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Posts tagged Nacional Socialismo

O escritor Tolkien

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Tolkien para além do turismo na Nova Zelândia, nacional-socialismo dos ogros e elfos católicos.

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Ramon S. Nunes, na Obvious

“Receio que eu esteja me atrasando cada vez mais com coisas que deveria fazer; mas não tem sido um bom ano. Foi apenas no final de agosto que me livrei do problema com meu ombro e meu braço direito. Percebi que não ser capaz de usar uma caneta ou um lápis é para mim tão frustrante quanto seria a perda do bico para uma galinha. Com os melhores votos,”

É conhecido o Tolkien criador de uma mitologia inglesa, o buraco de hobbit na folha em branco e a denúncia do industrialismo para o elogio de Beatles e hippies. São informações verdadeiras em algo e rasas. Alguns acrescentam orcs nazistas e Virgens Marias Élficas.

Tolkien foi um inglês. Nascido na África. Católico no sentido original da palavra Katolikos. Soldado poeta e professor de antiguidades. Tinha, como Bilbo, o mesmo prazer pela vida rural do “velho oeste do mundo”, um Bolseiro (Baggins), ou Suffield, e também um Tolkien, Tûk e Took, interessado desde pequeno no mundo e nas coisas contadas pelos homens; Homens, Histórias e Mitologias. Vida longa e difícil, duas guerras mundiais, carreira universitária respeitável, estar no alicerce da literatura popular junto de autores bem diferentes dele como Henry Miller, Ian Fleming e Poe. Mas o Tolkien escritor não será encontrado em uma formal análise de sua biografia.

Em Tolkien temos a grandeza longínqua de um mundo inteiro. Nas Cartas de Tolkien editadas por seu filho Christopher e no ensaio On Fairy-Stories (Sobre Histórias de Fadas, Conrad 2006) o próprio Tolkien conversa sobre a sua fortuna literária. Contrapartida, analistas como Corey Olsen colaboram para um olhar distante e crítico (Explorando o Universo do Hobbit, Lafonte 2012). Leituras que servem para sair do “Tolkien alegórico” dos hobbits no papel e hippies.

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“Minhas opiniões políticas tendem cada vez mais para a anarquia (filosoficamente compreendida como significando a abolição do controle, não homens barbados com bombas) — ou para a monarquia “inconstitucional””

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Um típico jovem eduardiano (Carta 43) bucólico e sentimental (Carta 45) que precisou enfrentar os horrores da guerra de trincheiras e ver o filho em uma guerra nuclear (Cartas 78, 131, 181). Um choque muito grande e que contribuiu para a sua visão católica (45, 52, 96, 153) de um inerente declínio (5, 53) da Cidade dos Homens, a sociedade em geral, apesar dos esforços possíveis dos bons, simples e justos. Ou daqueles que tentam ser bons, simples e justos no mundo decadente. Também um homem sociável, amante da troca de experiências literárias e dos clubes (132, 350), entusiasmado pelas lendas arturianas (222) e pela literatura de ficção. Apesar de inimigo do comercialismo voraz (13, 79) – e até do tipo de tratamento que a sua obra recebe e é vista por muitos (capítulo Crianças do seu ensaio). A dolorosamente longa e individual escrita de sua “mitologia” (25, 59, 137, 248, 259) como uma jornada de vida como a de Frodo. E uma advertência: não tentem me reduzir! (163, 229, 346).

A Fantasia aspira à destreza élfica, o Encantamento, e quando bem-sucedida aproxima-se mais dele do que todas as formas da arte humana. No coração de muitas histórias de elfos feitas pelos homens reside, aberto ou oculto, puro ou misturado, o desejo por uma arte subcriativa viva e realizada, que (por muito que se lhe assemelhe no exterior) é internamente bem diferente da avidez por poder centrado em si mesmo que é o sinal do simples Mágico. E desse desejo que os elfos, em sua melhor parte (mas ainda assim perigosa), são feitos principalmente. E é deles que podemos aprender o desejo e a aspiração central da Fantasia humana – mesmo que os elfos sejam, e ainda mais na medida em que sejam, somente um produto da própria Fantasia. O desejo criativo só é enganado por imitações, sejam os artifícios, inocentes, mas desajeitados, do dramaturgo humano, sejam as fraudes malévolas dos mágicos. Nesse mundo, para os homens, ele é impossível de ser satisfeito, e portanto imperecível. Incorrupto, ele não busca ilusão nem feitiço ou dominação, mas enriquecimento compartilhado, parceiros no fazer e no deleite, não escravos

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John Ronald Reuel Tolkien foi um poeta da guerra. Cadete da King Edward’s School (foto de 1907), veterano da Batalha do Somme. Companheiro em armas dos sentimentos de Wilfred Owen, Sassoon, Isaac Rosenberg e Robert Graves. Da ortodoxia de Chesterton. Em seus pensamentos, George MacDonald, C.S. Lewis, Andrew Lang, a visão de um “oeste gentil” pelo qual lutou e escreveu, fantasiou no mais alto sentido, toda a vida: sua mitopeia.

Tolkien não foi o pai da mitopeia, os discursos platônicos talvez, porém o seu conceituador. Uma “mitologia menor”, criação secundária de um subcriador, uma pequena realidade estética, um pequeno mundo dentro do mundo maior, consistente e abrangente, não uma alegoria, a reconstrução voluntária e individual do ímpeto fantástico com o qual todas as narrativas épicas e religiões compartilham origem. Os nossos atuais “universo expandido de”, “mundinho”, “suspensão de descrença”, “consistência interior”, além, “arte multimídia”, “universo compartilhado”. Ele clarifica toda a literatura de ficção, o mundo não é assombrado por demônios e sim por perspectivas do Deslumbramento e do fantástico (sendo para ele a ressurreição de Cristo a fantasia soberana). O conceito dele de eucatástrofe merece não só um artigo como um livro inteiro, assim como o evangelium. Ele também consolidou o uso atual das mitologias setentrionais (northern, não nordic) com o seu conceito de elfos (fadas), orcs (goblins) e cenários. Do Material da Bretanha e dos ciclos escandinavos reimaginou um cenário fantástico comum largamente utilizado em livros, jogos e filmes (mitopeia). Muito além dos seus próprios intentos ele redefiniu uma grande camarada da literatura popular, a ficção fantástica. Um hobbit para todos surpreender*.

“Nascemos em uma era sombria fora do tempo devido (para nós). Porém, há este consolo: de outro modo não saberíamos, ou muito amaríamos, o que amamos. Imagino que o peixe fora d’água é o único peixe a ter uma noção da água”

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Ken Follett: “Se o leitor se envolve emocionalmente, o livro vira sucesso”

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Publicado na Época

O escritor de “Os pilares da Terra” lança no Brasil “Inverno do mundo”, o segundo volume de uma trilogia sobre o século XX

O escritor Ken Follet na Espanha
(Foto: Carlos Alvarez/Getty Images)

Idade Média, século XX, hoje em dia como em qualquer outro dia, não há limites para a imaginação do escritor galês Ken Follett. Ele é um dos autores mais vendidos do mundo. Em 27 anos de carreira, lançou 21 romances e já vendeu mais de 500 milhões de exemplares em 35 idiomas. Aos 63 anos, ele acaba de lançar simultaneamente em 18 países o romance Inverno do mundo (editora Arqueiro, 880 páginas, R$ 59,90, tradução de Fernanda Abreu). É o segundo volume da trilogia O século, iniciada há dois anos com Queda de gigantes.

Trata-se de uma saga em construção sobre as conturbações do século XX, entre guerras, revoluções, transformações sociais e culturais. O narrador em terceira pessoa acompanha simultaneamente o destino de cinco famílias – americana, alemã, russa, inglesa e galesa –, que se altera e se entrelaça diante das transformações por que passa o mundo. Se o primeiro volume narra a imigração e a Primeira Guerra Mundial, o segundo aborda a ascensão do nazismo. O livro é ambientado no ano de 1933. Em Berlim, a jovem Carla Von Ulrich testemunha a ascensão de Hitler e o envolvimento de sua família com o Nacional Socialismo. É o momento do exílio, que leva Carla a conhecer os personagens que desfilam pelo livro em blocos narrativos paralelos.

>>Mais entrevistas

Follett já abordou a Idade Média na série Os pilares da Terra – que foi adaptada com sucesso para a televisão. Ficou famoso com romances policiais, gênero no qual desenvolveu uma narrativa que hoje é seguida por diversos aspirantes a escritores de sucesso. Em entrevista a ÉPOCA, dada por e-mail, Ken Follett afirma que o ser humano é fundamentalmente o mesmo, não importando a época e as condições políticas e econômicas em que viveu ou viverá.

>>Notícias sobre livros

ÉPOCA – Por que o senhor escolheu enfrentar um assunto tão complexo e grandioso como o século XX, após ter abordado a construção das catedrais na Idade Média em Os pilares da Terra?
Ken Follett
– O século XX é o mais dramático da história da humanidade, com duas grandes guerras e a crise da bomba atômica. Também é o século em que a maior parte dos meus leitores nasceu. É a história de todos nós: quem somos e de onde viemos.

Inverno do Mundo (editora Arqueiro, 880 páginas, R$ 59,90, tradução de Fernanda Abreu) (Foto: Reprodução)

ÉPOCA – Qual foi o maior desafio para abordar as turbulências do século XX e, ao mesmo tempo, fazer um retrato da vida íntima de uma galeria de dezenas de personagens que desfilam pela trilogia O século?
Follett
– Como sempre, o desafio é mostrar a história como parte da vida diária de homens e mulheres.

ÉPOCA – É mais difícil criar personagens e cenários na Idade Média ou no século XX?
Follett
– Não é muito diferente. O mundo mudou bastante desde a Idade Média, mas as pessoas são fundamentalmente as mesmas. As pessoas da Idade Média e as de hoje possuem as mesmas paixões e medos.

ÉPOCA – Como o senhor descreve o método de narrar e criar personagens que o senhor desenvolveu ao longo da sua carreira?
Follett
– Meu método é planejar o livro nos mínimos detalhes antes de escrevê-lo. Isso me ajuda a garantir que haverá sempre um motivo para virar a página e continuar a ler a histórias. Desenvolvi minha maneira de narrar, baseando-me em autores de todos os tempos. Às vezes eles têm ideias e técnicas que eu posso adaptar facilmente. Mas há ocasiões em que só me espanto, sem conseguir adaptar coisa alguma.

ÉPOCA – Qual o segredo para contar uma história que provoque entusiasmo e criar um romance de sucesso nos dias de hoje?
Follett
– A única coisa que importa é que o leitor se envolva emocionalmente com o enredo. Ele ou ela precisa sentir a ansiedade, o medo, a raiva e outras emoções. Se a história consegue fazer isso, será um sucesso popular.

ÉPOCA – O senhor acha que as novas possibilidades tecnológicas, como e-books, tablets e leitores digitais, estão pondo em risco a vida literária tal como a conhecemos?
Follett
– Acredito que a tecnologia oferece uma oportunidade para nós no mundo dos livros. Ela vai levar nosso trabalho a mais pessoas. Não temos nada a temer com a tecnologia.

ÉPOCA – Escrever para o senhor é uma busca ou é pura diversão? Qual o seu objetivo quando o senhor escreve?
Follett
– Meu objetivo é deixar o leitor tão interessado na história que ele vai acabar preferindo o mundo imaginário ao real, e ficar desapontado quando chegar o momento de fechar o livro e ir dormir.

ÉPOCA – O senhor já cogitou em escrever uma narrativa “intelectual” e experimental? E em voltar aos livros de suspense?
Follett –
Nunca pensei em ser experimental. Voltar ao suspense, talvez, um dia.

ÉPOCA – Que tipo de interação e relacionamento o senhor mantém com seus leitores?
Follett
– Eu recebo cartas, e-mails e tweets dos meus leitores, e respondo a todos eles.

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