Liz Calder fez declaração durante última mesa do evento, no domingo.
Este ano ficou marcado pelo tema protestos e três cancelamentos de autores.

Publicado no G1

 

No último dia da  11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Logo após o encerramento da 11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Liz Calder, idealizadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), confirmou que a próxima edição do evento acontecerá em agosto de 2014 – normalmente acontece em julho. Ela fez o anúncio durante o encerramento da 11ª Flip, na “Mesa de cabeceira”. O diretor-geral Mauro Munhoz já havia falado durante coletiva na tarde deste domingo que a 12ª Flip provavelmente seria adiada para agosto por conta da Copa do Mundo.

O evento chegou ao final na noite deste domingo (7), comemorando o fato de ter sido “tão harmônica e tranquila nesse momento de manifestações”, declarou o diretor-geral Mauro Munhoz durante entrevista coletiva. No entanto, os protestos foram o centro das atenções neste ano, cuja programação ganhou três mesas somente sobre a situação atual política brasileira, com muita participação da plateia. Além disso, o assunto foi abordado em meio a outros debates literários e os próprios paratienses organizaram suas reinvidicações.

Outra questão da 11ª Flip foi a desistência de três autores estrangeiros: o francês Michel Houellebecq e o norueguês Karl Ove Knausgård, por “problemas pessoais”, e o egípcio-palestino Tamim al-Barghouti, por “extravio de passaporte”. “Os cancelamentos são muito chatos e não tem como controlar. Tentamos manter contato regular com o autor para ter certeza de que ele não mudou de ideia, mas, quando acontece em cima da hora, não tem o que dizer além de insistir e contornar. Mas encontramos boas substituições. Fiquei feliz que o T.J. Clark topou fazer uma aparição extra”, contou.

Por conta disso, o curador Miguel Conde afirmou não ter tido tempo de pensar na próxima edição. “Ainda não temos um autor homenageado escolhido para o ano que vem. Essas semanas foram corridas e ainda está em aberto. Pensamos em vários nomes, mas isso vai ter de ser conversado”, declarou. Munhoz disse que Mario de Andrade, Lima Barreto, Rubem Braga ou “talvez alguma mulher” sejam as possibilidades.

O evento homenageou o romancista alagoano Graciliano Ramos, o que o curador considerou “adequado para este momento político”. “Nos outros anos tivemos Gilberto Freyre e Nelson Rodrigues, mas o Graciliano não é apenas um escritor que teve uma atuação de militância, mas cuja obra se define com essa preocupação. É um escritor que pensa as implicações do seu próprio lugar como intelectual no Brasil”, disse.

(mais…)