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Publicado em EBC

A Campus Party Brasil de 2015 tem realizado, desde a última terça-feira (3/2), palestras e workshops sobre os mais diversos assuntos relacionados à tecnologia, internet e ciência. Um dos convidados internacionais desta edição foi Paul Zaloom, apresentador do programa “Mundo de Beakman”, que fez sucesso no Brasil no final dos anos 1990 ao ser transmitido pela TV Cultura.

O “Mundo de Beakman” trazia em cada episódio curiosidades, conceitos e experimentos relacionados à ciência, física e química. Todos os temas eram ligados ao cotidiano, com exemplos que podiam ser testados em casa pelos telespectadores. O Sala conversou com Zaloom após sua palestra, lembrando o programa que atraía crianças e adolescentes e falando como professores podem usar programas de televisão para chamar a atenção de sues alunos.

Paul Zaloom afirma que a mistura de arte, pesquisa e ciência em meio ao humor era o segredo para o sucesso de seu programa. Ele fala que é um privilégio poder trabalhar colaborando com os professores. “Eles têm o trabalho difícil, eles não podem ser divertidos o tempo inteiro”, lembra o criador do personagem Beakman.

Sala – Nos anos 90, você foi o “professor cientista maluco” que fez todas as crianças acreditarem que elas poderiam ser cientistas também. Hoje em dia, com as facilidades oferecidas pela tecnologia, jovens adultos e crianças são reais cientistas, realizadotes, etc. Você acredita que se houvesse mais programas de TV como o “Mundo de Beakman”, poderia motivar crianças a criar mais nesta atmosfera inovadora que estamos vivendo?

Zaloom – Sim, quanto mais melhor. Acredito que qualquer programação deste tipo pode motivar crianças e adultos a serem criativos, pensar em diferentes formas, e tudo isso é importante e maravilhoso. Precisamos de um número maior de bons programas para as crianças; para que elas possam por exemplo pegar uma bola e ir até onde elas quiserem com isso.

Sala – Você fez um belo trabalho unindo ciência e entretenimento no seu programa de TV. Dê o seu segredo, como podemos fazer isso?

Zaloom – O segredo do nosso programa foram os nossos roteiristas e pesquisadores. Eles fizeram um trabalho incrível de abordar coisas complexas de forma simplificada. Houve, também, muitos de nós envolvidos no aspecto cômico de tudo, e um pessoal com um forte senso visual; o cenografista e o diretor de arte eram excelentes artistas visuais. Acho que muita arte, pesquisa, ciência e todas essas coisas nos uniram com muito humor. Isso era o nosso segredo.

Sala – Vocês não planejavam muito todo o programa?

Zaloom – Havia planejamento, mas em televisão essas coisas não funcionam muito. Então não havia muito ensaio. Tínhamos uma média de dois dias de ensaio e três dias filmando, e medade de um desses dias era de leitura de roteiro. A gente treinava antes só o que achava que seria difícil, e a maior parte das vezes para combinar as câmeras, nada para atuar ou seguir um roteiro certinho.

Sala – Então é possível fazer isso em sala de aula?

Zaloom – Claro! Eu acho que os professores têm um trabalho realmente difícil; que eu não conseguiria fazer, acho que ficaria louco. Tenho uma verdadeira admiração por professores. Acredito que muitos de nós no programa sentíamos que o que estávamos fazendo era para colaborar com os professores; nós não estávamos competindo com eles ou algo assim. Estávamos abrindo as portas e deixando as pessoas entrarem, mas são os professores que têm o trabalho difícil, eles não podem ser divertidos o tempo inteiro. Eles são os que estão nas “linhas de frente” e é ótimo ter um trabalho de colaboração. Eu diria um “alô” para os professores porque o mundo precisa muito deles e “vocês deveriam ser mais bem pagos”!