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Mr. Darcy: após dois séculos, o cavalheiro romântico ainda arrebata corações

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Andréia Martins, no IG

No bicentenário do livro “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, relembramos um dos homens mais apaixonantes da literatura mundial

Apenas bons casamentos salvariam as irmãs Bennet da pobreza e indiferença da sociedade aristocrática do início do século 19. Porém, uma delas, Elizabeth, não quer apenas um marido, e sim um grande amor. Neste contexto entra em cena um dos homens mais apaixonantes da literatura: Mr. Darcy. Figura central do romance “Orgulho e Preconceito”, o personagem comemora 200 anos nesta segunda-feira (28). Foi em 1813 que a escritora inglesa Jane Austen traduziu em palavras o ideal masculino que, mesmo após dois séculos, ainda faz estremecer.

Divulgação “Orgulho e Preconceito”, filme de 2005 revive o clássico de Jane Austen. Com Keira Knightley, como Elizabeth, e Matthew Macfadyen, no papel do irresistível Mr. Darcy

Divulgação
“Orgulho e Preconceito”, filme de 2005 revive o clássico de Jane Austen. Com Keira Knightley, como Elizabeth, e Matthew Macfadyen, no papel do irresistível Mr. Darcy

Mr. Darcy nasceu rico, tem posses e estudos. Porém, um encanto peculiar faz sua condição social parecer irrelevante. O je ne sais quoi do cavalheiro mora na profundidade dos seus sentimentos, nas frases avassaladoras, e, evidentemente, no temperamento forte e provocativo. “Além disso, ele é rejeitado pela amada e tem que se desdobrar para reconquistar o amor dela. Este enredo faz parte do imaginário feminino”, explica Amilcar Santos, professor de Língua Portuguesa e Literatura.

“Ele é diferente porque não está ali para agradar. A princípio é mais esnobe que mocinho. Jane Austen nos mostra um cavalheiro que possui certos preconceitos em relação às pessoas de classes sociais inferiores – diferente do amigo Mr. Bingley, que pode até ser considerado o herói romântico do livro, pois, igualmente rico, se apaixona à primeira vista por Jane, irmã de Elizabeth”, lembra Adriana Zardini, tradutora de três livros de Jane Austen para o português [“Emma”, “Razão e Sensibilidade” e “Mansfield Park”] e especializada na autora pela universidade de Oxford.

Para Santos, boa parte da arrogância de Mr. Darcy está ligada à realidade socioeconômica daquela época. Mas ao superar a si próprio, Darcy prova que merece o amor Elizabeth.

As leitoras concordam. Ao desconstruir a imagem arrogante, Mr. Darcy se enquadra em todas as exigências femininas. “Impossível ler ‘Orgulho e Preconceito’ e não se encantar com Mr. Darcy. Mas não o considero exatamente um romântico, e sim real, orgulhoso, porém capaz de mudar”, diz a estudante de administração Danielle Gabioli, 21 anos, fã de Austen.

Reprodução O charme arrogante do personagem

Reprodução
O charme arrogante do personagem

“Quando ele diz a sua tão famosa frase ‘you must allow me to tell you how ardently I admire and love you’ [em português, algo como: você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você”], o faz dando uma ordem, logo após ter explicitado todos os motivos pelos quais esses sentimentos contrariam sua razão e até seus valores”, diz Daniella. “A mudança dele é para mim o evento mais importante do livro, a prova de quão real o personagem pode ser – ou quão real gostaríamos que ele fosse”, diz.

De acordo com Vanessa Hannud, 23 anos, “o personagem é apaixonante porque tem o caráter dos mocinhos, mas traz o lado arrogante dos bad boys”. “Nos romances, o mocinho normalmente tem o lado bom ressaltado. O Darcy foge disso; ele imprime arrogância e tudo o que ele faz de bom fica escondido”.

“Ele parece não se importar com Elizabeth, mas no fundo está preocupado, apaixonado. É o tipo de homem de uma mulher só”, diz a consultora de Recursos Humanos, Paola Barban, 30 anos, que assiste ao filme baseado no livro quase todos os domingos.

Reprodução Trecho do romance traz uma das frases mais marcantes de Darcy

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Trecho do romance traz uma das frases mais marcantes de Darcy

Um Mr. Darcy na vida de Jane Austen
Se em “Orgulho e Preconceito” Austen criou um modelo perfeito do homem romântico, na vida real estima-se que ela não teve tanta sorte no amor. Contudo, segundo o historiador inglês Andrew Norman, a autora teria se inspirado em um amor real para compor o personagem Mr. Darcy.

Para Norman, o jovem rapaz era um estudante de teologia, Samuel Blackall. O historiador chegou a essa conclusão por meio de cartas de Austen e depoimentos de pessoas próximas a ela. O casal teria se conhecido no verão de 1798, época na qual Blackall passava alguns dias em Lefroys, Hampshire, condado onde a escritora morava. Segundo ele, após um reencontro inesperado com o estudante anos depois é que Austen teria se apaixonado.

No entanto, muitos desencontros teriam atrapalhado Austen e Blackall. Em uma carta do estudante para a escritora, ele diz que não poderia encontrá-la, o que prontamente foi interpretado como descaso.

Um dos pontos mais curiosos descobertos pelo historiador e revelado em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, é que em 1813, Austen teria sido surpreendida com a notícia do casamento de Blackall. Em uma carta ao seu irmão Francis, ela conta que gostaria que a noiva fosse “um túmulo” e “bastante ignorante”.

“Orgulho e Preconceito” foi publicado pouco tempo após tal acontecimento.

Revivendo o romance
Para relembrar o bicentenário de “Orgulho e Preconceito”, a rede britânica BBC vai recriar o baile de Netherfield, em Chawton House, a mansão que pertenceu a Edward Austen-Knight, irmão de Austen, para exibí-lo este ano na TV em um especial de uma hora e meia. A data ainda não foi confirmada. O baile marca um encontro repleto de ironias sedutoras entre Darcy e Elizabeth.

Uma série de outras comemorações vai acontecer em solo britânico este ano. Parte da programação está disponível no site Pride and Prejudice: A 200 Year Affair . Por aqui, com coordenação de Adriana Zardini, o site Jane Austen Brasil comemorou nos últimos dias o bicentenário de “Orgulho e Preconceito”, com palestras e leituras acerca da obra.

dica da Noh Oliveira

‘Talento é fundamental, mas não é suficiente’, diz poeta

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Publicado por: Valor

O poeta Ferreira Gullar mora desde 1979 em um prédio de esquina da rua Duvivier, em Copacabana, onde embaixo já funcionou uma boate. Avô de oito netos e bisavô de seis, casado com a poeta Cláudia Ahimsa (nascida em 1963), o escritor de 82 anos tem uma vida tão intensa quanto a do bairro onde mora.

Neste fim de ano, a editora José Olympio leva às livrarias a primeira edição avulsa da peça “O Homem como Invenção de Si Mesmo – Monólogo em um Ato” (2006), que só fora publicado no conjunto de “Poesia Completa, Teatro e Prosa” (2008, ed. Nova Aguilar). Como se recusa a viajar de avião, o poeta enfrentou na semana passada seis horas de estrada para ir a São Paulo receber o Prêmio Jabuti de ilustração por “Bananas Podres” (Casa da Palavra), com colagens que ilustram poemas seus de outras obras.

“Meu hobby é a pintura, a colagem”, diz o crítico de arte, que no início de 2013 publicará pela José Olympio outro livro com ilustrações, “A Menina Cláudia e o Rinoceronte”, para crianças. E se os leitores não devem esperar para breve novas coletâneas de poemas inéditos, provavelmente em março próximo já será possível encontrar outra novidade nas livrarias. Toda a obra de Gullar foi revista neste ano e a editora Maria Amélia Mello, da José Olympio, promete a reedição de um título por mês do poeta, com novo projeto gráfico. O primeiro será “Poema Sujo” (1976). “A importância da sua obra cresce a cada dia”, diz a editora. Leia a seguir trechos da entrevista que Gullar concedeu ao Valor.

Valor: O senhor costuma dizer que sua poesia nasce do espanto. O teatro surge de ideias racionais?

Ferreira Gullar: Eu nunca tinha escrito uma peça com o objetivo prioritário de expor uma teoria. Fui refletindo sobre a ideia do homem como invenção de si mesmo e me convencendo de que essa teoria tinha fundamento e que valeria a pena expô-la. Mas como não sou filósofo, não ia escrever um tratado. Me ocorreu fazer esse monólogo. Mas há peças que nascem por outra razão, com outras intenções. Algumas têm a questão social, outras são mais poéticas, outras mais teatrais, como “Romance Nordestino”, em que me inspirei no cordel.

Valor: Há um limite de tempo para o ser humano se inventar e se reinventar?

Gullar: A pessoa não se inventa gratuitamente. Ninguém se inventa craque de futebol sem talento, ninguém vai se inventar cozinheiro ou poeta sem talento. A pessoa nasce com determinadas qualidades e as desenvolve. Como disse o Noel Rosa, samba não se aprende no colégio. Tenho de trabalhar o meu samba, a minha música, mas antes preciso ter vocação. A minha teoria não fala de se reinventar, mas de inventar mesmo. Se a pessoa ficar sentada na beira da calçada e não fizer nada, ela não vai ser nada na vida. Mesmo que tenha nascido com talento de romancista, se não tentar escrever, se não se dedicar e se entregar, não vai conseguir fazer um bom romance. Uma coisa é a qualidade com a qual você nasce e outra é a capacidade de transformar aquilo em realidade. Porque talento é fundamental, mas não é suficiente.

Valor: O senhor já viu muita gente se desperdiçar?

Gullar: Quando a pessoa nasce com uma qualidade e não a desenvolve é porque não sente necessidade. A vida é acaso e necessidade. Acaso nada mais é do que probabilidade, aquilo que é possível acontecer. Você de repente pode conhecer uma pessoa que vai mudar a sua vida, mas para isso aquela pessoa precisa necessitar de você e você dela. Se você não transforma o acaso em necessidade, não vai realizar as coisas. “A Divina Comédia” podia não ter sido escrita. Ela se tornou necessária porque foi escrita e inventou coisas que se tornaram necessárias. É nesse sentido que falo que a vida é inventada.

Valor: Buscar a lucidez parece fundamental para o senhor, não?

Gullar: As pessoas em geral dizem que sou lúcido. O meu saudoso amigo Dias Gomes [1922- 1999] sempre me telefonava quando enfrentava um problema pessoal complicado. “Tenho de ouvir você, porque, em matéria de lucidez, confio em você”, falava. Algumas pessoas acham que tenho essa qualidade. Quem lê minhas crônicas também. Não gosto de confusão, não gosto de fazer de conta de que sou complexo. Pelo contrário, minha preocupação é ser claro, mesmo quando as coisas são complexas.

Valor: Isso dá ao leitor um certo reconforto…

Gullar: Acho que sim, porque não há coisa mais chata do que não entender o que se lê, ou se sentir burro porque você não está entendendo. Às vezes não é complexidade, mas confusão…

Valor: Nesta sociedade pragmática, há receio em relação à subjetividade, não?

Gullar: A coisa pior é achar que tudo é muito simples. É um equívoco, o ser humano é complexo. Em sua riqueza de personalidade, o ser humano não é só razão ou só irracionalidade e loucura. Mesmo quem é doente mental têm momentos de racionalidade. Existe um dado realmente complicado da sociedade hoje que, cada vez mais pragmática, não leva em conta a complexidade do indivíduo. Muitas pessoas mais sensíveis se sentem marginalizadas nessa sociedade que não leva em conta essa face do ser humano, a subjetividade, os sonhos, o delírio, as inseguranças. Uma sociedade que se torna cada vez mais pragmática e objetiva tende a ignorar isso, trata-se de fonte de neurose para as pessoas, de marginalização.

Valor: O poeta faz as pessoas terem contato com esse mundo…

Gullar: Uma das coisas que o artista e o poeta fazem é oferecer às pessoas esse outro lado da vida. Um dos fatores mais presentes na atualidade é a mídia, que transforma tudo em notícia. Isso se sobrepõe aos demais valores. Tem muita gente com prestígio na sociedade só em função da sua presença na mídia, sem de fato nenhuma contribuição efetiva. Isso é muito grave e, em muitos casos, provoca uma inversão de valores. Pode levar a muitos equívocos e a muita injustiça.

Valor: Hoje ainda existe brecha para o espanto?

Gullar: O espanto está presente porque o mundo não é explicado. De vez em quando você se defronta com uma coisa que parecia explicada e não está. Isso é o espanto: a experiência inesperada. O mundo está aparentemente explicado. De repente você vê que não.

Valor: O senhor ainda se espanta quando lê?

Gullar: Claro, uma das coisas que a leitura possibilidade é isso. Não como na vida, mas o livro, especialmente o de poesia, contém esse espanto. Mas hoje leio menos do que no passado. Não tenho tanto tempo para ler e estou mais preocupado em refletir, pensar e escrever.

Estudante de medicina é preso em SC por fazer vestibular para outra pessoa

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O jovem disse a Polícia Militar que recebeu R$ 10 mil para responder as questões

Vagner Krazt, no CGN

A partir de uma denúncia de fraude a Polícia Militar se deslocou para onde, segundo a informação, um jovem fazia vestibular para uma universidade de Santa Catarina usando nome falso.

Vinícius Bernardo, estudante de medicina, foi preso em flagrante ontem (25) em Curitiba, no campus da UniBrasil, no Bairro Tarumã.

O vestibulando confessou aos policiais que recebeu R$ 10 mil para responder as questões.

Com o estudante foram encontradas três identidades falsas. O jovem foi encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão onde responderá por falsidade ideológica.

Vinícius fez a prova para o candidato George Esper, que mora em Curitiba e deve receber intimação para prestar esclarecimentos.

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