Contando e Cantando (Volume 2)

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Conheça a biblioteca mais antiga de SP, lar de monges e fechada ao público

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Renata Nogueira, no UOL

O coração de São Paulo abriga a biblioteca mais antiga da cidade, que também é uma das mais antigas do país. Com 418 anos de história, a coleção de livros do Mosteiro de São Bento é conservada em amplas salas no segundo andar do histórico prédio localizado a poucos metros do local onde a metrópole nasceu.

Os títulos da biblioteca do Mosteiro de São Bento estão disponíveis para consulta dos próprios monges, que têm a leitura como um de seus hábitos diários, e para os alunos da Faculdade de São Bento. O acesso ao ambiente da biblioteca, no entanto, é de claustro e restrito aos 40 monges beneditinos que lá vivem.

A reportagem do UOL teve a oportunidade de conhecer o local na companhia do monge bibliotecário, Dom João Baptista. O alagoano de 34 anos vive no mosteiro há oito e abriu as portas do claustro para dividir um pouco da história dos 115 mil livros que lá chegaram desde 1598 junto com os primeiros monges.

Os exemplares mais antigos – como uma bíblia de Gutenberg do século 15 – foram trazidos da Europa pelos monges vindos do Velho Mundo ou sob encomenda. Já os mais recentes datam deste ano e atendem à demanda dos cerca de 200 alunos dos cursos de Filosofia e Teologia oferecidos pela Faculdade de São Bento.

Muito além da religião

O monge beneditino Dom João Baptista, produtor cultural e responsável pela biblioteca

O monge beneditino Dom João Baptista, produtor cultural e responsável pela biblioteca – Junior Lago/UOL

 

Se engana, porém, quem pensa que apenas títulos de filosofia e teologia fazem parte do acervo. Obras de literatura, como “O Pequeno Príncipe”, e ficção, como o polêmico “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, fazem companhia aos muitos títulos religiosos. “Temos que nos adaptar e adquirir essas obras. A gente tem que acompanhar sempre, não estagnar”, explica Dom João.

O menino louro criado por Saint-Exupéry em 1943 ganhou até uma exposição, “O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro”, em cartaz até o dia 6 de agosto. Segundo Dom João, que também exerce o cargo de produtor cultural do mosteiro, esta é uma forma de aproximar a população da biblioteca exclusiva dos monges. “Eu uso as obras da biblioteca em 80% das exposições”, explica o monge bibliotecário.

Livros mais populares, como auto-ajuda ou biografias de artistas, só não entram no acervo por falta de espaço físico. A biblioteca, antes restrita a um clássico salão repleto de estantes de madeira escura e um mezanino, hoje também ocupa um amplo espaço que antes servia como dormitório dos monges.

Os alunos da faculdade têm à disposição uma antessala com mesas e computadores, onde podem consultar as obras trazidas pelos poucos funcionários da biblioteca. O ambiente onde os livros ficam armazenados tem acesso restrito aos bibliotecários e aos monges que leem diariamente seguindo o capítulo 48 da Regra de São Bento. “A conservação dessa maneira acabou salvando nossa cultura”, defende o monge.

Os livros “proibidos”

"O Nome da Rosa", do ateu Umberto Eco - Junior Lago/UOL

“O Nome da Rosa”, do ateu Umberto Eco – Junior Lago/UOL

“A biblioteca é um local de consulta de arquivo para você resguardar conhecimento, seja ele qual for. O livro é como uma faca de dois gumes. Ele pode trazer uma verdade ou não. Temos no acervo Dan Brown e tantos outros autores, inclusive obras que destroem a ideia e teorias do ‘Código da Vinci’. Mesmo porque a gente tem que saber o que está acontecendo e o que as pessoas estão lendo para saber rebater”. Com cerca de 80 milhões de cópias vendidas no mundo, a obra do escritor americano causou polêmica ao questionar a divindade de Jesus Cristo.

O monge entende o sucesso da obra de Dan Brown como uma salada de teorias que já existiam e que viraram uma literatura interessante. Ao segurar um exemplar de “O Nome da Rosa”, do escritor italiano ateu Umberto Eco, Dom João retoma a ideia do que avalia como uma boa ficção que atrai leitores comuns e curiosos sobre a vida religiosa. “Nós (monges) temos que ter acesso para que saibamos lidar com o assunto. Não basta repetir que não presta. Por que não presta? Essa barreira seria de uma ignorância extrema.”

O Index deixou de existir, mas a ideia de cuidado de como você vai ler deve prevalecer. Isso não é censura, é simplesmente cuidado
Dom João Baptista, monge responsável pela biblioteca mais antiga de São Paulo

As obras polêmicas fazem lembrar o Index Librorum Prohibitorum, lista de livros proibidos pela igreja que esteve em vigor até o início dos anos 60. O monge explica que esses livros sempre estiveram presentes nas bibliotecas, inclusive as monásticas. Os títulos apenas ficavam longe do alcance de uma interpretação equivocada da massa. Nomes fundamentais para a filosofia, como René Descartes, estavam presentes no índice elaborado pela igreja católica.

“O Index deixou de existir, mas a ideia de cuidado de como você vai ler deve prevalecer. Isso não é censura, é simplesmente cuidado”, defende o monge. “As pessoas tinham pouco acesso à educação e essas obras poderiam causar um tumulto, um terror”.

Obras raras

Comentário da bíblia datado do ano 1500 está entre as obras raras da biblioteca - Junior Lago/UOL

Comentário da bíblia datado do ano 1500 está entre as obras raras da biblioteca – Junior Lago/UOL

 

Uma bíblia de Gutenberg, o pai da imprensa, é o livro mais raro do acervo da biblioteca de São Bento. Datada de 1496, cerca de cem anos antes de os monges chegarem ao Brasil, e quatro anos mais velha que o nosso país, a bíblia fica isolada em uma sala com umidade e temperatura controladas e acesso restrito às pessoas que conservam estas obras e a estudiosos.

O UOL teve acesso a cinco exemplares raros da coleção: um comentário da bíblia de 1500, uma bíblia em alemão de Lutero, de 1656, a enciclopédia “História Natural do Brasil”, de 1658, os tratados de Aristóteles, de 1607, e um antifonal – base para o canto gregoriano – de 1715. Os exemplares, impressos em latim, grego e alemão, estão bastante conservados também pela alta qualidade do papel usado na época.

Uma das curiosidades sobre os exemplares mais antigos é que alguns – como o comentário da bíblia de 1500 – usavam os antigos papiros como material de encadernação. O monge conta que existem lombadas mais valiosas do que as próprias obras que carregam. Como grande parte dos livros raros possuem edições mais recentes, as obras raras ficam restritas à conservação museológica.

“Essa biblioteca é uma descoberta diária. Eu não sei todas as obras que estão aqui. Vamos andando pelos corredores e descobrindo”, revela o monge bibliotecário. Apenas 25% do acervo está digitalizado. Os outros 75% estão catalogados em fichas de papel dispostas em um antigo armário de ferro. Os livros novos e de consulta aos alunos da faculdade têm prioridade na digitalização. “É um processo lento. Sinto que vou sair daqui e ainda deixar essa tarefa para o próximo.”

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Autor de ‘O monge e o executivo’ diz que Jesus é um exemplo de liderança

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Ao G1, best-seller James Hunter lista características de um bom líder. ‘Guru empresarial’ participa da Bienal do Livro do Rio neste sábado (7)

Cauê Muraro, no G1

O escritor James Hunter, autor de 'O monge e o executivo' (Foto: Divulgação/Editora Sextante)

O escritor James Hunter
(Foto: Divulgação/Editora Sextante)

Autor do best-seller “O monge e o executivo” (1998) e “guru empresarial”, James Hunter contabiliza ter treinado, pessoalmente, cerca de 2 mil executivos ao longo das últimas décadas. Mas, na hora de falar do líder mais admirável que já existiu, o consultor cita: “Jesus Cristo”.

Não que conduzir a Santa Ceia seja equivalente a coordenar uma empresa. “É porque Jesus tem influenciado as pessoas há mais de 2 mil anos”, justifica em entrevista ao G1, na qual reconhece respeitar outros líderes anônimos. Ele está no Brasil para participar da Bienal do Livro do Rio, onde fala ao meio-dia deste sábado (7).

Ao atender o telefone no hotel em que está hospedado na cidade, o professor apresenta-se com o apelido: “Olá, aqui é o Jimmy”. “Já fiz 22 viagens para o Brasil desde 2005. Lecionei em 28 cidades diferentes”, enumera. Também é elevado o número de vendas: mais de 4,2 milhões de cópias de seus dois livros – o segundo chama-se “Como se tornar um líder servidor”, título que talvez ajude a entender o porquê da referência a Jesus Cristo.

 

Durante a conversa, o termo “inspiração” surge com frequência. Hunter parece acreditar bastante nas próprias ideias, até porque defende que cargos de chefia devem ser ocupados por pessoas de boa conduta. “Em minhas palestras, nunca encontrei ninguém que tenha levantado a mão e dito: ‘Discordo, quero trabalhar com um líder corrupto, arrogante (risos)’.” Neste momento, aproveita para observar que “o Brasil precisa de bons líderes, assim como os Estados Unidos”. “Os recentes protestos mostram isso”, exemplifica.

Para Hunter, há “líderes natos e líderes que aprendem a cumprir a função”. “Se você tem a habilidade de mover as pessoas, de levá-las à ação, então você é um bom líder. Mas aprender os princípios é fácil, difícil é aplicá-los”, resume. Não se trata de dar ordens nem ser autoritário, insiste – mas de “inspirar”.

Aos 59 anos, Hunter confessa que, quando pensou em escrever “O monge e o executivo”, em 1996, tinha uma ambição modesta. “Queria passar meus princípios à minha filha, que tinha 2 anos de idade na época”, recorda. Brinca ainda que a necessidade de “transmitir um legado” tinha relação com um momento difícil: “Eu estava atravessando uma crise de meia-idade (risos)”.

Segundo o material de divulgação, o resultado é uma obra que serve para quem “tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho”. Funcionaria ainda para “se relacionar melhor com sua família e seus amigos”. No caso da “família Hunter”, a liderança doméstica é compartilhada com a esposa, psicóloga de formação, que ele diz conhecer desde que era adolescente. Mas seria ela uma boa líder? “É, sim. Porque me influencia”, assume Hunter, usando exatamente o mesmo argumento aplicado a Jesus.

Menos nobre, no entanto,  é a descrição que James Hunter faz de si mesmo ao tentar explicar por que vende tantos livros. Ele atribui o sucesso não à originalidade dos princípios, mas ao modo – supostamente acessível e claro – como os propaga. “Não proponho nada de novo, mas apresento de modo simples”, esclarece. Em seguida, o admirador dos atributos de liderança de Jesus confessa: “Sou um ladrão de ideias (risos).”

Bienal do Rio: dos novatos aos best-sellers

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Publicano no Yahoo

Campeões de vendas costumam ser recordistas de público nos debates e bate-papos da Bienal do Livro do Rio, gerando filas e, quando se trata de literatura adolescente, comportamentos histéricos. Este ano, a feira (de 29 de outubro a 8 de setembro, no Riocentro) traz dois autores que chegaram aos milhões de exemplares vendidos: Nicholas Sparks, de Diário de Uma Paixão e Querido John, ambos vertidos em filmes, e James C. Hunter, de O Monge e o Executivo.

A autora do título erótico do momento, Toda Sua, Sylvia Day, e a roteirista dos jogos eletrônicos Assassin’s Creed, Corey May, integram o time norte-americano. São 27 os nomes internacionais, número recorde em 16 edições da bienal.

A homenagem deste ano é à Alemanha, que em outubro recebe o Brasil na Feira de Frankfurt, maior encontro do setor no mundo. Os autores que vêm de lá não são conhecidos por aqui. Os recordes de espectadores devem ficar mesmo com Sparks, a best-seller teen Thalita Rebouças e a turma do Porta dos Fundos, que sai da internet para as páginas. Eles falarão para um auditório com capacidade para 500 pessoas.

Entre as novidades está o Placar Literário, espaço para a literatura de futebol. Os leitores miúdos encontrarão personagens da Turma do Pererê e o Menino Maluquinho no Planeta Ziraldo. O Mulher & Ponto, a cargo da jornalista Bianca Ramoneda, promete novas abordagens para velhos assuntos das revistas femininas, como envelhecimento, vaidade e educação infantil. Os debatedores não são só mulheres. “Essa estranheza de termos homens debatendo assuntos femininos me agrada muito”, diz Bianca.

O disputado Café Literário homenageará os 30 anos da própria Bienal e o poeta Paulo Leminski (1944-1989). A novíssima literatura abrirá o Café. As narrativas vindas das periferias e as manifestações de rua pautaram a programação. “Teremos desde a literatura cult à que tem maior comunicabilidade com o público em geral”, conta o curador Italo Moriconi.

Os 950 expositores esperam um público de 600 mil pessoas. Os ingressos subiram de R$ 12, em 2011, para R$ 14, com meia para estudantes e pessoas com mais de 60 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Sextante volta a liderar ranking de “mais vendidos” das editoras

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Cassia Carrenho, no PublishNews

E a lista entrou definitivamente em período de férias. Até Mr Grey resolveu descansar um pouco. Essa semana, Cinquenta tons de cinza (Intrínseca), ainda em 1º lugar, vendeu quase 30% a menos do que na anterior. Lógico que as vendas vinham aquecidas pelo Natal e quase todos os livros venderam menos que nas duas semanas anteriores. Inclusive, Cinquenta tons de liberdade perdeu a terceira posição para Nada a perder (Planeta) na  lista geral. Ou seja, o bispo voltou pro meio do ménage a trois mais disputado do ranking.

A lista dessa semana teve apenas um livro de estreia, os outros são velhos conhecidos. O segredo das mulheres apaixonantes (Novo Século) chegou na lista de autoajuda, na 14ª posição.

Os primeiros colocados das listas foram: Ficção, Cinquenta tons de cinza (Intrínseca), 15.048; não-ficção, Nada a perder (Planeta), 11.285; Infanto juvenil, As vantagens de ser invisível (Jovens Leitores), 1.653; autoajuda, Eu não consigo emagrecer (Bestseller), 2.738; negócios, O monge e o executivo (Sextante), 900.

O ranking das editoras voltou a ter a Sextante como líder isolada, com 13 livros. Na segunda colocação houve um empate entre Ediouro e Intrínseca com 10 títulos, e logo atrás, Record com 9.

Clique aqui para conferir a lista completa.

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