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Leitura ajuda a formar cidadão, diz pedagoga de Mogi

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Literatura ajuda na construção da identidade do ser humano.
Campanha em Mogi vai presentear crianças com brinquedo e livro.

Publicado no G1

Livros ajudam a desenvolver criatividade das crianças. (Foto: Marcelo Carloni/TV Diário)Livros ajudam a desenvolver criatividade das crianças. (Foto: Marcelo Carloni/TV Diário)

“Depois de viver nas ruas por tanto tempo, o gatinho Fred tinha finalmente encontrado um lar na casa de Marina. Uma cama quentinha com um cobertor fofinho, comida farta e muita água fresca. ‘Ah,estou no paraíso’, pensou o manhoso bichano.” Para um adulto essas linhas traduzem apenas uma ideia com começo, meio e fim. Mas essa narrativa para uma criança possibilita um mundo de descobertas, cores e o desenvolvimento da imaginação.

 

O exercício da leitura ajuda os pequenos a mergulharem em um mundo particular de fantasia. “A literatura traz um mundo mágico para as crianças, o qual muitas vezes elas não têm acesso. A fantasia proporcionada por um conto de fadas, poema ou até uma trova popular são experiências fundamentais para a formação do leitor e também do cidadão. A partir do que vejo no outro me constituo enquanto ser. O que eu vejo no outro e gosto, assimilo. Já o que não gosto, descarto. E a leitura é uma possibilidade da construção do ser”, explica Denise de Almeida, pedagoga e coordenadora do curso de pedagogia de uma das universidades de Mogi das Cruzes.

Incentivar a leitura e a solidariedade são os objetivos da campanha O Natal de Todos Nós. A ação é uma iniciativa da TV Diário e de uma das concessionárias do transporte coletivo de Mogi das Cruzes com o apoio do jornal O Diário. As pessoas podem doar um brinquedo novo e um livro novo ou usado, mas em bom estado, que serão entregues para crianças carentes do município.

 

A pedagoga destaca que no caso de crianças carentes os livros ganham papel de destaque. “Quando vive uma vida muito dura e difícil, a literatura permite romper com essa realidade, especialmente na infância, quando a criança tende a fantasiar mais.” Ela completa que nos contos de fada, por exemplo, os pequenos leitores entram na história e conseguem construir uma narrativa só deles. Desta forma, eles entram em contato com o instinto de liberdade, pois podem definir essa imagem da maneira que queiram. “Isso permitirá a ele no futuro fazer conexões dessas obras que ele teve contato ao longo da vida com a sua própria trajetória”, define Denise.

Mas para que a criança possa ter essa chance de ganhar mais conhecimento é preciso que ela seja seduzida para o mundo das letras. A pedagoga explica que essa é uma tarefa para pais e professores. “Nós falamos que as crianças não gostam de ler, mas não a presenteamos com livros. Não adianta os pais e os professores pedirem que ela leia um livro sem um contexto”, conclui. Ela indica que a leitura deve vir acompanhada do sabor e isso pode ser alcançado quando os pais dedicam uma parte do dia ou da noite para ler parte do livro.

 

No caso dos professores, eles podem despertar o interesse de crianças e adolescentes para obra contextualizando o texto em sala de aula, antes que eles comecem a leitura em casa. “Para as crianças de 3 a 4 anos o livro precisa ter imagens e figuras interessantes e coloridas. Já a partir dos 5 anos o assunto precisa ser de interesse desse pequeno leitor. O ideal é que quando o adulto presentear a criança com um livro, leia com ela um trecho dessa obra. Outra estratégia é presentear crianças de uma mesma família com diferentes títulos de contos clássicos, por exemplo. Depois eles poderão trocar esse livros entre si e também suas impressões sobre as histórias.”

 

Denise destaca que mesmo as famílias carentes têm a chance de incentivar o prazer pela leitura entre as crianças. Uma alternativa apontada pela pedagoga são as bibliotecas públicas ou qualquer outro lugar que possibilite o acesso gratuito aos livros. “Ir à biblioteca deve ser um evento cultural da família. Os pais devem acompanhar os filhos nesse passeio. As estantes cheias de livros apresentam uma grande diversidade de assuntos que podem atrair a todos. Atitudes como essa podem ajudar a mudar esse cenário de leitores escassos que vivemos atualmente”, observa Denise.

 

Livro na era digital
Outro desafio para cativar as crianças para a leitura é driblar o uso dos computadores e tablets. A migração de revistas, jornais e obras literárias para as telas compactas é cada mais maior. A praticidade dos meios eletrônicos aliada a correria da vida moderna permite ao leitor carregar volumes e mais volumes em apenas um aparelho.

 

No entanto, a pedagoga alerta que para o desenvolvimento da leitura entre as crianças é importante privilegiar os livros, apesar do avanço tecnológico que vivemos hoje. “Na formação inicial do leitor é importante ter o contato físico com o papel, segurar o livro e poder grifá-lo se necessário. Com as crianças isso é muito importante”, diz.  Denise reconhece a importância dos computadores e tablets, especialmente do ponto de vista da sustentabilidade. Mas destaca que essa pode ser uma etapa para o futuro.

 

Livros como Harry Potter fazem crianças se integrarem, diz pedagoga. (Foto: Fernanda Lourenço/G1)Livros como Harry Potter fazem crianças se integrarem, diz pedagoga (Foto: Fernanda Lourenço/G1)

 

Os livros também possibilitam uma experiência social. Um exemplo é a febre da saga de Harry Potter da escritora inglesa J. K.Rowling. A série composta por sete livros conta a história de Harry Potter e seu embate com o bruxo das trevas Lord Voldemort. As histórias exploram temas como amizade, preconceito, coragem, ambição, escolha, etc. O primeiro volume Harry Potter e a Pedra Filosofal foi lançado em 1997. “Livros assim são importantes porque a criança e o adolescente vivem em um mundo social. Quando eles percebem que todos ao seu redor estão comentando sobre o mesmo assunto, eles não querem ficar de fora do grupo. Foi o que aconteceu com os livros do Harry Potter. As histórias envolveram um grande número de crianças e jovens. E isso permite à criança e ao jovem conhecer o prazer da leitura. Histórias como a do bruxinho permitem que elas conheçam mundos diferentes sem sair de casa.”

 

Livro sobre Papa chega ao Brasil

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Publicado no O Diário de Mogi

Chega ao Brasil, “Francisco – um papa do fim do mundo”, primeiro livro publicado sobre o novo papa. O especialista em religião e Vaticano Gianni Valente, amigo do cardeal Jorge Mario Bergoglio desde 2002, traça nessa obra um perfil do líder religioso argentino, de seu trabalho junto aos pobres nas favelas e da ação de suas ideias.

No livro, ele é retratado como pastor generoso e caridoso de seu desvalido rebanho de fiéis, mas também como crítico destemido do liberalismo econômico, da especulação financeira, da evasão fiscal, da falta de respeito às leis e da corrupção política e empresarial. É um perfil sucinto, mas poderoso, do papa que a cada dia surpreende o mundo com seus gestos. No Brasil, desde a última terça-feira, ele se mostrou próximo do povo quebrando o protocolo em diversas ocasiões.

O livro conta passagens como a ocorrida na década de 60, quando um grupo de sacerdotes foi morar nas favelas de imigrantes da capital argentina, para apoiá-los nas lutas políticas e sociais. Em 2001, quando a economia argentina entrou em colapso, os efeitos sobre a população pobre foram devastadores. O papel daqueles padres e de seus discípulos — entre os quais o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, o atual papa Francisco — foi decisivo para consolar e orientar aquelas pessoas.

O jornalista Gianni Valente, um dos maiores especialistas em catolicismo do mundo, foi várias vezes à Argentina, desde 2002, e tornou -se amigo do arcebispo que veio a ser cardeal e finalmente papa.

O primeiro livro sobre o papa Francisco foi publicado na Itália 30 dias após a eleição do religioso. Não se trata de uma biografia, mas de uma boa reportagem que mistura lembranças, situações e — o que mais importa — as ideias desse papa que se revelou, desde o primeiro dia, bem diferente de seus antecessores.

Francisco é apresentado juntamente com aqueles padres que, nas favelas, ouviam o choro escondido — para que os filhos não vissem — dos pais e mães que haviam perdido o emprego e não viam nenhuma perspectiva de futuro. Aqueles padres enfrentavam o desalento, a violência, o tráfico de drogas, mas não abandonavam o seu rebanho. O futuro papa Francisco aparece aqui como o pastor generoso e caridoso daquele rebanho, mas também como o firme defensor  dos dogmas católicos e crítico destemido do liberalismo econômico, da especulação financeira, da corrupção política e empresarial.

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