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Para escrever melhor, é preciso ler melhor. O que isso significa?

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Estudo identificou que textos considerados “melhores” eram sempre produzidos pelos alunos que liam diários e publicações acadêmicas, ficção literária ou não-ficção - Foto: Caleb Roenigk/Creative Commons

Estudo identificou que textos considerados “melhores” eram sempre produzidos pelos alunos que liam diários e publicações acadêmicas, ficção literária ou não-ficção – Foto: Caleb Roenigk/Creative Commons

 

Pesquisadores descobrem que leituras mais complexas produzem escritores melhores. Mas ‘escrever bem’ é um conceito subjetivo

Ana Freitas, no Nexo

“Leia e escreva mais” costuma ser o conselho base para aqueles que questionam qual a melhor estratégia para aperfeiçoar a habilidade de escrever. O senso comum diz até que não importa o que um jovem estudante leia, contanto que ele esteja lendo, já que isso seria fundamental para consolidar o hábito de leitura.

Em maio de 2016, pesquisadores da área de negócios e administração de várias universidades norte-americanas resolveram investigar os hábitos de leitura de estudantes universitários e compará-los à qualidade dos textos desses estudantes.

O estudo foi publicado pelo “International Journal of Business Administration” e identificou que a leitura é um fator mais importante na determinação de uma escrita de melhor qualidade do que os exercícios de redação, por exemplo: os materiais considerados “melhores” eram sempre produzidos pelos alunos que liam diários e publicações acadêmicas, ficção literária ou não-ficção.

Depois deles, vinham os estudantes que liam ficção, fantasia e mistério. Por último, o estudo concluiu, ficaram os jovens alunos cujos hábitos de leitura se limitavam a conteúdo leve, produzido para a web, como o de sites como Buzzfeed, Reddit e Tumblr.

As descobertas ecoam as recomendações da escritora Susan Reynolds, autora do livro “Fire Up Your Writing Brain: How to Use Proven Neuroscience to Become a More Creative, Productive, and Successful Writer” (“Acenda seu cérebro de escrita: como usar neurosciência comprovada para se tornar um escritor mais criativo, bem-sucedido e produtivo”), lançado em 2015.

Em seus artigos e no livro, ela costuma recomendar o que chama de “deep reading”, “leitura profunda”, para quem deseja escrever “melhor”. Reynolds se refere, segundo ela, a textos que exijam leitura lenta, imersiva, que sejam ricos em detalhes sensoriais, complexidade emocional e moral.

O que é escrever melhor?

O estudo atribuiu classificações mais altas de qualidade para textos de acordo com a complexidade da frases. Frases com sintática mais sofisticadas foram observadas entre os leitores de textos acadêmicos, não-ficção e ficção literária, e portanto, esses foram considerados os melhores escritores.

Essa definição, no entanto, não dá conta da subjetividade contida em avaliar uma boa escrita. Talvez se aplique a textos destinados à produção acadêmica; mas a definição de ‘escrever bem’, geralmente, varia de acordo com o público alvo do texto e o propósito dele.

Professores de língua portuguesa do ensino fundamental defenderiam que “escrever bem” é conseguir compôr textos usando todos os elementos da norma culta; mas esse critério tiraria da lista de bons escritores José Saramago, por exemplo. O mais proeminente escritor contemporâneo em língua portuguesa tem livros inteiros sem vírgula ou ponto final, por exemplo.

“A qualidade do que é ‘bom’ em literatura, como em qualquer arte, jamais pode ser colocada em termos absolutos. Agora, sobre ‘escrever bem’, é possível avaliar objetivamente se um texto não tem erros de gramática, ortografia e estilo. Ainda assim, um livro pode ser bem escrito e ser uma obra absolutamente irrelevante”, reflete o escritor João Paulo Cuenca, que tem cinco livros publicados e é colunista do jornal “Folha de S. Paulo”.

Na técnica jornalística, costuma-se avaliar que “escrever bem” está relacionado com a habilidade de redigir frases curtas, diretas, claras, com vocabulário preciso, mas nunca desnecessariamente sofisticado.

O escritor norte-americano Mark Twain, autor de “As Aventuras de Tom Sawyer”, é considerado um dos maiores escritores de língua inglesa de todos os tempos. Ele é conhecido pelos inúmeros conselhos e dicas sobre escrita, compilados a partir de cartas em resposta a admiradores, fãs e leitores.

As orientações são levadas em conta até hoje por entusiastas da escrita em língua inglesa. Mark geralmente destacava que, para escrever bem, era necessário “matar os adjetivos”. “Escreva ‘pra caralho’ todas as vezes que você estiver inclinado a escrever ‘muito’; assim, seu editor vai deletar o termo e sua escrita vai ficar ótima”, diz uma famosa recomendação bem humorada creditada a ele.

“Eu notei que você usa linguagem simples e direta, palavras curtas e frases breves. É assim que se deve escrever em inglês – é a maneira moderna e a melhor maneira. Continue assim; não deixe as firulas, enfeites e verborragia se aproximarem. Quando der de cara com um adjetivo, mate-o. Não, não quero dizer completamente, mas mate a maioria deles – e aí os que sobrarem serão valiosos. Eles se enfraquecem quando estão próximos. Ganham força quando estão distantes. Quando o hábito de usar adjetivos, ou de ser ‘palavroso’, difuso, cheio de firulas, domina a pessoa, é difícil de abandonar como qualquer outro vício.”

Mark Twain, em carta a um estudante em 1880

A conclusão: não há dúvidas de que ler mais e melhor contribua para fazer um leitor se tornar um escritor mais completo. Escolher a ‘melhor’ leitura para um aspirante a escritor, no entanto, é uma tarefa mais subjetiva. Depende do tipo de escritor no qual ele quer transformar-se.

4 livros de não-ficção que você deve conhecer

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Aumente seu repertório cultural com os livros listados

Publicado na Universia Brasil

A leitura é uma prática capaz de aumentar os conhecimentos dos estudantes. Além disso, faz com que eles tenham um repertório cultural maior e, consequentemente, consigam ter um desempenho melhor nas redações de vestibulares. Assim, confira 4 livros de não-ficção que você deve conhecer:

1 – Diário de Anne Frank

Anne Frank foi uma garota alemã de origem judaica que foi perseguida durante o holocausto nazista. Durante esse período, escreveu um diário, que em 1947, foi publicado por seu pai, único sobrevivente da perseguição. A leitura permite que o público conheça as atrocidades do período e entre em contato com uma visão de alguém que foi diretamente afetada pelo nazismo.

2 – Homenagem à Catalunha

Esta obra, escrita em 1938 por George Orwell, traz um relato particular das impressões do autor durante a Guerra Civil Espanhola. Utilizando a primeira pessoa, Orwell faz com que os leitores entendam bem o contexto do conflito, bem como quais as partes envolvidas. No entanto, a leitura é mais complexa.

3 – Abusado

Escrito pelo jornalista Caco Barcellos, o livro é uma reportagem sobre o tráfico de drogas e outras atividades criminosas, focando na história de um personagem do Morro de Santa Marta, no Rio de Janeiro. Lançado em 2003, Abusado revela o lado humano de personagens envolvidos pelo tráfico, muitas vezes ignorado pela mídia.

4 – Fama e Anonimato

Gay Talese dedicou seu conhecimento jornalístico para criar um dos livros mais importantes dentro da área. Publicado em 1973, Fama e Anonimato reúne textos sobre assuntos relativos à cidade de Nova York, com uma apuração extremamente detalhada. Um dos mais famosos deles é o perfil do cantor Frank Sinatra, quem o autor nunca entrevistou e escreveu o texto com base em observação.

Laurentino Gomes e Marina Colasanti vencem o Prêmio Jabuti

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Escritor levou na categoria não ficção por ‘1889’ e Marina, autora de ‘Breve História de Um Pequeno Amor’, pela melhor obra ficcional

Maria Fernandes Rodrigues, no Estadão

O jornalista Laurentino Gomes ganhou na noite desta terça-feira, 18, seu terceiro Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção por sua trilogia sobre a história do Brasil. O primeiro foi para 1808, em 2008, o segundo, para 1822, em 2011, e agora 1889, obra que encerra a empreitada, foi escolhida pelos jurados e também pelos associados da Câmara Brasileira do Livro como a melhor de 2013. O Livro do Ano de Ficção foi para Marina Colasanti, pelo infantil Breve História de um Pequeno Amor (FTD). Eles ganharam R$ 35 mil cada um, além dos R$ 3.500 por terem sido os primeiros colocados de suas categorias e o troféu no formato de um Jabuti.

Com este prêmio, Laurentino Gomes se iguala a Chico Buarque em número de estatuetas de Livro do Ano. Gomes contou, depois da premiação, que até ficaria feliz se Lira Neto ganhasse o prêmio pelo segundo volume de sua trilogia sobre Getúlio Vargas – mas ele queria ganhar. “Foi o meu livro de que mais gostei. É o mais maduro, mais bem acabado. É onde aprendi a ser escritor. Então, no fundo, eu esperava que ele recebesse a mesma premiação dos outros dois.”

Laurentino Gomes levou R$35 mil pelo primeiro lugar

Laurentino Gomes levou R$35 mil pelo primeiro lugar

Os três volumes venderam, juntos, mais de 2 milhões de exemplares. “Os brasileiros estão muito interessados em estudar a história do Brasil, em buscar explicações para o País de hoje. E precisamos ser muito generosos com esse leitor escrevendo com uma linguagem muito fácil de entender. Caso contrário nunca vamos conseguir ter um país de leitores”, disse.

Laurentino Gomes aproveitou para falar sobre o o momento pelo qual estamos passando e disse que não podemos nos assustar com os desafios do presente, já que a história mostra que temos uma boa capacidade de superação de obstáculos e dá um sinal de esperança em relação ao futuro. “Eu me assusto muito com o grau de exaustão da democracia brasileira. Pessoas muito jovens pregando o golpe militar, a ditadura, um clima de conspiração e de desânimo no ar. Mas é só estudando história que vamos afastar esses fantasmas do horizonte”, disse. E completou: “Quem não teve oportunidade de refletir mais sobre o País, de se informar sobre nossa jornada até aqui, é que está pregando medidas radicais. O Brasil vive clima de intolerância muito grande. É só entendendo essa jornada que vamos conseguir construir um futuro de forma mais organizada e menos barulhenta e intolerante.”

O jornalista quer continuar nos séculos 18 e 19, período de formação do estado brasileiro, em seus próximos trabalhos. Mas por ora se ocupa dos desdobramentos de sua trilogia premiada em obras para adolescentes e crianças. Uma ficção não está nos planos. “Ela me assusta muito. Sou repórter, trabalho com não ficção, é o que sei fazer. Ficção é um mergulho na alma humana que exige um talento e acho que não tenho.”

A ficção, especialmente a infantojuvenil, é terreno da escritora Marina Colansanti, que passou por um apuro um pouco antes da premiação. Em visita a uma escola de Cidade de Deus, uma criança de quatro anos se enroscou em sua perna e ela foi de cara no chão. Quebrou o nariz, o septo. E disse ao cirurgião Ivo Pitanguy: “Ivo, pelo amor de Deus, conserta esse nariz porque eu tenho que buscar meu Jabuti”. Ela tirou o curativo na segunda-feira, e ontem estava lá recebendo o prêmio por sua prosa poética acerca de uma escritora que encontra um ninho com filhotes de pombo abandonados pela mãe e decide cuidar deles.

“Considero que fui ferida em combate, no cumprimento do dever”, brinca a escritora. Em seu discurso, ela disse que ficou surpresa porque o prêmio foi dado a uma uma obra infantil. Depois ela completou: “Sempre se considera que a literatura infantil é uma subliteratura, que nunca chegou ao nível do Andersen, do Green, do Caroll. Isso não é verdade. Há um empenho de fazer leitores. Um livro de poesia para criança me leva pelo menos dois anos e enquanto estou fazendo aquilo não posso fazer outra coisa. Mas estou pagando o que recebi. Alguém fez de mim uma leitora e quero fazer alguns leitores”.

Ela acabou de fazer uma tradução de texto de Lewis Carroll (Alice para crianças muito pequenas), para a Record, e está preparando a reunião de todo os seus contos de fada – Mais de 100 Contos Maravilhosos sairá pela Global.

Festa. Na cerimônia realizada no Auditório do Ibirapuera, apenas os vencedores de cada uma das 27 categorias subiram ao palco – historicamente, os três primeiros colocados podiam receber o troféu e os aplausos, mas agora assistiram da plateia seus livros sendo exibidos no telão. A ideia era agilizar a festa, o que não ocorreu.

Antes da premiação, Ignácio de Loyola Brandão, escritor e cronista do Caderno 2, fez uma versão menor de seu Solidão no Fundo da Agulha, pocket show que criou com a filha Rita Gullo – ela canta músicas e ele conta histórias relacionadas a essas canções.

Tânia Rösing, idealizadora da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, foi homenageada com o troféu “amiga do livro”. Em seu discurso, disse: “Conseguimos muito – que o Governo comprasse livros, que as editoras fizessem boas edições. Mas nos falta coragem de investir na formação dos professores leitores”.Curador do Jabuti por 23 anos, José Goldfarb, que foi substituído este ano pela escritora e pesquisadores Marisa Lajolo, também foi homenageado e ganhou uma placa.

Em sua fala, Marisa Lajolo lembrou o poeta Manoel de Barros, morto na semana passada. Já a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, optou por um discurso mais informativo do que político, e destacou a importância do prêmio, lembrou os escritores mortos este ano, falou da presença da literatura brasileira no exterior, do Vale Cultura, e garantiu que em breve o Plano Nacional do Livro, Leitura e Literatura estará em discussão no Congresso Nacional.

56º Prêmio Jabuti: confira os vencedores (e a polêmica) da mais tradicional premiação literária

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Montagem/Facebook/Acervo Pessoal

Montagem/Facebook/Acervo Pessoal

Rodolfo Viana, no Brasil Post

Nesta quinta-feira (16), foram apurados os votos e anunciados os vencedores da 56ª edição do Prêmio Jabuti, a mais tradicional premiação literária no Brasil. E, mais uma vez, a apuração contou com uma polêmica: contrariando o regulamento, o jurado B não deu várias notas às obras das categorias Capa e Artes e fotografia, o que afetou o resultado final. Diante disso, a decisão da curadoria foi dar às obras a nota 8, a nota mínima do Jabuti.

Como é de praxe, a identidade dos três jurados de cada uma das 27 categorias permanece em sigilo até 18 de novembro, dia em que serão anunciados os vencedores do Livro do ano de ficção e Livro do ano de não ficção.

A’O Globo, Marisa Lajolo, presidente do conselho curador, afirmou: “A decisão vira jurisprudência para outros casos nesse ano, que espero que não aconteçam. Nos próximos anos será necessário incluir uma regra a esse respeito no regulamento.”

Além disso, na avaliação do curador Frederico Barbosa, o jurado B tentou manipular o resultado da categoria Contos e Crônicas, atribuindo nota 8 aos concorrentes mais famosos da categoria — Cristóvão Tezza, Luiz Vilela, Rubem Fonseca e Milton Hatoum. “Há um vício de julgamento. Cheira a manipulação. Mas a regra de limitar notas de 8 a 10 surtiu o efeito desejado pela CBL”, disse Barbosa.

A jornalista Raquel Cozer, da Folha de S.Paulo, afirmou em seu perfil no Twitter que, apesar das notas mínimas, os autores não foram afetados:

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Há um precedente para considerar tentativas de manipulação. Em 2012, o jurado C — mais tarde revelado como o crítico e editor Rodrigo Gurgel — distribuiu notas zero, o que colocou em xeque a legitimidade do resultado. Para que isso não voltasse a ocorrer, a organização limitou a nota mínima para 8.

CONFIRA OS VENCEDORES DAS PRINCIPAIS CATEGORIAS

Romance

1º lugar: ‘Reprodução’, de Bernardo Carvalho (Companhia Das Letras)

2º lugar: ‘A maçã envenenada’, de Michel Laub (Companhia Das Letras)

3º lugar: ‘Opisanie Świata’, de Veronica Stigger (Cosac Naify)

Conto e crônica

1º lugar: ‘Amálgama’, de Rubem Fonseca (Nova Fronteira)

2º lugar: ‘Você verá’, de Luiz Vilela (Editora Record)

3º lugar (empate): ‘Nu, de botas’, de Antonio Prata (Companhia Das Letras)

3º lugar (empate): ‘Um solitário à espreita’, de Milton Hatoum (Companhia Das Letras)

Poesia

1º lugar: ‘Bernini – Poemas 2008-2010’, de Horácio Costa (Demônio Negro)

2º lugar: ‘Ximerix’, de Zuca Sardan (Cosac Naify)

3º lugar: ‘Jardim das delícias’, de Marcus Vinicius Quiroga (Marcus Vinicius Quiroga)

Biografia

1º lugar: ‘Getúlio – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945)’, de Lira Neto (Companhia Das Letras)

2º lugar: ‘Wilson Baptista: o samba foi sua glória!’, de Rodrigo Alzuguir (Casa da Palavra)

3º lugar: ‘O castelo de papel’, de Mary del Priore (Rocco)

Reportagem

1º lugar: ‘1889’, de Laurentino Gomes (Editora Globo)

2º lugar: ‘Holocausto Brasileiro’, de Daniela Arbex (Geração Editorial)

3º lugar: ‘Um Gosto Amargo de Bala’, de Vera Gertel (Editora José Olympio)

Infantil

1º lugar: ‘Breve História de um Pequeno Amor’, de Marina Colasanti (FTD)

2º lugar: ‘Da Guerra dos Mares e das Areias: Fábula Sobre as Marés’, de Pedro Veludo (Quatro Cantos)

3º lugar: ‘Poemas que Escolhi para Crianças’, de Ruth Rocha (Editora Moderna)

Juvenil

1º lugar: ‘Fragosas Brenhas do Mataréu’, de Ricardo Azevedo (Ática Editora)

2º lugar: ‘As Gêmeas da Família’, de Stella Maris Rezende (Editora Globo)

3º lugar: ‘Uma Escuridão Bonita’, de Ondjaki (Pallas Editora)

Tradução

1º lugar: ‘A Anatomia da Melancolia’, tradução de Guilherme Gontijo Flores (Editora UFPR)

2º lugar: ‘Antologia da Poesia Clássica Chinesa’, tradução de Ricardo Primo Portugal (Editora Unesp)

3º lugar: ‘O Capital: Crítica da Economia Política, Livro I: O Processo de Produção do Capital’, tradução de Rubens Enderle (Boitempo Editorial)

Raquel Cozer divulgou a lista completa dos vencedores na Folha.

Não ficção para jovens é um dos destaques da Feira de Frankfurt

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Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Uma tendência notada na Feira do Livro de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que acabou no domingo (12), foi o aumento no número de obras de não ficção para jovens –público que já abocanha enorme fatia do mercado com livros de ficção.

Muitas dessas obras são adaptações de livros adultos –biografias, autoajuda, história– para os leitores jovens.

Nos EUA, alguns exemplos são a versão juvenil de “Invencível”, de Laura Hillenbrand, e de “O Poder dos Quietos”, de Susan Cain.

No Brasil, um sinal do interesse dos jovens adultos na não ficção foi a volta de “O Diário de Anne Frank” às listas de livros mais vendidos —tudo porque no romance “A Culpa É das Estrelas”, de John Green, os personagens vão ao museu Casa de Anne Frank.

“Quem compra o Diário’ é o mesmo jovem que lê ficção. É um público voraz”, afirma Bruno Zolotar, diretor de marketing da Record.

Na feira, a Record adquiriu o infantil “Malala, a Brave Girl from Pakistan/Iqbal, a Brave Boy from Pakistan”, de Jeanette Winter. A Companhia das Letras tem a versão juvenil de “Eu Sou Malala”, da Nobel Malala Yousafzai.

Para o público adulto, houve disputa maior por literatura de qualidade, na avaliação de Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia. Provam isso as negociações concorridas de “The Girls”, de Emma Cline, e “Fates and Furies”, de Lauren Groff. Ambos ficaram com a Intrínseca.

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Frankfurt em números

270 mil
foi o número de visitantes, ante 275 mil no ano passado, a menor visitação em seis anos; para editores, a comunicação via internet reduz ano a ano a importância de encontro

58 editoras brasileiras
participaram do evento, ante cerca de 170 em 2013, quando o Brasil foi o país convidado da feira

US$ 2 milhões
é, segundo especulações do mercado, o valor pelo qual a Random House adquiriu a trilogia literária “The Girls”, da estreante Emma Cline, que aqui ficou com a Intrínseca

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