Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Moradores de rua

Moradores de rua passam em concurso público em Belo Horizonte

0
Marcelo Batista Santiago passou em 1º lugar no concurso público da MGS. Crédito: Arquidiocese de Belo Horizonte/Reprodução

Marcelo Batista Santiago passou em 1º lugar no concurso público da MGS. Crédito: Arquidiocese de Belo Horizonte/Reprodução

Marcelo Santiago ficou em 1º lugar e Jusair da Silva na 20ª posição.
O feito foi alcançado graças a bibliotecas e a determinação de ambos.

Publicado no ExpressoMT

Marcelo Batista Santiago, de 39 anos, passou em primeiro lugar no concurso público para auxiliar de limpeza da empresa estadual Minas Gerais Administração e Serviços S.A (MGS). Quase 12 mil candidatos disputaram uma das 300 vagas oferecidas. Mais do que alcançar o topo da lista, o ex-morador de rua, que viveu perambulando por Belo Horizonte entre 2012 e 2014, conseguiu retomar o controle da própria vida.

“Foi muito sofrimento. Falta de comida, de lugar pra tomar banho, pra dormir. Tive que aprender a me virar. Foi muito duro”, disse ele.

Hoje, Marcelo vive na República Reviver, espaço da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que oferece moradia temporária para homens sem-teto. São 40 vagas disponíveis, cuja permanência é por no máximo 18 meses. “Meu sonho agora é providenciar a minha casa”, contou.

Marcelo foi parar na rua depois de um desentendimento com a família. “Tive alguns problemas com parentes e acabei ficando sem lugar pra ficar”, disse. Desempregado, era difícil conseguir trabalho sem endereço fixo. “Quando eu dizia que morava na rua, que não tinha casa, já perdia a vaga”.

Em 2014, Marcelo tomou uma decisão que mudou sua vida. “Decidi pedir ajuda. Foi aí que conheci a república e fui encaminhado para o acolhimento. Tinha que me reerguer”. O ex-morador de rua buscou nos livros o caminho para uma nova chance.

“Na república tem uma minibiblioteca. Comecei a estudar muito e pensei em fazer vestibular”. Marcelo passou no curso de tecnologia em gestão pública da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Porém, ele desistiu no 2º período. “Eu passei por um momento que estava desestruturado, mas penso em voltar”.

Em fevereiro, ele ficou sabendo do edital do processo seletivo. Apesar de já ter ingressado em uma universidade, Marcelo resolveu concorrer ao cargo de nível fundamental incompleto. “Eu estava buscando estabilidade. Uma possibilidade para me reerguer, estruturar a minha vida”, disse.

O resultado saiu em abril, surpreendendo Marcelo. “Quando eu saí da prova, senti que tinha ido bem, mas nunca imaginei ter ficado em primeiro lugar. Passou um filme inteiro na minha cabeça. Nada na minha vida veio fácil. Foi bastante sofrimento. Ter conseguido passar foi uma alegria imensa”. Marcelo tomou posse do cargo e já está trabalhando. Ele recebe R$ 876,66 por mês.

Vida dura

“Foi uma explosão”, disse Jusair Santos da Silva, de 50 anos, ao saber que foi o 20º colocado no mesmo concurso disputado por Marcelo Batista Santiago. Assim como o candidato mais bem colocado, Silva também viveu nas ruas de Belo Horizonte por quase três anos.

“Cheguei aqui em setembro de 2012. Foi a primeira vez que senti na pele como essa vida é dura”, contou. Naquele ano, ele estava em Cuiabá (MT) e acabou aceitando uma carona para a capital mineira.
Nascido em Paracatu, na Região Noroeste de Minas Gerais, Jusair disse que serviu na Marinha quando jovem. Morou em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde teria cursado três anos em uma faculdade de letras. “Larguei porque conheci minha mulher”, contou.

O casamento acabou não dando certo. “Eu não queria ficar na dependência de família. Deixei casa, tudo pra ela (esposa). Só fiquei com a minha moto”. O filho também ficou pra trás. “Ele já tem 25 anos. É homem feito. Nunca mais falei com ele”, disse.

Depois que saiu de casa, o dinheiro foi acabando e Jusair teve que vender a moto. Ele se mudou várias vezes e sobreviveu através de pequenos serviços. Ao chegar a Belo Horizonte, não tinha mais nada. “Dormi na rodoviária por uma semana. O pessoal de lá me disse pra procurar a assistência social que tem lá mesmo. Foi quando me indicaram um albergue pra moradores de rua”.

Meses depois, Jusair conseguiu uma vaga na República Professor Fábio Alves, também administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte. Foi quando ele ficou sabendo do concurso que iria mudar sua vida. “Eu vi num jornal que a inscrição era gratuita. Foi aí que eu pensei, ‘é isso, é a minha chance’”, contou.

Jusair estudava todos os dias na Biblioteca Estadual Luis de Bessa, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Foi uma luta. Aí, o dinheiro do Bolsa Família saiu. Dos R$ 77, gastei R$ 45 com a apostila. Três dias antes da prova, eu ‘devorei’ ela”, disse. Ele acabou se tornando auxiliar de limpeza do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, o maior de Minas Gerais.

Segundo as repúblicas Reviver e Professor Fábio Alves, os dois concursados estão inspirando outros moradores de rua a mudar de vida. “Meus companheiros de rua, pessoal do albergue me para o tempo todo pra me cumprimentar. Fico feliz”, disse Jusair.

“Agora, além de conseguir uma casa pra mim, espero retomar o contato com a minha família. Sei que tem muita mágoa envolvida, mas tudo vai se resolver aos poucos”, contou Marcelo. Para Jusair, todo esforço valeu a pena. “Quero firmar o pé. De tanto caminhar nesse trecho, eu acabei chegando até aqui. Qualquer pessoa pode. É só querer”.

Escola atende moradores de rua e alimenta sonhos de mudança pela educação

0

CCEzDnGWAAALJDE

Publicado em UOL

O sonho dos estudantes da Escola Meninos e Meninas do Parque, localizada no Parque da Cidade, no Distrito Federal, é o mesmo: sair das ruas. O colégio, que existe há mais de 20 anos, atende cem alunos que não têm onde morar. Além do aprendizado, jovens e adultos encontram no local carinho, paciência e motivação. A grade curricular é a mesma de outras instituições de ensino. A diferença, segundo a diretora Amelinha Araripe, é que o ritmo de aprendizado de cada um é respeitado.

Entre os alunos que já passaram pela escola está Meire Romão, 56. “Meu grande desejo é ser veterinária”, conta. Ela já concluiu o ensino fundamental na Meninos e Meninas, mas vai diariamente até o local para ajudar na limpeza. Segundo Meire, apenas a educação pode mudar a vida de uma pessoa.

“O dia mais feliz da minha vida foi quando vesti uma beca e segurei o diploma. Eu não tinha planos para o futuro, mas, hoje já estou entregando currículos. Quero juntar meu dinheiro, sair da rua e fazer um curso”. Atualmente, Meire dorme todos os dias em frente ao Hospital Regional de Brasília.

a-escola-de-meninos-e-meninas-do-parque-a-emmp-atende-alunos-moradores-de-rua-ou-que-moram-em-abrigos-do-distrito-federal-em-braslia-na-foto-a-aluna-meire-romo-que-j-conseguiu-concluir-o-ensino-1428341907452_956x500

O colégio, que é público, tem aulas de informática e oficinas de artes, ciência e corpo humano. Na escola, os alunos também tomam banho, lancham e almoçam. Uniformes e kits higiene são disponibilizados.

“Eles [os alunos] se encontram em uma situação de vulnerabilidade muito grande. Entretanto, todos respeitam muito o colégio e os professores. Sabem que encontraram aqui uma família”, diz a diretora.

Transformação

O estudante José Liberato, 64, é morador de rua há 50 anos. Ele já foi preso por assalto a mão armada e também tráfico de drogas. Encontrou na escola uma chance de seguir em frente e construir uma nova história. “Já aprendi a escrever meu nome e ler algumas palavras. Também comprei uma bicicleta para vender salgadinhos e doces. Com o dinheiro, pretendo alugar um quarto e sair da rua”.

No local, dez professores atendem alunos que têm a partir de nove anos. Eles são divididos em turmas de ensino fundamental regular ou EJA (Educação de Jovens e Adultos). Também existem aulas de reforço para os alunos que precisam.

Após a conclusão do ensino fundamental, os estudantes são encaminhados para outros colégios de ensino médio. Porém, o vínculo com a escola Meninos e Meninas não é desfeito.

“Só há transformação quando existe educação. Nosso estudante chega aqui como um diamante bruto. Com bastante carinho, ele fica mais afetivo, educado e estudioso”, diz Amelinha.

Inspiração para outros estudantes

Fabrício dos Reis, 25 anos, morava na rua desde criança com a mãe. Ele conta que se envolveu com drogas e não tinha nenhuma perspectiva de vida. Porém, a vida começou a mudar quando foi abordado por uma equipe de orientadores sociais.

“Comecei a estudar aqui e percebi que a droga não tinha futuro. Perdi muitos amigos que moravam na rua comigo, alguns assassinados, outros presos. Hoje, sou uma inspiração para outros alunos”.

Fabrício trabalha no projeto Cidade Acolhedora – Serviço Especializado de Abordagem Social, ganha R$800 e mora de aluguel. Hoje, o jovem sonha em cursar serviço social na UnB (Universidade de Brasília).

Infraestrutura

O colégio Meninos e Meninas é de responsabilidade da Secretaria de Educação do DF e possui alguns problemas de infraestrutura. O local só tem um banheiro, não tem internet e faltam espaços apropriados para as atividades.

Sobre os problemas, a pasta informou que encaminhará o mais rápido possível um técnico da Subsecretaria de Modernização e Tecnologia para instalar uma linha de internet. A secretaria disse ainda que está finalizando um plano de obras para o atendimento de todas as escolas que necessitam de intervenções mais amplas.

Caligrafia de sem-teto vira fonte de renda

0

Uma ONG de Barcelona resolveu transformar a caligrafia usada em cartazes feitos por moradores de rua da cidade em fontes tipográficas.

O desenhista Miquel Fuster Juca é um dos que criararam fontes para o projeto

O desenhista Miquel Fuster Juca é um dos que criararam fontes para o projeto

Liana Aguiar, na BBC Brasil

Com a venda das fontes para marcas corporativas e usuários da internet, a ONG Arrels Fundació pretende apoiar projetos para os sem-teto.

A ideia é, a um só tempo, dar novo sentido às inscrições características feitas por moradores de rua, resgatar pessoas em situação de risco e sensibilizar a sociedade sobre um problema que afeta cada vez mais gente na Espanha.

Caligrafia de moradores de rua é digitalizada e posta à venda

Caligrafia de moradores de rua é digitalizada e posta à venda

Com a colaboração da agência de publicidade The Cyranos McCann, designers digitalizaram a caligrafia dos sem-teto. As fontes são vendidas no site Homelessfonts.org.

Olga García, responsável pelo projeto, explica que a campanha foi lançada no dia 8 de junho e já teve bons resultados nas redes sociais e nas vendas para internautas de vários países, inclusive do Brasil.

Francisco Cáceres viveu mais de 50 anos no Brasil, mas virou sem-teto na Espanha

Francisco Cáceres viveu mais de 50 anos no Brasil, mas virou sem-teto na Espanha

Em apenas três semanas, o vídeo no Youtube que apresenta a iniciativa teve 100 mil visualizações.

As primeiras fontes já começam a ser usadas em rótulos de alguns produtos, como vinho e azeite.

Cada tipografia vale 19 euros (R$ 57) para uso particular ou 290 euros (R$ 870) para uso corporativo.

A Fundação Arrels, que há 27 anos ajuda os sem-teto de Barcelona, estima que existam 3 mil pessoas sem teto na cidade.

Sensibilização

Olga García reforça que, mais do que um incentivo financeiro ao trabalho da fundação, o objetivo da campanha é dar visibilidade ao problema. Para ela, a grande mensagem que a iniciativa transmite é que “essas pessoas não são um pedaço de papelão que caminham pela rua”.

"Não se trata apenas de comprar a fonte, mas de conhecer a história por trás daquela letra", diz responsável por projeto

“Não se trata apenas de comprar a fonte, mas de conhecer a história por trás daquela letra”, diz responsável por projeto

“Não se trata apenas de comprar a fonte, mas de conhecer a história por trás daquela letra”, explica.
“Queremos despertar um novo olhar para as pessoas sem lar. A letra que antes servia para pedir ajuda agora serve para ajudar a outras pessoas”, afirma.

Ela conta que uma equipe de voluntários está desenvolvendo um aplicativo para que as fontes possam futuramente ser usadas no Facebook e no Twitter.

Olga afirma que a força das redes sociais na divulgação da iniciativa tem sido fundamental. “As redes sociais são a chave do êxito desse projeto. Estamos muito satisfeitos com a difusão internacional que (o projeto) está tendo.”

Experiência

O desenhista aposentado Miquel Fuster Jaca, 70 anos, morou durante 15 anos nas ruas de Barcelona e participa do projeto.

Sua letra é uma das dez fontes já disponibilizadas no site. “Quero colaborar para dar visibilidade a esse problema e acabar com o estigma dos moradores de rua”, conta ‘a BBC Brasil.

Loraine, nascida em Londres, conta que foi morar nas ruas em Barcelona em 2009, após ter o passaporte roubado

Loraine, nascida em Londres, conta que foi morar nas ruas em Barcelona em 2009, após ter o passaporte roubado

Ele lembra que viu a vida desmoronar junto com o apartamento em que morava, que se incendiou.

Nas primeiras noites após perder a casa, dormiu em uma praça no bairro onde morava. Era um consolo ver caras conhecidas. Com o tempo, afirma que sentiu que sua presença já não era mais bem-vinda e passou a perambular pela cidade.

Agora, as fontes criadas por ela ilustram os rótulos de garrafas de vinho, graças ao projeto

Agora, as fontes criadas por ela ilustram os rótulos de garrafas de vinho, graças ao projeto

Miquel conta que, no tempo em que viveu na rua, tornou-se alcoólatra e foi vítima de agressões. Sobrevivia dos desenhos que fazia e vendia para turistas e transeuntes.

“Na rua, o primeiro sentimento é de incredulidade. Depois vem a raiva contra si e contra todos, pois vivemos em um mundo hostil. Logo vem o sentimento de luto pela vida que já não podemos recuperar”, descreve Miquel.

Hoje ele vive em um apartamento protegido pela fundação e colabora com projetos da entidade. Ministra palestras sobre sua experiência como sem-teto, que pode servir de exemplo para muitas pessoas.

Como quando fazia cartazes, mais uma vez Miquel pegou a caneta para escrever. Dessa vez, o que está pedindo é que os moradores de rua deixem de ser invisíveis.

Moradores de rua e bibliotecas públicas

0


Publicado originalmente no Bibliotecários Sem Fronteiras

Documentário que mostra o relacionamento dos moradores de rua com as bibliotecas e com a cultura.

Go to Top