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Game of Thrones: George R.R. Martin explica como O Senhor dos Anéis inspirou as mortes da série

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Autor contou como a clássica trilogia de Tolkien o impactou durante a adolescência.

Laysa Zanetti, no Omelete

“Se você é uma das seis pessoas do mundo que ainda não leram O Senhor dos Anéis, o que você está esperando?”

Fã confesso e convicto de J.R.R. Tolkien, o autor George R.R. Martin já confirmou mais de uma vez que a clássica trilogia do anel foi uma de suas maiores inspirações para escrever “As Crônicas de Gelo e Fogo”, obra que inspira a série Game of Thrones. Agora, Martin conta qual momento específico fez com que fosse tão fácil para ele matar personagens no mesmo ritmo em que bebemos água.

Em entrevista concedida à rede americana PBS, o escritor falou sobre o momento em que descobriu os livros de Tolkien, aos 13 anos. Ele cita a morte de Gandalf (ops, spoiler?) como um dos mais impactantes para ele à época.

“A maior invenção de Tolkien foram os personagens que lidam com a tentação do anel e o que fazer com ele. Todos eles estão em uma batalha dentro de de seus corações, que podem se ambientar em qualquer tempo e época da História do mundo”, compartilhou.

“E então Gandalf morre! Eu não consigo explicar o impacto que isso causou em mim aos 13 anos. Você não pode matar o Gandalf! Conan não morreu nos livros de Conan. Sabe? Tolkien simplesmente quebrou esta regra, e eu o amo por isso.”

Soa familiar?

Ned Stark

“No momento em que você mata o Gandalf, o suspense de tudo o que se segue é mil vezes maior. Porque, agora, qualquer um pode morrer!”

Hum…

Catelyn e Robb Stark

“É claro, isso causou um grande efeito na minha própria disposição de matar persoangens em um piscar de olhos.”

Entendemos, Martin, entendemos.

Ainda que O Senhor dos Anéis seja um clássico que inspirou dezenas de outras obras, a morte de Ned Stark na primeira temporada de Game of Thrones foi um marco na TV — tratava-se, afinal, do anunciado protagonista da série, morto na primeira temporada, e retirando toda a história do rumo tradicional que poderia ser imaginado. O fator suspresa, inclusive, foi um grande atrativo de audiência para a adaptação televisiva de As Crônicas, que chegará ao fim em 2019 com sua oitava temporada.

Enquanto isso, os leitores aguardam pelo lançamento do sexto livro da saga, “The Winds of Winter”. Ainda neste ano, chega às livrarias a primeira parte do livro “Fire & Blood”, que contará toda a história do reinado dos Targaryen, explicada brevemente no livro “O Mundo de Gelo & Fogo”.

Confira a entrevista abaixo.

Lya Luft lança novo livro que mescla ensaio, romance e ficção

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“Toda escrita é um desafio, mas pra mim é prazeroso", diz Lya Luft Foto: Divulgação

“Toda escrita é um desafio, mas pra mim é prazeroso”, diz Lya Luft
Foto: Divulgação

 

Em ‘A Casa Inventada’, a escritora gaúcha trata de fatos corriqueiros do cotidiano humano

Publicado no JCOnline

Era uma casa muito inventada essa de Lya Luft. Tinha teto, chão e paredes, mas os cômodos possuíam funções que vão muito além das utilitárias. A porta de entrada serve também para observar; o espelho para enxergar seu alter ego; a sala de estar é palco das alegrias e intrigas familiares, onde os não ditos às vezes revelam muitas coisas; o quarto das crianças representa as descobertas da infância e aquelas perguntas que deixam os adultos sem respostas; no porão, ficam guardas as dores das perdas, mortes e doenças; no pátio, a lucidez e a cotidianidade da vida tentam prevalecer; enquanto no jardim, último local por onde o visitante leitor passa, a morte deixa todos mais reflexivos. Ilusão ou soma de muitas experiências vividas?

A própria autora não se importa muito com a resposta a esta pergunta. Assim como em seus livros anteriores, a autora gaúcha tece reflexões sobre acontecimentos corriqueiros em A Casa Inventada, recém-lançado pela Record (112 páginas, R$ 29,90).
A obra é uma mescla de diversos gêneros literários, como romance, autobiografia, ensaio e até ficção surrealista. “Muitas coisas são fragmentos de lembranças trabalhados pela fantasia”, conta Lya, em entrevista por e-mail.

“Toda escrita é um desafio, mas pra mim é prazeroso. A maior parte do que escrevo é invenção, com pequenas doses de memória elaboradas pela imaginação. A realidade é uma sombra.” Conhecida por traçar muitas analogias em seus escritos, a sua casa inventada é, acima de tudo, uma grande metáfora da vida. Nela quase tudo se passa, desde as primeiras descobertas infantis às maiores perdas adultas, e questões existenciais são abordadas de maneira fluída através da vida da protagonista, uma menina sem nome, ao não ser por aquele dado pela sua amiga imaginária Pandora, outra protagonista da história.

A escolha de não nomear personagem é bastante coerente com as temáticas tratadas ao longo dos capítulos, já que são assuntos que abrangem o cotidiano de todos. “(…) o bom da vida são os desafios, o não entendido, e por favor – como já escrevi há muitos anos – não queiram me prender no alfinete da interpretação”, ela avisa na introdução. Cada capítulo – A Porta de Espiar, O Espelho de Pandora, A Sala da Família (e o biombo do silêncio), O Quarto das Crianças, O Porão das Aflições, O Pátio Cotidiano e O Jardim dos Deuses – é precedido de um poema, uma uma constante da vida e obra de Lya Luft.

Apesar dela não lançar um volume de poesias há alguns anos, sempre integra alguns versos em seus ensaios e romances. “Nunca parei de escrever poesia e gosto de abrir os capítulos com um poema, às vezes feito na hora, como um tipo de introdução para o leitor”, pontua.

VIDA E PERDAS

Nascida na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul, em 1938, Lya completou no último mês de setembro 79 anos e vem se dedicando à literatura há mais de 50. Formada em Pedagogia e em Letras Anglo-Germânicas, ela começou a carreira traduzindo antes de publicar. Em 1964, quando tinha 24 anos, escreveu o Canções do Limiar, livro de poemas, e 16 anos depois publicou seu primeiro romance, As Parceiras. Um de seus livros mais famosos data, entretanto, de 2003.

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Em Perdas e Ganhos, ela discorre sobre a passagem do tempo, o envelhecimento e a morte. Esta última, infelizmente, ultrapassou as páginas de seus livros e marcou alguns momentos de sua vida. Aos 49 anos, se viu viúva de seu segundo esposo e, aos 57, perdeu Celso Pedro Luft, seu primeiro marido e pai de seus três filhos, com quem tinha voltado a se relacionar. O amor conjugal voltou na vida da escritora há alguns anos quando ela conheceu o engenheiro e também autor Vicente Britto Pereira. Mas no início deste mês, ela perdeu seu filho André, vítima de um infarto.

“Acho que a vida tem mais valor se reconhecemos e admitimos tristezas e lutas, sem deixar de curtir as alegrias. Ou ficamos fúteis e infelizes”, analisa. Sobre estar completando mais de 55 anos de carreira, Lya ainda se identifica como fascinada pelo mundo e pelas pessoas. “Não tenho mais a pressa e agilidade da juventude, mas não perdi o gosto de viver e o assombro diante das coisas e do mundo. Atualmente, estou numa fase muito sombria em que procuro me isolar, pois acabo de perder tragicamente um de meus filhos. Mas não conheço revolta nem amargura: ele entrou no Mistério.”

Leia um trecho do livro:

“Os fios mais complicados, da trama maior e mais apertada – que pode ser rede de salvação, balanço de alegria tela de prisão –, são aqueles urdidos na família: onde tudo é mais complexo, mais obscuro, mais terno, mais amoroso, e às vezes mais cruel.
Onde mais nos sentimos abrigados ou julgados. Onde mais se comentem amores e injustiças. Onde os cuidados estendem braços amorosos, e o ciúme espreita sob pálpebras apertadas. Onde somos mais acompanhados, e mais sozinhos. Salvos ou condenados, euforia ou danação: família.

E a sala da família é o aposento que, como um arquiteto que mostra seu projeto, eu desenrolo agora: cenário de papel com muitos desenhos, móveis, quadros, tapetes, pessoas. A mesa de jantar. Na frente ela mais um grande espelho, que estranhamente tem um vago tom de rosa antigo.

Pandora não quer se revelar ali: ela acha, ao contrário de mim, que numa família só se desenrolam farsas. Mas eu sei que não.
– Deixa de ser cínica, Pandora.
Ela faz uma careta:
– Com família a gente só tem dois caminhos, amiga: cinismo ou ingenuidade. Você foi criada para acreditar em tudo. – E começou a desfiar, contando nos dedos: – Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Cegonha…
Ela gosta de me humilhar? Mas, se ela é meu reflexo, sou eu mesma que me humilho. Nem sempre concordo com ela.”

A intrigante história real por trás de ‘Alias Grace’, série baseada no livro de Margaret Atwood

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 Divulgação/Netflix Sarah Gadon protagoniza a minissérie baseada em ‘Vulgo Grace’, romance de Margaret Atwood

Divulgação/Netflix
Sarah Gadon protagoniza a minissérie baseada em ‘Vulgo Grace’, romance de Margaret Atwood

Dois assassinatos. Dois culpados. Apenas um é salvo da forca — e como gênero e classe influenciaram o desfecho disso tudo

Caio Delcolli, no HuffpostBrasil

Ao chegar em casa após dois dias fora, o fazendeiro Thomas Kinnear estranhou a ausência de sua governanta Hannah Nancy Montgomery. Naquele mesmo dia, 30 de julho de 1843, ele foi assassinado com um tiro à queima-roupa, dado com uma arma de cano duplo. Montgomery fora morta algumas horas antes, com uma machadada na parte de trás da cabeça, ao ser estrangulada.

Os corpos foram escondidos no porão da casa; o de Montgomery foi desmembrado e colocado sob uma grande banheira. Todos os itens de valor com os dois foram levados, assim como vários outros da casa. No dia seguinte, os corpos foram descobertos — e os culpados também: James McDermott, 20, e Grace Marks, 16, ambos empregados de Kinnear, estavam em fuga para os Estados Unidos. A imprensa dizia que eles eram amantes.

Embora os dois tenham sido condenados à morte em julgamento, apenas o rapaz foi enforcado. O crime, ocorrido no município de Vaughan, no então chamado Canadá Superior — hoje a região é conhecida como o estado de Ontário —, continua a instigar curiosidade. Não se sabe exatamente o papel que Marks teve nos assassinatos, mas é certo que ela participou deles. A garota foi sentenciada à prisão perpétua. Por que o júri a permitiu viver? Ela matou ou não matou o patrão e a governanta?

Você pode tirar suas próprias conclusões ao ler Vulgo Grace (Alias Grace, no título original), romance de Margaret Atwood que aborda o caso, ou assistir à minissérie baseada nele, que estreia na Netflix nesta sexta-feira (3).

“Grace Marks recebeu clemência porque foi capaz de ganhar a simpatia de um júri todo masculino por meio da bem-sucedida performance de gênero que ela fez”, defende a historiadora canadense Ashley Banbury.

“Ela usou o cavalheirismo e o protecionismo do sistema legal do Canadá do século 19 ao colocar-se como uma mulher ‘digna’ da proteção da lei.”

Banbury, quando estudante de história na Universidade Mount Royal, em Calgary, Alberta, escreveu um dos poucos artigos acadêmicos sobre o caso de Marks. Publicado no periódico Mount Royal Undergraduate Humanities Review, o texto baseia-se nos transcritos do julgamento, reportagens de jornais da época e o diário de uma mulher que visitou a garota na prisão.

A historiadora disse em entrevista ao HuffPost Brasil que usou “um pouco de lente feminista” para fazer a análise.

O que tornou Marks “digna” foi encaixar-se no preceito da “mulher ideal” daquela época: “virtuosa, casta, subserviente, modesta, bela e respeitável”. Banbury, hoje estudante de Direito na Osgoode Hall Law School, Toronto, defende no artigo que fosse vítima ou acusada, a mulher naquele tempo era pressionada a provar aderência a essas características quando dentro de um tribunal colonial.

O sistema legal, por sua vez, tornava-se mais simpático às prisões em vez de penas de morte — era uma maneira de os homens que faziam parte dele mostrarem o quão progressistas eles eram. Sujeitar mulheres à forca iria contra o então movimento de tornar o Canadá um país mais civilizado.

Grace Marks, basicamente, usou o sistema patriarcal contra ele próprio para escapar da pena de morte.

Netflix/Divulgação Imigrante da Irlanda, Grace Marks teve um pai alcoólatra e abusivo (na imagem, Sarah Gadon em cena da adaptação para a TV).

Netflix/Divulgação
Imigrante da Irlanda, Grace Marks teve um pai alcoólatra e abusivo (na imagem, Sarah Gadon em cena da adaptação para a TV).

Na ocasião, as coisas não estavam boas para o lado dela: ela era uma imigrante irlandesa de apenas 16 anos que não tinha raízes no país ao qual chegara apenas quatro anos antes. Ela vinha de uma família de mais cinco irmãos, cujo pai era alcoólatra e abusivo; a mãe morrera no navio durante a viagem. O histórico dela de estabilidade em empregos deixava a desejar também. Quando Kinnear a contratou, tratava-se do quinto emprego dela. Marks trabalhava para ele há menos de um mês quando o patrão e a governanta foram assassinados.

“Ela se retratou não apenas como a mulher ideal, mas também como vítima das maquinações de McDermott, acusando-o de ser o mentor dos assassinatos”, conta Banbury.

Durante o julgamento, a garota chegou a contradizer a “feminilidade” que demonstrava ter, ao confessar que não impediu o colega de assassinar Montgomery. Marks relatou, por exemplo, que em uma mesma noite em que ela dividiria um quarto com a governanta, McDermott disse que mataria Montgomery durante o sono com um machado.

“Eu supliquei que ele não a matasse naquela noite, senão poderia me acertar em vez dela”, contou Marks.

Ela também disse: “Pelo amor de Deus, não a mate no quarto, você vai deixar o chão todo ensanguentado”.

Não houve objeção ao assassinato e tampouco houve tentativa de avisar Montgomery.

Apesar disso tudo, deu certo: Nem o fato de Montgomery estar grávida, como foi descoberto na autópsia, e possivelmente do patrão, fez a garota ser condenada à morte pelo tribunal.

McDermott, por sua vez, tentou convencer a todos de que era o “homem ideal” daquela época: heterossexual, respeitável, com laços na comunidade e posse de propriedades. No entanto, o tiro saiu pela culatra.

“A falta de simpatia do júri por ele também ajudou Marks a evitar a execução”, diz a historiadora.

“Quanto mais ele a culpava pelos assassinatos, mais a comunidade (e até o advogado de defesa dele!) o culpava não apenas pelas mortes, mas por ‘coagir’ Marks a envolver-se nelas.”

Toronto Public Library Retratos de Marks e McDermott feitos no julgamento.

Toronto Public Library
Retratos de Marks e McDermott feitos no julgamento.

O artigo da canadense levanta que historiadores tendem a discordar a respeito da performance de gênero de mulheres em tribunais na época colonial, tomados pelo pensamento patriarcal e protecionista.

Acreditava-se que o dever do homem era proteger as mulheres — e eles precisavam ser vistos como homens pela sociedade. Algumas mulheres se valeram disso para fazer o papel da “mulher ideal” ou da “vítima perfeita” e, assim, obter a proteção dos homens. Era uma maneira de elas afirmarem a demanda delas por justiça.

Outros historiadores, por outro lado, afirmam que a necessidade de desempenhar uma performance de gênero em julgamento significava que os tribunais não eram capazes de proteger a maioria das mulheres.

Por ter sido quase impossível para elas terem todas as rigorosas características da “mulher ideal”, os julgamentos pendiam para performances de gênero. Assim, verificava-se o quão próxima do ideal a mulher estava — o que poderia ter um papel-chave no veredito. Muitas não consideraram ter acesso à julgamentos justos.

Grace Marks foi vista fazendo isso. Vizinhos e testemunhas a apoiaram. Para eles, era simplesmente impossível que uma garota jovem, bonita, trabalhadora e respeitável fosse capaz de matar alguém.

Após a condenação, ela foi enviada à prisão Kingscon Penitentiary para cumprir a pena.

A história da garota não para por aí. Uma vez encarcerada, ela continua a intrigar e refletir o pensamento patriarcal, violento e contraditório que permeava a sociedade canadense.

Toronto Publica Library Capa do transcrito do julgamento de Grace Marks e James McDermott.

Toronto Publica Library
Capa do transcrito do julgamento de Grace Marks e James McDermott.

Em artigo no periódico Canadian Woman Studies, a socióloga Kathleen Kendall, da Universidade de Southampton, do Reino Unido, levanta que após oito anos e meio de encarceramento, Marks começou a apresentar sinais de loucura.

O humor dela passara a oscilar da euforia à quietude e apreensão; ela dizia ver diariamente figuras estranhas invadirem seu corpo e deixou de dormir à noite para procurá-las em seu quarto.

Marks foi transferida para o manicômio Provincial Lunatic Asylum, em Toronto, no qual passou os 16 anos seguintes. Aos 20 e poucos anos, ela se tornara um dos primeiros prisioneiros do Canadá a serem chamados de “criminosos loucos”.

Kendall, cuja linha de pesquisa aplica o ponto de vista da sociologia na medicina, diz no artigo que naquela época os “loucos” começaram a ser identificados como um grupo de pessoas moralmente repreensíveis, dignas de serem presas.

As prisioneiras viviam uma contradição. Acreditava-se que mulheres eram seres moralmente puros por nascença e criminosas tinham dentro de si tanto a pureza quanto a corrupção moral — elas eram inocentes e culpadas, boas e más.

Eram vistas, portanto, como mais corruptas do que homens, porque haviam violado uma suposta lei natural. Ou eram apenas vítimas das circunstâncias. Kendall argumenta que, se pertencesse ao primeiro grupo, uma mulher “não havia deixado a graça, estava além dela”, mas “se estivesse no segundo, a virtude iria permanecer [nela]”.

O resultado dessa ambiguidade era o tratamento tanto negligente quanto paternalista que as detentas recebiam dentro de um sistema que, em tese, tinha como principal objetivo moralizar os criminosos, vistos como imorais.

Depois do período no manicômio, Marks voltou à penitenciária, com seu mundo de punições físicas e rigorosa disciplina. Após um total de 30 anos de encarceramento, ela foi perdoada e liberada por bom comportamento.

Registros da Kingscon Penitentiary contém um diálogo com ela na ocasião da libertação:

“Pergunta: Na sua opinião, quais são os melhores meios para se regenerar criminosos?

Resposta: Tratamento gentil.

Pergunta: Você acredita que sua prisão lhe foi benéfica de um ponto de vista moral e religioso? E que agora você está mais qualificada para se sustentar do que antes de entrar na prisão?

Resposta: Duvido.”

Ela se mudou para Nova York e acredita-se que tenha vivido lá até a morte.
Grace Marks segundo Margaret Atwood

Publicado em 1996, Vulgo Grace é finalista do renomado prêmio Booker e considerada uma das principais obras da escritora canadense. Trata-se de uma abordagem ficcional do caso, embora esteja embasada em pesquisa feita pela autora.

O psiquiatra Dr. Simon Jordan, personagem criado por Atwood, entrevista Grace Marks para conhecer a história dela. Há várias suspeitas de que a garota seja louca, pois ela tem episódios de histeria e não consegue se lembrar dos acontecimentos relacionados às mortes de Thomas Kinnear e Nancy Montgomery. Talvez ela seja apenas insana e nem tenha assassinado os patrões, afinal. Este é o ponto de partida para a narrativa de Vulgo Grace se desenrolar.

Em outubro deste ano, o romance ganhou nova edição da Rocco, que publica no Brasil as obras de Atwood. Geni Hirata, tradutora do livro, afirma que se trata de uma obra de ficção não convencional.

“E apesar de ter levantado todas as informações sobre o caso e não ter contrariado nenhuma delas, Atwood não desvenda os mistérios e enigmas de um duplo assassinato, nem provém respostas factuais”, conta.

“Um aspecto recorrente em Vulgo Grace e em outras obras da autora é a extrema dificuldade em se descobrir o que realmente aconteceu em determinada ocasião. Na realidade, sua ficção reflete questões mais amplas da condição humana, o controle opressivo da sociedade, condições de extremo desespero e privação, e a opressão feminina.”

O trabalho faz parte de uma leva de novas edições de livros da autora com projeto gráfico de Laurindo Feliciano. Começou em janeiro deste ano com Dicas da Imensidão — coleção de contos até então inédita — e em junho continuou com o clássico O Conto da Aia. Em 2018, sairão novas edições de Oryx e Crake e O Ano do Dilúvio, os dois primeiros volumes da trilogia de ficção científica/distopia MaddAddam; o último volume, também chamado MaddAddam, será publicado próximo do fim do ano.

Laurindo Feliciano/Rocco Nova capa de 'Vulgo Grace', feita por Laurindo Feliciano para a Rocco.

Laurindo Feliciano/Rocco
Nova capa de ‘Vulgo Grace’, feita por Laurindo Feliciano para a Rocco.

Ao ler Vulgo Grace pela primeira vez ainda adolescente, a cineasta e atriz canadense Sarah Polley, indicada ao Oscar de melhor roteiro adaptado por Longe Dela (2007), já queria adaptar o romance para o cinema.

Vinte anos depois, em 2012, foi anunciada a sonhada adaptação para longa-metragem, mas no fim, tornou-se uma minissérie — dirigida por Mary Harron (Psicopata Americano), escrita por Polley e com Sarah Gadon (Indignação) no papel de Grace Marks. Exibida em setembro pela emissora canadense CBC, Alias Grace chega ao catálogo mundial da Netflix agora em novembro.

Coincidentemente, a estreia ocorre no mesmo ano em que The Handmaid’s Tale (Hulu), série baseada em O Conto da Aia, causou enorme alvoroço e venceu oito Emmys, tornando-se uma das produções mais premiadas da cerimônia (a série chega ao Brasil no início de 2018 pelo Paramount Channel). Wandering Wenda (CBC), desenho animado infantil baseado em outro livro de Atwood, também teve estreia neste ano.

É incontornável falar da obra da escritora sem mencionar sua tradição de sempre contar histórias com personagens femininas no mínimo incomuns. Segundo Polley, enquanto em O Conto da Aia Atwood imagina uma (extrema) possibilidade, em Vulgo Grace ela aborda o quão longe os direitos das mulheres já chegaram. A roteirista acredita que, hoje, vivemos um momento entre essas duas histórias.

George Pimentel via Getty Images Sarah Polley, Margaret Atwood e Sarah Gadon no Toronto International Film Festival.

George Pimentel via Getty Images
Sarah Polley, Margaret Atwood e Sarah Gadon no Toronto International Film Festival.

“Essas questões são urgentes e fico feliz por essas coisas da Margaret estarem no mundo dessa maneira”, disse em entrevista à CBC News.

A escritora já viu a minissérie e aprovou. Ela disse, também à CBC News, que os roteiros de Sarah Polley são “poderosos”.

“Devo dizer que me deu pesadelos terríveis. Não me refiro aos que você tem quando acordado — O Conto da Aia me dá esses. Quando eu estava dormindo, [Alias Grace] me deu pesadelos.”

Os dois primeiros episódios foram exibidos em setembro no Festival de Toronto. Os comentários que circulam pela internet, além de elogios da crítica especializada, indicam que bem como The Handmaid’s Tale, a minissérie traz questões contemporâneas — mas, desta vez, no século 19. Discriminação de imigrantes, aborto e luta de classes são algumas, segundo o New York Times.

Com seis episódios de uma hora de duração cada, Alias Grace também tem no elenco Zachary Levi, Rebecca Liddiard e David Cronenberg.

O sequestro que inspirou Agatha Christie em Assassinato no Expresso do Oriente

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Publicado no Literatura Policial

Via The Sun – Sarah Barns – Assassinato no Expresso do Oriente, suspense que apresenta o detetive Hercule Poirot investigando um crime a bordo de um luxuoso trem transcontinental de passageiros, volta aos cinemas em uma nova adaptação, desta vez estrelando Kenneth Branagh, Johnny Depp, Penelope Cruz, Judi Dench, entre outras estrelas. Mesmo que a história ainda seja considerada um clássico após 80 anos desde sua publicação, muitos leitores não sabem que foi inspirada num evento da vida real.

Em 1927, o famoso aviador norte-americano Charles Lindbergh tornou-se o primeiro homem a fazer, sozinho, um voo transatlântico sem escalas no mundo. Cinco anos depois, seu filho de vinte meses, Charles Augustus Lindbergh, Jr, foi roubado do berço no meio da noite, na casa de Lindbergh em Nova Jersey. A imprensa acompanhou exaustivamente o caso, e os sequestradores exigiram um resgate de U$ 50.000 pelo retorno seguro da criança.

(Imagem: Literatura UOL)

(Imagem: Literatura UOL)

Os Lindberghs pagaram o resgate usando notas marcadas, na esperança de identificar os sequestradores posteriormente. Porém, o corpo de Charles Jr foi encontrado em decomposição na floresta apenas dois meses depois, a poucos quilômetros da casa da família. A polícia afirmou que a causa da morte teria sido uma fratura no crânio.

Durante esse período, Agatha Christie examinava histórias nos jornais em busca de ideias para suas próprias tramas. Em Assassinato no Expresso do Oriente, há claros paralelos entre o crime fictício e o da vida real, isso porque Agatha se inspirou nas circunstâncias desse sequestro ao descrever no livro o rapto de Daisy Armstrong, uma menina de três anos que é sequestrada e cuja família também paga um resgate, porém seu corpo é encontrado tempos depois. Segundo a escritora disse na época, ela incluiu mortes adicionais para aumentar a tragédia e também para fins de enredo.

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Quando Agatha escrevia Assassinato no Expresso do Oriente, em 1933, o crime ainda não tinha sido resolvido, mas em 1934 a polícia fez novas descobertas quando conseguiu rastrear o dinheiro marcado de volta a um imigrante alemão chamado Bruno Hauptmann, um investidor de Wall Street. Uma empregada inocente, Violet Sharp, foi levada ao suicídio depois que a polícia suspeitou que ela estivesse envolvida.

Tempos depois, Hauptmann foi julgado e condenado pelos crimes de sequestro e assassinato. Ele se declarou inocente até a morte, quando foi executado na cadeira elétrica da prisão estadual de Nova Jersey em 3 de abril de 1936.

Harry Potter: Teoria de fã sugere que morte de Dumbledore tinha sido revelada em O Prisioneiro de Askaban

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Em profecia da Professora Trelawney, livro trazia pista de que diretor de Hogwarts morreria em Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Vitória Pratini, no Adoro Cinema

Uma das mortes mais marcantes da saga Harry Potter certamente é a de Dumbledore (e, por favor, isso não é spoiler há muito tempo!) – vivido nas telonas por Michael Gambon, Richard Harris e, em breve, por Jude Law na franquia Animais Fantásticos.

É sábido que J.K. Rowling deixou inúmeras pistas ao longo dos livros – e filmes – sobre alguns momentos-chave de Harry Potter, assim como o desfecho de alguns personagens. Em A Câmara Secreta, por exemplo, conhecemos o diário de Tom Riddle, que era uma horcruxe, termo do qual os fãs (e os protagonistas) nunca tinham ouvido falar e sua importância só foi revelada em O Enigma do Príncipe.

Por essa lógica, será que a autora poderia ter indicado a morte de Dumbledore bem antes de ele ser atingido por Severo Snape (Alan Rickman) e atirado da Torre de Astronomia em O Enigma do Príncipe? De acordo com uma teoria que anda circulando no Reddit, a resposta é sim.

O usuário xAnuq recentemente descobriu uma pista que sugere que Rowling insinuou a morte do diretor de Hogwarts no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, através de uma previsão da professora Sibila Trelawney (interpretada nos cinemas por Emma Thompson).
Warner Bros.

A história é a seguinte: em seu terceiro ano na escola, Harry (Daniel Radcliffe) e Rony (Rupert Grint) decidem passar o Natal em Hogwarts. Então, eles são convidados para um jantar com Dumbledore, Trelawney e outros.

Quando a professora de Adivinhação se aproxima da mesa que tem 12 pessoas sentadas, ela surta e diz que se recusa a se unir a eles, “prevendo” o seguinte:

“Se eu me juntar à mesa, seremos treze! Nada poderia ser dasafortunado! Nunca se esqueça que, quando treze jantam juntos, o primeiro a se levantar, será o primeiro a morrer!”.

Na cena do livro, ninguém prestou muita atenção ao “ataque” de Trelawney, mas Dumbledore se levanta a fim de acalmar sua colega.
Warner Bros.

A teoria comenta um fato interessante: quando a professora de Adivinhação se aproxima, ninguém percebe que treze pessoas já estavam sentadas à mesa – mais tarde, no livro, descobriríamos que Pedro Pettigrew (vivido nas telas por Timothy Spall) estava no bolso de Rony o tempo todo, disfarçado como o rato Rabicho; afinal, o bruxo o carregava no bolso para todo canto.

A presença de Pettigrew aumentaria, então, o número de pessoas sentadas para treze. Logo, quando Dumbledore se levanta, ele cumpre a profecia de Trelawney. Esse pode ter sido o ponto que determinou o destino do diretor e as consequências da profecia da professora.

E você, o que acha dessa teoria?

Vale lembrar que Animais Fantásticos 2 chegará aos cinemas em novembro de 2018.

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