Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Mogi das Cruzes

Julgamento de ‘Adolf Hitler’ mobiliza alunos de escola em Mogi das Cruzes

1

Júri tem direito a promotoria, advogados, juiz e jurados.
Professor usa julgamento para ensinar história.

Sala se divide em acusação e defesa para julgar 'Hitler'. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Sala se divide em acusação e defesa para julgar ‘Hitler’. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Jenifer Carpani, no G1

Mesmo morto há quase 70 anos, ‘Adolf Hitler’ foi absolvido nesta semana de todas as acusações em um julgamento que aconteceu em Mogi da Cruzes (SP). O júri de sete pessoas decidiu por cinco votos a dois, que o ditador era inocente. O julgamento faz parte de uma aula de história, que acontece há 10 anos na Escola Técnica Presidente Vargas, na cidade.

Anualmente, ‘Hitler’ passa por cerca de seis julgamentos iguais a esse que têm direito a promotoria, acusação, juiz, e o ‘próprio’ réu. Os alunos do 3º ano do Ensino Médio da escola se reúnem para debater sobre os erros e acertos do ditador. O julgamento termina com a decisão do júri, formado por outros sete alunos convidados, que decide após o debate qual dos grupos se saiu melhor.

O professor de história Paulo Ciaccio é o responsável pela implantação do trabalho na escola. “Faço o julgamento há 10 anos. A ideia surgiu após um professor de faculdade fazer uma vez um julgamento de um personagem histórico. Eu acabei pegando a ideia dele para colocar em prática aqui. E funcionou. Agora fazemos todos os anos, virou uma tradição”, diz.

Segundo Ciaccio, neste ano serão 240 alunos do 3º ano que farão os seis julgamentos até sexta-feira (28). Ele explica que cada sala tem o seu e os alunos são divididos: metade da sala acusará e metade da sala defenderá o ditador. “Eu faço um sorteio. Eu não permito que se escolha o que quer fazer, para que não tenha nenhum tipo de tendência. Então eu pego o nome deles antes e faço o sorteio. Nesse ano, por exemplo, tem muitos alunos que queriam defender e serão da acusação”, explica.

Acusação X Defesa

O G1 acompanhou um dos julgamentos de 2014. Poucos momentos antes de começar, os alunos vestidos com roupa social, estudavam e afinavam os últimos detalhes do debate. Visivelmente nervosos, alguns treinavam o que iriam falar – tanto na defesa quanto na acusação – e tentavam, disfarçadamente, descobrir o que o outro grupo estava preparando.

Era clara a divisão na sala. A acusação estudava livros e pilhas de papeis sobre o que os promotores falariam em seguida. A defesa, com bigode e cabelo ‘a lá’ Hitler, se reunia no outro canto da sala, tentando decorar os principais argumentos.

Alunos fizeram 'novo símbolo' para identificar membros da defesa. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Alunos fizeram ‘novo símbolo’ para identificar
membros da defesa. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Para o professor, o trabalho da defesa é mais difícil. “É muito mais difícil defender. Primeiro porque ele já foi condenado pelo tribunal de Nuremberg. Só que aí, apareceram tantas teses tentando atenuar a culpa dele. Ele foi errado, mas uma parte acha que ele não foi tão errado assim. Ele fez coisas boas para o país, isso é incontestável. Mas mergulhou a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Tudo o que ele fez de bom ele acabou estragando”, conta.

“O que eu falo para eles: ele é errado. Ele errou. Só que tem que haver uma segunda visão, que tem que ser no debate. Coisa que não houve. Porque quando ele foi julgado ele tinha se matado, né? Por isso que eu falo, fazer esse trabalho é uma coisa muito dinâmica. É um trabalho muito dinâmico e dá um debate muito acalorado, realmente”, afirma.

De blazer, camisa social, e salto, a estudante Letícia Ponciano se mostrava um pouco nervosa antes do início do julgamento. “É que eu vou falar”, justifica. “Foi bem trabalhoso me preparar, estudamos vários argumentos e tivemos um pouco de trabalho. Estamos levando a sério. Mas acho super importante, porque dá um conhecimento a mais. Se no vestibular cair algo do nazismo, eu estou feita”, diz rindo.

Já o aluno Nilton Toaiari Rodrigues Alves, de 17 anos, se disse tranquilo. “Achei o trabalho na parte pedagógica bem interessante. Conseguimos olhar a história mundial de uma maneira diferente. Tem muito assunto sobre isso e podemos ver também que são muitas as teorias”, diz.

A estudante Nathália Kimberly, de 17 anos, também gostou de ter feito a pesquisa antes do julgamento. “Fiz muita pesquisa, e achei super interessante. Consegui ver os dois pontos e a pesquisa ajuda a gente a se envolver, a saber mais”, diz.

Professor fica caracterizado de ditador para julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Professor fica caracterizado de ditador para julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Após o professor lembrar mais uma vez aos alunos que se trata de um trabalho pedagógico, o debate começou pela acusação. A promotoria começou dizendo que não negava avanços na Alemanha durante o governo de Hitler, mas acrescentou que não poderiam ser esquecidos os crimes cometidos e que os fins não devem justificar os meios. Acusaram também o réu de matar judeus e outras minorias e também citaram experiências médicas que os nazistas faziam. Falaram também sobre os campos de concentração e mostraram fotos e vídeos dos locais. A promotoria terminou o debate salientando que a intenção é sempre defender a vida e, por isso, o réu não poderia ficar impune.

Por outro lado, em suas falas, a defesa procurou explicar o Tratado de Versalhes e as perdas da Alemanha após o tratado. Além disso, o grupo questionou o número de judeus na Europa e o número de mortes divulgadas e argumentou que o tifo pode ter matado muita gente. Nas considerações finais, a defesa mostrou vítimas da bomba de Hiroshima, no Japão, e disse que essa foi a pior explosão da história da humanidade. O fim dos dois minutos de considerações finais não deixou que eles terminassem o raciocínio.

O juiz foi até os jurados e os sete alunos votaram. Em seguida, o juiz declarou que por cinco votos a dois, o réu estava inocentado de todas as acusações. Para o professor, no entanto, a maior vitória foi mesmo da sala. “O que importa é que eles se aprofundaram, a pesquisa que eles fizeram e o que eles aprenderam durante ela é muito mais do que eu poderia passar no meu período de aula. Não daria tempo. Mas com a pesquisa eles foram além”, diz sorrindo.

Dinâmica do julgamento

Primeiramente, a sala é dividida em oito grupos, quatro defendem e quatro serão promotoria. Semanas antes do julgamento, os alunos têm que pesquisar e montar suas teses para a defesa e a acusação. “Eles vão trabalhar em torno dessas teses. Depois, em determinado momento, a sala vira dois grupos e eles escolhem entre eles quem serão os advogados que vão falar. Eu não interfiro em nada nesse processo”, diz.

1

Júri assiste julgamento para decidir qual grupo se saiu melhor. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Após o trabalho de pesquisa e montagem das teses, os alunos que irão falar se preparam para o julgamento e os debates. “Eles se organizam porque cada um terá três tempos de cinco minutos intercalados. A promotoria começa e a defesa termina. No fim, há ainda dois minutos para cada grupo, para as considerações finais”, explica. “Então eles vão debatendo, vão criticando e vão mostrando suas ‘verdades’, porque cada um vai ter a sua”.

Paulo diz também que sete alunos formam o júri, que decidirá qual dos dois grupos se saiu melhor no debate. “Nós chamamos duas salas para assistir ao julgamento e pegamos alunos dessas salas para formar o júri. Explico para esses alunos que vão decidir que eles devem esquecer a parte da história analisar o desempenho dos advogados”.

Um outro professor faz o papel de juiz. “O juiz só vai administrar os conflitos. Quem vai trabalhar todinho o conteúdo do debate são os alunos”. O juiz então fica responsável por limitar os tempos de cada grupo e de negar os protestos que são feitos pelos advogados que aguardam a vez de falar. “Todos os protestos fazem parte da dinâmica do trabalho, mas são negados, porque temos que terminar o julgamento ainda hoje”, disse rindo para os alunos, pouco antes do início.

Já o professor Paulo Ciaccio tem outro papel na dinâmica: o de réu. De bigodinho, terno, gravata e suástica no braço, o professor entra no teatro. “Eu sou o personagem Hitler, o réu. Mas é bom lembrar que sou um pesquisador, não sou um nazista ou neonazista. Eu venho assim para deixar o trabalho mais caracterizado”. Durante o julgamento, o professor arranca risadas dos ‘advogados’ e dos outros alunos que assistem aos debates ao fazer sinal de negativo quando os promotores o acusam, interagindo com o que os alunos falam.

Trabalho didático-pedagógico

Em diversos momentos do julgamento, o professor procura deixar claro que este é um trabalho didático-pedagógico. “É um trabalho didático-pedagógico, eu sempre falo para eles, mas é um trabalho interno, escolar, e não para se exibir como nazista no meio da rua”, diz.

Paulo diz que além dos alunos gostarem do julgamento, o trabalho também auxilia na formação deles. “Ajuda a ensinar a pesquisa, o trabalho em equipe, o discernimento da verdade e da história. Qual é a verdade histórica? É aquela que o estudioso, que o pesquisador vai atrás. Então não existe uma verdade só e é isso que eu tento mostrar para eles”, reitera.

No entanto, segundo o professor, ainda há quem julgue de maneira errada o trabalho. “Esse tema é um tabu. Entre os alunos nunca houve quem não gostasse. Os alunos acham a ideia maravilhosa e diferente porque eles estavam acostumados com um padrão de aula tradicional”, diz. “Muitos pais, muitas pessoas religiosas acham que meu trabalho é um absurdo. Porque, como pode alguém, defender Adolf Hitler? Então eu já fui muito criticado inclusive por isso”, lamenta. “As pessoas têm que entender que é um trabalho escolar crítico, de um personagem histórico”, justifica.

“Eu sempre digo que o trabalho é um debate. Não tem vencedor. É um trabalho didático, então um grupo vai acabar se saindo melhor do que o outro. É isso que a gente quer: na hora de trabalhar, na hora de se expressar, na pesquisa é que o aluno acaba tendo um pouquinho de crescimento. Esse é o nosso objetivo, fazer o aluno crescer”, acredita.

Alunos levaram fotos e slides para o julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Alunos levaram fotos e slides para o julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Brasileiros encaram frio de -30°C para estudar medicina na Rússia

0

Cerca de 600 brasileiros foram para universidades russas desde 2007.
Preço é uma das vantagens, porém validação do diploma é necessária.

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Vanessa Fajardo, no G1

Mesmo com rigorosos invernos, com temperatura negativa abaixo dos -30°C e idioma difícil de aprender, a Rússia tem sido um dos destinos procurados por brasileiros interessados em fazer faculdade de medicina. Dos 600 brasileiros que embarcaram para o país com o objetivo de cursar uma graduação, desde 2007, segundo a Aliança Russa, responsável pelo processo de seleção dos estudantes, a maioria optou por medicina. Ainda, de acordo com a agência autorizada pelo governo russo a fazer o intercâmbio, nos últimos anos houve um aumento da procura de 28% pelos cursos de ensino superior. Apesar da crescente demanda, o número de vagas não muda, gira em torno de 80 a 100 por ano.

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade
de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Diego Goncalves Gonçalez, de 28 anos, é de Mogi das Cruzes (SP) e chegou em Moscou, na Rússia há 8 anos. Ele já concluiu a graduação de seis anos no Primeiro Instituto Estatal de Medicina de Moscou Sechenova e há um ano foi convidado pelo governo russo para permanecer no país e fazer residência. Diego ganhou uma bolsa de estudos por conta do bom desempenho na faculdade – na Rússia, a residência é paga – e optou por anestesiologia e reanimação.

Do grupo de 35 estudantes que chegou na Rússia com Diego, só ele e mais três concluíram a faculdade. O restante desistiu, seja pela dificuldade de adaptação com o clima ou com o idioma. “No inverno os termômetros registram 30 graus negativos, no meu primeiro inverno, em novembro de 2005, foi um dos mais rigorosos da Rússia em 20 anos, com temperaturas de 43 graus negativos.”

Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui”
Diego Goncalves Gonçalez,
de 28 anos, há 8 na Rússia

O brasileiro também teve dificuldades com o idioma e com o povo. “Passei por momentos difíceis como agressão de skinheads, e me livrei por pouco de um atentado terrorista no metrô de Moscou próximo da onde eu vivo.”

Porém, segundo o estudante, também houve os momentos felizes. “Realizei o sonho que eu tinha desde pequeno de ser médico. Fui orador da minha turma, e na presença dos meus familiares aqui em Moscou, para uma grande plateia russa, falei um pouco do meu Brasil.”

Na Rússia, Diego também pode dar continuidade à natação, que praticava há 15 anos no Brasil, participou de competições e chegou a trabalhar como técnico.

Diego optou por estudar na Rússia porque não conseguiu vaga nas universidades públicas de São Paulo e não tinha condições financeiras de pagar por um curso de medicina no Brasil. “Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui.”

Uma vez por ano, ele volta ao Brasil para visitar a família. Em julho de 2014, termina a residência e retorna em definitivo para iniciar o processo de revalidação do diploma e trabalhar no Brasil.

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas
temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

‘Vi a Rússia como oportunidade’

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, é de São Paulo, e estuda medicina na Rússia há 7 anos. O jovem diz que sempre teve o sonho de estudar em outro o país e viu a Rússia como oportunidade. No início, sofreu um pouco com as diferenças.

“O clima e o idioma foram as principais dificuldades e depois os costumes e a diversidade de cultura por conviver com pessoas de diferentes países. O grande desafio foi ficar longe da minha família, porém eles sempre me apoiaram”, afirma.

Lucirio diz que na universidade fez amigos no mundo todo e é vizinho de moradores de vários países como Uzbequistão, Cazaquistão, Malásia e Índia. “Acabamos convivendo juntos, criei fortes amizades e hoje somos como uma família. A Rússia é um país de fortes raízes culturais e históricas, é comum hoje em dia as pessoas contarem histórias de suas famílias, o quanto sofreram na guerra e como era suas vidas na antiga União Soviética.”

A música clássica também o ajudou no processo de adaptação. “Comecei a participar de orquestras, tocar em teatros e aprender técnicas que me aperfeiçoaram, e me ajudaram a se relacionar mais com os russos.”

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no Brasil onde estudou quatro anos (Foto: Arquivo pessoal)

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no
Brasil onde estudou quatro anos
(Foto: Arquivo pessoal)

Embarque recente

Enquanto Diego e Lucirio estão prestes a concluir sua temporada na Rússia, tem brasileiro no caminho inverso. Marcelo Seiler Pinheiro Goyos, de 24 anos, deixou a casa da família em São Paulo há uma semana, para estudar na Universidade de Kursk, na Rússia nos próximos seis anos.

Marcelo cursou quatro anos de medicina em uma universidade particular de São Paulo, mas queria ter a experiência de estudar fora do Brasil. Trancou a faculdade no ano passado e agora parte para recomeçar o curso do zero. “Eu até conseguiria aproveitar o currículo, mas há muitos termos médicos que crescem a cada ano. Eu poderia ter dificuldade mais para frente do curso por conta dos termos.”

Entre julho e setembro, o brasileiro vai fazer um curso preparatório de inglês e russo. Em setembro, inicia as aulas na universidade. Marcelo nunca foi para a Europa, mas acha que não terá dificuldade de adaptação. “Eu já moro sozinho, isso não me preocupa. Vou chegar no verão, vou conseguir pegar a mudança para o inverno aos poucos, comprar as roupas certas. Com a comida, não haverá problemas também, me adapto fácil.” A maior saudade será da irmã de 2 anos.

“Foi uma decisão muito difícil, mas agora estou animado. Me dediquei a esse projeto. Meu pai e meus tios são médicos e medicina é minha paixão”, diz o brasileiro que já planeja fazer a residência fora do Brasil também. Se for em cirurgia plástica será na França, se for em cirurgia vascular, na Alemanha.

1Exame de validação reprova 92%

Os Estados Unidos, país preferido dos brasileiros para estudos no exterior, não oferecem medicina como faculdade, somente em nível de pós-graduação. Bolívia, Cuba, Espanha e Argentina são outros países buscados por brasileiros que querem se tornar médicos, segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, que aplica o Revalida, prova obrigatória para validar no Brasil o diploma de medicina emitido no exterior.

Esta validação pode ser um empecilho para os brasileiros que optam por estudar medicina fora do Brasil, mas querem atuar em seu país de origem. Para conseguir a permissão, os formados precisam fazer o exame aplicado pelo Inep, cujo índice de reprovação beira a casa dos 92%. Em 2011, dos 393 inscritos, só 31 foram aprovados. No ano passado, 42 de um universo de 560, passaram (veja tabela acima).

Se por um lado, o Revalida pode ser um problema, por outro, fazer medicina na Rússia, por exemplo, tem vantagens como uma seleção muito menos rigorosa do que a brasileira e um custo bem menor, se comparado ao de uma universidade particular. Por semestre, segundo Carolina Perecini, diretora da Aliança Russa, o aluno gasta, em média, com o curso de medicina russo, R$ 5.500, com as despesas de mensalidade, moradia e plano de saúde. O valor chega a ser o equivalente ao de um mês no Brasil.

A seleção, menos rigorosa, funciona assim: a Aliança Russa faz uma primeira triagem por meio de uma entrevista com o candidato e seus pais para avaliar as condições emocionais. “Falamos da realidade que ele vai encontrar lá, pois tem de sair daqui pronto para morar fora, se virar sozinho. Além do mais, o curso é bem puxado. Tem aula teórica, prova oral, trabalhos e todas as aulas perdidas têm de ser repostas”, afirma Carolina. Segundo ela, cerca de 40% dos candidatos são eliminados nesta primeira etapa.

Se aprovado na entrevista, o estudante deixa o Brasil com a vaga garantida na Rússia, mas para ocupá-la de fato precisa ser aprovado em provas de química, física e biologia. As aulas são em inglês e quem não tem fluência no idioma pode fazer um curso preparatório de três, seis ou nove meses, antes de iniciar as aulas na universidade.

Quem se forma na Rússia recebe o diploma europeu, por conta do Tratado de Bolonha, e o custo é bem menor do que em universidades da Inglaterra ou França, segundo a diretora da Aliança Russa. Por causa do tratado, vários países da comunidade europeia têm carga horária e o currículo padronizados no ensino superior.

Jovem campeã de xadrez vende livros no vão do Masp para completar renda

1
A campeã de xadrez Thauane de Medeiros, em frente ao Masp, onde vende seus livros foto: Eduardo Knapp/Folhapress

A campeã de xadrez Thauane de Medeiros, em frente ao Masp, onde vende seus livros foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Rodolfo Lucena, na Folha de S.Paulo

A gaúcha Thauane de Medeiros aprendeu a jogar xadrez com oito anos e aos dez foi vice-campeã brasileira de sua categoria.

Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e hoje vive do xadrez com o apoio de Mogi das Cruzes. Vende os livros que escreve sobre o jogo na Paulista para complementar sua renda e sonha em ter uma escola de xadrez para crianças. Em setembro de 2011, ela enfrentou o campeão mundial Garry Kasparov.

Jamais imaginei que um dia iria conhecer Kasparov. Ainda mais jogar contra ele, apertar a mão dele. É um dos melhores jogadores de todos os tempos, super frio, tático, estratégico. Ele tem um pouco de tudo. Foi super legal estar frente a frente com um ícone do xadrez.

Cheguei a pensar que poderia empatar com ele, porém cometi um erro, e ele conseguiu centralizar o rei e capturar meus peões. Foram 48 lances, 1 hora e 40 minutos.

Era uma simultânea contra 20 pessoas, eu fui a penúltima a sair. Poderia ter ficado muito mais, ter sido a última, mas, como eu era a única que jogava profissionalmente, eu não fui até o xeque-mate. O jogador profissional sabe quando está perdido e, por respeito ao adversário, abandona.

Vivo do xadrez desde os 16 anos, quando vim para São Paulo. Uns amigos me disseram que algumas cidades aqui pagavam para você representar a cidade em torneios. Antes eu já representava Florianópolis, onde morava com minha família, mas por amor, não ganhava nada.

Em São Paulo, consegui apoio de Mogi das Cruzes. É uma bolsa, não dá para tudo, então comecei a vender meus livros na avenida Paulista para conseguir dinheiro para participar de torneios.

Quem me deu a ideia foi um amigo, que vendia livros de poesia. Primeiro, fiz um CD sobre xadrez, contando a história do jogo, os movimentos das peças, algumas partidas importantes. E contava um pouco também sobre mim.

Aprendi a jogar aos oito anos. Meu cunhado me ensinou, mas em pouco tempo eu estava ganhando dele. Então fui para uma escola que tinha xadrez, para me desenvolver.

No primeiro campeonato, fiquei em quarto lugar; no segundo, fiquei em terceiro e, na terceira etapa, fui campeã.

Aos dez anos, fui vice-campeã brasileira e disputei pela primeira vez um torneio fora do país, o Pan-Americano, em Bogotá, na Colômbia.

Minha mãe me acompanhou, lembro a felicidade dela ao subir no avião. Ela jamais imaginava andar de avião e muito menos sair do país!

Hoje sou a campeã brasileira sub18 e sub20, no feminino. Representei o Brasil no Mundial sub20 na Grécia, em 2012, mas não me saí muito bem. Preciso estudar mais, mas ter um professor é muito caro.

Vendo os livros no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), às quartas e de sexta a domingo, das 9h ao meio-dia. É um trabalho difícil, você ganha muitos “nãos”, às vezes, é perigoso. Tem bêbados, drogados, já roubaram meu celular, uma mochila com 40 livros…

Foi por causa do meu livro que enfrentei o Kasparov.

Estava vendendo na fila do museu e um senhor se interessou pela minha história, disse que tinha um projeto em que poderia me encaixar.

Era o Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Fui ajudar os alunos do Sesi com xadrez, fazendo simultâneas e dando palestras. Acabei jogando contra o Kasparov em setembro de 2011.

Confira as 20 melhores instituições do país segundo o Enem por Escola 2011; apenas uma é pública

0

Aluna em sala de estudos teóricos avançados do colégio Objetivo, na av. Paulista (centro de São Paulo)
Aluna em sala de estudos teóricos avançados do colégio Objetivo, na av. Paulista (centro de São Paulo)

Publicado no UOL

O Colégio Objetivo Integrado, de São Paulo, é a melhor escola do país segundo dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por Escola divulgados na tarde desta quinta-feira pelo MEC (Ministério da Educação). A escola obteve média geral 737,152. Dentre as 20 melhores, sete delas estão no Estado de São Paulo.

O Estado de Minas Gerais aparece com seis escolas entre o grupo de elite, inclusive o segundo lugar: Colégio Elite Vale do Aço, em Ipatinga,  com média geral  718,88 e o terceiro lugar, Colégio Bernoulli, em Belo Horizonte, média geral 718,18.

Apenas uma escola da rede pública aparece no ranking dos melhores. É o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, com nota 704,285.

Este ano, segundo o MEC, as notas da redação foram desprezadas para o cálculo da média geral.

Veja as 20 melhores segundo o Enem por Escola 2011

EscolaCidadeEstadoNotaRede
OBJETIVO COLÉGIO INTEGRADOSAO PAULOSP737,15Privada
COLEGIO ELITE VALE DO ACOIPATINGAMG718,88Privada
COLEGIO BERNOULLI – UNIDADE LOURDESBELO HORIZONTEMG718,18Privada
VERTICE COLEGIO UNID IISAO PAULOSP714,99Privada
COLEGIO ARI DE SA CAVALCANTEFORTALEZACE710,54Privada
INST DOM BARRETOTERESINAPI707,07Privada
INTEGRADO DE MOGI DAS CRUZES OBJETIVO COLEGIOMOGI DAS CRUZESSP706,12Privada
COL DE APLICACAO DA UFV – COLUNIVICOSAMG704,28Federal
COLEGIO SANTO ANTONIOBELO HORIZONTEMG702,31Privada
COL DE SAO BENTORIO DE JANEIRORJ702,16Privada
COLEGIO HELYOSFEIRA DE SANTANABA694,59Privada
OBJETIVO JUNIOR COLEGIOTAUBATESP693,47Privada
COLEGIO SANTO AGOSTINHOBELO HORIZONTEMG690,56Privada
COLEGIO MAGNUM AGOSTINIANO – NOVA FLORESTABELO HORIZONTEMG689,17Privada
MOBILE COLEGIOSAO PAULOSP687,25Privada
COLEGIO POSITIVO – ENSINO MEDIO – SEDECURITIBAPR686,55Privada
COLEGIO BANDEIRANTESSAO PAULOSP686,42Privada
COLEGIO SAO JOAO BATISTA NOVA FRIBURGONOVA FRIBURGORJ686,1Privada
COLEGIO MOTIVO – UNIDADE IIRECIFEPE685,89Privada
ETAPA COLEGIOVALINHOSSP685,25Privada
  • Fonte: MEC

 

Notas

Foram divulgadas apenas as notas das instituições em que mais de 50% dos alunos inscritos no último ano do ensino médio fizeram a prova. Além disso, somente as escolas com no mínimo dez alunos participam do cálculo. As escolas sem divulgação, com menos de 10 alunos participantes, somam 1.185 escolas, ou 4,77% do total. Já as escolas com menos de 50% da taxa de participação somam 54,67% ou 13.581 estabelecimentos -ou seja, mais da metade das instituições não teve as menções divulgadas.

Somente entram no cálculo as notas das provas de linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e ciências da natureza e suas tecnologias. As notas da redação não são computadas para a média geral. Essa é a única prova que não é corrigida pela TRI (Teoria de Resposta ao Item).

Renda

Entre os alunos que fizeram a prova, a maioria é proveniente de famílias com renda per capita de um a cinco salários mínimos, totalizando 83,86%.

“O Enem não é um ranking de avaliação entre escolas. Ele é uma avaliação dos alunos, dos estudantes. Portanto, é insuficiente como avaliação do estabelecimento escolar, mesmo porque temos escolas cuja natureza é muito distinta”, afirmou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, durante a divulgação dos números.

“Os melhores alunos da rede pública têm um desempenho médio superior que a rede privada”, destacou o ministro. As escolas com melhor desempenho, nas palavras de Mercadante, “são colégios com poucos alunos, de tempo integral, que selecionam os alunos [que a frequentam]”.

(*Com reportagem de Camila Campanerut, do UOL, em Brasília)

foto: Juca Varella/Folhapress

Projeto auxilia na criação de bibliotecas pelo País

0

Professora da rede municipal lê para aluna da educação infantil na biblioteca comunitária de Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes, em São Paulo


Publicado originalmente no Terra.com

Aos 63 anos, Maria do Carmo já havia abandonado os livros de chamada, o giz e as apostilas. Por conta da aposentadoria, não precisaria mais dar aulas em uma escola na cidade de Bezerros, em Pernambuco. Finalmente poderia descansar. Foi então que recebeu um convite para participar de um curso de formação de Promotores de Leitura e Auxiliar de Biblioteca. A ideia era montar um espaço comunitário de empréstimo de livros. Resolveu voltar à ativa. “Eu deveria estar na cadeira de balanço, mas não consigo”, brinca. Hoje, coordena a iniciativa em sua cidade e comemora: “Trouxemos a comunidade aqui para dentro. A mudança é perceptível. Todo mundo quer ler”, diz.

A Biblioteca Comunitária Ler É Preciso, de Bezerros, é uma das mais de 90 criadas com o apoio do Instituto Ecofuturo – fundado em 1999 e qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) – em parceria com instituições privadas e poder público. Com o objetivo de ampliar o número de bibliotecas no Brasil, a organização criou a campanha permanente Eu quero minha biblioteca. A iniciativa busca reforçar a Lei 12.244/10, que prevê que, até 2020, todas as instituições de ensino do País, públicas e privadas, tenham um espaço de leitura.

O desafio é enorme: de acordo com estudo realizado em 2010 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), para que a proposta seja atendida, 24 bibliotecas deveriam ser construídas diariamente. “Esse número é de 2010. Hoje, deve ser maior. O que nós precisamos é compreender o tempo necessário para as práticas públicas, que costumam ser mais demoradas, principalmente quando envolvem editais. A partir disso, será possível agir com mais eficácia. Nós acreditamos que, se unirmos a iniciativa privada e pública e traçarmos planos para 2020 será possível atingir a meta. O que não pode acontecer é atuarmos de forma isolada”, diz a coordenadora de Educação e Cultura do Ecofuturo, Christine Fontelles.

Mesmo com as dificuldades, Christine acredita em bons resultados. “Se fizermos um mutirão cuidadoso, bem feito, com bom planejamento estratégico, é possível. Com controle social, revisão de prazos governamentais e ações conjuntas, vamos fazer com que todas as instituições de ensino tenham bibliotecas”, diz.

A movimentação começou com a abertura de espaços em locais cedidos pela comunidade ou pela prefeitura. Em 2004, acompanhando o que viria a ser proposto pela lei, migrou para dentro das escolas. A ideia é buscar forças nas prefeituras – que cedem espaços e realizam melhorias em locais já existentes – e em empresas interessadas – que normalmente ficam responsáveis por ceder o acervo inicial, de cerca de mil exemplares. Desses, 70% fazem parte de um catálogo montado previamente. O restante é escolhido a partir das demandas da comunidade.

Prefeituras são encarregadas de manter espaço
Inaugurada em 2005, a biblioteca comunitária de Bezerros está localizada a cinco quilômetros do centro da cidade onde vivem cerca de 60 mil habitantes. Por conta da distância e das carências no transporte público, a coordenadora Maria do Carmo reúne uma pilha de livros e, todas as semanas, visita um grupo diferente – de idosos a dependentes químicos, passando ainda por gestantes e crianças.

“Eu acho que todo mundo tem o direito de ler. Coloco alguns livros na mala e saio por aí. Se eles não conseguem chegar até a biblioteca, nós podemos fazer a biblioteca chegar até eles”, diz. Além da biblioteca comunitária dentro do Centro de Ensino Experimental Escola Técnica do Agreste, a organização dos envolvidos no espaço agora permite que não apenas alunos e vizinhos do espaço, mas outros grupos do município tenham acesso à leitura. Ao todo, são realizados cerca de 1,5 mil empréstimos por mês.
As escolas escolhidas para receber uma biblioteca são as que melhor se encaixam na demanda da população – que, eventualmente, já tenham um espaço para funcionar, por exemplo. Mas, em 2002, antes de o projeto se voltar apenas às instituições de ensino, a comunidade de Turmalina, em Minas Gerais, começou a se envolver na reforma de armários e estantes que abrigariam os livros doados pelo projeto. A prefeitura auxiliou na reforma do prédio, onde antes já havia funcionado uma associação. “O local estava jogado às traças, mas saberíamos que era possível fazer algo com aquilo. Com ajuda do Ecofuturo, firmamos parcerias, a comunidade colaborou reformando móveis e a biblioteca começou a nascer”, diz a promotora de leitura Neick Lopes.

Voluntária, hoje ela reclama da falta de apoio da prefeitura, que deveria se encarregar da manutenção do local – o Ecofuturo se dispõe a realizar assistências técnicas remotas ou prestas auxílio em casos específicos. Dar continuidade ao projeto, porém, é um dever do governo municipal. “Eles não têm renovado o acervo. Também estamos com número reduzido de funcionários. Temos que seguir de pé, por isso me ofereci para atuar como voluntária”, diz.

Inscrições em prêmios, contatos com editoras e doações têm ajudado a manter a biblioteca de Turmalina atualizada. Mesmo com as dificuldades, Neick aposta na leitura. “Temos que valorizar esse espaço, que é extremamente importante para o desenvolvimento da população”, afirma. Até agora, de acordo com o Ecofuturo, 246 municípios brasileiros nos 26 estados e no Distrito Federal já foram alcançados pela campanha.

dica do Chicco Sal

Go to Top