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Ser bom em games agora garante vaga em universidade da Coreia do Sul

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(Fonte da imagem: Reprodução/GG Chronicle)

(Fonte da imagem: Reprodução/GG Chronicle)

Estudantes ganharão vaga em conceituada instituição para estudar em laboratório de e-sports

Luccas Monteiro,  no TecMundo

Sabe aquela história de que alunos dos Estados Unidos que são bons em esportes acabam entrando em universidades não por conta das notas altas, mas por serem bons jogadores de beisebol, basquete ou futebol americano? Algo parecido está prestes a acontecer na Coreia do Sul, mas com games.

Segundo o Kotaku, a Chung-Ang University, uma das dez melhores universidades da Coreia do Sul, passará a aceitar alunos com habilidades em jogos de computador ou títulos competitivos em e-sports. É isso mesmo: por lá, os alunos terão uma ótima desculpa para virar a noite jogando em vez de ficar com a cara nos livros.

Os alunos aprovados farão parte do Departamento de Ciência Esportiva da universidade. Até o momento, ela realiza estudos com esportes tradicionais, como futebol, basquete, beisebol e golfe, mas 2015 é o ano de estreia dos e-sports como atividade individual para admissão no local.

Ser bom em games agora garante vaga em universidade da Coreia do Sul (Fonte da imagem: Reprodução/Chung-Ang University)

Por enquanto, faltam detalhes sobre o processo, sobre qual o “currículo” que deve ser apresentado ou as notas mínimas para ingressar no programa – mas você pode ter certeza que muitos sul-coreanos já sonham em estudar sem tirar os olhos do computador.

Bandido invade Biblioteca Nacional na madrugada, circula livremente e rouba computador e monitor

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Ladrão entrou pela janela de um banherio e percorreu dois andares da instituição
Crime acontece em momento em que órgão vinha tentando se recuperar de histórico de furtos e acidentes

O prédio da biblioteca, no Centro do Rio, abriga mais de oito milhões e meio de obras, incluindo raridades: desta vez, invasor não chegou à área onde estão os itens mais valiosos Custodio Coimbra/13-5-2011

O prédio da biblioteca, no Centro do Rio, abriga mais de oito milhões e meio de obras, incluindo raridades: desta vez, invasor não chegou à área onde estão os itens mais valiosos Custodio Coimbra/13-5-2011

André Miranda em O Globo

RIO — Há quase uma semana, a sede da Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, foi invadida e roubada. Lá estão guardados mais de oito milhões e meio de peças, um patrimônio público que forma a maior coleção bibliográfica da América Latina. Porém, apesar do valor incalculável desse acervo, na madrugada do último sábado um homem conseguiu pular os tapumes e a grade de proteção que cercam a biblioteca, ao lado da Rua Pedro Lessa. Depois, arrombou a janela de um banheiro feminino que fica no segundo andar e entrou no prédio. Lá dentro, pôde circular livremente para roubar um laptop e um monitor, antes de sair pelo mesmo lugar por onde entrou. A direção da Biblioteca Nacional preferiu não trazer o incidente a público, mas, procurada pelo GLOBO, confirmou que o crime ocorreu e disse que já reforçou a segurança.

As imagens do roubo foram registadas pelas câmeras da biblioteca, mas os vigias noturnos disseram que não perceberam a movimentação. O laptop roubado era de um brigadista e estava guardado numa sala no primeiro andar. Já o monitor ficava no balcão de atendimento para visitas guiadas, no andar de cima. No próprio sábado, o crime foi informado à polícia. E as gravações, passadas para a Superintendência Regional da Polícia Federal do Rio de Janeiro, onde foi lavrada a certidão de ocorrência número 383.

Pelas imagens das câmeras de segurança, o ladrão, ainda não identificado, aparenta ser jovem. Há meses, os funcionários da instituição reclamam que a Rua Pedro Lessa tem servido como concentração para usuários de crack, e dentro da instituição suspeita-se que o bandido teria vindo desse grupo. Mas, independentemente de quem tenha cometido o crime, o que mais chama a atenção é a facilidade com que uma pessoa conseguiu entrar no prédio sem ser notada.

Informada do crime pelo GLOBO, a Associação de Servidores da Biblioteca Nacional (ASBN) divulgou nota em que lembra os problemas estruturais do edifício: “A invasão do prédio sede, que abriga um dos maiores e mais preciosos acervos bibliográficos do mundo, vem confirmar a vulnerabilidade do sistema de segurança da Biblioteca Nacional. A ASBN espera que todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis sejam tomadas em relação ao crime ocorrido dentro da biblioteca. Entretanto, é preciso ir além, atuando preventivamente para que casos como esse ou ainda mais graves, como o furto de peças do acervo, não ocorram.”

Para piorar, a invasão ocorreu num momento em que a Biblioteca Nacional vem tentando se recuperar depois de anos marcados por acidentes e furtos devido à precaridade de sua estrutura. Uma verba de R$ 30 milhões, prometida pela ministra da Cultura, Marta Suplicy em 2012 para obras na claraboia, no telhado, na fachada e nos vitrais, enfim começou a ser aplicada neste ano, e a revitalização já está em curso.

Além disso, já nas próximas semanas deve ser publicado um edital para a contratação de um projeto arquitetônico a fim de recuperar o prédio anexo da Biblioteca Nacional, localizado na Zona Portuária. O edifício sofre com infiltrações e deterioração da fachada. Nos últimos dias, o presidente da Biblioteca Nacional, Renato Lessa, viajou a Portugal para viabilizar a criação de uma biblioteca lusófona, integrando os acervos digitais de instituições públicas dos países de língua portuguesa.

São ações que visam melhorar a imagem da Biblioteca Nacional, arranhada por furtos, inundações, danos ao acervo e críticas a gestões. Na última década, o órgão teve quatro presidentes: Pedro Corrêa do Lago (2003 a 2005), Muniz Sodré (2005 a 2010), Galeno Amorim (2011 a 2013) e Lessa, que completa um ano no cargo em abril.

O episódio da semana passada fez com que a biblioteca cogitasse rescindir o contrato com a empresa de segurança que trabalha para a instituição, mas a solução acabou sendo o reforço no efetivo. De acordo com a direção da biblioteca, nos dias de carnaval, quando muitos foliões circulam pela região, haverá o dobro de vigilantes. Também será pedido à polícia um reforço no policiamento do entorno.

Relembre problemas recentes na Biblioteca Nacional:

Julho de 2005 – Fotografias, desenhos e gravuras, num total de 991 obras, desapareceram do acervo. No conjunto havia originais dos fotógrafos Marc Ferrez, Augusto Malta e Guilherme Liebenau (acima). Apenas 101 obras foram recuperadas e, apesar da prisão de cinco suspeitos em 2007, o crime nunca foi completamente esclarecido. A Justiça estimou que, no total, as peças valiam cerca de R$ 7,5 milhões.
Maio de 2010 – As duas primeiras edições do almanaque “O Tico-Tico” foram furtadas da biblioteca. O crime ocorreu meses após a instituição ter recebido R$ 1,7 milhão de investimentos em segurança. E só veio a público um ano depois, em reportagem do GLOBO. As revistas nunca apareceram, mas a polícia prendeu, ainda em 2010, o estudante Leonardo Jorge da Silva: ele estava de posse da tela “Enterro”, de Candido Portinari, furtada do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, e sua agenda tinha anotações sobre as duas “O Tico-Tico”.

Maio de 2012 – Um temporal provocou um vazamento no sistema de refrigeração, atingindo quatro dos seis andares do armazém de periódicos. Centenas de obras foram molhadas. A direção da biblioteca só admitiu a gravidade do problema depois que O GLOBO publicou imagens de periódicos pendurados em varais, nos corredores do prédio, para secagem. O acidente fez com que o ar-condicionado só voltasse a funcionar plenamente em setembro de 2013.

Outubro de 2012 – Cinco pedaços de reboco se soltaram da fachada e caíram na área dos jardins e na varanda do terceiro andar. O incidente levou a instituição a isolar áreas no entorno e motivou um laudo da Defesa Civil com recomendações de segurança, como a construção de para-lixo e instalação de telas na fachada.

Fevereiro de 2014 – Um ladrão entrou pelo banheiro feminino do segundo andar da Biblioteca, na madrugada do último sábado. Ele circulou livremente pelo primeiro e pelo segundo andares da instituição, antes de sair por onde veio. Levou consigo um laptop e um monitor. A Polícia Federal investiga o crime.

Safra de livros que vai virar filme este ano é boa; confira alguns

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Esse é o momento, perfeito para começar a programar as leituras

Publicado no Divirta-se

20140118114328446535iHá boas razões para aproveitar o finzinho de janeiro fazendo uma última lista. Não de resoluções, mas de adiantamentos. Este ano, pelo menos 21 livros de autores brasileiros, americanos e ingleses devem chegar às telas em longas que prometem bilheteria generosa. Na agenda internacional, tem um pouco de tudo: vampiros, distopia, guerra, aventura e drama hospitalar. O cardápio brasileiro traz para as telas uma mistura de literatura contemporânea com clássicos. Para quem gosta de ler as páginas antes de ver o filme, este é o momento ideal para organizar a lista de leitura de 2014. O Diversão&Arte fez uma seleção dos livros que vão virar filme este ano. Alguns ainda não foram publicados no Brasil, mas já estão disponíveis em inglês em aplicativos de leitura ou em livrarias. A maioria, no entanto, pode ser encontrada com bastante facilidade em qualquer loja física ou on-line.

O primeiro a estrear, ainda este mês, será Quando eu era vivo, adaptação de A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli. Para este semestre, também estão programados A hora e a vez de Augusto Matraga, adaptação de conto homônimo de Guimarães Rosa, dirigido por Vinicius Coimbra. Da leva internacional, o destaque é para Divergente, adaptação do best-seller de Veronica Roth, previsto para março, e A culpa é das estrelas, baseado no sucesso de John Green. Antes, chegam às telas Labor day, longa com Kate Winslet baseado em romance de Joyce Maynard, e A long way down, a versão do diretor Pascal Chaumeil para livro de Nick Hornby. Veja ao lado em que livros ficar de olho até o fim do ano.

BRASILEIROS

Quando eu era vivo
Dirigido por Marco Dutra e com roteiro de Gabriela Amaral e do próprio diretor, o longa chega às telas no próximo dia 31 e tem no elenco Antônio Fagundes, Marat Descartes e Sandy Leah. A roteirista explica que foi preciso abandonar a obra original para dela ver emergir o roteiro. No livro de Mutarelli, Júnior é um personagem que, aos poucos, vê sumir as fronteiras entre a loucura e a sanidade. Após deixar emprego e mulher, ele se muda para a casa do pai e passa os dias entre o sofá da sala, um olho de fechadura e um bar. Para levar a história da plataforma literária para a audiovisual, Gabriela procurou no texto equivalências que funcionassem na dramaturgia. O tom caótico, descontínuo e desorientado que Mutarelli imprime na narrativa para evidenciar a loucura do personagem foi um desafio. “Nos mantivemos fiéis à essência da obra original, no sentido de que foi preservada a sua essência expressiva”, garante a roteirista, em texto no qual explica o processo de adaptação.

Tim Maia
Em agosto, chega às telas a biografia Tim Maia, baseada no livro Vale tudo, de Nelson Motta. A escritora Antonia Pellegrino ficou responsável pelo roteiro e a direção de Mauro Lima promete revelar um Tim Maia pouco conhecido do público em geral. Cauã Reymond interpreta Fábio, músico que narra a história (no livro, Nelson Motta). Robson Nunes faz Maia jovem e Babu Santana, o cantor na fase black power. A Janaína pela qual Tim Maia foi apaixonado a vida inteira é vivida por Alinne Morais, e Carmelo Maia, filho do cantor, trabalhou como consultor do filme.

A hora e a vez de Augusto Matraga
Exibido uma única vez no Festival do Rio de 2011, somente agora, no primeiro semestre de 2014, o longa de Vinicius Coimbra chega ao circuito nacional. Com João Miguel no papel do protagonista, o longa é adaptação fiel do conto de Guimarães Rosa. Matraga é um valentão que acaba traído pelo excesso de confiança em si mesmo. Para o produtor Herbert Grauss, o maior desafio da adaptação está em manter a originalidade da linguagem roseana. Durante a preparação de elenco, os atores receberam treinamento em prosódia para acertar o modo de falar. “Para fazer adaptação de livro tem que ter muito cuidado porque a maioria dos livros é muito melhor do que os filmes”, diz Grauss. “No Matraga, o desafio é não perder a essência do Rosa e fazer um filme para as pessoas assitirem em 2014.”

O gorila
No conto de Sérgio Sant’Anna, Afrânio vive recluso e utiliza o telefone para conversar com mulheres e alimentar suas fantasias. A voz potente e máscula ajuda. No entanto, um dia ele precisa deixar o apartamento para evitar uma tragédia. José Eduadro Belmonte começou a filmar o longa enquanto terminava a montagem de Billi Pig, que estreou em 2012. No elenco, estão Mariana Ximenes, Otávio Müller, Luíza Mariani e Alessandra Negrini. A adaptação ficou por conta de Claudia Jouvin, que já escreveu episódios para A grande família e A diarista. O filme ainda não tem data de estreia, mas deve ficar pronto este ano.“É importante a gente trazer cada vez mais a literatura para o cinema, principalmente a nossa literatura contemporânea, porque acho que os escritores brasileiros estão mandando muito bem. Agora, é um desafio, é um abismo entre o livro e o roteiro”, repara Otávio Müller, que também deve adaptar para o cinema A vida sexual da mulher feia, de Claudia Tajes.

ESTRANGEIROS

Drama
O primeiro lançamento do ano chega aos cinemas no fim do mês e tem Kate Winslet e Josh Brolin como protagonistas da adaptação de Refém da paixão (Jason Reitman), de Joyce Maynard. Na tela, uma mãe entediada e seu filho de 13 anos são sequestrados por um fugitivo até que a mãe se apaixona por seu algoz. George Clooney e Cate Blanchet conduzem o drama Caçadores de obras-primas, inspirado em livro homônimo de Robert M. Edsel e Bret Witter. A história real de um exército encarregado de salvar as obras de arte da ganância nazista durante a Segunda Guerra chega ao cinema pelas mãos do próprio Clooney. O lançamento nos Estados Unidos está programado para fevereiro. Um conto do destino, a fábula sobre um amor interrompido por uma trágica doença, já ganhou as telas com Richard Ghere e Winona Ryder. Agora, quem protagoniza o drama é Collin Farrell e Jessica Brown. Mas um dos longas mais esperados na categoria drama é A culpa é das estrelas, o livro de John Green sobre uma menina com câncer em estado terminal. Com Shailene Woodley e Ansel Elgort como protagonistas e sob direção de Josh Boone, o filme deve estrear em junho. Green já havia vendido os direitos de outros livros para estúdios de Hollywood — Quem é você, Alaska? já tem roteiro pronto na Paramount —, mas A culpa é das estrelas é o primeiro a realmente chegar ao cinema. O autor não se envolveu com a confecção do roteiro, mas escreveu em seu site que confia no trabalho dos roteiristas. “As pessoas que foram contratadas para escrever o roteiro estão entre meus autores favoritos de Hollywood, logo, estou interiamente confiante de que elas vão escrever um roteiro melhor do que o que eu escreveria”, garante. Para o fim do ano, outro lançpamento esperado é Invencível, primeiro filme dirigido por Angelina Jolie. Baseado em livro de Laura Hillebrand, autora de Seabiscuit, o filme acompanha o drama de Louis Zamperini, atleta olímpico que ficou à deriva no oceano quando seu avião foi derrubado por inimigos durante uma batalha na Segunda Guerra.

Fantasia
Distopia e vampiros marcam as narrativas de fantasia que ganham as telas este ano. O mais esperado é Divergente, previsto para março. O primeiro volume de uma série de três foi escrito por Veronica Roth em 2011 e chegou a ser comparado a Jogos vorazes, de Suzanne Collins. No elenco, Shailene Woodley (A culpa é das estrelas), Kate Winslet e Theo James devem atrair, principalmente, os adolescentes. O doador também vai trazer a distopia para as telas sob direção de Philip Noyce. O elenco é cheio de celebridades — Meryl Streep, Alexander Skarsgard, Jeff Bridges, Katie Holmes e Taylor Swift — e a história vem do livro homônimo de Lois Lowry. No conto escrito para o público infantojuvenil, em uma sociedade perfeita, na qual doenças e males foram erradicados, um garoto é escolhido para receber as memórias de um passado nada glorioso. Menos promissores, Vampire academy: o beijo das sombras, adaptação do livro de Richelle Mead, e The maze runner (James Dashner) dão continuidade ao fenômeno distópico que aterrissou na literatura juvenil nos últimos quatro anos.

Comédia
Sem tradução no Brasil, A long way down é o próximo Nick Hornby a ser adaptado para as telas. O encontro hilário de quatro suicidas faz nascer uma amizade improvável. Na direção, o francês Pascal Chaumeil, mais conhecido por trabalhos para a televisão e pela assistência de direção de Luc Besson em O profissional. A morte do pai e a traição da mulher não são suficientes para balançar a vida de Judd Foxman, protagonista de Sete dias sem fim, de Jonathan Tropper. Ocupante de uma posição cobiçada na lista dos mais vendidos do The New York Times, o romance foi adaptado pelo próprio autor e terá direção de Shawn Levy (Uma noite no museu).

‘É um novo momento para o funk’, diz escritor Julio Ludemir

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No livro ‘101 funks que você tem que ouvir antes de morrer’, autor reúne os maiores sucessos do movimento carioca
Compilação traz, ainda, a história dos intérpretes e compositores de músicas emblemáticas, como ‘Feira de Acari’ e ‘Rap do Silva’
Autor de ‘Um tapinha não dói’ hoje canta funk gospel como MC Naldinho BP O Pacificador

Baile da Paz, no Clube Emoções, na Rocinha: o primeiro baile funk depois da pacificação Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Baile da Paz, no Clube Emoções, na Rocinha: o primeiro baile funk depois da pacificação Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Marina Cohen em O Globo

RIO – Mais do que uma lista de hits, o livro “101 funks que você tem que ouvir antes de morrer – O songbook do batidão” (Aeroplano Editora, R$ 30), de Julio Ludemir, recupera a memória do funk carioca. Em 270 páginas, a compilação traz as histórias dos compositores e intérpretes das canções mais representativas do gênero.

Resultado de dois anos de pesquisa, o livro narra as origens de canções emblemáticas como “Feira de Acari”, do MC Batata (que fez sucesso na trilha sonora da novela “Barriga de aluguel”, em 1990), “Rap do Silva”, do MC Bob Rum, e também de hits mais recentes, como “Boladona”, da Tati Quebra-Barraco, e “Fala mal de mim”, da MC Beyoncé. A seleção contou com outros dois curadores, além de Ludemir: o jornalista musical Rafael de Pino e o pesquisador Ecio Salles, criado em Olaria.

– A partir da curadoria deles, acrescentei meus pitacos. Quis incluir um representante da Batalha do Passinho e o Nego do Borel, por exemplo, que é um cara que eu adoro, eu me amarro – diz Ludemir, fazendo graça com o título da música que tornou famoso o funkeiro adepto das letras sobre ostentação.

Criador da Batalha do Passinho e da Flupp (Festa Literária das Periferias), Ludemir faz questão de passear pela trajetória dos bailes em “101 funks”, porque, para ele, não “existe funk sem o baile”.

– Tudo começou nos grandes bailes de subúrbio, nos anos 80, quando a juventude circulava pela cidade livremente – conta Ludemir, citando o “Rap do Pirão” (”Ô alô Pirão, alô, alô, Boa Vistão”) como um representante desta fase. – Já na década de 90, o funk foi para a favela e se ligou ao crime, criando letras em português a partir de batidas americanas. Foi a época do proibidão e dos MCs cantarem a realidade de suas próprias comunidades. Surgiram, então, os primeiros grandes letristas, como Claudinho & Buchecha e MC Leonardo.

Após passar por uma polularização nos anos 2000 (“A senhora Xuxa Meneghel teve um papel importante nisso”, diz Ludemir), o batidão finalmente chegou ao mainstream. Apesar de não carregarem mais o rótulo de funkeiros, os hoje popstars Anitta e Naldo também foram incluídos no livro financiado pelo Edital do Funk, da Secretaria de Estado de Cultura.

– Esse é um novo momento para o Brasil e para o funk, e ele não podia ficar de fora da compilação. Hoje, vemos grandes artistas falando para o mercado, como Anitta, Naldo e Koringa. Eles representam a entrada do funk no mercado formal, e ver a Anitta como garota-propaganda de supermercado e lingerie é o grande símbolo disso – analisa Ludemir, alertando para as possíveis consequências desse fenômeno: – Precisamos tomar cuidado para que não aconteça com o funk o que aconteceu com o samba, que foi apropriado pelas elites e, atualmente, exclui os próprios criadores da cultura, que não podem pagar ingressos de R$ 100 para assistir a um show. Hoje, o samba está na Lapa, mas não está na favela. Por enquanto, as comunidades ainda são funkeiras.

A história do funk através dos hits

A compilação “101 funks” ainda conta o que aconteceu com os “funkeiros de um hit só”. MC Créu, Deize Tigrona, Vanessinha, MC Frank e Menor do Chapa (intérpretes de “Ah, eu tô maluco”) são lembrados pelo livro. Naldinho, autor do sucesso “Um tapinha não dói”, por exemplo, chegou a gravar dez CDs pela Furacão 2000, lançou seis DVDs e, hoje, canta funk gospel como MC Naldinho BP O Pacificador.

– Não tenho vergonha nenhuma de falar sobre o meu passado e fico muito feliz de ter participado da história do funk carioca. Agora, estou gravando um CD gospel e, se o pastor permitir, quero misturar a influência funkeira ao som – afirma Naldinho.

O livro de Ludemir ainda recupera a história de personagens importantes para o gênero, como Andinho. Com uma vasta carreira no mundo do funk, o carioca responsável pelos sucessos “Já é sensação” e “Corpo nu” até hoje compõe músicas para intérpretes – Naldo e Marcinho entre eles. Muita gente não sabe, mas é dele também o hit “Baba”, de Kelly Key.

– Sinto um orgulho enorme só de saber que o funk está sendo lido, além de ouvido. É importante iluminar essa história, para que o funk passe a ser respeitado como um movimento – opina Andinho, que até hoje tem a agenda lotada de shows em casas de espetáculos, casamentos, festas de formatura e de debutantes.

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