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Sonho das crianças refugiadas sírias é frequentar a escola

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Dos 600 mil refugiados em idade escolar, apenas um terço vai à escola.
Na Turquia, adolescentes acabam ocupando empregos precários.

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Publicado no G1

Mohamed tem oito anos e não deixa de sorrir, apesar de ter precisado fugir em 2013 com seus pais e seu irmão da cidade síria de Aleppo, arrasada pela guerra, para se refugiar em Istambul. Seu maior sonho é poder ir à escola.

Em apenas alguns meses, Mohamed aprendeu a falar turco jogando futebol ou brincando com seus amigos do bairro de Esenyurt.

“Vedat, Serkan, Sefa, Emre”, conta orgulhoso mostrando seus dedinhos. Mas como quase todas as crianças sírias da Turquia, Mohamed é principalmente um refugiado.

“Gosto da Turquia porque na Síria há guerra. Aqui me sinto seguro”, diz o menino. “A parte ruim é que não posso ir à escola. E gostaria muito de ir”, afirma.

Ao contrário de muitos refugiados sírios que decidiram se aventurar no mar para chegar à Grécia e dali partir a algum país da Europa ocidental, o pai de Mohamed preferiu ficar por enquanto na Turquia.

“Quando a guerra terminar voltaremos à Síria”, afirma Hussein, já que, segundo ele, “ir para a Europa é muito complicado”.

No entanto, não faltam incentivos para tentar a sorte mais a oeste. Oficialmente “convidados” da Turquia, os refugiados não têm nenhum status e o acesso ao trabalho é muito difícil, com a exceção de empregos ocasionais muito mal pagos.

Assim como outras crianças do bairro de Eseyurt, Halil não teve opção. Aos 15 anos começou a trabalhar em um ateliê de confecção de sapatos para alimentar sua família. Mas após dois meses, foi embora porque o chefe se negava a pagar a ele as 1.250 liras turcas (370 euros) de salário que devia.

O jovem conta, enquanto espera diante de um café a sopa e o pão que pediu, que não pôde denunciá-lo à polícia porque não tem visto de residência.

“Aqui é como em casa. É a guerra! Os turcos não nos querem aqui”, afirma outro refugiado.

Dos 2,2 milhões de sírios que entraram oficialmente na Turquia desde o início da guerra civil, em 2011, apenas 260.000 vivem em acampamentos. Todos os demais sobrevivem como podem, trabalhando ou mendigando.

Geração sacrificada
Na grande artéria comercial do centro de Istambul, a rua Istiklal, há muitas crianças pedindo dinheiro entre os turistas e as lojas de luxo.

É o caso de dois irmãos que percorrem as ruas vendendo pacotes de lenços de papel em troca de algumas moedas.

Mojtar, de oito anos, tem uma nota apertada em sua mão. “É mais seguro se ele guarda o dinheiro”, conta seu irmão Mohamed, de 18 anos, mostrando as cicatrizes das facadas desferidas em seu ombro em uma tentativa de roubo.

Durante a noite, o dinheiro recebido nas ruas completará as 600 liras turcas (175 euros) mensais que o pai ganha vendendo sucata. O suficiente para comer, mas não para construir uma nova vida nem para tirar da cabeça a ideia de avançar em direção à Europa.

“As famílias sírias buscam o mesmo que qualquer família do mundo. Querem viver seguras, ter um emprego com o qual cobrir as necessidades de seus filhos, levá-los à escola (…), dar a eles um futuro”, explica um representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Philippe Duamelle.

Dos 600.000 refugiados sírios em idade escolar, apenas um terço vai à escola. Uma situação que muitos pais justificam devido ao preço das escolas e sobretudo à falta de visto de residência exigido para matricular os filhos.

Precisamente, a Unicef quer aproveitar a ajuda econômica aprovada pela UE aos países fronteiriços da Síria para construir escolas e facilitar o ensino dos refugiados sírios na Turquia.

Mohamed espera voltar logo à escola para se tornar alfaiate. “Alfaiate não”, diz o pai em tom de brincadeira. “Quero que você seja médico ou advogado”.

Para Philippe Duamelle, o futuro das crianças sírias refugiadas deve ser uma prioridade.

“Neste momento corremos o risco de sacrificar uma geração inteira de crianças sírias”, afirma.

“As consequências seriam desastrosas, não apenas para as crianças e seu futuro, mas também para a Síria, a região e provavelmente para além dela”, completa.

Mulheres dão a cara das mudanças no mundo islâmico

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Publicado por UOL

Lina Ben Mhenni, autora do blog A Tunisian Girl (uma garota tunisiana), onde escreve desde 2007 sobre censura, direitos femininos, direitos humanos e liberdade de expressão. Em 2010, ela ajudou a divulgar em suas redes sociais a imolação do vendedor de frutas Mohamed Bouazizi, em Tunis, episódio considerado o estopim da Primavera Árabe. A repercussão de sua página levou o governo do presidente Zine el Abidine Ben Ali a bloquear seu site e realizar buscas na casa de sua família. Em 2011, ela foi indicada ao Nobel da Paz (Foto: Lionel Bonaventure/AFP)

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“Amina Arraf”, suposta foto da blogueira autora de “Gay Girl in Damascus” (garota gay em Damasco, em tradução do inglês). Em junho de 2011, a notícia de sua suposta captura deixou as redes sociais em estado de tensão, até que apurações de jornalistas revelaram que a tal blogueira não existia. O autor do blog, o americano Tom McMasters, estudante na Escócia, admitiu que se passava pela menina (Foto: Reprodução)

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Em foto de dezembro de 2012, Aliaa Almahdy (centro) protesta por liberdade de expressão, ao lado de integrantes do coletivo feminista Femen, diante da embaixada egípcia em Paris. Em 2011, a jovem egípcia postou uma foto de si mesma nua em seu blog e se tornou o principal assunto de discussão na rede egípcia. Aliaa, que se apresenta como estudante de mídia e comunicação, criticou à época a proibição de modelos nus na faculdade de artes e em livros, e diz militar “contra uma sociedade de violência, de racismo, de sexismo, de assédio sexual e de hipocrisia” (Foto: Reprodução)

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Israelenses posam nuas em apoio à egípcia Aliaa Elmadhy, que postou foto nua em seu blog para protestar pela falta de liberdade de expressão em seu país (Foto: Anat Cohen/Efe)

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Jornalista egípcia Mona Eltahawy, que constantemente usa as redes sociais para denunciar abusos das autoridades de seu país. Nesta foto, postada por ela em seu Twitter, ela aparece com os dois braços enfaixados – segundo ela, fruto do espancamento de oficiais egípcios. Em setembro de 2012, ela foi presa por pichar com tinta cor-de-rosa pôsteres afixados no metrô de Nova York (EUA) que chamam de “selvagens” os oponentes muçulmanos do Estado de Israel (Foto: Reprodução)

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Jornalista e blogueira tunisiana Olfa Riahi, investigada em seu país por acusar de desvio de verbas públicas o ministro do Exterior do país, Rafik Abdessalem, em janeiro de 2013 (Foto: Zoubeir Souissi/Reuters) (mais…)

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