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5 Adaptações literárias que chegam à TV, devido o sucesso de ‘Game of Thrones’

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Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Lá se foram quatro temporadas e o sucesso da série ‘Game of Thrones’ da HBO continua crescendo assustadoramente. A cada ano que passa, o programa vem ganhando mais e mais adeptos e ficando cada vez mais popular, chegando a superar o seriado The Sopranos como o mais assistido da rede. Para os fãs de fantasia medieval que sempre aclamaram por algo bem feito dentro do estilo, chega a ser uma homenagem por tanto tempo de espera. Durante anos sofremos com péssimas adaptações dos nossos livros e quadrinhos favoritos, com produções tão diluídas, que tínhamos que usar muita imaginação para reconhecer os elementos comuns dentro da história.

Mas, finalmente, com a série ‘Guerra dos Tronos’, as produtoras abriram os olhos para o gênero, viram que é um excelente negócio, e só agora parecem dispostos a investir o que for necessário para encontrar um sucessor para a saga criada por George RR Martin.
Com um corredor aberto para novas adaptações literárias, confira abaixo a lista com alguns livros que estão embarcando nesse sucesso e ganharão uma versão para a TV em breve. Quem sabe o seu livro favorito não é o próximo…

 

✔ Outlander, de Diana Gabaldon (estreou este mês)

O produtor executivo da série já confirmou em entrevistas que o sucesso desempenhado por Game of Thrones foi vital para tornar Outlander viável para a TV. Isso porque a história possui todos os elementos característicos para atingir a mesma glória: Um cenário ricamente descrito (Escócia do século 18), uma narrativa convincente sobre os personagens e um toque sútil de magia. O último livro da série alcançou rapidamente a lista de mais vendidos do New York Times, e os comentários inicias parecem ser muito bons.

 

✔ A Espada de Shannara, de Terry Brooks (estréia em 2015 na MTV)

Ao longo das últimas três décadas, Terry Brooks já escreveu mais de vinte romances baseados na terra mítica de Shannara, a maioria deles best-sellers. É um pouco surpreendente que tenha demorado tanto tempo para que uma adaptação chegue até as telas. É aí que a MTV, ansiosa para ganhar algum dinheiro com o universo de espadas e dragões, resolveu produzir uma versão do segundo livro da série, que conta uma história independente e se concentra em um elenco jovem de heróis. Com o autor envolvido com o processo do projeto e a equipe de Smallville por trás na produção, parece que finalmente teremos uma vertente da Terra de Shannara adaptada para a televisão.

 

✔ Os Magos, de Lev Grossman (em desenvolvimento pela SyFy)

A trilogia obscura de fantasia criada por Lev Grossman, vem sendo considerada uma versão sombria e mais adulta do mundo de Harry Potter. Inicialmente imaginada para ir as telas dos cinemas, a FOX acabou decidindo fazer uma série adaptada pelo seu canal SyFy. Ansiosos para construir uma futura reputação de seriados de fantasia, a produção conta com o roteirista de Sobrenatural que já está desenvolvendo os primeiros episódios encomendados, ainda sem previsão de lançamento.

 

✔ Deuses Americanos, de Neil Gaiman (em desenvolvimento pela Starz)

Assim que tomou ciência do sucesso inicial de Game of Thrones, logo a HBO pensou em investir na fantasia moderna sobre os deuses esquecidos de Gaiman para o seu próximo lançamento. Mas apesar de vários anos em desenvolvimento e diversos rascunhos na prancheta, um episódio piloto nunca chegou a ser produzido. Bem, tanta enrolação acabou fazendo a HBO perder os direitos do livro, que foram adquiridos pela Starz. Agora o roteiro já está em desenvolvimento e a produção da série já é dada como certa.

 

✔ Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell (em desenvolvimento pela BBC)

Uma série que contará a história de Alfredo, o Grande, e seus descendentes. Cornwell reconstrói a saga do monarca que livrou o território britânico da fúria dos vikings, vista pelos olhos do órfão Uthred, que aos 9 anos se tornou escravo dos guerreiros no norte, surge uma história de lealdades divididas, amor relutante e heroísmo desesperado. Nascido na aristocracia da Nortúmbria no século IX, Uthred é capturado e adotado por um dinamarquês. Nas gélidas planícies do norte, ele aprende o modo de vida viking. No entanto, seu destino está indissoluvelmente ligado a Alfredo, rei de Wessex, e às lutas entre ingleses e dinamarqueses, e entre cristãos e pagãos. A BBC já encomendou 8 episódios para a primeira temporada, que receberá o mesmo título do livro. A direção será de Stephen Butchard.

Juli Zeh – A escritora com muitas qualidades

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Rafael R., no Casmurros

Conheci o livro de Juli Zeh por causa de uma propaganda que eu vi na MTV. Durava quase dois minutos e tinha como trilha sonora a bombástica canção “Movement”, do LCD Soundsystem. Ao final, aparecia em letras garrafais o título A menina sem qualidades.

Talvez você não saiba, mas esse esse título faz referência direta ao livro O homem sem qualidade, de Robert Musil, considerado por dez entre dez críticos como a maior obra literária do século XX. Tudo o que você quiser saber sobre esse catatau de 1280 páginas, muito mais comentado do que propriamente lido, está espalhado na internet em resenhas, análises, comentários etc. Sua beleza está escondida num complexo emaranhado de referências políticas, econômicas e culturais do período que antecipa a Primeira Guerra Mundial. Musil queria fazer um livro sobre todas as coisas que existiam no mundo, a coisa levou anos e tomou proporções gigantescas até que seu editor recortou uma parte do projeto e publicou um livro quase enciclopédico por onde desfilam toda a sorte de personagens e histórias. Tem muito humor, apesar de parecer cabeçudo.

Pois bem, a obra de Musil entrou em domínio público justamente em 2013 e quando vi a chamada na TV achei que fosse alguma homenagem. Foi assim, que cheguei em Juli Zeh. Na verdade, o livro foi publicado em 2004 e descobri que o título em alemão não é Das Mädchen ohne Eigenschaftenseu, mas Spieltrieb – uma daquelas famosas palavras alemãs que são bem difíceis de traduzir. Muito sabiamente, a edição em português traduzida por Marcelo Backes, tem um apêndice com diversas notas explicativas (que ajudam muito o leitor) e inclui uma rápida explicação do tradutor para a adoção do título. Lá, Backes conta que o título, em tradução literal, a tal palavra em alemão significa algo como ‘lidicidade’ ou ‘pulsão para o jogo’. Acho que as duas possibilidades estariam aquém da beleza da história e dariam ao livro um ar um tanto esquisito. Foi comparando com outras traduções que Backes descobriu a versão francesa com o título de La fille sans qualités. Fazia todo o sentido, na medida em que o livro é quase uma atualização (uma releitura, uma homenagem, um estudo) ao livro de Robert Musil. Além disso, a escolha ajuda na circulação do nome de Juli Zeh – uma revelação da literatura alemã contemporânea inédita no Brasil, até então.

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O enredo gira em torno do jogo perverso estabelecido por dois adolescentes Ada e Alev contra seu professor Smutek. Ela tem uma inteligência acima da média, leu todos os clássicos mais importantes da literatura aos 16 anos e sente um vazio existencial incapaz de ser preenchido. Ele encarna o duplo perfeito dela no desprezo pelas pessoas e pelo mundo. Juntos eles começam a seduzir e chantagear Smutek, um professor muito popular no colégio em que estudam.

Tal qual Musil, A menina sem qualidades é ambicioso, um liquidificador de referências culturais da música pop e da literatura tendo como mentores Musil e Vladimir Nabokov – o nome da protagonista Ada tem ligação com o romance Ada ou ardor, de Nabokov. De modo resumido, o enredo funciona como uma espécie de sátira sobre os dilemas da crítica ao mundo contemporâneo (o grande vazio de sentido que ronda as pessoas, a crise de identidade, os problemas econômicos etc.), e sobre as dificuldades da adolescência.

Muito viram uma filiação a tradição alemã de livros tendo jovens adolescentes como tema principal: vai desde a peça O despertar da primavera, de Frank Wedekind a Debaixo das rodas, de Herman Hesse; passando inclusive por outro livro de Musil, O jovem Törless.

A menina sem qualidades teve tanto impacto que já ganhou uma versão para o teatro e para o cinema. Foi Marcelo Backes quem sugeriu para o diretor Felipe Hirsch a adaptação para a série da MTV. A trilha sonora conferiu um ar demasiado ‘cult’. No livro, a banda favorita de Ada é Evanescence.

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