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‘Atitude nas escolas é permissiva com o bullying’, diz escritora

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Autora do best-seller “Fale!”, que acaba de ganhar edição brasileira, Laurie Anderson fala sobre o tema abordado na obra
Publicado nos Estados Unidos em 1999, livro já vendeu mais de três milhões de cópias

Autora usou experiências vivênciadas na adolescência como inspiração Divulgação / Joyce Tenneson

Autora usou experiências vivênciadas na adolescência como inspiração Divulgação / Joyce Tenneson

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – Para a escritora nova-iorquina Laurie Halse Anderson, a literatura é o melhor caminho para que os jovens estejam prontos para enfrentar o mundo real. E é através de um romance que ela tem ajudando milhares deles. Lançado em 1999, “Fale!” conta a história de Melinda, estudante do ensino médio que precisa lidar com problemas como bullying, abuso sexual, depressão e mudanças físicas, tão comuns a jovens de todo o mundo.

Finalista do disputado National Book Award, o livro já vendeu mais de três milhões de cópias e rendeu uma versão cinematográfica em 2004, com o filme “O silêncio de Melinda”, estrelado por Kirsten Stewart. Quase 15 anos após o lançamento, a obra acaba de ganhar uma edição brasileira pela editora Valentina. Em entrevista concedida ao GLOBO, a escritora garante que, apesar do hiato, a história está mais atual do que nunca.

O GLOBO: Já se passaram quase 15 anos desde que ” Fale!” foi publicado pela primeira vez. Por que o livro ainda é tão atual?

LAURIE ANDERSON: Infelizmente, é mais atual hoje do que quando foi publicado pela primeira vez. Com os celulares e a internet, há mais maneiras para os adolescentes praticarem o bullying. Nos EUA, tivemos vários casos trágicos de meninas que ficaram tão bêbadas em festas que perderam a consciência. Enquanto estavam neste estágio, elas foram estupradas por garotos que filmaram o crime e postaram o vídeo na internet. Em seguida, essas meninas foram perseguidas, expostas a situações vexatórias e insultadas on-line. Algumas ficaram tão aterrorizadas e angustiadas que cometeram suicídio. Este tipo de ataque é revoltante e tem que parar.

De onde veio a ideia para o livro?

Quando minha filha mais velha estava começando no ensino médio, tive um pesadelo com uma jovem chorando. Quando acordei, não sabia quem era aquela menina e nem por qual motivo ela estava chorando. Então, decidi escrever sobre ela para descobrir essas coisas. Além disso, parte da história vem do meu passado. Quando tinha 14 anos, fui estuprada e tinha muito medo de contar a alguém. Para construir a história, lancei mão da minha própria experiência com a depressão e a luta para falar sobre o assunto e pedir ajuda.

Desde que “Fale!” ganhou reconhecimento em todo o mundo, você começou a receber e-mails e cartas de milhares de adolescentes. Já foi procurada por brasileiros ? O que eles relataram?

Já ouvi relatos de meninas e meninos brasileiros, que se identificaram muito com Melinda. Em boa parte dos casos, algo de ruim havia acontecido com eles numa festa. O trauma e a memória do ataque os deixa muito deprimidos e vulneráveis. Mesmo assim, eles sentem medo de pedir ajuda.

Os modelos tradicionais de escola contribuem para o bullying? O que precisa mudar?

As turmas e as escolas devem ser pequenas o suficiente para que comportamentos prejudiciais, como o bullying, possam ser notados e combatidos. Professores e administradores devem desenvolver políticas anti-bullying consolidadas também. É preciso que os valentões sofram sérias consequências, quando machucam outras crianças. Além disso, é necessário ensinar as crianças a respeitarem e cuidarem umas das outras desde o primeiro dia em que entram na escola. Se fizermos isso, e reforçararmos estas lições a cada ano, teremos uma geração de jovens mais fortes, emocionalmente mais saudáveis e mais bem preparados para vencer na vida.

Desde que lançou o livro, notou alguma mudança neste sentido?

A boa notícia é que há menos vergonha associada ao fato de ser vítima de estupro. Acredito que essa vergonha está sendo taxada agora aos meninos que praticam o estupro. Em vez de esta atitude ser vista como uma coisa legal ou ‘de macho’, nos EUA, ela está ficando mais fortemente reconhecida como algo repugnante. Também estamos ficando mais ágeis em prender e punir garotos e homens que abusam sexualmente de meninas. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Por que as escolas ainda têm dificuldade em ouvir seus alunos da forma adequada?

Acho que existem duas razões: não há professores suficientes e a atitude nas escolas ainda é permissiva em relação ao bullying. Embora seja caro para contratar mais professores e diminuir o número de alunos por classe, não custa nada para mudar as atitudes. Só é preciso coragem.

Por que os pais ainda têm dificuldade para perceber os problemas enfrentados pelos adolescentes na escola?

Parte do problema é que os adolescentes se afastam de seus pais como se isso fosse parte natural do processo de crescimento. Eles querem ser independentes antes de estarem prontos para isso. Além disso, muitos adolescentes não contam a seus pais sobre o bullying, porque têm medo de que o assédio se torne ainda pior, se os pais reclamarem na escola.

Como os pais devem agir?

Os pais que descobrem que seus filhos estão sendo intimidados devem reagir, antes de tudo, com amor. Eles devem confortar e tranquilizar seus filhos. Em seguida, é preciso exigir que a perseguição seja interrompida imediatamente, envolvendo polícia e advogados, se necessário. Adultos nunca tolerariam intimidações por parte de outros adultos no local de trabalho ou no shopping, por exemplo. Então, não há razão para permitirmos que nossos filhos sejam tratados pior do que gostaríamos.

Por que tantos estudantes, como Melinda, têm dificuldade em se adaptar à rotina escolar?

É difícil ser um adolescente! Seu corpo está mudando, sua cabeça ainda está se desenvolvendo, e a vida pode ser muito confusa. No meio de tudo isso, eles têm que acordar mais cedo do que gostariam, ir à escola e tentar aprender alguma coisa. Acho que alguns aspectos da escola poderiam ser modificados para tornar tudo isso um pouco mais fácil. Mas os adolescentes também precisam perceber que a vida adulta exige fazer coisas que você não quer, como o dever de casa.

Como os livros podem ajudá-los? Que tipo de literatura eles precisam?

Os adolescentes precisam ler livros pelos quais eles possam se conectar, e não apenas os velhos clássicos empoeirados de centenas de anos atrás. Eles podem ler os clássicos na faculdade e quando se tornarem adultos. A literatura é a melhor maneira de aprender sobre o mundo e desenvolver empatia por pessoas que são diferentes umas das outras.

O que você sabe sobre adolescentes brasileiros ? Você tem algo especial para dizer a eles?

Adoro viajar, mas não tive a oportunidade de visitar o Brasil ainda. Minhas informações sobre adolescentes brasileiros é apenas o que eu sei de leitura, e peço desculpas se não compreendo a cultura do país. Acredito que os brasileiros são, em geral, mais amigáveis, extrovertidos que os americanos. Há também mais respeito pelos idosos, o que gostaria de ter no meu país. Acredito também que os adolescentes brasileiros têm mais liberdade do que os americanos. Falo sobre ir a uma boate e a festas que entram pela madrugada, por exemplo. Num mundo perfeito, as noites seriam feitas para dançar, conhecer novas pessoas e ter ótimos momentos. No mundo real, no entanto, alguns adolescentes acabam se machucando, estuprados ou atacados de outras formas. Então, peço aos jovens que cuidem dos seus amigos e certifiquem-se de que todo mundo tenha uma diversão segura.

As mulheres são destaque na literatura em 2012

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Publicado na revista Marie Claire


Se na antiguidade as mulheres eram mantidas bem longe dos livros, em muitos casos analfabetas, hoje elas estão mais próximas da literatura do que nunca. Atualmente, não só são leitoras mais assíduas – 53% contra 47% dos homens, de acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro (IPL) no Brasil – como também tiveram um grande destaque na produção de sucessos literários durante 2012.

Além do fenômeno Cinquenta Tons de Cinza, escrito pela inglesa E.L.James, tivemos muitos outros destaques femininos, confira só:


Hilary Mantel: A escritora britânica ganhou pela segunda vez em 2012 o Man Booker Prize, mais importante prêmio literário de língua inglesa do mundo, com seu livro Bring up the Bodies. A publicação é a segunda parte de sua trilogia histórica sobre Thomas Cromwell, um dos homens de confiança do Rei Henrique VIII. O foco neste segundo volume é a trama que acabou resultando na morte de Ana Bolena, segunda mulher do monarca inglês. A escritora foi a primeira mulher a ganhar duas vezes o prestigiado prêmio de melhor livro do ano.

Louise Erdrich: A americana ganhou este ano o National Book Award de ficção, um dos mais importantes prêmios do universo literário nos Estados Unidos. A obra, The Round House, conta a história de um filho que quer vingar a mãe, uma nativa-americana da tribo Ojibwe, que foi violada. A publicação também foi nomeada para o famoso prêmio Pulitzer.


Almudena Grandes: a escritora espanhola teve seu último romance El Lector de Julio Verne eleito como o melhor livro do ano pelo respeitado jornal espanhol El País. A publicação conta as percepções de Nino, filho de um guarda civil, sobre as leis que regem uma guerra e a relação que o garoto estabelece com a literatura.

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