecido e temido nutre questões sociais e filosóficas.
Porém, especialmente neste momento em que é realizada a Conferência do Clima em Paris, a discussão ambiental, que abarca também o âmbito econômico e político, é a que ganha mais destaque no embate do desmedido desejo humano com a força da natureza.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
Via R7

Em tempo de crise, clássico volta a ser um bom negócio

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Leitura (iStockphoto/Getty Images)

Leitura (iStockphoto/Getty Images)

Maria Carolina Maia e Meire Kusumoto, na Veja

Alguém pode dizer que um clássico nunca sai de moda. Isso não é inteiramente verdade. Há ciclos de interesse e de oferta que os tornam mais atraentes de tempos em tempos. Mais quentes. É o que se vê agora no mercado literário brasileiro, e em boa hora. Em um momento em que a economia caminha para a recessão e grandes títulos como O Pequeno Príncipe caem em domínio público ou rumam para tal, duas pequenas editoras começam a operar focadas nesse nicho, e outras duas já consolidadas, a Hedra e a Rocco, preparam coleções — de holandeses “esquecidos” e de obras canônicas para jovens, respectivamente. É uma boa notícia para o leitor, que tem no filão o seu investimento mais seguro.

Consagrados pela qualidade e pela maneira como tocam o público, tanto de sua época quanto das que se seguem a ela, clássicos são livros formadores não apenas de leitores, mas de escritores e de outras obras, de cultura e de imaginário coletivo. Quando se fala de amor, não conhecer a história de Romeu e Julieta é, guardadas as proporções, o mesmo que boiar naquela conversa sobre a novela que você não acompanha. “Um clássico nunca perde a importância. Lendo clássicos, a gente se aproxima do nosso passado comum”, diz Juliana Lopes Bernardino, da Poetisa, editora que iniciou trabalhos no final de 2014 com a ideia de tirar da gaveta traduções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde sua sócia, Cynthia Beatrice Costa, estuda.

O primeiro livro lançado pela editora, que tem sede em Florianópolis, foi uma tradução integral de Bela e a Fera, que só contava com adaptações no mercado brasileiro. O texto é assinado por Marie-Hélène Catherine Torresta, professora da UFSC. O próximo título da Poetisa, previsto para março, será o infantil O Coelho de Veludo, da inglesa Margery Williams (1881-1944), nunca editado no país. Lançado em 1922 na Inglaterra, o livro está entrando em domínio público, algo que, pelas leis brasileiras, acontece 70 anos após a morte do autor. “Nossa intenção é ter de quatro a cinco lançamentos em 2015. Além de clássico ter um retorno mais garantido, há a questão do domínio público. São obras que não custam tanto para a editora”, diz Juliana.

Os clássicos de aventura

A Odisséia

Espécie de sequência de Ilíada, que narra a Guerra de Troia, A Odisseia retrata a volta de Odisseu, o herói do conflito, para seu reino, Ítaca, e para sua mulher, Penélope. Ao longo de 24 cantos e mais de 12 000 versos, o personagem enfrenta uma tormenta e perde seu rumo, o que o leva a encarar toda a sorte de aventuras e levar dez anos para concluir a viagem. No Brasil, o livro é publicado por casas como Penguin, Cosac Naify e Editora 34. Ao lado de Ilíada, este poema épico escrito por volta do século VIII a.C. e atribuído a Homero é considerado o texto inaugural da literatura ocidental.

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Dom Quixote

Considerado o primeiro romance moderno, Dom Quixote foi publicado em 1605. No livro, o espanhol Miguel de Cervantes retrata o fidalgo decadente Alonso Quijano, ardoroso fã das histórias de cavalaria que perde o juízo e assume a personalidade de Dom Quixote de La Mancha, partindo em aventuras ao lado do fiel escudeiro Sancho Pança. Idealista, Dom Quixote está sempre em busca de justiça e chega a enfrentar um conjunto de moinhos, que pensa se tratar de gigantes que se colocam em seu caminho. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Editora 34.

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Moby Dick

No livro publicado em 1851, o americano Herman Melville retrata a viagem do navio baleeiro Pequod, da costa dos Estados Unidos para o Pacífico Sul. O narrador da história, o marinheiro Ishmael, aceita integrar a tripulação sem saber que a trajetória da embarcação foi definida por seu capitão, Ahab, que deseja se vingar do cachalote Moby Dick. Em uma de suas viagens anteriores, Ahab enfrentou o animal e sobreviveu, mas perdeu uma das pernas e seu antigo navio. No Brasil, o livro é publicado por casas como Cosac Naify e Editora Landmark.

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Robinson Crusoé

No romance de 1719 do inglês Daniel Defoe, Robinson Crusoé é um marujo que perde quase tudo ao naufragar perto de uma ilha da América do Sul. No local, que ele apelida de Ilha do Desespero, ele sobrevive com os objetos que consegue resgatar do navio, no que será uma longa espera por resgate. Ele vive por vinte anos sem qualquer contato com outro ser humano, até que encontra e salva um nativo de um ataque de canibais e o transforma em seu criado. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Edições BestBolso.

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O Coração das Trevas

Publicada originalmente como uma série na revista inglesa Blackwood (1817-1980), a história do britânico de origem polaca Joseph Conrad foi transformada em livro em 1902 e serviu de inspiração para um dos filmes mais conhecidos do diretor Francis Ford Coppola, Apocalypse Now (1979). O enredo acompanha a viagem do marinheiro Charles Marlowe pela selva africana, onde descobre a crueldade dos métodos empregados na exploração e na venda de marfim, principalmente por Kurtz, um comprador do material. No Brasil, o livro é publicado por casas como Companhia das Letras e Hedra.

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Em domínio público também entrou neste ano outro clássico que, como Bela e a Fera, é consumido por crianças e adultos, o campeão de vendas O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry (1900-1944). Presença constante nas listas de mais vendidos, onde pode ser visto com a marca da Agir, editora que o publica no país desde 1952, o livro agora deve ganhar edições da L&PM, da Geração Editorial e da Autêntica, entre outras. Preocupada com a perda de seu menino de ouro, a editora do grupo Ediouro já tratou de preparar produtos que compensem o fim da sua exclusividade. No final de 2014, a Agir firmou um contrato de licenciamento com os representantes e herdeiros de Saint-Exupéry para a criação de novos projetos, que já começam a ser publicados a partir de abril deste ano. O primeiro deles é uma versão adaptada para crianças pequenas, feita por Geraldo Carneiro e Ana Paula Pedro.

Se a Agir corre para mitigar o prejuízo causado pela queda em domínio público de O Pequeno Príncipe, a L&PM comemora a novidade. A gaúcha anuncia que a sua edição corrigirá “erros” presentes na da rival, como a omissão de uma estrela em uma cena em que o astrônomo olha por um telescópio. “Na margem interna da página, vê-se uma estrela (justamente o corpo celeste que está sendo observado pelo personagem). Nas edições brasileiras disponíveis para o público até 1º de janeiro de 2015, a estrela era omitida”, diz a editora, que tem 30% de suas vendas feitas de clássicos e para 2015 prepara também uma nova edição de A Divina Comédia, de Dante.

“Para o leitor, o benefício óbvio de toda essa movimentação entre as editoras é que há uma diversificação maior nas prateleiras: o mercado brasileiro atualmente é um dos mais aquecidos do cenário literário internacional, pois as editoras querem agir com rapidez para colocar nas prateleiras o que o público quer ler”, diz Larissa Helena, editora na Rocco Jovens Leitores, que prepara a coleção Memória do Futuro, organizada pelo poeta e tradutor Marco Lucchesi. Outra boa notícia: os livros terão texto na íntegra, e não aquelas adaptações para leitores iniciantes que quase sempre empobrecem a obra. “Clássicos são histórias com apelo universal, que têm qualidade extraordinária na narrativa e que deixaram marcas indeléveis na literatura.”

Histórias Clássicas de Amor

Romeu e Julieta

A trágica história de amor de Romeu e Julieta foi escrita por William Shakespeare entre os anos 1591 e 1595. Filhos únicos de famílias inimigas, os Montecchio e os Capuleto, os jovens se conhecem em uma festa promovida pelo pai de Julieta e se apaixonam. Para fugir do casamento arranjado pelo pai com Páris, Julieta bebe uma poção que a fará dormir e parecer ter morrido, mas acordará a tempo de ser salva por Romeu. O mocinho, no entanto, descobre a morte da amada antes de saber que ela se trata de uma farsa e toma veneno, tirando a própria vida. Ao acordar, Julieta percebe o que aconteceu e se mata com o punhal de Romeu. No Brasil, o livro tem edições por casas como L&PM e Saraiva.

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Madame Bovary

O livro do francês Gustave Flaubert causou controvérsia ao ser publicado, em 1856, por contar a história de uma mulher adúltera. Emma, uma jovem sonhadora que passou a adolescência na companhia de romances açucarados e arrebatadores, se vê frustrada em um casamento entediante com Charles Bovary, um médico do interior da França. Para escapar de seu dia a dia maçante, ela se aventura fora do casamento duas vezes, primeiro com Rodolphe, depois com Léon. No Brasil, o livro tem edições por casas como Penguin e L&PM.

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Anna Karenina

Publicado originalmente entre 1875 e 1877 na revista The Russian Messenger, o livro do russo Liev Tolstói conta a história de Anna Karenina, casada com o político Aleksey Karenin, com quem leva uma vida confortável. Ao visitar um irmão em São Petersburgo, Anna conhece o Conde Vronsky, por quem se apaixona. Seu marido logo descobre o caso, mas pede apenas discrição do casal para (mais…)

Pequeno Príncipe, Dom Quixote e Moby Dick são atacados por Call Of Duty, Angry Bird e Lost

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O “ataque” faz parte de uma campanha criada pela Associação de Editores em defesa dos livros

Publicado no Administradores

 

 

Imagine se o Moby Dick, a baleia da obra de Herman Melville, estivesse encalhado na ilha de Lost. Ou o Pequeno Príncipe fosse baleado por um soldado em meio ao cenário do Call Of Duty. Ou até mesmo um pássaro do Angry Birds atingisse Dom Quixote de La Mancha, um dos protagonistas da obra de Miguel De Cervantes Saavedra.

Essa foi a insinuação e a campanha da Associação de Editores de Madrid, na Espanha, para mostrar como jogar videogame em demasia, usar smartphone e assistir seriados exageradamente podem atrapalhar o consumo de livros.

A criativa campanha, que mostra os livros clássicos sendo “exterminados” pelos hábitos dos usuários, teve como objetivo falar sobre a importância dos livros. “Quanto mais ocupado assistindo séries, menos você lê”.

Veja, abaixo, outras imagens da campanha (Crédito das fotos: divulgação).

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O que você achou da iniciativa?

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