Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Moritz

Entre letras e números

0

1

Joselia Aguiar, no Valor Online

Otávio Marques da Costa e Júlia Moritz: novos publishers da Companhia das Letras participam juntos de temporadas de imersão no grupo Penguin, que comprou 45% da editora
Otávio Marques da Costa enviou o currículo pelo site. Advogado jovem num grande escritório de São Paulo, queria mudar de profissão. Começou a cursar outra faculdade, de história, aventava um mestrado no exterior e, enquanto não se decidia, passou a se ocupar nas horas vagas como preparador de texto, um tipo avançado de revisor. Pelo site, seu currículo chegou até a diretora editorial da Companhia das Letras, então Maria Emília Bender. Contratado como assistente por um salário que correspondia a metade do que ganhava, mudou de emprego sem hesitar.

Contado até aí, o enredo se presta a um livro sobre gestão de carreira, título que talvez tivesse boa acolhida sem alcançar as listas de mais vendidos. Com o desfecho, dá até best-seller: depois de cinco anos, o funcionário que se distinguiu por um comprometimento singular acaba de assumir o recém-criado cargo de publisher, o que representa chefiar o coração de uma das mais prestigiosas editoras do país. A virada representa bem a ousadia na hora de apostar e a velocidade para obter resultados que exige hoje o mercado editorial brasileiro, espelho de grandes praças estrangeiras.

A função é compartilhada. Ao lado de Costa, assumiu Júlia Moritz, filha do fundador, Luiz Schwarcz. Ambos têm 31 anos, dividiam a mesma sala e agora participam juntos de temporadas de imersão no grupo britânico Penguin, que comprou 45% da Companhia das Letras em 2011. A mudança no organograma levou à saída de gente que estava havia décadas na casa, como a própria Maria Emília, e à promoção de assistentes para cargos de editores, agora ocupados também com novos selos editoriais, como Paralela e Seguinte, que marcam a entrada em nichos comerciais. Coordenados pela dupla de publishers, oito editores na faixa dos 30 anos leem, aprovam ou descartam obras oferecidas por agentes, “scouts” ou os próprios autores. Antes se responsabilizavam pela edição do texto – encomendas de tradução, preparação e revisão -, que cabe hoje a um núcleo criado exclusivamente para a tarefa.

A renovação das equipes – não só a troca, o rejuvenescimento de seus componentes – é uma das mudanças por que passam editoras de médio e grande porte diante de um mercado que tende a ficar ainda mais aguerrido. Pelo menos cinco das mais importantes editoras do país reestruturaram recentemente seu corpo editorial – além da Companhia, Record, Objetiva, Globo, Cosac Naify – e duas se constituíram ou deram sua arrancada há pouco tempo – LeYa e Intrínseca. Não só mais jovens, os editores, mais envolvidos do que antes com a escolha dos títulos, precisam estar mais pragmáticos. Num ofício historicamente associado à ideia de arte e artesania, não parece mais possível sobreviver alheio aos números.

1

Marcos Strecker (no centro) e equipe de editores da Globo Livros: “A internet como meio de venda e de divulgação passa a ter um papel cada vez maior, talvez determinante”, diz
O novo perfil de editor-gestor, que substitui o do editor que só atentava para o texto, e o formato de empresa mais diversificada, que não se acanha em abranger obras comerciais, são, em parte, a adaptação da editora de Schwarcz a um mercado que está modificado desde a criação de sua casa editorial, em 1986.

Nos últimos tempos, as vendas de livros têm crescido concentradas em poucos títulos comerciais, os chamados mega-sellers. Não são novidade na praça – o “Harry Potter”, da Rocco, é de fins da década de 1990 -, mas agora praticamente dominam as listas de mais vendidos. O sucesso, que se dá em escala mundial, é levantado por estratégias de marketing agressivas.

Com a quantidade maior de títulos, operação com que as grandes ganham em escala, sobra pouco lugar nas vitrines para obras de arte ou não comerciais, os chamados long-sellers ou “fundo de catálogo”, obras que, a despeito de sua qualidade e relevância, vendem aos poucos, sem instantânea pirotecnia. A vocação da grande literatura é sobreviver ao tempo. Num balanço de empresa, porém, é um valor dramaticamente não computável.

Costa e Júlia preferem não dizer qual é a nova cara da empresa. A pergunta é difícil e restritiva. “Um título talvez possa simbolizar a atual fase”, sugere Costa. Da estante, pega a capa cítrica, o desenho de um imenso bigode. “Toda Poesia”, de Paulo Leminski, cultuado poeta curitibano que morreu em 1989, cuja obra, dispersa em vários volumes, estava fora da praça. Saiu com tiragem atípica, alta para o gênero, 5 mil exemplares. Esgotou-se em dois dias. Uma nova tiragem de 5 mil foi encomendada e vendida. Na semana passada, o livro entrou na lista de mais vendidos na Livraria Cultura, rede com público mais intelectualizado, à frente da série pornô soft “50 Tons de Cinza”, de E.L. James, publicada pela Intrínseca.

Um mega-seller exige ousadia e velocidade: para identificá-lo, oferecer nos leilões uma soma que os concorrentes não vão se arriscar em pagar, traduzi-lo a tempo e colocar nas livrarias em tiragens altas, indicando para livreiro e público que vale o negócio. Um pouco o “efeito-Tostines”: vende mais porque é mais lido ou é mais lido porque vende mais. (mais…)

Livros de Elio Gaspari sobre a ditadura militar serão relançados por nova editora

0

Publicado por Portal Imprensa

Os quatro livros sobre a ditadura militar produzidos pelo jornalista Elio Gaspari vão mudar de editora, informou a Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (10/1). Publicados pela Companhia das Letras entre 2002 e 2004, as obras “A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Derrotada” e “A Ditadura Encurralada” foram comprados pela Intrínseca.

Jornalista ainda escreve o último livro da série sobre a ditadura (Crédito:Divulgação)

Jornalista ainda escreve o último livro da série sobre a ditadura (Crédito:Divulgação)

A negociação foi anunciada pelo jornal O Globo, na última quarta (9/1), e envolve também o quinto volume da série, uma das mais prestigiadas sobre a história recente do Brasil. A obra, que deve se chamar “A Ditadura Acabada”, mas ainda está sendo escrita e não tem previsão de lançamento.

Ele começará com a queda do então ministro do Exército Sylvio Frota, em outubro de 1977, e abordará essencialmente o último ano do governo de Ernesto Geisel. O governo de João Figueiredo, que encerra o regime militar, será descrito com menos detalhes do que os anteriores.

Mudança
Segundo a Folha, Gaspari tomou a iniciativa por conta de desentendimentos recentes com a direção de sua atual editora. O editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, afirmou que foi uma decisão do autor. “Não houve nenhum problema digno de nota. Lamentamos a sua saída”, disse.

Com a mudança, o jornalista também deixará a coleção “Perfis Brasileiros”, que ele coordenava com a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, mulher de Luiz e sócia da editora.

Além da Intrínseca, a editora Objetiva também concorria pela série, negociada pela agente literária Lucia Riff. Os valores envolvidos na negociação não foram divulgados.

Os quatro volumes iniciais da série, que atingiram os 350 mil exemplares vendidos, serão reeditados em 2014. Poucos trechos deverão ser alterados de maneira significativa. O autor incluirá, por exemplo, descobertas dos últimos anos sobre a Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará.

Todos os títulos da série ganharão sua primeira versão eletrônica, com reprodução de documentos não incluídos na edição impressa. “Gaspari tem grande preocupação com o digital. O nosso projeto de e-books foi determinante para a negociação”, disse Jorge Oakim, publisher da Intrínseca.

Go to Top